Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

IT (2017)

Hugo Gomes, 12.09.17

It.jpg

E tudo começou com um … palhaço!

 

Para entendermos a natureza desta nova versão do êxito literário de Stephen King, devemos inteirarmos numa das sequência-chaves de ambas as conversões, a infame mini-série que foi transmitida em 1990, e o filme que tem culminado num grandiloquente hype.

MV5BMjEyMzM3NjM0NF5BMl5BanBnXkFtZTgwMDQ1NzMzMzI@._

No projecto televisivo, Tim Curry veste a pele desta entidade que assume a forma do palhaço como catalisador de um medo comum e, não só, criar um engodo, uma empatia fraudulenta para com as suas vitimas. Na cena em questão, que intitularemos simplesmente como sarjeta, seguimos Georgie, uma criança que desfruta um dia chuvoso na "companhia" de um barco de papel, fabricado pelo seu irmão mais velho. Enquanto segue as correntes induzidas pela forte precipitação e das eventuais sarjetas que se encontram à berma dos passeios, Georgie perde a sua embarcação numa delas e, desesperadamente, ao tentar reavê-lo, é surpreendido por um palhaço. Existe nele um sorriso amigável, um discurso de promessas, iguarias, dotado de um humor matreiro, mas que para qualquer criança é um comité de confiança. O rapazinho cai na armadilha, assim como muitas crianças cairiam na "conversa de estranhos", esses terrores comuns dos progenitores.

MV5BMTg1NTU5NTgwOV5BMl5BanBnXkFtZTgwMTQ1NzMzMzI@._

Claramente, com possibilidades de censura televisiva, nunca vemos verdadeiramente a criatura consumir a sua presa, tudo cai num cliffhanger de cena, dando lugar ao créditos iniciais. Na versão de 2017, por sua vez, o "palhaço", agora interpretado por Bill Skarsgård (filho do actor Stellan Skarsgård), é uma ameaça evidente, sorriso malicioso, aspecto pomposo, com diálogos arrastados e uma voz asquerosa. Um verdadeiro pesadelo para a "criançada". A sua abordagem é tudo menos engodo, a farsa como um isco, mas sim a persistência, aquela de consumir a sua presa o mais depressa possível. No caso da alimentação, contrariando o repentino corte da mini-série, este IT é explicitamente gráfico. A exposição dos novos tempos do horror acaba por contornar um dos grandes tabus do cinema de horror, isto porque poucos são os que demonstram expressamente a morte de uma criança de forma visualmente macabra.

68-IT-remake-fb.jpg

Apontado por muitos como uma nova faceta do terror contemporâneo, e ainda mais a operar nos grandes estúdios, Andy Muschietti concebeu Mamã há quatro anos atrás (apadrinhado por Guillermo Del Toro). Vencedor do Fantasporto, o filme apresentava um conjunto de nuances na vertente do fantástico e da estética terrorífica de outros tempos. Muschietti é fascinado pelo terror hoje "infabricável", pelo desconhecido como signo e neste IT pelo regresso do carismático vilão do género (algo que não víamos desde a morte de Jigsaw na "longuíssima" saga iniciada por James Wan).

MV5BNDVjMjIxMzEtMGZmNi00ZmM5LWEzN2ItODJkNTRkZjdiYz

Como importante influência na concepção desta ameaça antagónica, Nightmare on Elm Street parece ganhar dimensão nos aspectos visuais e na tentativa de conceder uma atmosfera penetrável. Tal como as criação de Wes Craven, existe um imenso "carinho" pelo vilão, pela entidade maligna que se assume como o derradeiro protagonista de um conto sob contornos comuns do imaginário de King (sim, todo aquele cenário Stand By Me não é meramente déjá vu).

dims.jpg

Nesse sentido, a "palhaçada" tem tendências a estorvar o potencial narrativo do filme. IT desenvolve-se desequilibradamente entre uma preocupação com as personagens (os jovens capazes que se fundem na reconstituição de época) e os jump scares - como manda a agenda (até  Annabelle 2 conseguia ser mais inventivo nessa abordagem)- gratuitos que nada contribuem para um cenário de medo. Aliás, o medo é coisa inexistente por estas bandas.

maxresdefault (4).jpg

Obviamente que somos induzidos a uma produção competente, quer a nível técnico (apesar do excesso do CGI que não se separa do protagonista), quer na narração (saber condizer duas nuances opostas é, em termos industriais, uma bravura). Porém, a competência nunca salvou projectos do esquecimento e em IT existe uma ausência de agressividade na sua abordagem … E não. Não me refiro ao grafismo, mas sim ao inconsciente, o elemento mais tenebroso de todos.  

 

"You'll float, too, you'll float, too, you'll float, too... YOU'LL FLOAT, TOO!"

