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25.5.17

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Encontro de Irmãos!

 

O percurso dos irmãos Safdie leva-nos aos imprevistos da noite, num conto que visa a violência urbana mas que nela investe o amor fraternal, uma faísca de esperança nesta corrompida desumanização que se abate entre nós. Poderia ser mais um retrato influenciado no neo-realismo ou no vérité de que derivava o anterior Heaven Knows What. Porém, ao invés disso, deparamo-nos com uma obra envolvida em ácidos, nas cores neons que tomam conta das imagens e da música techno que ecoa para nos trazer essa desesperada atmosfera. Robert Pattinson é esse peregrino, um criminoso que após um golpe falhado, resultando na detenção do seu irmão, tenta de tudo para conseguir libertá-lo.

 

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Para o bem dele, para o seu bem, e para o bem desta cidade cada mais adereçada a um oportunismo individualista, esta corrida contra o tempo (ao bom jeito das noites atribuladas de imprevistos, tais como After Hours, de Martin Scorsese), Good Time é um filme que fala sobre todos nós, mas é acima de tudo um diálogo entre os Safdie. Um intimismo, não individualista, mas colectivo. A sua relação, a sua história, as suas emoções espelhadas nos olhares desesperados de Pattinson (por sua vez a escolha de Ben Safdie a desempenhar o irmão encarcerado), como se o antigo ator de Twilight emanasse uma espécie de heterônimo de Josh [Safdie]. Novamente, o cinema desta dupla de irmãos remexe-se pela deambulação citadina, como se continuassem nesta imensa peregrinação pela selva de asfalto, sem rumo algum.

 

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Há quem aponte o efeito visual e sonoro de um agressivo videoclip minimalista e animalista, amarrado aquelas equívocas semelhanças com obras de Refn e a sua respectiva e superlativa atribuição estética, mas no seio de todo este novo tratamento, existe, com certeza, os nossos ‘“velhos” Safdie. O filme e o seu meta-filme, unidos numa só obra.

 

Filme visualizado no 70º Festival de Cannes

 

Real.: Ben & Josh Safdie / Int.: Robert Pattinson, Ben Safdie, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdi

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 15:04
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16.11.14

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Amar em Nova Iorque!

 

A segunda longa metragem dos irmãos Safdie (Ben e Joshua) é composta por um cinema espontâneo, quase descendente do neo-realismo italiano nas ruas de Nova Iorque, pavoneando-se como um conto de miserabilidade humana, mas com um olhar crescente para o individualismo pessoal. Heaven Knows What é inspirado num relato de vida, ainda por publicar, da sua protagonista, Arielle Holmes, uma toxicodependente e sem-abrigo que graças a esta obra cinematográfica tem sido reconhecida e declarada como uma estrela para o futuro. E não é para menos. A agora actriz é incisiva no seu empenho autobiográfico, declarando-se um figura simbiótica com o paradoxismo e bizarria do seu Mundo, o qual se encontra repleto de marginais e é "adocicado" por um atípico romance que transcreve um "amor-cão" ácido para os próprios parâmetros do romantismo cinematográfico (o actor Caleb Landry Jones é prova dessa bestialidade amorosa).

 

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Ausente de critica e de esboço social, sem moralidades nem compaixão com estas "criaturas" sob vestes humanas, a narrativa é impetuosa e vibrante como poucas, originando cumplicidades com uma câmara irrequieta e interveniente, sempre acompanhada por uma banda sonora minimalista que tão bem acentua as almas das suas próprias personagens. Os Sadfie conseguiram aqui o efeito naturalista e recorrente a um cinema urbano, selvagem e psicologicamente violento, preenchido por figura enigmáticas, "aprisionadas" a um habitat complexo, mas quase incompreensível para os demais, onde tudo se resume a um campo de batalha entre a vida e a morte.

 

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É cinema independente norte-americano no seu melhor estado, envolvido sob um sopro de ar fresco que revela assim a esperada emancipação da dupla de realizadores no panorama cinematográfico depois de Get some Rosemary (2009). A construção de uma nova linguagem? Talvez, mais do que um mero híbrido da veia documental. Mas por enquanto, podemos apreciar uma experiência vertiginosa nesses termos, liderada por uma protagonista que revive o seu falso quotidiano uma enésima vez.

 

Filme visualizado no Lisbon & Estoril Film Festival 2014

 

Real.: Joshua e Ben Safdie / Int.: Arielle Holmes, Caleb Landry Jones, Yuri Pleskun

 

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9/10

publicado por Hugo Gomes às 17:19
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