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27.6.17

Transformers - O Último Cavaleiro.jpg

Até uma sósia da Megan Fox arranjaram!

 

Arrancamos com o texto com uma controversa afirmação: Michael Bay é um autor desta Hollywood subjugada tecnologicamente. Pronto, está dito. Agora, se isto é um facto a ter em conta, e puxando pela chamada política dos autores que, de certa maneira, os envolve numa imunidade crítica, é com cada um, porque não é isso que vem à baila na confrontação desta "sucata" escarafunchando em outra "sucata". Enquanto não seguimos então um novo efeito Verhoeven, fiquemos com o seguinte equívoco da industria estival.

 

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O quinto Transformers é, de longe, o mais insuportável da saga. O porquê desta afirmação? Simples. Enquanto o cinema de entretenimento tende em inserir no seio da agenda de lufa-lufa um desenvolvimento empático com o espectador, Bay descarta completamente qualquer sobriedade nas suas personagens, acções, tramas, efeitos e todas as consequências trazidas por esse extremo ego.

 

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Falta world building (termo utilizado para a construção de uma mitologia, de uma atmosfera, um ambiente, neste caso a desculpa de vender mais brinquedos e merchandising), não existe dedicação do material, há um desleixo na construção das suas personagens e uma dependência vinculada nos movimentos de câmara que tão bem mimetizam um videojogo. E não nos estamos a referir apenas ao plano americano à lá Bay, das longas sequências a lisonjear as forças militares americanas, da bandeira que baila ao vento, dos enésimos product placements que se camuflam como easter eggs e … pela quinta vez … o dispositivo narrativo do mundo em perigo por um iminente apocalipse (a esta altura já bocejamos com as imagens de destruição e do bye bye monumentos protegidos pela UNESCO).

 

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Não, referimo-nos ao ritmo epiléptico induzido na narrativa, às mil e uma coisas a acontecerem no grande ecrã sem a percepção do espectador, os diálogos formatados e sem emoção, o agravamento da continuidade com a saga, a descartabilidade dos eventos e a falta de noção e de astúcia para conduzir isto como um espectáculo circense. Pois, porque nem para isso serve. Gastamos 200 milhões … nisto. Um "filme" que nos deixa mudos, mas devido ao cansaço psicológico causado por esta anarquia mais anárquica, que nem serve sequer para o conseguirmos apelidar de cinema experimental. Apre!

 

Real.: Michael Bay / Int.: Mark Wahlberg, Anthony Hopkins, Josh Duhamel, Stanley Tucci, Laura Haddock, Omar Sy, Isabela Moner, Ken Watanabe John Goodman, John Turturro, Gemma Chan, Jim Carter, Steve Buscemi

 

transformers-the-last-knight-review.jpg

2/10

publicado por Hugo Gomes às 21:25
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26.6.14

Entre explosões e sucata!

 

Depois de três filmes intensos que bem serviam de case study à cada vez mais iminente junção entre o cinema com os parâmetros do videojogo, Michael Bay parece ter por fim concertado muitas das fragilidades que a saga possuía e que ficou "celebre" por tê-las, convertendo este novo projecto no mais acessível deste franchise cinematográfico baseado na homónima linha de brinquedos da Hasbro (sem com isto querer dizer muito). Porém, e sem as ambições para ser algo mais, continuamos com o mesmo espectáculo de feira, até porque os níveis de ridículo continuam em altas em Transformers.

