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26.6.14

Entre explosões e sucata!

 

Depois de três filmes intensos que bem serviam de case study à cada vez mais iminente junção entre o cinema com os parâmetros do videojogo, Michael Bay parece ter por fim concertado muitas das fragilidades que a saga possuía e que ficou "celebre" por tê-las, convertendo este novo projecto no mais acessível deste franchise cinematográfico baseado na homónima linha de brinquedos da Hasbro (sem com isto querer dizer muito). Porém, e sem as ambições para ser algo mais, continuamos com o mesmo espectáculo de feira, até porque os níveis de ridículo continuam em altas em Transformers.

 

 

Mas voltando aos pontos positivos. Sendo este o maior dos filmes do território imposto por Bay, e não refiro apenas à longevidade da sua duração (pouco menos de 3 horas), Age of Extinction revela-nos um realizador mais maduro e controlado (pelo menos onde o deve ser), tentando construir desde a raiz um novo leque de personagens humanas e com tal preenche-los com os mais "variados" conflitos pessoais, ou seja, os mesmos problemas de sempre. Shia LaBeouf é deixado para trás e Mark Walhberg é o novo detentor do spotlight de protagonista, com todas as características do "bom americano"; inspirador, corajoso e paternal. Como estamos num filme de Michael Bay não é necessário muito em termos interpretativos, basta sim sermos nós próprios. Sob o signo desse mesmo "décimo primeiro mandamento", os atores (as novas aquisições) não são mais do que meros pavonear de egos, com Stanley Tucci a ser devidamente carismático e a actriz Nicola Peltz, da série Bates Motel, sob pouco esforço, a demonstrar que é melhor dos que as antecessoras: Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley.

 


Mas obviamente é tudo dispensável, porque a direcção do espectáculo estás nos seus tremendos CGI e nas criaturas robóticas que vendem milhões e milhões de brinquedos. Aliás, nesse aspecto, Age of Extinction é um aguçado produto de marketing de todo o género, não só no próprio merchandising como também no resto dos "patrocinadores". Depois, existe ainda aquela aposta no mercado asiático, se não qual era a finalidade de metade do enredo decorrer em Hong Kong? Michael Bay afina as suas "armas" e propõe-nos um "show" pirotécnico e visual invejável, até mesmo em comparação com os seus trabalhos anteriores, e sob esse regulamento de entretenimento de silly season, o realizador deposita a sua marca autoral (aquele "planozinho" em movimento lento com o abanar da bandeira norte-americana não poderia faltar). Portanto, não ousem em procurar neste registo puramente digital algo mais profundo e intimista. Nada disso. Quem espera por um filme a lá Bay então esta é a obra ideal, mas até nisso o nosso realizador consegue aperfeiçoar o seu espectáculo, devolvendo à saga um vilão desafiante (por fim!) e sequências de acção perceptíveis mas igualmente gloriosas, mais trabalhadas para o IMAX.

 

 

Finalmente, vale a pena salientar a autocrítica que Bay incute logo no início do filme, quando um proprietário de um antigo cinema desabafa ao nosso herói Wahlberg sobre o estado dos filmes de hoje, clamando que estes são reduzidos a sequelas e remakes. Ora bem, sendo Age of Extinction uma sequela e Michael Bay ligado à produtora Platinum Dunes, especializada em remakes sofisticados dos muitos clássicos do cinema de terror, se tudo isto passa de uma autêntica ironia, então Bay é uma farsa. Se não for, então nada disto sequer existiu?

 

"How many more of my kind must be sacrificed?"

 

Real.: Michael Bay / Int.: Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Nicola Peltz, Jack Reynor, Kelsey Grammer, Li Bingbing, Sophia Myles, Titus Welliver, T. J. Miller, Peter Cullen, Robert Foxworth, John Goodman, John DiMaggio, Ken Watanabe, Reno Wilson

 

 

Ver Também

Transformers (2007) 

Transformers: Revenge of the Fallen (2009)

Transformers: Dark of the Moon (2011)

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 18:23
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