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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

David Warner, o inglês sisudo (1941 - 2022)

Hugo Gomes, 27.07.22

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The Omen (Richard Donner, 1976)

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Titanic (James Cameron, 1997)

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Time Bandits (Terry Gilliam, 1981)

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Michael Kohlhaas - Der Rebell (Volker Schlöndorff, 1969)

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Time After Time (Nicholas Meyer, 1979)

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TRON (Steven Lisberger, 1982)

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Morgan: A Suitable Case for Treatment (Karel Weisz, 1966)

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The Fixer (John Frankenheimer, 1968)

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In the Mouth of Madness (John Carpenter, 1994)

Esquecer tudo ou esquecer nada?

Hugo Gomes, 08.04.22

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The Zero Theorem (Terry Gilliam, 2013)

"Esquecer tudo é sem dúvida mau. Pior ainda é não esquecer nada, já que todo o conhecimento é gerado pelo esquecimento. Tudo o que é gravado indistintamente perde o seu significado, como acontece nas memórias alimentadas pela energia elétrica, tornando-se uma amálgama desordenada de informações inúteis."
- Judith Schalansky, An Inventory of Losses

O "Homem" que Matou Terry Gilliam de La Mancha

Hugo Gomes, 02.03.22

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De momento não consigo desassociar Dom Quixote de Terry Gilliam. Não pelo cansativo “fado” que se concentrou no realizador e ex-Monty Python para levar a cabo a sua (re)adaptação (para conhecer mais recomenda-se uma espreitadela ao documentário “Lost in la Mancha” de Keith Fulton e Louis Pepe), mas porque encontramos naquela figura decadente e alucinatória um pouco de Gilliam, um homem deslocado da sua realidade que vê gigantes em moinhos, negando a extinção da Idade da Cavalaria, é Quixote de la Mancha como poderia bem ser o cineasta.

O falso-nobre que persegue a sua não-conquistada Dulcineia (uma idéia acima da mulher, da mesma forma que Ofélia foi para Fernando Pessoa), acompanhado pelo seu arrastado escudeiro Sancho Pança, manifestou-se como peça-chave do nosso imaginário moderno, do trágico, da inegável teimosia, e da contracorrente contra manifestações culturais, isto numa obra literária de Miguel de Cervantes y Saavedra, história essa, tal como a distorção hoje vulgarizada de tragédia (ora trágico, ora cómico, conforme o nosso olhar), maleável a diferentes interpretações. Já o cinema de Gilliam (que só não partilha essa multi-perspectiva), mais desprezado do que amado, é um trabalho árduo e hercúleo que condiz com a sua trabalhada designação de enfant terrible do realizador, homem incapaz de cumprir orçamentos, demasiado fascinado por atos maiores que si.

Por entre um seguro “Twelve Monkeys” (1995) e “Brazil” (1985) ou do mais convencional “The Fisher King” (1991), existem assumidos falhanços que nem por isso deixam de ser interessantes e cativantes no sentido da idealização e ambição do projeto do propriamente do resultado final, seja “The Adventures of Baron Munchausen” (1988), “The Brothers Grimm” (2005) ou "The Imaginarium of Doctor Parnassus" (2009), todos distinguidos por uma fantasia algo impenetrável e em seu jeito deselegante, mas que conservam um espírito fértil nunca deveras transposto para o grande ecrã. “The Man who Killed Don Quixote”, em outra medida, é um desastre que respira Gilliam em todos os seus poros, não somente pelo mundo fantástico que choca sem medos com o real evidentemente egocêntrico, mas pela desorganização que a alucinante alternativa dimensional se comporta. Um vertiginoso "agressor" que, de nenhuma maneira, se faz de convidado, ao invés disso, invade-nos, interrompe-nos e intromete no nosso imaginário. Assim, surge entre nós um filme perturbado de produção perturbada - com atrasos e mais atrasos face ao imbróglio judicial - um “conquistador” cansado, linguarudo e ausente deste mesmo mundo.

É cliché resumir a tudo como uma “produção fora do seu tempo”, mas é catastroficamente fora deste mundo, e convém dizer que é preferível um Gilliam assim, que riposta em gigantes invisíveis (acredito que não seja o filme imaginado pelo realizador desde a sua primeira abordagem nos ano 90, mas entre querer e ter vai uma distância), do que um Gilliam domesticado. Nesse sentido, Gilliam é o nosso, e último, Dom Quixote do Cinema.

Todo o amor do mundo para Plummer

Hugo Gomes, 05.02.21
Há poucos dias de Hal Holbrook ter “ido” sem nos avisar, chegou a vez de Christopher Plummer, um daqueles atores que tem sido um secundário de luxo, uma honra de cumplicidade, partir aos 91 anos de idade. Tendo um carreira longuíssima desde o inicio dos anos ‘50, contando com alguns filmes memoráveis entre os quais o melhor dos Michaels Manns – “The Insider” – ou alguns dos trabalhos mais reconhecíveis de Terry Gilliam. Até mesmos nos esquecíveis o homem conseguia encher a tela com a sua presença e posicionar-se em escolhas ingratas como aquela substituição de Kevin Spacey no hediondo filme de Ridley Scott (“All the Money in the World”).
 
Uma vénia da minha parte ...
 

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The Imaginarium of Doctor Parnassus (Terry Gilliam, 2009)

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Wind Across the Everglades (Nicholas Ray, 1958)

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The Girl with the Dragon Tattoo (David Fincher, 2011)

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The Insider (Michael Mann, 1999)

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Eyewitness (Peter Yates, 1981)

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The Sound of Music (Robert Wise, 1965)

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Beginners (Mike Mills, 2010)

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Stage Struck (Sidney Lumet, 1958)