 

 

Mas voltando aos pontos positivos. Sendo este o maior dos filmes do território imposto por Bay, e não refiro apenas à longevidade da sua duração (pouco menos de 3 horas), Age of Extinction revela-nos um realizador mais maduro e controlado (pelo menos onde o deve ser), tentando construir desde a raiz um novo leque de personagens humanas e com tal preenche-los com os mais "variados" conflitos pessoais, ou seja, os mesmos problemas de sempre. Shia LaBeouf é deixado para trás e Mark Walhberg é o novo detentor do spotlight de protagonista, com todas as características do "bom americano"; inspirador, corajoso e paternal. Como estamos num filme de Michael Bay não é necessário muito em termos interpretativos, basta sim sermos nós próprios. Sob o signo desse mesmo "décimo primeiro mandamento", os atores (as novas aquisições) não são mais do que meros pavonear de egos, com Stanley Tucci a ser devidamente carismático e a actriz Nicola Peltz, da série Bates Motel, sob pouco esforço, a demonstrar que é melhor dos que as antecessoras: Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley.

 


Mas obviamente é tudo dispensável, porque a direcção do espectáculo estás nos seus tremendos CGI e nas criaturas robóticas que vendem milhões e milhões de brinquedos. Aliás, nesse aspecto, Age of Extinction é um aguçado produto de marketing de todo o género, não só no próprio merchandising como também no resto dos "patrocinadores". Depois, existe ainda aquela aposta no mercado asiático, se não qual era a finalidade de metade do enredo decorrer em Hong Kong? Michael Bay afina as suas "armas" e propõe-nos um "show" pirotécnico e visual invejável, até mesmo em comparação com os seus trabalhos anteriores, e sob esse regulamento de entretenimento de silly season, o realizador deposita a sua marca autoral (aquele "planozinho" em movimento lento com o abanar da bandeira norte-americana não poderia faltar). Portanto, não ousem em procurar neste registo puramente digital algo mais profundo e intimista. Nada disso. Quem espera por um filme a lá Bay então esta é a obra ideal, mas até nisso o nosso realizador consegue aperfeiçoar o seu espectáculo, devolvendo à saga um vilão desafiante (por fim!) e sequências de acção perceptíveis mas igualmente gloriosas, mais trabalhadas para o IMAX.

 

 

Finalmente, vale a pena salientar a autocrítica que Bay incute logo no início do filme, quando um proprietário de um antigo cinema desabafa ao nosso herói Wahlberg sobre o estado dos filmes de hoje, clamando que estes são reduzidos a sequelas e remakes. Ora bem, sendo Age of Extinction uma sequela e Michael Bay ligado à produtora Platinum Dunes, especializada em remakes sofisticados dos muitos clássicos do cinema de terror, se tudo isto passa de uma autêntica ironia, então Bay é uma farsa. Se não for, então nada disto sequer existiu?

 

"How many more of my kind must be sacrificed?"

 

Real.: Michael Bay / Int.: Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Nicola Peltz, Jack Reynor, Kelsey Grammer, Li Bingbing, Sophia Myles, Titus Welliver, T. J. Miller, Peter Cullen, Robert Foxworth, John Goodman, John DiMaggio, Ken Watanabe, Reno Wilson

 

 

Ver Também

Transformers (2007) 

Transformers: Revenge of the Fallen (2009)

Transformers: Dark of the Moon (2011)

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 18:23
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28.8.13

 

Michael Bay: O Ed Wood de hoje? O Kubrick de amanhã?

 

Aquilo que hoje não é valorizado pode ser daqui a uns anos valorizado, até se transformar em qualquer tipo de arte. Nesses termos acredito que Michael Bay poderá ser num futuro próximo um autor de renome, talvez um pioneiro do seu próprio cinema de acção. É um facto de que Hollywood está escassa de ideias e é também um facto de que cada vez mais o cinema de acção hollywoodesca é gradualmente mais energética, "videoclippeira" e alucinada e Michael Bay enquadra-se perfeitamente nesses termos. Actualmente considero que o autor é uma espécie de "criança com uma câmara de filmar", a sua mente precoce faz dele um realizador imaturo, por vezes distorcido como por vezes inconclusivo em transmitir algo mais dramático e profundo que meras imagens em movimento. Podemos ter em conta que dirigiu obras como Armageddon, Bad Boys e a trilogia Transformers, qual têm em comum de terem sido grandes êxitos de bilheteira, não apenas nos EUA mas como no resto do Mundo, integrando uma categoria de cinema-pipoca, fast-food cinematográfico de mainstream acentuado e de fácil comercialização. No curioso caso de Transformers, Bay atingiu o seu pico de "grandeza", conseguindo transformar uma linha de brinquedos de sucesso num retrato pouco lúcido do seu cinema estilístico. O realizador norte-americano que parece voluntariamente parodiar a própria opulência produtiva de Hollywood, invoca a sua personalidade fílmica através de sequencias de acção a velocidade e hiperactividade incríveis, bonecos unidimensionais ao invés de personagens e elementos como esterilização estética e puro sexismo.