 

Real.: Andy Muschietti / Int.: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Finn Wolfhard

 

Movie-Cast-2017.jpg

 

Cold Hell é o grande vencedor o 11º MOTELx

Hugo Gomes, 11.09.17

die-hoelle-inferno-image-2.jpg

O thriller Cold Hell é o vencedor da 2ª Competição Europeia de Longas-Metragens do MOTELx. Com a conquista do Prémio Melhor Longa Europeia/Méliès d’Argent, o filme de Stefan Ruzowitzky (conhecido por obras como Anatomy e o vencedor ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, The Counterfeiters), fica, desde já, nomeado para o Prémio Méliès d’Or.

 

A representar também o MOTELx estará Thursday Night, a curta-metragem de Gonçalo Almeida, consagrado na sua categoria, arrecadando assim os cinco mil euros de prémio. O júri composto pela atriz Maria João Bastos, o músico Carlão e o realizador Can Evrenol decidiu atribuir o prémio, descrevendo-o como “um filme que nos marcou muito, que consideramos único e que certamente ficará na nossa memória”. A curta Depois do Silêncio, de Guilherme Daniel, recebe uma menção especial.

 

O 11º MOTELx decorreu em Lisboa do dia 5 a 10 de Setembro, apresentando como principal destaque o cinema de terror latino e as visitas de Roger Corman e Alejandro Jodorowsky. O muito esperado IT, de Andy Muschietti, teve as honras de encerrar o festival.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

El Bar (2017)

Hugo Gomes, 09.09.17

MV5BNjY0YTcyYjEtNTlkZC00YTM5LTk3ZTQtMjEwM2U2YjdiMj

Um bar dos clichés!

 

Advertência: apesar da invocação temática, El Bar nada tem relacionado com o referendo da independência da Catalunha e o conflito envolto, mas é curioso mencionar que há alguns dias atrás a Guarda Civil apagou centenas de página de apoio ao referendo. Esta ofuscação de informação, uma censura dos tempos modernos, poderá seguir no encontro com a farsa na mais recente obra de Álex de la Iglesia. O medo como catalisador de uma submissão, e o embuste devidamente agendado por organizações governamentais, como a pintura perfeita dessa mesma incisão.

MV5BMDg0OTFlNGItZWFmZS00MTZmLWJmNzEtMmNiOWZkNzlkYm

Em El Bar não assistimos a nada de relacionado com as fragrâncias desta Independência “indesejada”, possivelmente a alusão mais próxima seja os ataques de 11 de Março de 2004, um ato terrorista que incendiava os meios de comunicação deste Mundo fora. Enquanto o resto do Globo falava na autoria da Al Qaeda, os medias estatais, assim como o Governo em seus inúmeros relatórios e opiniões apontavam o “dedo” à ETA, isto a 3 dias da eleições espanholas.

 

MV5BMTU4YTZmZGMtNGEyMC00OWJjLWFhNDktMzUzNmQ3NWFjMW

Iglesia cria um filme de cerco sob o signo do medo e da fraude do sistema, mas infelizmente, apesar da crítica tardia, nada salva El Bar de se tornar num mero subproduto regido às regras formais do seu subgénero. O realizador por detrás de alguns dos maiores êxitos do cinema catalão (El Día de la Bestia, La Comunidad) arranca com um plano sequência que se apresenta como uma catálogo vivo das personagens que nos vão acompanhar na restante hora e meia de duração. Depois deste leque entrar num determinado bar e as portas deste fecharem após um inesperado incidente, o espectador logo é induzido aos seus lugares-comuns. O perfil psicológico deste grupo de fácil avaliação e o dinamismo, que porventura poderia suscitar, morre na praia quando a previsibilidade das suas caracterizações desvendam personalidades de cartão.

 

MV5BOTJlNzlmMjctN2M1Ny00Y2QxLWE5N2YtNTQ0NjJkNmIzOW

 

O psicótico de última hora, o sensato, a “final girl” e a suspeita em crescendo nãos nos surpreendem. Desde os primórdios do filme de cerco, com grandes exemplos em 12 Angry Men, de Sidney Lumet, El ángel exterminador, de Luis Buñuel, e mais recentemente com Buried, de Rodrigo Cortés, e mother!, de Darren Aronofsky, que somos visitados com um género preguiçoso e cada vez mais encostado às suas limitações.

 

MV5BZjg5ZTQxY2UtMzRhZi00YTkyLTkyOTctZGQ5MDBjYzhiNW

 

Até Álex de la Iglesia já havia cometido tais actos. Sim, há aquele factor medo, aquela crítica tímida a um país que se revela através das suas acções, uma ditadura disfarçada. Só é pena que a El Bar falte mesmo novas ideias, e de cinema, de preferência.     

 

Filme visualizado no 11º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror

 

Real.: Álex de la Iglesia / Int.: Blanca Suárez, Mario Casas, Carmen Machi

 

MV5BMDZiMzhjZTYtZDExMC00MWY1LTk1NmEtODY4NDk3NzBhZj

Train to Busan (2016)

Hugo Gomes, 08.09.17

MV5BMTkwOTQ4OTg0OV5BMl5BanBnXkFtZTgwMzQyOTM0OTE@._

O Comboio dos Mortos!

