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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ... apresenta: Top Eróticos

Hugo Gomes, 21.02.15

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Não caiam no erro, cinema erótico não é o equivalente a pornografia, e sim uma arte que acima de tudo se deixa deslumbrar pela luxúria, pela sensualidade dos corpos e a aura tentadora que emerge nelas. Uma antiga relação amorosa que remonta-nos aos primórdios do cinema, mais concretamente com os testes de footage de Eadweard Muybridge (1884 - 1887), a partir daí o cinema ficou fascinado com a versatilidade e a beleza dos corpos humanos, da sua delicadeza até à sua robustez, tentando combater as eventuais censuras em prol desse adultério para com os bons valores. Mesmo nos dias de hoje o cinema erótico é visto de certa forma como uma minimização da pornografia, mas enquanto esta evolui para territórios mais jubilantes e menos cinematográficos, o erotismo se comporta como um género rebelde, pronto a causar controvérsia, e sobretudo a minimizar a distância do seu público para com as suas mais intímas fantasias e à temática sexual que a sociedade tanto quer esconder.

E como o cinema erótico tem tanto para mostrar, obras cinematográficos ímpares de gerações, estilos e narrativas, o Cinematograficamente Falando … em colaboração com Nuno Pereira do site Cinespoon (ver aqui) e Roni Nunes, João Miranda e André Gonçalves do C7nema (ver aqui) decidiram elaborar um Top das Melhores Filmes Eróticos até à data, com influência da estreia de Fifty Shades of Grey. Uma lista que reúne os mais diferentes mestres da cinematografia, desde Cronenberg a Verhoeven, Ozon a Bertolucci, todos eles contribuíram para a imensidão da onírica luxúria e a fantasia pessoal de cada um. O imaginário do espectador poderá ser assim levado para fora dos limites da perversão ou até mesmo da divindade sexual.    

 

#10) Les Anges Exterminateurs (Jean-Claude Brisseau, 2006)

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Um híbrido entre fantasia masculina com autobiografia, metaforizando as memórias do seu autor, Jean-Claude Brisseau, sob pseudónimos e muito erotismo onírico. Les Anges Exterminateurs é o apogeu de uma busca interminável de um homem pelo que mais de divino possui a mulher, o derradeiro orgasmo. No segundo capítulo da trilogia Tabu, nunca os corpos femininos obtiveram tamanha sensualidade e intimidade. Um retrato intimista, a segunda chance de um realizador "humilhado" em praça pública, mas mesmo assim, apaixonado pelo seu símbolo de tentação. Hugo Gomes

 

#09) Shame (Steve McQueen, 2011)

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Steve McQueen navega em território erótico, porém aquilo que conseguiu cometer foi um ensaio frigido da ninfomania. Em Shame não temos fantasias, devaneios, nem sequer "mundos encantados", tudo é retratado num quotidiano obsessivo e desesperado. Michael Fassbender é essa loucura do degredo em pessoa, o "peão" em queda livre para as profundezas da luxúria. Para além do seu marcante desempenho, temos ainda uma frágil Carey Mulligan como boneca de desejo. Vergonha é dos poucos filmes que aborda a ninfomania como a doença que é. Hugo Gomes

 

#08) Crash (David Cronenberg, 1996)

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O desejo é fluído. Desliza sobre as geometrias urbanas e concentra-se nos pontos de contacto entre as pessoas. Quando as linhas que os automóveis desenham sobre estas superfícies se cruzam, este explode em estilhaços como os vidros e os ossos. Crash é um filme sobre estas explosões e sobre a sua procura. Numa sociedade que pretende formatar as interacções pessoais e o desejo ele próprio, este manifesta-se por vezes de formas surpreendentes. João Miranda

 

#07) La Bête (Walerian Borowczyk, 1975)

