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22.3.14

O Cinema morreu e com ele a sociedade!

 

Para os cinéfilos mais pessimistas, The Congress poderá servir numa visão bastante credível quanto à condição do actor e não só, toda a estrutura do cinema como tal nós o conhecemos. É com este anúncio da morte da 7ª Arte que o novo filme de Ari Folman (do fantasmagórico Waltz with Bashir) impera com um complexo argumento que não complemente exclusivamente nas envolvências para com a saúde do cinema mas como uma análise a uma sociedade cada vez mais empobrecida em termos de espírito, e as consequências que são levadas por essa fraqueza de estima social.

 

 

Baseado na novela de Stanislaw Lem (o mesmo autor de Solaris, que no cinema foi adaptado por Andrei Tarkovsky e mais tarde por Steven Soderbergh), The Congress inicia-se com a actriz Robin Wright a desempenhar ela própria, de forma a aludir a generalidade dos seus colegas de carreiras instáveis, que recebe uma pertinente proposta de ser scanizada pelo estúdio Miramount (deliciosa sátira e menção) para um projecto de actores digitalizados, a fim dos produtores e outros gestores livrarem-se das suas mordomias e das eventuais situações embaraçosas que a fama pode trazer. É um pouco como uma evolução industrializada, onde a condição humano é substituída por máquinas e em derivação a tal factor é gerada uma maior produtividade e rendimento. Neste estranho contracto, Robin Wright está interdita de exercer  seu trabalho de actriz de vez, quer teatro, televisão ou perfomance artística, nada.

 

 

Depois deste aperitivo de premonição tecnológica, The Congress desenvolve rapidamente para outra distopia, a das drogas alucinogénicas. Neste futuro algo medonho, roçando um pouco às temáticas de Matrix e Surrogates, é possível graças a um produto estupefaciente produzida pelo mesmo estúdio que garantiu um novo rumo ao cinema, viver a personalidade com que sempre sonhamos ser. Nota-se a certa altura fala-se de a chegada do pacifismo mundial em consequência disso, como foi argumentado, a extinção do ego, da vaidade e da intolerância social. Tudo isto beneficiado pelo uso da animação tecnológica, algo satírica, que Ari Folman atenta no segundo acto de The Congress, resultando numa obra visualmente sedutora, criativa e mais pessoal (não confundir com propósitos do Who Frammed the Roger Rabbit?).

 

 

Há muito por onde pegar nesta ficção cientifica autoral, as demasiadas distopias que remetem reflexões no espectador quanto ao estado actual de uma sociedade cada vez menos personalizada, cinicamente proporcionada pela tecnologia e gradualmente distante a níveis emocionais e didácticos. E devido a tal, Folman nos apresenta uma imensa vibratilidade em prol da complexidade dos seus temas, uma panóplia que nas mãos do autor é realçada a sua autêntica "espinha dorsal". Longe daquela capa de experiência do foro estético e intelectual, acentua-se uma jornada de afecto entre mãe e filho, onde Robin Wright serve de alavanca para esse subliminar jogo de emoções. Destaque também para o regresso em grande de um dos actores mais marginalizados pela industria cinematográfica actual, Harvey Keitel.

 

 

The Congress é um filme genial, extenso e nada tímido para com as suas próprias expressões e ideais, o anúncio da morte do cinema e da sociedade são arranques imaginativos e profundos para a confirmação de um dos mais proeminentes cineastas da actualidade. Depois da Valsa, chega-nos a solicitude.

 

Real.: Ari Folman / Int.: Robin Wright, Harvey Keitel, Paul Giamatti, Kodi Smit-McPhee, Danny Huston, Sami Gayle

 

 

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Waltz with Bashir (2008)

10/10

publicado por Hugo Gomes às 21:24
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