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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Michael Madsen (1957 - 2025): o ator 'cool'!

Hugo Gomes, 04.07.25

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Na caça de uma alien sexy em "Species" (Roger Donaldson, 1995)

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Ao lado de Susan Sarandon em "Thelma & Louise" (Ridley Scott, 1991)

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Uma tentativa de ser-se igualmente tarantinesco e rodriguesco em "Hell Ride" (Larry Bishop, 2008)

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"Wyatt Earp" (Lawrence Kasdan, 1994)

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Em "Boarding Gate" (2007), com Asia Argento num dos filmes mais deslocados de Olivier Assayas

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Um dos seus outros momentos altos da carreira foi no elogiado "Donnie Brasco" (Mike Newell, 1997), o qual contracenou com Al Pacino e Johnny Depp 

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Na adaptação da graphic novel de Frank Miller: Sin City (Robert Rodriguez, 2005)

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Um dos antagonistas em "Kill Bill Vol 2" (Quentin Tarantino, 2004)

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Indiscutivelmente o seu mais emblemático papel! Na primeira longa-metragem de Quentin Tarantino, "Reservoir Dogs" (1992)

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Possivelmente o momento mais baixo da sua carreira. A sua interpretação desinteressada em "Bloodrayne" (Uwe Boll, 2005) diz tudo o que há para dizer.

Um "McCastro", se faz favor!

Hugo Gomes, 11.07.20

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O exímio piloto cubano, Juan Pablo Roque (aqui interpretado pelo brasileiro Wagner Moura), “deserta” da sua pátria (Cuba) através de um arriscado e elaborado plano que consiste em nadar do território cubano até à baía de Guantánamo (território norte-americano) para ser automaticamente detido pelas autoridades na sua chegada. Já no interior da prisão, Roque desvenda as suas intenções e os motivos que o levaram a exilar do regime de Fidel Castro. Nesse momento um dos guardas leva-lhe comida, McDonalds como se pode verificar nas embalagens típicas. Retirando cuidadosamente o hambúrguer da sua caixa de cartão, e após uma primeira e saboreada dentada, Roque dirige-se, com um sorriso de satisfação nos lábios, aos militares que o interrogam: “Anos a fio a comer ‘McCastro’, McDonalds parece-nos uma iguaria.”

Possivelmente é com essa mesma sensação, não prolongada durante anos, mas por alguns meses, que retidos no nosso confinamento e à mercê das propostas televisivas e de streaming, assistir a um “Wasp Network”, produção despersonalizada de Olivier Assayas, numa sala de cinema nos soa a tão raro pitéu. Mas não nos deixamos ser enganados pelo nosso “amarcord” em relação aos cinemas, o que vemos nesta grande tela é uma mistela histórica embrulhado num tecido adaptável a qualquer ecrã. Assim, artificiosamente parece ter sido construído, não por ser uma fruta da indústria virtualizada da Netflix, mas por esta nova “major” encontrar nele qualidades para apostar na sua distribuição e automaticamente retalho para o seu catálogo.

Pois bem, esquecendo por momentos todo este prato alternativo da nossa dieta cinematográfica, Olivier Assayas perde-se por amores pela história real da Rede Vespa, uma operação de espionagem levada a cabo pela Cuba de Fidel para travar os ataques terroristas no seu território promovidos pelos EUA. O enredo, esse, ostenta potencialidade nem que seja em formatos documentais ou seriados, ao invés disso temos uma metragem de duas horas e uns trocos. A única solução narrativa a administrar aqui é a mera esquematização de factos, caras e eventos, contada e despachada sem enfoque nem luzes de manifestação cinematográfica. E é triste Assayas condensar em tão enlatado produto, principalmente visto que o conhecemos em andanças mais capazes como “Clouds of Sils Maria” e “Summer Hours”, visto ter reunido novamente com o ator venezuelano Edgar Ramirez, basta verificar a sua capacidade de historieta num filme como “Carlos” (o filme e a minissérie).

Talvez o problema para o realizador seja a sua própria falta de ambição. Um amontoado de material que se encavalita um nos outros, ao invés de colidir numa só lente, numa só vivência e num só percurso, como Assayas tem feito até então. Além do mais, “Wasp Network” é tão frouxo (já pouco me restam palavras para a falta de personalidade) que nem sabe que partido tomar nesta intensa espionagem e contra-espionagem (a imparcialidade é um gesto inexistente e despersonalizado). Um autêntico “McCastro”!

