Quarteto Fantástico (em memória de Barbara Rush)

Barbara Rush (1927-2024), Gregg Palmer, Rock Hudson, e Jane Wyman em imagem promocional de "Magnificent Obsession" (Douglas Sirk, 1954)
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]
Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...
Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Barbara Rush (1927-2024), Gregg Palmer, Rock Hudson, e Jane Wyman em imagem promocional de "Magnificent Obsession" (Douglas Sirk, 1954)
Mais para ler

“At least you could have had the decency to bring your own champagne!”
“Pillow Talk”, comédia romântica conectada pelo trio criativo e amoroso (Doris Day - Rock Hudson - Tony Randall), não foi certamente um exercício da vibe George Cukor e seu o proto-feminismo entranhado no sistema, ao invés disso é uma comédia screwball de tendência conservador e de apostas à “domesticação”.
Porém, não desprezaremos a escrita por detrás desta obra do retornado Michael Gordon (realizador de “Cyrano”, incluindo nas “blacklists” que marcaram a década de 50), e as suas conversas de travesseiros, um encontro acidental como Hollywood ambiciona entre dois estranhos da grande metrópole [Nova Iorque]. Ela, decoradora de interiores (Doris Day), ele, um compositor playboy (Rock Hudson), cujas linhas telefônicas estão partilhadas (problemas passados, obviamente), para um triângulo amoroso estar completo é necessário um terceiro vértice, um milionário (Tony Randall) que se sente “minoritário” (e de apropriado apelido ‘Forbes’), a alavanca para que as duas criaturas urbanas (cada uma delas livres das amarras matrimoniais), cedam a um romance de enganos. Existem aqui gags deliciosas, não há como negar - hoje em posição de espargata para com a validade do tempo - e a personagem borrachona de Thelma Ritter para ajudar à festa.

Contudo, o que de mais criativo este “Pillow Talk” (1959) possui, é infelizmente efêmero. Trata-se do uso engenhoso e por sua vez satírico do split screen, ora o contexto das linhas partilhadas é motivação para estes mesmos ventos, e assim o ecrã dividido, ora em dois, ora em três, demonstra uma interação simultânea entre as diferentes ações. A dinâmica entre as partes é também ela “bom serviço” ao emprego visual, que por vezes parece desejar sair dos seus traços e contactar carnalmente uma com a outra, ora vejamos, Day e Hudson comunicarem-se telefonicamente nas suas respectivas banheiras, cujo pé de cada um se une na invisibilidade do limite. Uma questão de enquadramento, diriam alguns, deste lado refiro a somente gosto, a aplicação do mesmo dá asas à criação.
Mas o romance aí erguido parece não dar mais oportunidades a esta opção estética, deixando a decoração interiorizada para Doris Day e a sua trupe (que voltaremos a rever). No final ficamos com a comédia sucedida e a mensagem de matrimónio como designo (des)igual para homens e mulheres. Porque Hollywood da casa dos 50 sofria com pesadelos sobre mulheres ambiciosas e livres (“If there's anything worse than a woman living alone, it's a woman saying she likes it.”). Mas quanto a isso deixemos para a História a do seu industrializado sistema.









Mais para ler