The Pool Club

Gostaria de pensar em “Pools” como uma espécie de “The Breakfast Club”, caso John Hughes fosse dado a estratagemas políticos e tivesse vivido numa geração altamente depressiva como esta que se faz adulta, em constante FOMO e com a sensação de um fim próximo, talvez demasiado próximo, alimentando uma melancolia esmagadoramente suicida.
Não se pode negar: Sam Hayes, neste primeiro ensaio de longa-metragem, comete alguns erros de principiante, como insuflar em demasia a intriga com reflexões que soam a profundidade forçada ou a filosofias de segunda categoria. Mas não fiquemos pelo aparente: há espaço para apreciar aquilo que “Pools” quer ser, desde logo, no próprio título, “piscinas” surgem aqui como símbolo máximo da divisão entre classes: não apenas como frescura para os verões insuportáveis, mas como ostentação social, marca de uma propriedade líquida e visível.
É nesse calor … e que calor! … que enlouquece os jovens de um campus universitário, cinco náufragos da chamada “escola de verão”, decididos em “assaltar” um condomínio privado, explorando piscina a piscina, muitas vezes perseguidos pelos seus donos. Para uns, o gesto é mera emancipação de uma juventude desamparada (a última loucura jovial antes da entrada do ‘universo adulto’); para outros, um movimento político de desapropriação do próprio conceito de propriedade (Hughes cometia tal ato num carro em “Ferris Bueller's Day Off”, símbolo não apenas da apropriação, como da opressão hereditária), essa arma tão americana contra ideais de esquerda, nomeadamente comunistas.

Se dúvidas houvesse quanto às intenções politizadas de Sam Hayes neste seu primeiro filme, existe uma sequência nada inocente em que um técnico de ar condicionado (Michael Vlamis), é desafiado pela protagonista, Kennedy (Odessa A’zion, “Hellraiser”), a integrar um union (= sindicato). Talvez aí resida a chave para a resolução dos seus problemas e dos que a narrativa lhe reservará mais adiante. Voltando ao “clube de pequeno-almoço”, as personagens agrupam-se nas suas dores, frustrações e inseguranças, espelho de uma juventude que anseia pelo protagonismo das suas próprias vidas, cada vez mais trituradas pelas pressões sociais e incapazes de se conformar com um destino já predestinado e no seu entender dilacerado.
Sam Hayes é desses autores independentes que entrelaçam comédia e drama, por vezes abusando da dose, sem saber ao certo onde acaba a tristeza e começa a martirologia. A juventude, verde ainda, sujeita-se ao que a vida oferece sem pudor: a mortalidade — a nossa e a dos outros. Só há que lidar com ela. Não é perfeito, nenhum filme o é, nem mesmo as proclamadas “obras-primas”, mas “Pools” é uma viagem: pela secura, pelo salto de fé na água, pelo mergulho até à exaustão. Perdoam-se-lhe os pecados, porque as virtudes fazem os seus devidos mortais à retaguarda..

