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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Njinga, A Rainha da Angola: realeza, guerreira e rotineira ...

Hugo Gomes, 10.07.14

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Segundo o novo e ambicioso filme de Sérgio Graciano (Assim, Assim) - Njinga: Rainha de Angola - os colonos portugueses tiveram complicações no seu dito processo de colonização em parte do território angolano (Ndongo e Matamba), em causa estavam tribos ferozes e belicamente astutos liderados por um mulher guerreira e detentora de um espírito indomável, mesmo pelos homens da sua nação. No mesmo filme de Graciano, o povo que insurgiu contra a coroa portuguesa e de igual forma aos seus costumes ocidentais, falam … português, e um português bem moderno e contextualizado sem dúvida.

Contudo, esta não é a única incoerência que Njinga possui, para além de uma rainha letrada, os holandeses que não são mais que portugueses de sotaque e adornos inexplicáveis para as circunstâncias, temos a nosso dispor todo um conjunto de tratamentos novelescos a uma história guerrilheira com promessas fartas de um fulgor épico. Depois é a construção narrativa, cruel para quem desconhece os factos históricos e a cronologia de uma relevante mulher mas absolvida pela banalidade da sua produção (mais interessada em extrair um teor televisivo que apresentar rigor na sua reconstituição). Poderíamos ter suspeitado, visto que por detrás desta produção cinicamente ambiciosa está uma cadeia de televisão angolana – Semba - com claros interesses em transformar toda esta "tarefeira" em série de horário nobre. Enfim, até mesmo como produto de televisão, Njinga é "marcado" por desempenhos dramaticamente baças, conflitos esquematizados e até mesmo sequências de batalhas destinadas ao fracasso teatral.

É pena que Graciano não possuiu "unhas para tocar tal guitarra", o essencial não era somente imprimir imagens mas sim conseguir expressar da maneira mais glorificante para com a figura homenageada e conectá-la com a credibilidade histórica. Mas é certo que o realizador tem um certo toque para com a câmara, chegando mesmo … vejam bem … a esboçar um plano sequência digno do cinema de Antonioni (mal empregue, verdade seja dita). Por fim, há que salientar que Njinga: A Rainha de Angola é de momento a "pedra no calçado" de Rodrigo Leão, o compositor português reconhecido em produções hollywoodescas apresenta aqui o seu pior trabalho. Sobra então a fotografia …