 

Numa das suas últimas entrevista, George A. Romero acusou Brad Pitt e os Walking Deads de estarem a matar o subgénero dos zombies, a permitir que os grandes estúdios e canais de televisão penetrassem nesse mesmo universo, investindo milhões e “sufocando” assim qualquer liberdade criativa ou margem para críticas sociais, numa temática que o mestre conhece e intimamente bem.

MV5BMjAwMTkzMTAyNF5BMl5BanBnXkFtZTgwNTU0MTEyOTE@._

 

Train to Busan, uma grande produção sul-coreana de Sang-ho Yeon (com prática na animação adulta), seria de facto um desses exemplos de megalomania mercantil. Um comboio para o Fim da Humanidade, uma peste sabe-se lá donde e os mortos que teimam em não cair no repouso eterno, pistas que já funcionam como lugares-comuns neste universo cinematográfico, em acréscimo com a vibrante e frenética acção, que tal como o World War Z (esse infame incursão com Brad Pitt), apresentam os cadáveres como baratas famintas, tudo movimentado por uma orgânica e infernal hiperactividade. Com um leque escolhido de personagem em mais um modo de sobrevivência, bocejantes deva-se dizer, são arrasados em tempo limite, é uma corrida contra ao tempo, ultra-física e sem espaço para conceber um comentário social. Porque não vale a pena fingir, não existe qualquer elemento crítico, o terror não é mais um metáfora, é um circo ambulante a condizer com os códigos mais reconhecíveis do cinema sul-coreano recente.

MV5BOTUxZjc2MGItYTRmZC00ZDNkLWJiYzktOTdmODYxZjBmYT

 

O meloso extremo que se atropela nas proximidades do final (muita dela em forma de flashbacks pára-quedistas), de forma a garantir uma emocionante (ou manipuladora) ênfase ao sacrifício heróico, os estereótipos que se resumem a personagens, roçando o vagante industrial (mais uma produção coreana, mais um hobo [vagabundo]), tudo feito num “oito” para a concepção de um blockbuster sem consciência. Romero criou nos seus zombies uma lente para ver os “podres” da nossa sociedade, do capitalismo à febre do Vietname, às castas de classes aos privilégios sociais, porém, a indústria os roubou e os converteu ao “vazio”, aos moribundos arrastados em busca dos seus "miolos". Train to Busan viveu do hype, apenas isso! 

 

Filme visualizado no 11º MOTELx: Festival Internacional de Terror

 

Real.: Sang-ho Yeon / Int.: Yoo Gong, Yu-mi Jung, Dong-seok Ma

 

train_to_busan_h_2016-0.jpg

 

Falando com Roger Corman, produtor e realizador de The Masque of the Red Death

Hugo Gomes, 07.09.17

54d42a9aadbc7_-_esq-corman-de.jpg

Com mais de 400 filmes produzidos, Roger Corman é um mito na indústria cinematográfica, um mito vivo que muito tem para ensinar sobre a arte da produção, e sobre o registo da série B o qual ama verdadeiramente. Para Corman, o Cinema não é só box-office, há que persistir num equilíbrio, um veio artístico, uma alma.

 

O Cinematograficamente Falando … teve o privilégio de falar com o “Rei da Série B”, o pai de muitos dos cineastas que formaram a Nova Hollywood, o homem que transformou o imaginário de Edgar Allan Poe num autêntico universo cinematográfico, durante a sua passagem pela 11ª edição do MOTELx. Uma conversa agradável e descontraída que atravessou alguns dos ponto fulcrais da sua vida e carreira, passando por Vincent Price, a reforma e o Cinema jovial que tanto apostou … e que não se arrepende!

 

É a sua primeira vez em Lisboa?

 

Não, eu e a minha mulher já estivemos aqui, mais precisamente numa das primeiras edições do MOTELx. Eu gosto desta cidade, existe um certo ar de romantização nela, aqueles edifícios antigos que preenchem uma paisagem em reconstrução.

 

KjauJbo.png

 

Na sua autobiografia, encontra-se explicito que The Masque of the Red Death, de toda as suas obras, é o seu filme de eleição.

 

Sempre tive carinho por esse filme. A primeira obra baseada em Allan Poe que fiz, House of Usher, era um filme mais contido, e nesse aspeto senti que, de alguma forma, iria confrontar-me com essa mesma contenção. Enquanto os filme de Poe continuavam e eram bem sucedidos, senti-me na obrigação de adaptar o The Masque of the Red Death. Os filmes foram um sucesso em Inglaterra, mesmo tendo sido rodados nos EUA, então um distribuidor inglês propôs-me um orçamento maior para uma produção seguinte, e foi então que com aquelas possibilidades, escolhi The Masque of the Red Death como merecedor desse mesmo “budget”. Julgo, que foi graças a essa “liberdade” que consegui expressar-me de forma mais livre nesse filme.

