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Título
Take
21.4.18

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Quem lida comigo conhece perfeitamente os meus sentimentos em relação à obra de Philippe Garrell, nomeadamente à ultima fase (ainda a decorrer). Contudo, ao rever o Le Coeur Fantôme (O Coração Fantasma) deparei ainda mais com o porquê dessa “repudia” aos seus últimos trabalhos.

 

Em Le Coeur Fantôme, Garrell filma expressões, as personagens tem, por fim, uma face a preencher a tela, e nela, sem o uso de qualquer palavra, comunicam emocionalmente com o espectador (o olhar de Luís Rego diz tudo e mais alguma coisa). Uma “mania” perdida com um Garrell que começou a filmar as relações de longe, ingenuamente de longe.

 

Mas o que mais me fascinou neste revisitar fantasmagórico foi o peito cheio de masculinidade, sem receio às “balas” apontadas. Sim, Le Coeur Fantôme é um filme masculino, e ao mesmo tempo um filme sensível sem tentar produzir faíscas de empatia com o género oposto. Fala-nos de amor e ao mesmo tempo interroga esses mesmos afetos. Porquê amamos? Será que amar tem prazo de validade? Ou, teremos a necessidade de amar?

 

Questões … e questões … questiono … intrigado, porém, questiono .

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:09
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19.5.17

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Amantes inconstantes!

 

A esta altura, perguntamos sinceramente até quando terminará a dita trilogia dos Amantes. É que mesmo sob essa desculpa, Philippe Garrel não tem rigorosamente mais nada para nos dizer. É a triste realidade, mas o seu novo filme L'Amant d'un jour (Amante por um Dia) é a resposta às suas limitações, quer criativas, quer, acima de tudo, ideológicas. Ciúme (La Jelousie) levou-nos a crer que essa mesma barreira criativa era possível existir na carreira do autor, enquanto que A Sombra das Mulheres (L'Ombre de Femmes), que representava um refrescante sopro, ficou-se pelo impasse ideológico.

 

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Este L'Amant' sofre dos dois males: primeiro pela falta de personalidade, visto que voltamos às cores monocromáticas, à edição angustiante (onde cada plano não tem a sua necessária expiração) e aos casais rompidos pelo adultério. Quanto ao segundo ponto, a ideologia de um burguês do arco-da-velha que discursa liberalmente uma espécie de poligamia secreta, pois, tudo contado no feminino para não sofrer com eventuais acusações de misoginia. Nesses termos, Garrel parece engraçar com a causa feminista, o direito das mulheres "perseguirem" as suas fantasias sexuais, os seus desejos instantâneos pela luxúria, o que mostra ser um avanço curioso frente à glorificação sentimentalista de As Sombras das Mulheres (a confundir sensibilidade com feminismo).

 

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Mas L'Amant' é mesmo assim uma pretensão, uma máscara na qual Garrel se esconde, de forma a escapar aos seus fantasmas, os quais que de alguma forma o alcançam. Assim, somos confrontados com um terceiro ato completamente previsível, "garrelianamente" falando. Afinal, a libertação sexual era uma fraude, pois o homem torna-se um elemento em sofrimento sem razão (por incentivo seu) e a mulher caí nas "boas graças" da praça pública.

 

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Fácil ceder-se a reacções primitivas e de pura misoginia por aqui. Está no nosso sangue! Como está no sangue de Garrel. Existem realizadores que nunca deveriam filmar um filme por ano: o prolifico não é sinónimo de qualidade e Garrel prova isso, sendo um autor que vai sobrevivendo à custa do seu estatuto.

 

Filme visualizado na 49º Quinzena de Realizadores

 

Real.: Philippe Garrel / Int.: Éric Caravaca, Esther Garrel, Louise Chevillotte

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 20:33
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11.3.17

Sombra das Mulheres, À.jpg

Philippe Garrel, o feminista?

 

Será esta a maldição de Philippe Garrel reviver nestes últimos tempos as mesmas intrigas adulteradas? L’Ombre de Femmes tem sido visto como a tendência feminista no seu discurso das traições, da natureza frágil das relações amorosas e da condição imposta pela sociedade ocidentalizada em matéria da monogamia "forçada".

 

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Sim, para quem assistiu à trilogia dos "Amantes", é melhor apertar o "cinto", porque a mesma jornada é induzida em mais uma tonalidade de tons cinzentos. Em comparação com La Jelouise, esta À Sombra das Mulheres é um upgrade dessas mesmas "sombras", fora Louis Garrel carnal, e entra dois desconhecidos neste mundo "garreliano" para servir de vitimas em mais um fraudulento "faz-de-conta" amoroso. Garrel [pai] aposta numa visão que coloca a mulher acima da fragilidade luxuriosa do homem, entendendo que com essa inclinação sentimental, esteja a conduzir-se num proclamado retrato feminista.