 

 

Em Transformers tais elementos encontram-se mais que presentes, convertendo a saga dos robôs alienígenas em um intenso estudo de "mau cinema". Poderia existir aqui uma desculpa de que tão trabalhados são os efeitos visuais, contudo quem realmente encontra-se apurado na Sétima Arte tem a noção que os atributos técnicos, por si, não compõe um filme, tirando as imagens CGI, a trilogia que rendeu mais de 2 biliões de dólares em todo o Mundo a Michael Bay é propícia em momentos equívocos do cinema norte-americano, desde a fraca concepção de personagens, todos eles movimentados pelos estereótipos que emanam e por fim um atropelamento narrativo, onde o climax é precoce e o desenvolvimento da trama se perde entre futilidades, tiques do realizador e improvisos a foro comercial. Para além disso é difícil de perdoar em Bay o crescente machismo que invoca nas suas incursões, a escolha de "actrizes" não pelo seu talento interpretativo mas sim pelo atributo estético como meros atractivos de teor sexual. Com Pain and Gain, aquele que supostamente seria o seu período mais calmo, sóbrio e de autor, é em todo o caso mais do mesmo nos termos cinematográficos de Michael Bay.

 

 

Baseado em factos verídicos, a historia de três bodybuilders que decidem envergar no mundo do crime através de "golpes", se revela nas mãos do realizador num festim de artifícios que impedem a narrativa de fluir (nota-se o exagero de narrações voz-off e distractivos desvios como se o autor não conhecesse nada de cinema para além dos blockbusters). Numa estética visual algo irritante que não só torna Miami em mais um cenário "pastiche", mas que revela a futilidade da trama que parece ser algo ofuscado aqui, "martelado às três pancadas" por um desenvolvimento tão digno como um videoclipp prolongado, o qual climax parece ser mera fantasia. Tudo leva a crer que Michael Bay teve intenções propositadas quando inseriu o seu tão estilístico slow-motion e outros tiques sob um conjunto de risíveis diálogos que nada de proveitoso retiram na premissa. Este é um daqueles casos em que os factos verídicos são mais impressionantes que a própria demanda cinematográfica, uma fita prejudicada pelos defeitos que já havia referidos e por um realizador que se tenta passar por aquilo que não é. Um esteticista fascista com o mínimo de respeito pela palavra de entretenimento, o confundindo como meros truques de câmara e manipulação da mesma. O que salva mesmo o filme da ruína total é o seu elenco, desde um carismático e energético Dwayne "The Rock" Johnson, um Shalhoub que se revela num one-man-show e um Ed Harris que mesmo sob efeitos automáticos tende em melhorar certamente a fita. Quanto a Mark Wahlberg, a interpretação que se podia esperar de um actor medíocre, insonso e egocêntrico.

 

 

Em suma: Pain and Gain é um filme "vendido" que pretende ser algo mais do que aquilo que é. Mas a verdadeira questão aqui é tendo em conta que existe filmes e autores que só com o passar do tempo serão valorizados, será Michael Bay o incompreendido do século XXI? Será que a sua arte fílmica é demasiado vanguardista mesmo para os tempos que decorrem? Só o tempo dirá, mas por enquanto a o realizador de Transformers incute uma involuntária paródia a Hollywood, que é a sua carreira.