 

Voltando à sua autobiografia e a The Masque of the Red Death, também referiu que do ciclo Allan Poe foi o que rendeu menos dinheiro, algo que não lhe afligiu porque pretendia que o filme fosse arte. Algo artístico.

 

Sim, mesmo The Masque of the Red Death ser um dos meus favoritos, ele foi de facto dos que rendeu menos dinheiro, comparando com as obras anteriores. Considero um ensaio artístico, não possui muita das características comerciais porque não aposta de todo no terror físico, quer dizer, continha os seus momentos de horror, é verdade, mas no fundo era uma obra de cariz mais filosófica.

 

139216.jpg

 

Quando encontrava-se na AIP (American International Pictures), na década de 50, deparou-se com o facto do cinema não estar a corresponder com o seu público – os jovens. O Roger foi um dos cruciais realizadores a "ensinar" os filmes a falar essa linguagem jovial.

 

O cinema sempre fascinou o público mais jovem, e aí residia o problema. Quando comecei a minha carreira, os estúdios estavam interessados em produzir filmes com as suas grandes estrelas. Sabendo que uma estrela demora anos a ser “fabricada”, estas eram velhas, então, basicamente tínhamos enredos em que o ator cinquentão ficava com a rapariga, na casa dos 20 anos, e o público-alvo dessas mesmas fitas eram os jovens. Algo estava mal, pensei eu. Foi então que apostei em histórias protagonizadas por jovens, de forma a empatizar com os que assistiam. Felizmente os grande estúdios perceberam da oportunidade no qual estavam a perder, e começaram a olhar atentamente para as camadas mais novas.

 

Hoje, temos milésimas produções dirigidas para essa “fatia”, desde os Marvelscomics e outros. O que significa, e eu tenho pensado bastante nisto, seria uma ótima oportunidade virarmos o jogo. Começar a apostar em cinema dirigido para os mais velhos.

 

De certa maneira, sente-se culpado por estes filmes da Marvel?

 

Culpado não seria bem a melhor palavra [risos], até porque alguns filmes da Marvel são bons, tenho o conhecimento de dois que são realmente de qualidade. Mas digo isto, tecnicamente são do melhor que já vi, estes representam alguns dos efeitos computorizados mais inacreditáveis que alguma vez vi.

 

ff-higher_res.jpg

 

Deixou a realização nos anos 70, época em que os blockbusters expandiam na indústria. Foi essa a causa do seu afastamento?

 

O que aconteceu foi o seguinte, estava na Irlanda a filmar The Red Baron, sobre o famoso piloto alemão da Primeira Guerra Mundial, e simplesmente fiquei … cansado. Todos os dias era um sacrifício ir para o aeroporto filmar, e ainda por cima, lembro-me de anteriormente encarar com algum entusiasmo esse ato. Julgo ter realizado cerca de 59 filmes em 50 anos de carreira, ora bem, eu estava exausto e então decidi que pelo menos tiraria um ano de repouso, que na América chama-se celibato [risos], e depois desse período regressaria novamente à realização. Mas fiquei aborrecido ao longo desse ano, e então fundei esta pequena companhia de produção e distribuição [New World Pictures]. Curiosamente nunca estive envolvido em distribuição antes, e a companhia foi um verdadeiro sucesso, tão bem sucedida que começou a ocupar todo o meu tempo. Então dediquei-me totalmente a essa mesma companhia, e não obtive disponibilidade nem motivação para regressar à realização.

 

E através disso encontrou outra “mina de ouro” que fora o mercado do VHS …

Sim, exatamente.

 

DeathRace2000.jpg

 

Curioso, mesmo com o passar dos anos, as suas produções continuam a ser motivos de celebração. Relembro o frenesim que houve quando produziu a sequela de Death Race.

 

Produzi Death Race 2000 em 1975, foi uma ficção cientifica generosa com toques de distopia e de comentário social como pano de fundo, para além do humor, ingredientes, que juntos culminaram um sucesso. A Universal comprou os direitos para um eventual remake, e desse material fizeram várias versões, mas eles nunca inseriram alguns dos elementos cruciais que levou a minha versão ao sucesso. Certo dia fui falar com eles, e responderam-me o seguinte “então, porque não fazes tu próprio e colocas nele aquilo que achas importante”. Como resposta ao desafio fiz o Death Race 2050, no qual reciclei muito da temática do ‘2000 e atualizei, de forma a estar mais coerente para os dias de hoje.

 

É por estas e por outras que o Roger é chamado de “O Rei da Série B”, já agora o que é que pensa do termo Série B?

 

Gosto desse termo, o da Série B, por várias razões. Uma delas, é o facto de possuíres mais oportunidades de desafio, reinvenção ou criatividade num filme B do que um filme A. Na teoria, posso afirmar que os ‘As são melhores, acima da qualidade dos ‘B, mas se quisermos apostar em algo diferente sem com aquela extrema intromissão do estúdio, então a segunda opção é a melhor das escolhas. Um estúdio não dá liberdades criativas a uma produção com 100 milhões de dólares de orçamento. Contudo, com uma produção de poucos milhões de dólares já são capazes de ceder. É por isso que, de certa maneira, gosto do termo Série B, o de ter aquela sensação e poder de aposta.

