Tyler Taormina: "há inúmeros exemplos de realizadores que aceitam um projecto apenas pelo dinheiro e que nunca mais recuperam disso"

Tyler Taormina
O herói independente da 5.ª edição do Outsiders é Tyler Taormina! Mais uma joia guardada nas periferias da indústria norte-americana que o festival apresenta com expressividade. Realizador, autor de três longas-metragens (uma quarta a caminho, envolta em algum secretismo) e produtor idealista da liberdade e de um universo profundamente próprio (daí a existência da sua Omnes Films), esteve presente em Lisboa, com uma chegada directa, entre jet lags e temporais diversos … ainda assim, mostrou total receptividade para abrir o jogo do seu modus operandi.
Neste breve encontro falámos da sua natureza, dos filmes de grandes elencos inscritos no seu currículo, da inocência que se dissipa perante a veracidade imposta pelos adultos, e de consoadas feitas de segredos e mentiras. Pelo meio, houve convívio com jogadores amadores de basebol e até intervenção política, porque o Cinema é político e aquilo que fazemos com ele é, também, um acto politizado. Taormina não o esconde: mesmo quando o cansaço se deixa ver, sem bocejos, mantém intacto o desejo de mostrar cinema na sua forma mais independente.
Gostaria de começar esta conversa para falar um pouco sobre o seu percurso e sobre o seu trabalho? O que o levou, inicialmente, a querer ser cineasta? Quando vi os seus filmes, fiquei com a sensação de que são obras muito pessoais, quase evocativas de memórias suas. Li também algumas entrevistas que confirmaram a suspeita.
Na verdade, a minha história começa pelo argumento. Estudei escrita de guião e, durante algum tempo, estive particularmente interessado em escrever para televisão infantil. Desenvolvi alguns projectos nessa área, numa tentativa bastante precoce de lançar a minha carreira.
No entanto, percebia que ninguém lia os meus guiões [risos], era demasiado novo. Entendi rapidamente que seria mais fácil levar as pessoas a ver algo do que a lê-lo. Foi então que pensei: em vez de esperar que alguém leia estes textos, faço eu próprio os filmes. Comecei a transformar esses guiões em cinema e acabei por me apaixonar profundamente pelo próprio processo de fazer um filme.
Na sua longa-metragem inaugural, “Ham on Rye” (2019), parece-me que a atmosfera acaba por ser mais determinante do que a própria narrativa. O filme transmite uma certa ideia de inocência que o atravessa de início ao fim. De algum modo, isso relaciona-se com aquilo que acabou por referir, essa sua experiência em escrever para a televisão infantil?
Correcto! Essa experiência acaba por se transferir para o filme, mas quase numa lógica oposta à da fórmula infantil. Diria que essa tensão entre opostos está muito presente em “Ham on Rye”, quase como uma declaração de intenções. O filme começa de uma forma muito familiar. É, de facto, atmosférico, mas, no início, trabalha dentro de códigos bastante reconhecíveis desse tipo de cinema: o cinema de liceu, juvenil, até enquanto género.
É apenas a meio, e sobretudo no final, que esses códigos começam a ser completamente desmontados. O que resta, no fim, é a abstracção, e é precisamente isso que mais me interessa no filme: a tensão entre duas formas distintas de expressão que, de certa maneira, espelham o meu próprio envelhecimento e uma espécie de amadurecimento mental.
Li algures … creio que numa crítica … uma observação curiosa: que o filme começa quase como um filme do John Hughes, muito ingénuo, com uma forte crença no futuro, e termina mais próximo de um Linklater, num registo menos luminoso, talvez marcado por uma frustração face a promessas que nunca chegam a cumprir-se. Enquanto realizador e produtor, sente também essa frustração? Especialmente no caso de jovens cineastas, há muitas promessas que parecem nunca concretizar-se, o que talvez explique a necessidade de criar colectivos como a Omnes Films.