Em Cuba, sê cubano ... ou qualquer outra coisa!

Hugo Gomes, 07.07.20

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A Netflix decidiu distribuir o mais recente (por enquanto) filme de Olivier Assayas, mas é como estivesse o produzido. Porque tal, como muitos produtos assinalados com “N” escarlate, chegou-nos um objeto anónimo, economizado até às costuras e despachado visualmente como fosse propício a todos os ecrãs.

Vindo do mesmo homem que nos trouxe Carlos, e posteriormente filmes como Clouds of Sils Maria, Summer Hours e (porque não) Personal Shopper, esperávamos mais do que uma mistela de factos históricos sem tomar partido algum (a imparcialidade é um gesto inexistente e despersonalizado) em prolongada espionagem para consigo próprio. Wasp Network soaria melhor em formato documental … pelo menos

Olivier Assayas assombra-se a si próprio ... e Kristen Stewart ambiciona

Hugo Gomes, 01.03.17

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Kristen Stewart é uma “personal shopper”, Maureen, uma mulher que se dedica às compras de quem possui um “profile” discreto. Porém, ela é mais que uma mera servente, é uma médium. Os seus “talentos”, consideramos assim, sempre a levaram para os mais inesperados encontros com o outro mundo, um lado espiritual que todos duvidam da existência, mesmo ela própria, mas que providenciam fascínio. Quando o seu irmão gémeo – que também partilhava o dom – morre, Maureen adquire uma nova rotina com base numa promessa feita entre os dois. O primeiro a morrer teria que enviar uma mensagem a declarar se existe ou não vida para além da morte, mas para a receber terá que passar as noites na antiga e abandonada casa.

Depois do fabuloso estudo da natureza da interpretação em “Clouds of Sils Maria”, a dupla Olivier Assayas / Kristen Stewart aposta num thriller sobrenatural que navega impressionantemente no território autoral. Com um pé sobre esse mesmo registo já estabelecido pelo cinema de Assayas e outro nos lugares-comuns do cinema de terror mainstream, “Personal Shopper” explicita um cinema diversificado, sem géneros, sem categorias nem audiências definidas.

É uma ode à transgressão e nesse sentido o desempenho de Stewart eleva tal definição. Será este o melhor filme de terror dos últimos anos? Para responder a isso teria que seguir tudo aquilo que a obra desaprova (a categorização), não é nem nunca será um terror de estúdio, nisso estamos certos, e os elementos desse mesmo território são reproduzidos por uma técnica repercussiva. Os clichés têm consequências e é sob essas mesmas que “Personal Shopper” faz todo o sentido, para além de Assayas ser um conhecedor do medo interior do espectador.

Existem sequências assustadoras, aparentemente vulgares, todavia glorificadas por um impressionante conhecimento no uso e na simbiose do som, da escuridão e por fim, com a sua atriz. Por outro lado, a atração quase adolescente pela espiritualidade, onde um iPhone serve de tábua de ouija em contato com os mais aterrorizantes espíritos ou os “não-vivos”, conforme quiserem apelidar.

Essa referência da tecnologia e da comunicação sempre estiveram ligados ao Cinema de Terror nos mais recentes anos, desde as maldições invocadas em “Ringu”, de Hideo Nakata (recuso a falar da vendida versão norte-americana com Naomi Watts) ou no veia umbilical entre vítima e agressor de um “Scream”, de Wes Craven. Essa remodelação dos códigos, que com o prazo de validade expirado passaram a se denominar de clichés, desafiam Stewart no seu método interpretativo, à constante improvisação da sua performance e ao naturalismo do seu ego. Será este o empenho mais ousado da atriz? Só o tempo dirá!

Para Kristen Stewart, a minha "personal shopper"!

Hugo Gomes, 16.05.16

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Obrigado Kristen Stewart por teres mudado o rumo da tua carreira. Depois do incrível ensiao de metodologias performativas que fora "Clouds Sils Maria", estás a demonstrar que és uma actriz e tanto! Receio estares a virar uma das minhas preferidas. Sim, "Personal Shopper", thriller algures entre assombração e a engenhosa auto-descoberta, é capaz de ser melhor que 90% da treta de filmes de terror que nos vendem nas salas de cinema. Aliás, ser vaiado pelos mesmos críticos que atribuem cinco estrelas aos Capitães Américas desta vida, é um tremendo elogio.