 

18-Frankenstein-Unbound.jpg

 

Mas ambos os termos tem um propósito quase hierarquizado, como se o cinema fosse reduzido a castas. Acredita mesmo, excluindo as possibilidades de criatividade de que falou, que a série A é sinónimo garantido de qualidade?

 

Série A pode muito ser melhor filme? Pode ser verdade, ora vejamos, um A é uma produção que terá, especificamente, um melhor cameraman, melhores técnicos, e mais tempo para conceber os cenários, maiores e mais complexos que na Série B. Esse dinheiro adicional que separa as duas séries proporcionará ao A, uma estética mais elaborada, rigorosa e profissional. Mas isso tudo não significa que a ideia seja melhor. Muitas vezes, a ideia, aquilo que priorizo nos meus filmes, é melhor na categoria B.

 

Voltando ao início da conversa, nos dias de hoje é difícil separar os escritos de Allan Poe com as suas adaptações. Porquê esse fascino por Poe e o porquê de ser ele um dos principais signos da sua carreira?

 

Bem, as histórias de Edgar Allan Poe remexem na mente inconsciente, aquilo que Freud explorou alguns anos mais tarde para fins médicos ou científicos. Era um diferente tipo de horror. Diferente daquilo que hoje existe em abundância, que são produções mais gráficas e mais sangrentas.

 

006-house-of-usher-theredlist (1).jpg

 

O inconsciente … O Roger fez-me subitamente recordar a sequência do sonho do seu House of Usher, que também é uma adaptação de Poe. Já agora, a título pessoal, como conseguiu conceber aquele sonho, diria antes, pesadelo?

 

O que fiz com ‘Usher, assim como outros filmes, foi a utilização de diferentes tipos de lentes que distorciam a imagem. Através de “impressões óticas” [optical print] revesti a câmara com diversas cores, dando um efeito rodopiante. Claro que faríamos obviamente melhor nos dias de hoje com a computorização, mas foi o que conseguimos na altura, e julgo, pessoalmente, que aguenta-se bem nestes dias.

 

Quando falamos de Roger Corman, não falamos apenas de si. Falamos também de toda uma geração de realizadores que passaram pelas suas produções e que se assumiram posteriormente como cineastas que tão bem conhecemos: Francis Ford Coppola, Nicolas Roeg, Jonathan Demme, Ron Howard, entre outros.

 

Sim e orgulhoso estou por vê-los crescer. Encaro como um tipo de teste testemunhar as suas respetivas emancipações. Isto tudo faz pensar em nós como uma espécie de escola, depois dela a graduação.

 

vincent-vincent-price-35944932-500-444.jpg

 

Mas não é só de cineastas que o seu Universo é feito, Vincent Price encontrou alguns dos seus papeis mais memoráveis no seu cinema.

 

Vincent era um verdadeiro cavalheiro, e foi um prazer ter trabalho com ele em tantos projectos. Era um homem bastante inteligente, educado, que compreendia as personagens e que as interpretava de maneira distintiva. Se bem que no género de horror ele ostentava um certo humor ligeiro, algo que desenvolvemos juntos em filmes posteriores. Como equipa tentamos numa vertente cómica que separava dos nossos anteriores projectos.

 

Fala-se que Price abandonou gradualmente essa rígida faceta do terror porque encontrava-se constantemente cansado do género. De ser resumido a um arquétipo.

 

Sentimos que estávamos a repetir, sim, da mesma maneira que a comédia acabou por ser uma manobra de diferenciarmos das nossas colaborações anteriores, uma introdução de novos elementos e o público anseia sempre por ver algo novo, e claro, Price teria assim um novo motivo de trabalho.

 

ecb82a14e52bc1523d8d912e1f68578d.jpg

 

É costume perguntar neste tipo de entrevista quanto a ‘novos projetos’, mas no seu caso é mais adequado o ‘pensa em reformar-se?’.

 

Não, nunca irei reformar-me. Continuarei a trabalhar até morrer. Recordo que há uns meses atrás, almoçava com Jon Davidson, que foi um dos meus “graduados”, que mais tarde tornou-se produtor de Airplane!, Robocop, entre outros. Durante o almoço, ele afirmou que ponderava reformar-se e eu rapidamente lhe disse: “Jon, eu vejo-te, como te via há uns anos, uma ‘criança’ no escritório, e agora pensas em reformar” [risos]. Se calhar sou eu que deva reformar?” Ele respondeu: “Não, tu és demasiado velho para reformar”[risos].

 

Para terminar, como encara a indústria de hoje?

