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10.2.15
10.2.15

 

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Ao ritmo da ambição!

 

Existem severas semelhantes entre um Full Metal Jacket, de Stanley Kubrick, e este Whiplash, de Damien Chazelle. Enquanto um referia ao método de criação de autênticas máquinas de guerra, o outro, através de uma pedagogia similar, ostentava o nascer de novos prodígios musicais. São didactologias semelhantes, militantes e emocionalmente oportunistas que recriam relações hostis ou "transportam" o educando a plataformas nunca alcançadas, e segundo Fletcher (J.K. Simmons), apenas obtidas com uma dedicação sobre-humana e inseridas numa certa jornada de vingança pessoal. A mesma personagem refere também que a indústria musical, nomeadamente a do Jazz, encontra-se empestada pela mediocridade, fruto de uma exigência perdida e pelas soberanias do politicamente correcto ou da preservação do estado emocional do músico. Nesse aspecto, o próprio Fletcher refere duas palavras nocivas – "bom trabalho" – o responsável para que anos a fio não tenhamos conseguido testemunhar a vinda de um talento nato desse mesmo ramo musical.

 

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Talvez seja essa pedagogia, que Whiplash torna-se numa obra nada consensual, a sua gustação é consoante às concordâncias dessas mesmas ideologias educacionais, mais do que a própria linguagem cinematográfica que o filme aspira, uma narrativa dinâmica em sintonia com os "batuques" da bateria de Andrew (Milles Teller), adquirindo um patamar superior dentro da mediocridade dos produtos sobre instrumentos e músicas no cinema. Aliás, Damien Chazelle foge por completo do óbvio desses lugares-comuns, porém, finta o espectador em vislumbra-los, nomeadamente o romance que parece surgir, mas desaparece como pauta usada. Whiplash remete-nos às enésimas relações entre mentor e discípulo, mas evidenciando um autêntico campo de batalha nesse ramo, ao invés de transportar-se para os passos já concretizados.

 

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Não se trata de um filme com noção de inovação, mas sim uma obra que nos leva à flor das emoções, e tais emoções são mais tarde requeridas em momentos musicais, onde Damien Chazelle foge a “sete pés” das tendências de videoclipp e explora assim a arte da perfomance, que volta a estar novamente debaixo da luz dos holofotes. Já que referimos perfomances, não poderemos esquecer o desempenho "bomba-relógio" de J.K. Simmons, aquele que tem sido visto como o secundário mais carismático dos últimos anos, resolve oferecer-nos uma prestação em constante afinidade com a fúria.

 

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Resultado, em sintonia com o esforço tremendo de Mille Teller, temos um dos finais mais impares do cinema norte-americano recente, evidenciado um embate físico e psicológico entre dois actores de gerações completamente diferentes. Segundo algumas fontes, Whiplash esteve prestes a nunca sair do papel, mas quando saiu foi consagrado os prémios de Júri e de Público do Festival de Sundance e de momento encontra-se nomeado aos Óscares, nomeadamente a de Melhor Filme. Uma prova que obviamente o barulho causado pelo filme de Damien Chazelle fez-se ouvir.

 

There are no two words in the English language more harmful than good job.

 

Real.: Damien Chazelle / Int.: Mille Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist

 

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8/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:30
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1 comentário:
De Frederico Daniel a 15 de Março de 2015 às 03:49
"Whiplash - Nos Limites" é um filme que me agradou bastante e recomendo que o vejam e a realização, o argumento e o elenco desta película cativaram-me.
"Whiplash - Nos Limites" demonstra que para sermos os melhores em algo que amamos temos de nos esforçar, temos de nos pressionar e temos de ir ao limite e é bem representado no filme.
4*
Está convidado(a) a ler a análise completa em: http://osfilmesdefredericodaniel.blogspot.pt/2015/03/whiplash-nos-limites.html
Cumprimentos, Frederico Daniel.


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