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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Eduardo Serra (1943 - 2025): pintando telas em tom de pérola

Hugo Gomes, 22.08.25

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Girl with a Pearl Earring (Peter Webber, 2003)

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O Delfim (Fernando Lopes, 2002)

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Unbreakable (M. Night Shyamalan, 2000)

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A Promise (Patrice Leconte, 2013)

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A Mulher do Próximo (José Fonseca e Costa, 1988)

Fados (Carlos Saura, 2007)

 

Um dos nossos nomes mais internacionais deixou-nos, após uma homenageada “Carta Branca” e ciclo na Cinemateca. O fantasma da sua ausência fazia-se sentir nos corredores e nas salas de projeção, até que alguém disse: “Está doente, é uma pena… era muito talentoso.” O derradeiro chegou e, com ele, a força das manchetes. O que dirão perante obra afiada e olhar aguçado? Valorizarão apenas o facto de ter ido para Hollywood e de ter assinado um dos “Harry Potter”? Já esse ciclo continha uma mensagem clara: há sempre mais por onde olhar no cinema de Eduardo Serra. A sua internacionalização não deve ser desmedida para os puristas; a sua sensibilidade fotogénica enche telas … e se as enche!

Suicídio em direto

Hugo Gomes, 12.11.16

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Antonio Campos repesca um dos episódios mais trágicos da televisão norte-americana – o suicídio em direto da pivô e jornalista Christine Chubbuck – para apurar as causas que levaram esta mulher a cometer ato tão grotesco.

A composição desta personagem misteriosa deve-se muito a Rebecca Hall que subjuga-se a este tormento psicológico num filme que aposta desde cedo na iminência da catástrofe. Obviamente, que o espectador sabe como terminará esta aventura pessoal, assim como um certo filme de James Cameron que “flutuou” nos box-office em 1997, mas o aqui em causa não é um filme válido pelo seu desfecho, e sim, um episódio recorrido em decadência humana, uma tragédia grega que joga o meta-palco da sua criação.  

Campos sempre teve um “fraquinho” por personagens torturadas, absorvidas por um ambiente em total decomposição, assim como o destino destas. Rebecca Hall cria em Christine um derradeiro duelo intrínseco entre uma réstia de esperança, uma salvação que o espectador aguarda desesperadamente, porém, sabendo à partida que tudo é em vão. Sim, este é o tipo de obra que qualquer guia televisivo expõe o aviso do “anti-feel good movie“, o cinema que reflete o quão frágeis nós somos, o quão vítimas somos dos nosso próprios objetivos profissionais, ao mesmo tempo, Antonio Campos dá-nos certas luzes sobre a condição e evolução da comunicação social, em certa parte, a forma como o jornalismo adaptou-se às audiências e não o oposto.

Existe aqui, evidente inspiração aos dotes dramáticos de “Network”, de Sidney Lumet, à hipocrisia implementada pela “caixinha mágica” e a sua interação com o exterior. Contudo, como biopic, se é que Christine anseia afirmar-se como tal, o filme tende em afastar-se desses lugares comuns de agenda award season, apostando na ênfase dramática e na criatividade desse sentido nas suas personagens. A depressão é um efeito secundário e o complexo desempenho de Rebecca Hall a principal medida.   

Yes, but …