Antes de mais, acho curioso que refira isso, porque, quando estávamos a tentar colocar o filme em festivais, descrevíamo-lo precisamente dessa forma nos e-mails. Dizíamos que era “um filme do John Hughes que fura um pneu ao passar pelo bairro da Claire Denis” [risos]. Ou da Lucrecia Martel, mas era mais ou menos assim que apresentávamos o filme. Era, no fundo, a nossa forma de o “vender”.

Ham on Rye (Tyler Taormina, 2019)
Quanto à segunda parte da sua pergunta, sobre a necessidade de trabalhar colectivamente na Omnes Films, acho importante esclarecer que, para além de sermos apenas um grupo de amigos que gosta genuinamente de fazer filmes em conjunto, partilhamos também um gosto por um cinema formalmente ambicioso, algo que não é muito comum no cinema independente norte-americano feito com micro-orçamentos. Normalmente, associa-se esse tipo de cinema a imagens handycam, cenas improvisadas em casas ou apartamentos, com os amigos a vestirem a sua própria roupa, usando a luz disponível. Há muito pouca artificialidade no plano estético.
No nosso caso, a sensibilidade que define a Omnes Films é quase o oposto: um cinema muito mais artificial, mais impressionista do ponto de vista visual, e isso exige muitos mais recursos humanos para ganhar forma. Por isso, trabalhar colectivamente foi uma necessidade absoluta, sobretudo no início, quando literalmente não tínhamos dinheiro nenhum para estes filmes. Não eram filmes que pudessem ser feitos por uma só pessoa aos fins-de-semana, como alguns cineastas acabam por fazer.
No nosso caso, todos os envolvidos sentem que o filme é deles — “o meu filme”, “o nosso filme” —, e não apenas um filme do Tyler.
No caso da Omnes Films, funciona assim: os realizadores apresentam-te os projectos e você aprova ou não? Pergunto isto porque o realizador e produtor francês Paul Vecchiali tinha uma produtora chamada Diagonale. Ele apoiava cineastas independentes, dava-lhes financiamento, mas havia sempre um processo de aprovação dos próprios projectos quanto à sua natureza e abordagem, e claro, teriam que funcionar com o orçamento proposto, nem mais um tostão. Obras quase franciscanas nesse ponto de vista produtivo.
Isso [da aprovação após um pitch] é algo mais característico de um estúdio ou de uma produtora tradicional do que daquilo que a Omnes Films é, que funciona essencialmente como um colectivo. No nosso caso, o processo é muito simples: alguém tem uma ideia, falamos sobre ela e, de repente, percebemos que aquilo soa realmente interessante. A partir daí, a conversa evolui naturalmente para a colaboração. Começamos a pensar juntos: como é que vamos fazer isto? Quem é que filma? Quem trata disto ou daquilo? E essa própria conversa gera entusiasmo, é o diálogo que alimenta o desejo de fazer. Nunca acontece alguém apresentar uma ideia e a reacção ser “isto não faz sentido”. Pelo contrário: as ideias surgem sempre como algo estimulante, algo que nos faz pensar “uau, como é que vamos conseguir fazer isto?”.
Há também uma espécie de pressuposto implícito de que vamos trabalhar juntos, porque é isso que nos dá prazer. Funciona quase como uma liga de nações que se juntam para colaborar, uma espécie de sistema de governação interna baseado na partilha e no entusiasmo colectivo.
Ao ver “Eephus” (2024), do Carson Lund, uma produção sua, encontrei ecos do seu “Christmas Eve in Miller’s Point” (2024), e ambos os filmes fizeram-me pensar muito no cinema do Robert Altman. Posso lembrar-me de “A Prairie Home Companion”, que acompanha o último dia de um programa de rádio, tal como “Eephus” que é sobre a última vez que um grupo se reúne para jogar uma partida de baseball antes da demolição do estádio que desde sempre recorreram. Pergunto-te isto também porque parece que escolhem os vossos filmes a partir de motivações muito pessoais, muito próximas do vosso próprio universo.