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Esse clássico absoluto e escandaloso do aliciante cinema erótico dos anos 70 trazia uma fantasia, uma sensualidade e um humor que praticamente não se encontra no cinema actual. A acção se precipita quando uma inocente beldade da nobreza inglesa vai à França conhecer o noivo ao qual estava prometida. Ocorre que este é estranhíssimo e o castelo do seu sogro esconde mais do que os retratos de uma geração nobre na parede. Para além de um erotismo cheio de classe, tem uma inteligência invulgar, um enorme sentido de humor e uma escandalosa associação da sexualidade humana como uma bestialidade atávica, o suficiente para deixar os conservadores da altura de cabelos em pé... O autor da façanha foi o polaco exilado em França, Walerian Borowczyk, responsável também pelos magníficos Contes Immoraux, que lançaria dois anos depois. Roni Nunes

 

#06) Nine 1/2 Weeks (Adrian Lyne, 1986)

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Só por ter sido o principal difusor da gastronomia corporal como preliminar, já merecia um lugar neste top 10. Que Nine 1/2 Weeks tenha de facto uma história realista e hipnótica de uma relação que se vai tornando obsessiva por detrás dos seus grandes momentos mais badalados – realço, para além da icónica sequência gastronómica, o "strip" igualmente icónico de Kim Basinger ao som de "You Can Leave Your Hat On" de Joe Cocker - é um pequeno milagre. André Gonçalves

 

#05) Secretary (Steven Shainberg, 2002)

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O Amor é polivalente. Perante as imagens culturais e mediáticas que nos limitam, por vezes é difícil compreendê-lo sem o julgar ou o considerar bizarro. "Secretary" é uma história de amor diferente, que surpreende tanto os espectadores, como os seus participantes. Um filme que recusa o amor romântico que enche os ecrãs, os livros, as músicas e os postais, mas que recusa também qualquer etiqueta. João Miranda

 

#04) Lucia e El Sexo (Julio Medem, 2001)

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O cinema latino é mais facilmente associado a tópicos mais "calientes" é certo, mas Lucia e El Sexo destaca-se dos demais, ao usar máximo efeito a sensualidade dos atores (Paz Vega emergiria deste filme como uma das grandes revelações latinas da década), o ambiente envolvente - neste caso, a paisagem mediterrânica - e a sua meta-narrativa fantasiosa, como estímulos altamente irresistíveis, e tão eróticos como intelectuais. André Gonçalves

 

#03) The Dreamers (Bernardo Bertolucci, 2003)

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Em pleno verão quente de 68, durante as manifestações estudantis em paris, uma tríade (estudante americano, casal de irmãos franceses) nasce. Em The Dreamers temos verdadeiramente o que a cine-arte devia ser. Sob uma temática altamente relevante, é pintado um quadro, com Eva Green como musa inspiradora, uma verdadeira Venus de Milo. Nuno Pereira

 

#02) Swimming Pool (François Ozon, 2003)

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Toda a inteligência de François Ozon é expressa nesta obra. O centro é a relação peculiar entre uma escritora inglesa que procurava inspiração na sua casa no sul de França, mas em vez disso encontra inquietação nos braços da sua estranha filha. Aqui o destaque maior recai sobre os diálogos arrojados e o clima profundamente sexual e misterioso, mérito para a dupla protagonista, Charlotte Rampling e Ludivine Sagnier. Nuno Pereira

 

#01) Basic Instinct (Paul Verhoeven, 1992)

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O filme que encerra a fenomenal epopeia de Paul Verhoeven com capitais americanos - antes de se afundar com "Showgirls" e o "Hollow Man". Os seus temas favoritos (a culpa, o pecado, a consciência, a perversão) ganham uma abordagem de luxo numa intrincada trama policial que contava com uma Sharon Stone num estado de graça e a bater em sensualidade e inteligência qualquer femme fatale da história do cinema. Além dela, a sua curvilínea amante Roxy (Leilani Sarelli) acrescentava um charme lesbian chic à história, que incluía requintadas cenas de sexo e a fabulosa sequência do interrogatório, onde um espectáculo de montagem e movimentos de câmara culminava com uma das cenas mais famosas do cinema recente - a do cruzar de pernas. Nunca mais se veria Sharon Stone assim - ainda que a sua fulgurante participação em "Broken Flowers", de Jim Jarmusch, servisse parcialmente de consolo. Roni Nunes