 

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Mas não. Existe sim, um lisonjear ao sexo oposto, abdicando do seu "eu" intimamente masculino para forçosamente inserir-se numa "troca-de-papeis", de forma a quebrar o circulo que o próprio havia criado em loop. Mas a Mulher, valorizada ao estatuto de "Vénus" amorosa, é uma somente doce vingança para a carência impelida pelo seu marido. Voltamos ao palco das milésimas Sabrinas, Rebeccas e de outros romances de cordel - a mulher é ultra-sensível, colocando primeiramente o seu sentimento mais inocente frente ao desejo sexualizado, ao contrário do homem, novamente posicionado como o "sacana" de serviço rendido aos instintos primitivos (será a poligamia um acto meramente primitivo?).

 

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Aqui, o que está em causa não são hierarquias, mas sim igualdades, e neste momento queremos mulher a persistir no seu desejo, na fantasia, não no platónico amoroso que parece aqui instalar-se. Sem com isso negar a possibilidade "civilizada" de uma relação afectuosa ao mais alto nível. Até porque temos dois seres que se completam, que se amam, mesmo expostos a "pecados carnais" de diferentes objectividades. O final, essa quebra de uma maldição "teimosa", é inteiramente enxertada como uma vinha de cultivo, não se sente, apenas "engole".

 

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Todavia, há que valorizar o esforço de Garrel em fugir dos grandes pecados de La Jelouise, começando por diálogos cuidados e trabalhados, "migalhas de pão" em direcção ao adultério, os actores e o seu orgulho de "vestir" tais personagens e a realização menos apressada por parte do nosso Philipe. Por outras palavras, talvez seja a melhor obra do realizador nos últimos tempos, mas longe do feminismo pelo qual é vendido.

 

Real.: Philip Garrel / Int.: Clotilde Courau, Stanislas Merhar, Lena Paugam, Vimala Pons, Louis Garrel

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 21:31
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26.11.14

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A descrença na Humanidade, by Garrel!

 

Phillipe Garrel retorna para enfrentar os seus demónios interiores e novamente volta a perder face a eles. Mas em La Jalousie (Ciúme) existe outra vertente, uma arte esperada, que nada fora feito para impedi-lo, diria antes a arte do desgaste. Garrel articula em territórios conhecidos, aliás, sob os mesmos moldes e os mesmos ventríloquos, o seu filho - Louis Garrel - que regressa às vestes do "lobo". Este é o terceiro capitulo da sua trilogia dos Amantes, uma autobiografia moldada e recontada em diversos ângulos criativos, mas unidos pelas escolhas recorridas pelo seu respectivo "pintor".

 

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É o mundo impuro e monocromático que se assenta para salientar os medos do realizador, que os utiliza como um culminar de vazios existenciais, simultaneamente evocando essas pretensões algo eruditas para dissecar o fruto das relações amorosas. La Jalousie é "amor-cão" em língua burguesa, é o de sentir apaixonado sem com isso sentir verdadeiramente, é distanciar os sexos sem de facto diferenciá-los, é o de monologar sem com isso dizer rigorosamente alguma coisa. Pois bem, Phillipe Garrel converteu-se ao conformismo, quer estético, quer estrutural até mesmo a nível ideológico, este é o seu mesmo filme de sempre, com o pormenor de que o próprio autor já o havia anteriormente cumprido e em melhores resultados. Ao menos esperava-se algo mordaz, cru e sem remorsos, mas o retrato dado por este neste reencontro com "demónios adormecidos" é o de somente vácuo.

 

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Misógino para alguns, sexualmente indiferente para outros, La Jalousie confirma a não superação de Garrel em enfrentar o que deveria ter enfrentado, ou o de simplesmente seguir em frente nessa sua longa jornada para provar a animalidade do Mundo dos compromissos. Talvez o recado dado por este seja do conhecimento de qualquer um, mas o nosso cineasta sente-se na obrigação de partilhar essa sua visão, quer queiram, quer não. A questão aqui é que até mesmo os autores tem fórmulas, a desculpa é que Garrel apenas aplicou a sua. Um dos mais fracos filmes da sua carreira, a prova de que a reinvenção é por vezes um novo fôlego a um autor, ao invés do estilo como dado adquirido.

 

Real.: Phillipe Garrel / Int.: Louis Garrel, Anna Mouglalis, Rebecca Convenant

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 21:18
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Todos temos um coração de...

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Lógico, foi uma ótima narrativa... Os personagens ...
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Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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