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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Um videojogo que sonha ser um filme!

Hugo Gomes, 11.08.23

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Honesto no preciso momento em que o filme nos apresenta um pitch (sim, literalmente um pitch!). Orlando Bloom, “disfarçado” de executivo de marketing, tenta convencer os investidores nipónicos da Nissan a apostar num novo modelo de corredor, um hipotético geek do homónimo jogo em translação às pistas de corrida, competindo com os maiores do mundo. Aqui, numa jogada que vai desde o product placement (a raiz de todo este projeto) até à proposta radicalmente absurda que nos sustenta enquanto intriga, junta-se o selo de “baseado em factos verídicos” e … voilà Neill Blomkamp (“District 9”) tem uma fórmula vencedora de quiche - uma conversão de consola para tela que nos soa diferente do previsível formato e igualmente próximo do que se quer em questão de “filme para massas”.

Neste aspeto, apostando num conto “underdog”, na superação e no sonho à americana (neste caso, um jovem inglês sem experiência no efeito a fazer-se à pista), e embrulhado numa espécie de homenagem mercantil à matéria-prima … que sonho! Contudo, “Gran Turismo” não defrauda nem um, nem outro, e sendo que, na sua faceta enquanto filme, é clássico quanto ao seu termo de entretenimento, sem nunca inventar a “roda”, gere os seus ingredientes numa espécie de malabarismo de best hits do seu cineminha, com o profissionalismo compensatório (ora, temos Dave Harbour na sua forma castiça a arrecadar cada momento e cada sermão). Depois, existe a fisicalidade, as corridas ali prestadas, meio termo na água tecnológica a servir de “easter eggs”, até ao cumprimento da ação cinematográfica. 

Oh, gamers de olhos lacrimejados, vedes perante vós que a viatura foi puxada a lustre, resultando num “filme à antiga” como bem quiserem apelidar ou no velcro possível do videojogo triunfar em definitivo na ala do cinema-espectáculo. Conforme seja a vossa posição, “Gran Turismo” é uma aposta ganha nas duas pistas, conseguiu ser um FILME (agora se isso é transcendental ou não, é uma outra conversa)!