 

Menções Honrosas

Ai no Korîda (Nagisa Ôshima, 1976)

Contes Immoraux (Walerian Borowczyk, 1974)

La Vie d'Adèle (Abdellatif Kechiche, 2013)

Nymphomaniac: Director’s Cut (Lars Von Trier, 2014)

Uomo che Guarda, Le (Tinto Brass, 1994)

Cinematograficamente Falando ... apresenta: Top Filmes de Lobisomens

Hugo Gomes, 11.10.14

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Licantropos, homens-lobos, “cadeirudos”… mas acima de tudo lobisomens, essas criaturas que há séculos preenchem o nosso imaginário e alimentam os nossos medos. Eles representam os nossos temores mais primitivos: a metamorfose animalesca, as maldições, a dupla de garras e dentes, a regressão do Homem ao animal que existe dentro de si. Praticamente todas as culturas têm uma história com este conceito, um relato universal que encontrou no Cinema a sua plataforma de difusão, entre bestas peludas e transformações extraordinárias, instintos sanguinários ou o romanesco nas suas amarras. Lobisomens e os seus filmes, em Cinematograficamente Falando... sujeitos a um top (leia-se em entrelinhas, um guia essencial).

 

#10) Le Pact Des Loups (Christophe Gans, 2001)

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Filme francês que relata os ataques de uma besta lupiforme que aterroriza uma aldeia no século XVIII. Uma irmandade decide erradicar o monstro, lançando-se numa missão perigosa. Esta mega-produção gaulesa tornou-se historicamente numa das grandes estreias francesas em terras do Tio Sam, além de ter angariado sucesso (e culto) em outros países. Apesar das péssimas críticas recebidas na altura, “Le Pacte des Loups” resulta numa fita visualmente e tematicamente irrequieta, cruzando elementos de terror, thriller, drama e até mesmo variações de wuxia, uma esquizofrenia identitária que lhe atribui um certo toque de graça. Com Vincent Cassel, Marc Dacascos e Monica Bellucci nos papeis principais.

 

#09) Legend of the Werewolf (Freddie Francis, 1975)

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Hammer Studios, considerado um dos mais poríferos estúdios especializados em terror entre os anos 50 e 70, esteve envolvido na ressurreição da lenda do Homem-Lobo, assim como em outros “monstros universais” do cinema. Peter Cushing é a estrela desta variação da licantropia. A história centra-se numa criança que, após a morte dos seus pais, é criada por lobos. Mais tarde, é integrado num circo ambulante, até fugir para Paris na fase adulta. Lá apaixona-se por uma prostituta, e é então que as matanças começam.

 

#08) Dog Soldiers (Neil Marshall, 2002)

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Durante um exercício militar nas florestas britânicas, um pelotão de soldados é confrontado com uma alcateia de corpulentos lobos com um instinto assassino de primeira classe. Após várias mortes, muito sangue e perseguições, descobrem que estas bestas caninas são, na verdade, soldados convertidos. Do realizador de “Doomsday” e “The Descent”, surge um filme de ação e terror com tudo no lugar certo, onde um grupo de lobisomens se revela como verdadeiros animais sedentos de sangue.

 

#07) Bad Moon (Eric Red, 1996)

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Eric Red, o argumentista dos célebres “Near Dark” (Kathryn Bigelow, 1987) e “The Hitcher” (Robert Harmon, 1986), decidiu realizar o seu próprio filme de terror, desta vez com lobisomens. Embora o orçamento disponibilizado tenha sido bastante reduzido, isso não impediu Red de usar toda a sua criatividade para nos trazer uma das obras mais sangrentas do género nos anos 90. Um caso curioso no universo licantropo.

 

#06) Wolf (Mike Nichols, 1994)

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Jack Nicholson é mordido por um lobo e, como consequência, transforma-se numa besta sedenta de sangue durante as noites de Lua Cheia. Realizado pelo aclamado cineasta de “The Graduate” e de “Closer”, esta é uma versão moderna do clássico mito do lobisomem. Para além de Nicholson, cujas suas idiossincrasias o primam enquanto personagem em constante conflito animalesco, podemos contar ainda com a presença magnética de Michelle Pfeiffer, como o trágico interesse romântico.

