Data
Título
Take
18.8.14
18.8.14

Dissecando a alma de poeta!

 

Foram precisos 12 realizadores e argumentistas (todo eles estudantes de cinema de uma escola especializada em Nova Iorque) para desmistificar a vida e os segredos subliminares do poeta norte-americano C.K. Williams (vencedor de um Pulitzer) neste Tar. O resultado é um biopic que na teoria se revela pouco usual, a adaptação de 11 dos seus poemas como narrativa que invoca as diferentes fases da vida do escritor, mas que na prática é tudo menos original.

 

 

Tudo aqui exposto é demasiado poético, mas num sentido mais "copista" que intrínseco. Os poemas, uma base excepcional e rica em emoções, são transformados num "wanna be" Terrence Malick. Parece ingrato este insinuação, sendo que talvez o realizador sempre sonhara em aproximar-se do poeta do que propriamente o inverso, mas enquanto um é um artesão na Sétima Arte, o outro é um figura celebrizada e incontornável da literatura poética norte-americana.

 

 

Pois bem, Tar (titulo alusivo a um dos seus mais marcantes poemas) é uma divagação que se arrasta em territórios malickianos, a natureza como berço desses pensamentos existencialistas e a figura maternal como centro do conflito humano. Os pensamentos estão lá, as filosofias "arrancadas" visceralmente dos poemas de C.K. Williams empregam na narrativa como meros alicerces e os atores expostos neste projecto ambicioso convertem-se em meras figuras inanimadas, inspiradores das palavras de Williams, condenadas às suas sílabas e da força com que são proferidas por James Franco.

 

 

Tar é somente isto, um filme limitado pelo seu sentido de homenagem, reduzido a mera estrofe e orientado pela sabedoria de um artista valioso na cultura dos EUA e não só. Quase que nos força a afirmar que os poemas foram feitos para serem citados e não ilustrados. Beleza sem intenção nem com a sensibilidade desejada.

 

"Someday, some final generation, hysterically aswarm

beneath an atmosphere as unrelenting as rock,

would rue us all, anathematize our earthly comforts,

curse our surfeits and submissions."

Tar, C.K. Williams, 1936

 

Real.: Edna Luise Biesold, Sarah-Violet Bliss, Gabrielle Demeestere, Alexis Gambis, Brooke Goldfinch, Shripriya Mahesh, Pamela Romanowsky, Bruce Thierry Cheung, Tine Thomasen, Virginia Urreiztieta, Omar Zúñiga Hidalgo / Int.: James Franco, Mila Kunis, Jessica Chastain, Zach Braff, Bruce Campbell, Henry Hooper

 

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 20:50
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

O pão de cada dia obriga ...

Critica - "Nós" não ficam...

Primeiras impressões: Us

Os patetas do costume

O meu Cinema é feito de M...

Maquilhagem americanizada...

Crítica: Marvel no nome, ...

Críticas: uma portuguesa,...

Primeiras reacções: Capta...

E os Óscares?

últ. comentários
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
Padrinho... Mas Pouco: 3*Um filme divertido, mas p...
Impossível esquecer este anjo, este homem.
Triste perda. Que descanse em paz.
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
30 comentários
25 comentários
20 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs