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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Filmes de Negros também importam

Hugo Gomes, 10.05.21

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“Straight Outta Compton”, “Harriet”, “Sorry to Bother You”, “Hustle & Flow” e agora “Judas and the Black Messiah”, o que há em comum nestes filmes além de serem apelidados de "filmes de negros"?

A resposta é bem simples: não estrearam (nem hipótese tiveram) nos cinemas portugueses. E no caso do último exemplar, pelos vistos o facto de ter conseguido 6 nomeações, incluindo a de Melhor Filme, e ter conquistado duas estatuetas (a de Melhor Ator Secundário para Daniel Kaluuya) não foram o suficiente para lhe garantir espaço nas nossas salas, condenado a ser despachado para o “videoclube”, ou seja, um nicho constrangedor. O que indigna nisto tudo, é que existe um padrão e quiçá, um racismo sistémico com disfarces de capitalismo. Seja as majors mães que “comandam” estas produções, seja as nossas representantes, uma coisa é certa, há que questionar e acabar com as persistentes “tradições”, essas que nos garantem filmes de teor direct-to-video nas salas e que colocam para VOD (nem streaming é) obras que mereciam um pouco mais de respeito e risco.

Tendo conhecimento das existências de taxas de publicidade requerida para estes filmes, e o historial de más bilheteiras em território português (assim nos fazem acreditar), é também incompreensível que uma das nossas principais distribuidoras – NOS – que declarou nos “Encontros de Cinema Português” de 2020, que, mesmo em contexto pandémico (onde os hábitos de consumos dos espectadores alteraram drasticamente), iriam continuar apostar em “filmes para millennials”, e entendendo nós que são essas novas gerações (o seu suposto “publico-alvo”) que mais preocupados estão com as questões de representação e diversidade. Por isso, abram os “cordões às bolsas” e soltam os “filmes de negros” nas nossas salas.

Isto tudo para avisar, com alguma tristeza, que o filme de Shaka King [“Judas and the Black Messiah”] encontra-se disponível em VOD.

Deixo ainda como leitura o artigo de Rui Pedro Tendinha no Diário de Notícias - https://www.dn.pt/cultura/o-filmes-dos-oscares-que-portugal-nao-quis-estrear-13695773.html

2020: uma odisseia na crítica de cinema

Hugo Gomes, 28.03.20

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 Les Sièges de l'Alcazar (Luc Moullet, 1989)

Inevitavelmente, a pandemia do novo Coronavírus tem vindo a reestruturar a crítica de cinema, uma seleção natural à moda do darwinismo nestes tempos de confinamento. A subsistência dessa arte, o qual integro-me, foi tentativamente documentada no meu artigo no portal C7nema, onde em distantes conversas abordei a situação com alguns dos respeitados profissionais do campo. Um muito obrigado a João Lopes, Inês Lourenço, Rui Pedro Tendinha, Jorge Leitão Ramos, Vasco Câmara e o crítico que preferiu não ser identificado, pelas respostas necessitadas para esta reflexão numa nova era que surge perante nós.

A quarentena forçada levou ao cancelamento de diversos eventos cinematográficos, pois nenhum é imune à ameaça patológica. A própria ida à sala do cinema tornou-se restrita, para não dizer nula, e nem mencionamos o trauma que virá a seguir e que a China - país onde já reabriram centenas de salas - está já a revelar. Na verdade, o cinema isolou-se agora em múltiplas plataformas de streaming, no VOD, Home Video ou simplesmente na incerteza.” ler texto aqui.

Todavia, mesmo antes da ameaça do Covid19, a crítica de cinema sofria com um abanão que fora o iminente fim da Cahiers du Cinèma, a sagrada instituição que valorizava a arte como um dos últimos redutos do pensamento cinematográfico. Para mais, ler aqui.

E os Óscares?

Hugo Gomes, 25.02.19

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A convite do Cinetendinha e do caro amigo crítico e jornalista de cinema Rui Tendinha, estive presente (indiretamente) na noite de entrega das estatuetas douradas para mandar uns quantos bitaites sob o gosto dos comes e bebes e do cansaço sempre habitual desta espera pelo hipoteticamente Melhor do Ano. E sempre bem acompanhado por Paulo Portugal (da Insider) a mostrar novamente aqui o seu encanto. Muito grato pelo convite e pela oportunidade.

PS: a nossa intervenção surge a partir das 4:50:00

Enquanto isso, e após a “surpresa” do Green Book, expressei numa crónica corrida no C7nema. “Poderia ter sido o ano da mudança nos Oscars, mas não o foi. Preferiram ficar à sombra da bananeira.” Ler crónica completa aqui.