Sim, é curioso como existem tantas afinidades, mas, de certa forma, isso faz sentido. O Carson, eu, o Mike [Basta], o John [Davies], todos crescemos na mesma zona do país, na Costa Leste, mais ou menos na mesma altura, pertencemos à mesma classe social e andámos na mesma universidade. Há, inevitavelmente, muitos pontos de contacto. As nossas sensibilidades e até a nossa “química cerebral” são suficientemente próximas para que nos tenhamos encontrado naturalmente na universidade. É lógico que partilhemos referências semelhantes no trabalho que fazemos.
Não sei se isso resulta directamente da colaboração e da amizade, ou se simplesmente revela quem somos enquanto indivíduos. Provavelmente é uma mistura das duas coisas. O que acho particularmente engraçado é que a minha companheira, Alexandra Simpson, também faz parte da Omnes Films. Conheci-a em França, em 2022, quando ela me apresentou o projecto “No Sleep Till” (2024). Lembro-me de pensar imediatamente: somos feitos do mesmo tecido. O filme que ela estava a descrever era exactamente o tipo de filme que eu próprio gostaria de fazer.
No fundo, trata-se de uma coincidência de sensibilidades partilhadas. Encontrámo-nos uns aos outros … acho que foi isso.

Eephus (Carson Lund, 2024)
Voltando a esse elemento altmanianos, tanto em “Eephus” como, sobretudo, em “Christmas Eve in Miller’s Point”, existe uma verdadeira constelação de personagens.
Sim, são muitas. [risos]
Como é que se trabalha na escrita dessas personagens, nesse seu processo enquanto argumentista? É particularmente difícil dar personalidade a tantas figuras diferentes. Costuma escrever biografias ou antecedentes para cada uma delas, como o Tarantino diz que faz, sem as revelar para o público?
No caso de “Christmas Eve in Miller 's Point”, foi absolutamente essencial escrever passados para as personagens, porque precisávamos de compreender como todas aquelas pessoas se relacionavam entre si a níveis muito específicos, como cada personagem se relacionava com todas as outras. O que acabámos por fazer foi, na verdade, um exercício muito divertido: construímos um retrato psicológico da árvore genealógica da família. Identificámos um trauma que ocorreu muito antes do início do filme e analisámos de que forma esse trauma atravessava a família inteira.
Falámos sobre como cada pai e cada mãe lidou com esse acontecimento, como cada irmão o processou, e de que modo isso afectou a forma como educaram os filhos e como estes reagiram a tudo isso. Assim, tínhamos uma noção clara de como cada membro da família se posicionava em relação a essa situação traumática, o que acabou por informar profundamente a abordagem de cada personagem. O curioso é que nunca contámos esta história aos actores, mas ela permitiu-nos carregar cada personagem com aquilo a que chamaria um peso inconsciente constante ao longo de todo o filme.
Entre “Christmas Eve in Miller’s Point”, “Ham on Rye” e até “Happer’s Comet” (2022), parece haver um diálogo com géneros muito específicos, quase como subgéneros temporários. O cinema pandémico ou lockdown, por exemplo, tornou-se um subgénero em si mesmo e é explorado em “Happer’s Comet”, “Ham on Rye” como já foi abordado, o de liceu / adolescente, e “Christmas Eve in Miller’s Point” pode ser visto, de certa forma, como um filme de Natal.
É curioso, porque em “Ham on Rye” estava claramente interessado em dobrar e subverter as convenções da comédia de liceu. E, no meu próximo filme, vou regressar novamente a esse género, é uma revisitação a partir de outro ponto de vista e, mais uma vez, uma completa violação desses códigos cinematográficos. Mas, no caso de “Christmas Eve in Miller 's Point”, não estava a pensar em subverter as convenções do filme de Natal. Na verdade, nem sequer estava a pensar num filme ambientado nessa época. O que acontece é que, ao observar a forma como essa festividade funciona e opera, sobretudo na minha família, o filme acabou por assumir, inevitavelmente, contornos muito claros desse género.
