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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Quando as revoluções falham, o que sobra?

Hugo Gomes, 28.09.21

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Não sou o maior defensor de “Nova Ordem” de Michel Franco, há algo que se esgota e que facilmente distorce a dita distopia para uma realidade comum e reconhecível (e por vezes pastiche), mas é uma tese emborcada que confronta o nosso reacionarismo. E é óbvio, tendo em conta a reação obtida, de que somos apegados à sensação de permanente conforto, essa que é destabilizada num filme como este, apelando aos pólos extremistas e à ausência empática que temos contraindo em relação às causas.

Toda a estrutura de “Nova Ordem” é baseada numa simplista questão sociopolítica, o filme a esconde por vias de uma jornada martirológica. Um mártir, um sacrifício ou simples vaivém para essa torturante demanda, um pretexto para Franco denunciar a romantização por detrás da ideia de Revolução, esquecendo de um prolongado exemplo histórico de que elas partem das meras ilusões, chegando a um ponto de se tornar somente uma alternância dos dominantes e dos dominados. Não é um filme de esquerda, nem de direita, é um filme que reage aos extremismos desfazendo essa mesma romantização, suplicando pelo nosso empirismo.

O desafio está no seguinte: aos privilegiados são lhe dados um motivo, uma relação, um holofote, preocupamos com eles … caímos assim no engodo … pelo que o filme desfoca os “invisíveis”, os esmagados e os escorraçados. Eles são o mal, a patologia, e dessa forma “Nova Ordem” nos engana em fazer-nos acreditar em tal crença. Aliás, é nas crenças que nascem as revoluções. Será que elas realmente se concretizam? Ou caem por terra como a enxada de “Torre Bela”?

As questões vêm com uma certeza, por mais que se tente, o capitalismo sempre será o vencedor convicto. Ou como diz recorrentemente Slavoj Žižek“É mais fácil imaginar o fim do Mundo do que o fim do Capitalismo.”