 

"I'm Daniel Lugo, and i believe in fitness"

 

Real.: Michael Bay / Int.: Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Tony Shalhoub, Ed Harris, Rob Corddry, Ken Jeong

 


 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 22:40
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18.7.11

A terceira não é de vez, de certeza!

 

Agora em modo nostálgico: lembro-me vagamente de assistir e coleccionar Transformers, a minha infância foi propicia e certamente febril quanto à homónima linha de brinquedos robóticos. Sendo que o anúncio de um franchising cinematográfico em 2007 foi para mim como um retorno aos tempos de criança. quanto ao filme propriamente dito, mesmo sendo realizado pelo pirotécnico Michael Bay, cujo Pearl Harbor revelou as suas grandes franquezas enquanto cineasta, Transformers funcionou como um guilty-pleasure que salientou a magnificência dos efeitos visuais e ofereceu ao actor Shia LaBeouf, outrora limitado a sidekick, como um dos mais divertidos protagonistas a integrar um blockbuster. Com a produção executiva de Steven Spielberg, o filme resultou num tremendo sucesso, tendo rendido cerca de 700 milhões de dólares em todo o Mundo, devido a isso a sequela era uma excelente ideia via comercial. Revenge of the Fallen estreou entre nós no pleno Verão de 2009 e rendeu pouco menos de 1 bilião de dólares, mas apesar do êxito, a megalómana  fita revelou-se num fracasso tremendo (só para ter uma ideia venceu o prémio Razzie de pior filme), tendo o realizador culpabilizado os erros da sua qualidade e contexto com a greve dos argumentistas. Mas porque o filme não foi um fiasco a nível de bilheteiras, automaticamente um terceiro capitulo foi posto em pratica, Michael Bay tem pedido desculpas aos fãs por Revenge of the Fallen e garantindo que Dark of the Moon (titulo da terceira estância) seria o reconciliar, segundo o autor, evitando os erros da sua anterior prequela. Assim sendo, estreia entre nós o terceiro Transformers, o qual já faz estragos nas bilheteiras internacionais.

 

 

Não é preciso ver o filme para sabermos que Dark of the Moon será um festim de efeitos visuais e de pomposas sequências de acção que poderia contar Bay como um novo adjectivo. Os robôs palradores e gigantes estão de volta, agora sob uma verdadeira ameaça dos Decepticons (outra vez!), raça de robôs alienígenas que tem como único objectivo na sua artificial vida, a destruição e o caos. O filme inicia com uma sequência mockumentaria (ou pseudo-documentário) sobre a viagem de Apollo 11 à Lua, onde Neil Armstrong executa uma missão fantasma na superfície lunar. Obviamente contamos com o inicio mais interessante de toda a saga, o que em princípio dá a ideia de um Michael Bay mais calmo e sereno, pelo menos no executar de um argumento.

 

 

Mas tudo termina ao fim de 15 minutos, a matéria de conspiração dá lugar a planos básicos de evil vs good, o nosso herói (Shia LaBeouf) torna-se assim num americano devoto com uma "brasa" de namorada (Rosie Huntington-Whiteley, que não é particularmente uma actriz, mas é uma arma na substituição de Megan Fox) ao seu lado, os requisitos necessários de uma vida feliz "by the book" de Michael Bay. Apesar da duração tudo passa a correr por entre personagens caricaturais e descartáveis, exemplos de Ken Jeong (overacting), John Malkovich e Frances McDormand reduzidos ao mero ego, pelas sequências de acção, daquelas que se podem designar vazias sem emoções, confusas e propicias a torcicolos, isto para não dizer um dos grandes males da saga, a falta de um bom vilão, sendo que Megatron (o líder da equipa dos ditos "maus da fita", com a voz de Hugo Weaving) pode muito bem a ser considerado um dos piores vilões (não digo isto em consequência da sua malvadez) da história do cinema. Um "saco de pancada" ridicularizado e sem qualquer tipo de astúcia e ambições para mais.