 

Hoje, a industria converteu-se integralmente num puro negócio. No cinema, devemos sempre criar um equilíbrio entre o artístico e o comerciável. Revejo nisso no meu Pit and the Pendulum, um filme comercial mas com uma forte componente artística, e o problema é que hoje tornamos a indústria altamente industrial, sem qualquer amor à arte. É preciso apostar em novos conteúdos e ter gosto pelo Cinema, ou se não, é o que vemos, aquilo que está convertido actualmente.

 

272702-horror-the-pit-and-the-pendulum-wallpaper.j

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

The Void (2016)

Hugo Gomes, 06.09.17

MV5BNzU0MzgxMjAtYjU0NC00ZWYyLTljZWUtNTRkNzBhZTYwYz

O sentido do terror!

 

A dupla Jeremy Gillespie e Steve Kostanski, que tem vingado no departamento de caracterização (com orgulho poderão exibir o Óscar ganho por Suicide Squad), têm apostado a meio pés de lã na realização e ambos com resultados satisfatórios. Agora, reunidos novamente, avançam num autêntico bolo de camadas, um filme de cerco que depressa evolui para algo mais … demente.

 

MV5BNjM2NDZiZTItZTAzNy00NmNlLThjNWItOTQyYzdmYTQ2Nj

 

Se Gillespie e Kostanski juntam esforços para nos trazer um arranque envolto em cultos satanistas e à limitação dos cercados num hospital no “meio do nada”, depressa recorre-se aos lugares-comuns do seu subgénero, às tendências da fórmula, e à honestidade das referências (assume-se os tributos e escapam, por vias de uma cínica absolvição, à acusações de cópia) -  mas onde os trilhos levavam em becos sem saída, The Void torna-se num marginal, um nostálgico desajeitado.

 

MV5BNmQ0MWNkMmQtOTYyMC00ZGY5LTgwNDgtZWViOTNlNmVhMm

 

Os anos 80 (ou a memória destes) ditam os fluxos sanguíneos deste exemplar em prol de influências óbvias, de Clive Barker e o imaginário infernal do sofrimento via sacra, até Lovecraft e às seitas para além das dimensões reconhecíveis. Esta “descida ao submundo” torna-se num recreio para os devaneios da dupla, a criação das bestas por vias dos efeitos práticos, a obscuridade dos pesadelos trazidos à luz do dia através do “artesanato”. É cinema visual, a estética do horror, o grafismo e o onirismo que faltava numa panóplia rendida ao género -  os psicopatas estéreis aos fantasmas explicados “às criancinhas”.

 

MV5BMmM0MGJkOTktYjViYi00ZmFkLTgwNmItNTE4YjBmMTM1Nm

 

The Void é de certa forma um “fóssil vivo”, uma peça antiquada, mas não obsoleta. É por essas e por outras que perdoarmos mais facilmente o fraco desenvolvimento das personagens, as interpretações fraudulentas e o enredo refém da linguagem puramente visual do que a credibilidade do argumento, até porque o terror não encontra sentido físico. Aliás, o terror é sobretudo abstracto.

 

Filme visualizado no 11º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror

 

Real.: Jeremy Gillespie, Steven Kostanski / Int.: Aaron Poole, Kenneth Welsh, Daniel Fathers

 

MV5BNzFiZTBhMGYtNGVjMC00OGM1LTlhYWMtZTdhMDYzNzRiNT

 

Super Dark Times (2017)

Hugo Gomes, 06.09.17

MV5BMjA4NzU2ODA5OF5BMl5BanBnXkFtZTgwNTk1ODkwMzI@._

Juventude incontrolável!

 

Facilmente o identificamos como um Stand By Me - Conta Comigo disfarçado, mas fora isso, este Super Dark Times é a típica exibição do melhor e do pior do estatuto de "primeira longa-metragem". É um coming-to-age sob as promessas do macabro, ou é por esse indicio que a atmosfera se adensa, por entre jogos visuais e pequenas provocações lançadas de rompante ao espectador. Jogos visuais? Sim, não esperávamos outra coisa de Kevin Phillips, que após a experimentação em curtas, avança de confiantemente para esta sua nova etapa.  Tendo trabalhado diversas vezes no departamento de fotografia de inúmeras curtas-metragens, é evidente a sua linguagem estética, enquanto tenta emparelhá-la numa narrativa com mais "olhos que barriga".

superdarktimes-h_2017.jpg

Um "pequeno" crime entre amigos, jovens que enfrentam as adversidades da puberdade, leva-os a um turbilhão de violência, um fascínio por si levado como brisa através dos easters eggs de época (visto o filme ser centrado nos anos 90 somos confrontados com o boom dos videojogos ultra-violentos "que jogo é este?"), das paranóias colmatadas por estas personagens, em certo ponto, marginais desta sociedade de rótulos, e da inconsequência destes pensamentos reféns da imperatividade sexual. Mas todo este episódio que tão bem aludiria o Massacre de Columbine, é fragmentado pela inexperiência de Phillips em acertar no tom narrativo, em alargar os horizontes das suas personagens (sem falar da inexactidão do jovem elenco) e atribuir confiantemente coerência ao argumento, dispersado aqui por um prólogo e epílogo demasiado emancipados em simbolismos.

screen-shot-2017-04-19-at-12-36-27-am (1).png

Super Dark Times é então isto: uma promessa que desvanece pela "inexperiência" do seu realizador. Como tal, o desafio foi incumprido, Kevin Phillips não é uma revelação no qual cruzávamos os dedos, nem nada que pareça. É um pretensioso sem o devido rigor.   