Há certas inevitabilidades temáticas e até narrativas que emergem quando uma família se reúne no contexto do Natal, sobretudo se não estamos a fazer um policial ou um whodunit, mas sim um retrato honesto de dinâmicas familiares reconhecíveis.
Há uma frase que ouvi uma vez de um escritor que dizia que, se queremos encontrar verdadeiras tragédias, basta olhar para uma família: lá encontramos tudo — crime, amor, romance, conflito.
Com certeza. Quando entramos numa noite de Consoada, aquela família torna-se um pequeno mundo em si mesma, carregado de traumas, desejos e sonhos.
Mais uma vez, problemas e promessas que nunca chegam a cumprir-se. Há, no entanto, um detalhe em “Christmas Eve in Miller 's Point” que me chamou a atenção: no elenco podemos encontrar Francesca Scorsese e Sawyer Spielberg, a filha de Martin Scorsese e o filho de Steven Spielberg. Isso é uma forma de te manteres próximo de um certo legado cinematográfico, ou é antes um gesto nostálgico?
Há ainda a Laura Robards, que é neta do Jason Robards, um actor lendário do teatro e do cinema americano. Curiosamente, só descobri essa ligação durante os ensaios, no apartamento dela. Mas o mais engraçado é que tanto a Francesca como o Sawyer chegaram ao projecto exactamente da mesma forma que qualquer outra pessoa. O processo foi simplesmente: “quem conheces que seja local e que possa ser interessante para um filme?”. Nem sequer precisavam de ser actores, aliás, idealmente, não o seriam. Foi assim que lançámos a rede de casting.

Christmas Eve in Miller 's Point (Tyler Taormina, 2024)
Foi assim que encontrei, por exemplo, a tia-avó do meu melhor amigo, a Jojo Cincinnati, que interpreta a senhora excêntrica do filme, e foi assim que conheci a Francesca Scorsese: ela era colega de curso do segundo assistente de câmara que contratei para “Eephus”, e que também trabalhou em “Christmas Eve in Millers Point”. Tudo surgiu de forma orgânica. Mas, claro, quando me apercebi dessas coincidências, fiquei imediatamente interessado. É semelhante ao que fiz em “Ham on Rye”: algo que talvez passe despercebido ao público português, mas onde escalei quatro antigas estrelas infantis da Nickelodeon e do Disney Channel, actores que marcaram a minha infância. Eles aparecem a jogar cartas junto a uma fogueira, numa cena que é também uma referência directa a “Sunset Boulevard”, com as antigas estrelas do cinema mudo, como o Buster Keaton, a jogar póquer com a Gloria Swanson. Há aí um elemento metatextual muito forte: sentimos que aquelas pessoas tiveram uma vida inteira antes daquele momento e que agora as reencontramos num mundo profundamente transformado, onde os sonhos tomaram rumos inesperados.
O público projecta muito disso sobre eles, ainda que as suas vidas reais sejam, obviamente, muito mais complexas do que aquilo que o filme sugere. Algo semelhante acontece em “Christmas Eve in Millers Point”. Tornei-me particularmente interessado na ideia de que este é um filme sobre a dificuldade das diferentes gerações em compreenderem-se mutuamente. Gosto muito do conceito de o público se aproximar desta família com a familiaridade que a própria noção de família implica, mas também com essa tensão metatextual entre pais e filhos, entre gerações que estão condenadas a friccionar-se. Isso é simplesmente a vida.
Ainda assim, não quero reduzir as personagens a isso. Acho que, mesmo que o espectador não soubesse quem são estas pessoas fora do filme, as suas interpretações continuariam a deixar marca. Essa é a beleza do trabalho deles. São actores extraordinários! Acho-os absolutamente fantásticos.
Queria ainda perguntar-te sobre a masterclass que vais orientar aqui na Outsiders. Que tipo de ensinamentos pretendes transmitir, sobretudo no que diz respeito à produção, e qual é, afinal, o propósito dessa sessão?