 

 

Sim, podendo considerar Transformers: Dark of the Moon o mais negro e apocalíptico do franchise cinematográfico, apesar de tudo este é um dos blockbusters mais tediosos do ano, imensamente constituído por clichés, um argumento esburacado que nem um queijo suíço e a soberania dos efeitos visuais face a um elenco humano reduzidos a mero adereços. Confirma-se que o terceiro é uns degraus acima de Revenge of the Fallen, mas possui o seu código genético, ou seja no fim disto tudo prova-se que o principal responsável é mesmo Michael Bay, que perdeu completamente a noção de como fazer um filme de acção e não um videojogo. Pelo menos consolo com o sempre divertido John Turturro e os cameos de Alan Tudyk (da série de culto Firefly).

 

“You may lose faith in us, but never in yourselves.”

 

Real.: Michael Bay / Int.: Shia LaBeouf, Rosie Huntington-Whiteley, Josh Duhamel, Hugo Weaving, Patrick Dempsey, John Malkovich, Frances McDormand, John Turturro, Leonard Nimoy, Ken Jeong, Alan Tudyk

 

 

Ver Também

Transformers (2007)

Transformers – Revenge of the Fallen (2009)

4/10

publicado por Hugo Gomes às 01:40
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5.7.09

 

"Transformando" filmes em videojogos!

 

Em 2007, estreou aquele que críticos apelidaram “mais um filme digno do nome Michael Bay”, que foi (previsivelmente) um dos maiores êxitos de bilheteira desse ano, Transformers, uma adaptação de uma rentável linha de brinquedos da Hasbro que por sua vez deu origem a um a um inicio algo nervoso mas bem-sucedido no inicio de um novo franchisingMichael Bay, um realizador exclusivamente virado para os blockbusters pomposos e dignos da palavra, conseguiu em Transformers lançar duas futuras estrelas do cinema adolescente; Shia LaBeouf, denominado como o “afilhado” de Steven Spielberg e Megan Fox, a revelação estética que automaticamente se tornou numa das mais sexys actrizes de Hollywood. Ambos jovens seguiram suas respectivas carreiras à sua maneira até voltarem-se a encontrar, novamente sem química, nesta "mega-sequela" do homónimo êxito de 2007, o "inclassificável" Transformers: Revenge of the Fallen.

 

 

É estranho e ao mesmo tempo previsível ver algo receoso e por vezes "acanhado" na sua produção a transformar-se (melhor sentido da palavra) numa entrada directa aos devaneios e fantasias pueris de Michael Bay, que tirando isso parece apenas um campo de trabalho de toda a equipa de efeitos visuais. Pois bem, há quem chame de upgrade, o limar das arestas que falharam na prequela, as sequências de acção nomeada, agora integrada não na narrativa mas como a própria neste filme inarrável e prejudicado pela greve dos argumentistas (poderá ser visto como uma desculpa de Bay para a inaptidão do argumento). É que Revenge of the Fallen abandona tudo o que poderia criar cinema, desde as personagens até a um enredo, contudo esquece de que um filme não é motivado por efeitos visuais, lição que terá que aprender às custas das inocuidades e da risibilidade que invoca em todo o seu "esplendor". Não existe ligação aqui, apenas uma "passarelle" de transformers que Bay quer incutir como agrado quase ejaculatório aos fãs e pior o arranque de uma nova era da respectiva linha de brinquedos.

 

 

Resumidamente temos um filme-pipoca sem emoção, mesmo nas batalhas o qual tão sentimento era necessário. Uma linha cronológica confusa que auto-titula-se de complexo e pior … de história. Um humor escatológico e estereótipos raciais e nacionais, demasiado adjectivos à militarização norte-americana (Bay abusa lisonjeiramente da mesma), e o resto, bem o resto sabe bem com um pacote extra-grande de pipocas doces, aliás neste caso as pipocas é o que de melhor tem a sessão. Ficando somente pelos efeitos visuais e sonoros, Transformers: Revenge of the Fallen é puro objecto adolescente e inconsequente, exaustivo e excessivo, para ver e esquecer (nem que seja os testículos mecanizados dos seus robôs protagonistas). O pior filme da carreira de Michael Bay!