 

Filme visualizado na abertura do 11º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror

 

Real.: Kevin Phillips / Int.: Owen Campbell, Charlie Tahan, Elizabeth Cappuccino

 

super-dark-times-photo-jpeg.jpg

 

 

MOTELx 2017: O terror latino e as últimas palavras de um palhaço!

Hugo Gomes, 26.08.17

maxresdefault (3).jpg

A colectânea de gritos para se fazer ouvir na capital já no próximo mês de Setembro, com a 11º edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror em Lisboa. Estão agendadas mais de 70 sessões incluindo filmes, workshops, masterclasses e actividades paralelas a ter lugar no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Cinemateca Portuguesa e Júnior, Rua da Moeda, Museu do Berardo, Lounge e Largo de São Carlos (sessões Warm-ups).

 

Como já fora revelado em Julho, o 11º MOTELx terá como temática “O Estranho Mundo do Terror Latino”, com a colaboração do Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017 de forma a conduzir o público a explorar "a diversidade do cinema de género produzido na América do Sul e na Península Ibérica." Para além disso, o chileno Alejandro Jodorowsky e o produtor Roger Corman são esperados nesta terrifica mostra de cinema fantástico, inseridos na já "clássica" rubrica Culto aos Mestres Vivos.

 

screen-shot-2017-04-19-at-12-36-27-am.png

 

O MOTELx deste ano abrirá com a obra Super Dark Times, a primeira longa-metragem de Kevin Phillips. Apresentado na última edição de Roterdão e Tribeca, o filme exibe-nos uma forte amizade abalada pela tragédia. A crítica internacional tem o considerado uma espécie de comig-to-age gore. Como encerramento, comprovaremos o hype por detrás da nova versão de IT, de Andy Muschietti, inspirado num livro de Stephen King sobre um grupo de jovens assombrados por uma estranha criatura que assume a forma de palhaço. Espera-se sustos e calafrios num dos mais esperados filmes do ano.

 

Mas tal como é comum afirmar-se, é no "meio que reside a virtude", e Setembro será presenteado com algumas das grandes novidades do género, entre os quais o mais recente capitulo da saga Child's Play (Chucky, O Boneco Diabólico), Cult of Chucky. Ainda o novo filme de Cate Shortland (Lore), Berlin Syndrome, a história de uma jovem que se apaixona na capital alemã e que se torna prisioneira/cativa do seu "apaixonado", um prometedor retrato das complexidades do chamado "síndrome de Estocolmo". O regresso ao rubro da frenética acção indonésia com Headshot, de Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto, protagonizado por Iko Uwais (Raid: Redemption). Amor entre canibais com The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour (A Girl Walks Home Alone at Night), que conta com as presenças de Keanu Reeves, Jim Carrey, Jason Momoa e Diego Luna, e zombies coreanos no "demorado" Train to Busain, de Yeon Sang-ho. São estas e muitas outras propostas que preenchem o Serviço de Quartos do festival.

 

train_to_busan_h_2016.jpg

 

A Competição de Longas-Metragens continua, desta vez com 8 filmes a concurso para o Prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia/Méliès d’Argent, incluindo o inglês The Limehouse Golem, de Juan Carlos Medina, o espanhol The Night of the Virgin, de Roberto San Sebastián, e o holandês Prey, de Dick Maas. Na secção Doc Terror é apresentado o 78/52,  desconstrói as 78 posições de câmara e 52 planos da mítica cena do chuveiro de Psycho, e King Cohen, sobre o argumentista, produtor, realizador e rebelde Larry Cohen.

 

Mas antes do festival, temos obviamente o Warm-Up que arranca a 31 de Agosto no Beco da Rua da Moeda (Cais do Sodré) com uma sessão ao ar livre de Jodorowsky’s Dune, o célebre documentário sobre a adaptação de Dune por Alejandro Jodorowsky, que como sabem, nunca chegou a ser feito. A sessão é precedida por um concerto dos Acid Acid inspirado no universo conceptual do realizador.

 

el-vampiro.jpg

 

Enquanto que nos dias 1 e 4 de Setembro, a Cinemateca Portuguesa acolherá o "aquecimento" do ciclo Estranho Mundo do Terror Latino, onde serão exibidos, pela primeira vez naquele espaço, El Vampiro, de Fernando Méndez, e ¿Quién puede matar a un niño?, de Narciso Ibáñez Serrador. Conta-se ainda com a projecção, no dia 1, de um grande clássico de terror brasileiro, À Meia-Noite Levarei Sua Alma, o filme de José Mojica Martins no qual gerou a icónica figuro do Zé do Caixão.

