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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Tom Cruise, o impossível

Hugo Gomes, 12.07.23

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Em parte, este novo "Mission: Impossible" parece-nos um “filme-trocista”. No mesmo ano em que Vin Diesel e sua trupe (vá, "família") nos entregaram uma sequência estapafúrdia nas ruas de Roma, Tom Cruise e sua “equipa” nos apresentam uma "réplica" mais contida, mas não inferiormente energética (aliás, o espectador consegue ter uma noção de espaço e tempo, coisa que não acontecia na assinatura de Louis Leterrier). Se "Indiana Jones" abriu com uma cena de ação num comboio nos Alpes austríacos, Tom e "amigos" (mais uma vez!) demonstram como se faz um longuíssimo clímax com tais ingredientes, dispositivos e locais, e de certa forma hitchcockiana, resolvendo-nos com um empratado circo de acrobacias, sem que o CGI berrasse pelas costuras.

Dito e feito, a "dupla maravilha" McQuarrie e Tom (sempre Tom!) matam "dois coelhos numa cajadada só" e "enterram" uns quantos street racings lamechas e um arqueólogo aventureiro no seu aparente "canto do cisne" em matéria de sequências de ação. Até porque o propósito de cada "missão" (já vamos na sétima e com muito mais genica para demonstrar) é superar os desafios físicos anteriormente estabelecidos. Portanto, ver e apreciar estes filmes é encontrar cinema na sua gincana, ação como veículo da intriga e o stunt (muito dele do próprio astro) como tour-de-force de  enredos cruzados, d espionagem global e blockbuster multi-geográfico.

Não é de espantar, com certeza absoluta, que estes capítulos tenham as suas manobras performativas como storyboard de raiz, e todo o resto nasce a partir desses feitos projetados. Contudo, mais um ato inconsciente (ingenuamente acreditamos nisso) é a posição de uma entidade de inteligência artificial como nemesis de Tom Cruise, o algoritmo contra o prático, poesia romantizada aos ouvidos de um cinema em transformação, e em conformidade com a urgência destes dias - "abraçar" o A.I. ou temê-lo? Nesse sentido, "Dead Reckoning Part 1" é provocador, principalmente quando o "encostamos" aos dois filmes anteriormente mencionados: "Fast X", filme que nos parece ter sido "escrito" com o auxílio do ChatGPT, ou "Indiana Jones", cujas acusações de uso da inteligência artificial têm vindo à tona, principalmente no infame de-aging

É um aviso certificado a essa Hollywood cada vez mais refém do artificialismo, com Tom Cruise (mais uma vez) a demonstrar que é um "action man" fora do seu tempo e que mesmo assim demonstra que o seu modus operandi não é obsoleto, e sim recriável e fascinante... mesmo que nele se deposite o "último dos moicanos".

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