 

#05) Werewolf Of London (Stuart Walker, 1935)

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O primeiro filme de lobisomens com o cunho da Universal Pictures, que apesar de ser um marco nesse universo, revelou-se num fiasco de bilheteira, não conquistando de imediato o público ao longo dos anos (sendo que a versão de 1941 com Lon Chaney Jr. assumiria o título do genuíno filme de licantropia por décadas). Talvez seja o filme mais esquecido desta lista. Henry Hull foi o ator escolhido para vestir a pele (ou pêlo) da trágica personagem, e o suco de uma rara flor tibetana - mariphasa - é a única coisa que pode pôr fim à sua maldição.

 

#04) Ladyhawke (Richard Donner, 1985)

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Trata-se da variação menos ortodoxa de lobisomens nesta lista. Na verdade, é um romance impossível entre duas figuras trágicas e amaldiçoadas. Michelle Pfeiffer (no auge da sua beleza) interpreta uma mulher que, durante o dia, se transforma num falcão, enquanto à noite assume a sua forma humana. Em contraste, Rutger Hauer interpreta um cavaleiro que é humano de dia e um lobo à noite. Ambos estão apaixonados, mas destinados a um desencontro constante. “Ladyhawke”, um romance do fantástico popularizado na sua década, e que hoje encontra uma tímida luz de revisionismo.

 

#03) The Wolf Man (George Waggner, 1941)

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Lon Chaney Jr. foi o ator que celebrizou a imagem do lobisomem tal como a conhecemos hoje. Após o fracasso de “Werewolf of London”, a Universal decidiu refazer o legado, completando assim a sua galeria de monstros, que já incluía “Frankenstein” (James Whale, 1931), “Dracula” (Tod Browning, 1931) e “The Mummy” (Karl Freund, 1932). Esta é considerada a melhor interpretação de Lon Chaney Jr., que rapidamente redefiniu a imagem generalizada do Homem-Lobo como uma besta bípede, peluda, com traços humanos e dentes afiados como os de um lobo. Uma fita essencial para qualquer fã destas criaturas.

 

#02) The Company of Wolves (Neil Jordan, 1984)

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Uma reinvenção da fábula do Capuchinho Vermelho, dos irmãos Grimm, no qual Neil Jordan a transforma numa parábola sobre histórias de lobisomens e outras licantropias. Com um certo apetite erótico, “The Company of Wolves” é um exercício apuradamente técnico e cenográfico. O filme venceu quatro prémios na edição do Fantasporto de 1985, incluindo Melhor Filme, Prémio do Público e Prémio da Crítica. Dez anos mais tarde, Neil Jordan aventuraria-se na senda dos vampiros na adaptação do bestseller de Anne Rice, “Interview with the Vampire”, com Tom Cruise e Brad Pitt.

 

#01) “An American Werewolf in London” (John Landis, 1981)

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Um cruzamento entre comédia e terror à moda de John Landis (curiosamente, com apenas 31 anos), “An American Werewolf in London” é uma fita de lobisomens que exigiu um excelente trabalho técnico em efeitos especiais práticos. O resultado é uma das melhores (se não a melhor) representações de uma metamorfose em grande tela. Inteligente e inovadora, esta obra tornou-se um modelo a seguir no género dos licantropos, e infelizmente uma pesada comparação para os seus eventuais sucessores. Devido ao sucesso do filme, Michael Jackson contratou Landis para trabalhar no videoclipe de Thriller, e aí a história foi novamente feita.

 

Menções Honrosas

The Howling (Joe Dante, 1981)

Underworld (Len Wiseman, 2003)

Ginger Snaps (John Fawcett, 2000)

The Beast Must Die (Paul Annett, 1974)

Frankenstein Meets the Wolf Man (Roy William Neill, 1943)

Howling III: The Marsupials (Philippe Mora, 1987)