 

Já no Largo de São Carlos, no dia 2, George A. Romero será homenageado, com a exibição de “Dawn of the Dead”. A noite termina no Sabotage com um concerto dos Glockenwise.

 

dawn-of-the-dead.jpg

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

 

Alejandro Jodorowsky e Roger Corman no 11º MOTELx

Hugo Gomes, 19.07.17

pjimage_28329-7.jpg

O chileno “psico-mago” Alejandro Jodorowsky e o veterano produtor e realizador Roger Corman serão os homenageados da 11ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, a decorrer entre 5 a 10 Setembro.

 

Espera-se a presenças de ambos no decorrer do Festival, porém, recordamos que Corman havia sido anunciado como “homenageado do MOTELx” na edição passada, cuja vinda foi cancelada devido a problemas de saúde.  O mesmo se pode dizer sobre o chileno surrealista, cuja visita a Lisboa (no âmbito da anterior Mostra da América Latina) também fora cancelada por iguais motivos.

 

romero_2728825b.jpg

 

Porém, falando em homenageados, a organização anunciou que irá preparar um tributo a George A. Romero, falecido recentemente, na programação deste ano. Nota-se que o “mestre dos mortos-vivos” esteve presente no MOTELx em 2010, e segundo a equipa do festival “foi a sessão de autógrafos mais longa em 11 anos de evento”.

 

O regresso do MOTELx irá assumir-se como o mais ambicioso até à data, cerca de 14 sessões diárias e mais de 100 filmes inserido numa programação sem precedentes, tendo em conta as palavras dos organizadores durante a conferência de imprensa.

 

the_bar.jpg

 

Para além dos habituais Warm-ups (sessões pré-festival), o infanto-juvenil Lobo Mau, os Prémios MOTELx (Melhor Curta de Terror Portuguesa, Yorn Microcurtas), o 11º MOTELx tem como principal novidade a associação com o Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017. No âmbito desta colaboração cultural, seremos presenteados com sessões especiais dedicadas a Jean Garrett, um dos nomes incontornáveis do cinema exploitation brasileiro dos anos 70, e ainda, o “desenterrar” de duas produções ibéricas, raras, que de certa forma tentaram preencher o vazio do fantástico no cinema português nos anos 70.

 

A mostra lisboeta de cinema de terror terá lugar no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Cinemateca Portuguesa e Júnior, Rua da Moeda, Museu do Berardo, Lounge e Largo de São Carlos (sessões Warm-ups).

 

game-of-death-1.jpg

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

MOTELx apresenta rubrica “O Estranho Mundo do Terror Latino”

Hugo Gomes, 28.06.17

the_bar.jpg

A dois meses de arrancar a sua 11ª edição, o MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa divulgou a associação com o Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017 de forma a conduzir o público a explorar "a diversidade do cinema de género produzido na América do Sul e na Península Ibérica."

 

Para além da mostra que incluirá "títulos clássicos, filmes menos conhecidos do grande público e produções recentes", o MOTELx apresentará debates, masterclasses e outras actividades paralelas no âmbito da proposta intitulada de “O Estranho Mundo do Terror Latino”.

 

the_untamed_still_2_h_2016.jpg

 

Como grande novidade, o Festival exibirá The Bar, o mais recente filme de Alex de la Iglesia, um dos mais prolíferos e bem-sucedidos autores do fantástico a operar em Espanha. Apresentado no último Festival de Berlim, eis um arquétipo de "filme de cerco" onde um grupo de estranhos ficam presos dentro de um bar.

 

Do outro lado do Oceano, chega-nos The Untamed (La Región Salvaje), de Amat Escalante, visto como um dos nomes mais promissores do cinema mexicano. Trata-se de uma obra invulgar que mistura o tormento e prazer de um casal após o encontro com uma misteriosa criatura vinda do espaço.

 

FB_1487_002.jpg

 

A mostra ainda nos traz algumas raridades, tais como o Excitação, do luso-brasileiro Jean Garrett (do sucesso de A Ilha do Desejo), uma das referência do cinema exploitation paulista dos anos 70 e Crime de Amor, de Rafael Moreno Alba, uma esquecida co-produção de Portugal/México/Espanha. Destaque ainda para a sessão infanto-juvenil O Livro da Vida, uma animação com produção de Guillermo Del Toro, e o ciclo de clássicos do terror latino a ter lugar na Cinemateca Portuguesa, que se alia ao MOTELx durante a proposta Warm-Up que precede o evento.

 

No dia 18 de Julho serão revelados mais detalhes sobre a programação desta 11.ª edição a decorrer entre 5 e 10 de Setembro, no Cinema São Jorge e Teatro Tivoli BBA.

 

2014-10-08-bookoflife.png

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.