É uma pergunta relativamente genérica, mas faz sentido. Penso muito (sobretudo agora, enquanto preparo o meu próximo filme) nos aspectos filosóficos e até técnicos da realização cinematográfica. No entanto, não é algo sobre o qual tenha grande vontade de falar ou ensinar. Poderia fazê-lo, claro, mas não sinto propriamente essa necessidade. Aquilo que sinto, curiosamente, quase como um chamamento estranho, é explicar ao maior número possível de pessoas como conseguimos produzir filmes na Omnes Films: desde projectos feitos literalmente sem orçamento, como “Happer’s Comet”, que custou cerca de três mil dólares, até filmes que chegaram ao patamar do milhão.
Acredito que existem muitos artistas extraordinários que não são manipuladores nem oportunistas, que não têm a personalidade ou os instintos necessários para “implorar, pedir emprestado ou roubar”, como muitas vezes se espera de um produtor. Penso que posso oferecer ferramentas a esse tipo de criadores, ajudá-los a fazer os seus primeiros filmes, independentemente de encontrarem ou não um produtor tradicional. É isso que gostaria de fazer com todos os cineastas (ou potenciais cineastas) que conheço.
É curioso, porque a palavra “produtor” assusta muitos jovens realizadores. Há toda uma mitologia, sobretudo associada a Hollywood, em que o produtor é visto como a figura do dinheiro, alguém que quer controlar o filme.
Mas tanto no meu caso como no exemplo, e naquele que referiu, o do Paul Vecchiali e da Diagonale, a produção pode ser um espaço de liberdade. Claro que existe sempre a necessidade de cumprir um orçamento, mas isso não implica, necessariamente, uma ingerência criativa.
Há ainda outra questão que me fascina no cinema independente norte-americano. Há alguns meses falei com o Hal Hartley, uma figura absolutamente central desse movimento, e uma das coisas que discutimos foi este percurso recorrente: realizadores que fazem um ou dois filmes independentes, com orçamentos limitados, e depois são “capturados” por um grande estúdio, a Disney, por exemplo, para realizar um filme de franquia, desaparecendo criativamente a partir daí. Tens uma opinião sobre isso? O próprio Hal Hartley dizia-me que trabalhar sempre com orçamentos reduzidos é precisamente o que lhe permite manter a independência do início ao fim.
O Hal Hartley é alguém que nunca esteve sequer perto de se vender, e acho importante sublinhar isso. O mesmo acontece com alguém como o Sean Baker, que também se recusa a vender-se, e isso é raríssimo. É algo notável. Coloco-me claramente nesse grupo. É verdade que há inúmeros exemplos de realizadores que aceitam um projecto apenas pelo dinheiro e que nunca mais recuperam disso. É a maioria dos casos. Não é uma regra absoluta, mas tende a ser o que acontece.
Para mim, é extremamente difícil encontrar uma forma de sobreviver neste mundo de maneira sustentável. Estou a pensar, por exemplo, em constituir família nos próximos anos, e o mundo parece estar constantemente a pressionar-nos para que nos vendamos. Não é apenas um convite, é quase uma agressão contínua. Quando penso nisso, a conversa torna-se inevitavelmente política. O cinema está profundamente ligado à política. Nos Estados Unidos, isso conduz quase sempre a debates sobre o sistema de saúde, o custo de vida, a concentração de riqueza nas elites.
No fundo, trata-se de uma escolha entre respostas possíveis a uma realidade económica: uma reacção conformista ou uma resposta verdadeiramente transformadora. Fazes um filme da Marvel ou sais à rua. No meu caso, estaria perfeitamente disponível para escrever argumentos por dinheiro, mas nunca realizaria um filme apenas por dinheiro. Essa é a minha filosofia pessoal. Vi demasiados cineastas promissores aceitarem esse caminho e perderem-se nele.

