 

" Sam, fate rarely calls upon us at a moment of our choosing."

 

Real.: Michael Bay / Int.: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, John Turturro, Isabel Lucas, Rainn Wilson, Hugo Weaving

 

 

A não perder – Para quem é amante dos robôs que marcaram infâncias.

O melhor – os efeitos especiais

O pior – a falta de emoção e as personagens que mais parecem bonecos saídos de um videojogo.

 

Recomendações – Armageddon (1998), Transformers (2007), Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull (2008)

 

Ver Também

Transformers (2007)

 

3/10

publicado por Hugo Gomes às 17:28
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29.7.07

Bay em relação amorosa com brinquedos!

 

O planeta Terra é palco para um confronto entre duas raças alienígenas e Michael Bay parece ser o único homem com meios e visão necessária para transmiti-lo com toda a espectacularidade que se esperava para o grande ecrã. Baseado numa famosa linha de brinquedos da Habro, Transformers é um filme que desde a primeira letra impressa no papel do argumento já se antecipava um ambiente simbiótico para com cinema pueril e inconsequente do realizador de Armageddon. Aliás, depois do semi-fiasco de The Island (2005), o megalómano e pirotécnico realizador necessitava de um projecto que lhe levantasse a moral, mas sobretudo que fizesse novamente conquistar as suas audiências, o que não são poucas, sendo que a ideia que foi "apadrinhada" por Steven Spielberg pareceu ser a mais adequada para o seu "grande" retorno.

 

 

Mesmo assemelhando um regresso "a lá S. Sebastião", Transformers foi para além de tudo um trabalho receoso e pouco aventureiro para devaneios típicos do realizador, sendo que e em derivado de tal, apostou-se maioritariamente na sua vertente cómica e melhor … na construção dos seus personagens. Isto poderá parecer herege, mas é em Transformers que encontramos a melhor composição de personagens por parte do cinema de Bay; um protagonista humorado que demonstra como uma aposta ganha no carisma (Shia LaBeouf), ou um arquétipo de "feminismo" alegórico do autor que até funciona como símbolo estético e de ejaculação precoce e adolescente (Megan Fox).

 

 

Depois disso são caricaturais secundários (John Turturro a captar a atenção de todos) que preenchem em jeito de "sacos descartáveis" esta "fantasia" pipoqueira. Se não forem actores de carne e osso são os efeitos visuais esplêndidos; as criaturas robóticas em CGI, essas sim, as verdadeiras estrelas. Devido a isso podemos insinuar que Transformers é o cartão de visita para a criatividade de Michael Bay, um realizador acusado de atribuir sentimentos plásticos às suas personagens depara aqui com a chance de trabalhar “quase” exclusivamente com maquinaria digital, mesmo que estes trunfos computorizados sintam confrangidas com os próprios medos da produção, tal é evidenciado, por exemplo, no minimizado climax.

 

 

Contudo não existe muito mais para dizer neste tremendo trabalho tecnológico, é "cinema" ocasional, fast-food que se vê com agrado e esquece minutos a seguir. Um playground de realizador sem pretensões para mais do que um vasto leque de artifícios de cinema adolescente; sobre-carregamento de acção explosiva, montagens rápidas, amistosas bandas sonoras e o patriotismo extremo do costume. É artificial? Sim, mas é puro delírio Bay, quer se goste ou não. E por fim, vale a pena afirmar que Transformers nasceu para Michael Bay … e vice-versa. 

 

"there's more to them than meets the eye"

 

Real.: Michael Bay / Int.: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Jon Voight, Bernie Mac, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Amaury Nolasco, Kevin Dunn, Ronnie Sperling, John Turturro, Hugo Weaving

 

 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 00:26
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7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
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