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Kingsman: The Secret Service (Matthew Vaughn, 2014)

Uma refeição junk food no seio presidencial
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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...
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Kingsman: The Secret Service (Matthew Vaughn, 2014)

Uma refeição junk food no seio presidencial
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Entende-se que a grande ambição de vida de Matthew Vaughn é dirigir um filme da franquia 007, no entanto, o universo bondiano, por mais inovações que abrace, mantém-se demasiado brando para os maneirismos do realizador, que, filme após filme, parece perpetuar e registá-los como sua marca. Olhando de uma perspetiva mais ampla, consideramos a sua incursão fantástica, "Stardust" (2007), baseada num livro de Neil Gaiman, como seu filme mais anónimo, mera tarefa para agradar ao estúdio, tendo posteriormente (e anteriormente, dado que "Layer Cake", em 2004, antecipou Daniel Craig como futuro James Bond, na matéria-prima da sua carreira fílmica) explorado alternativas ao registo do espião mais famoso da nossa cultura [curiosidade: Vaughn foi um dos realizadores considerados para "Casino Royale"] e, como "consequência", manter vivo o seu lado festivo e a violência estetizada, elementos intransponíveis para a saga atual.
Seguiram-se "Kick Ass" (2010), três "Kingsman" (2014 - 2017 - 2021) e, pelo meio, um "X-Men" (2011) que, apesar das limitações da sua ‘herança’, reluziu essas marcas de forma discreta (Kevin Bacon é claramente um vilão "bondiano" em terreno alheio), num percurso vistoso e com pé assente nos pedal tendencioso da indústria que chegaria a este "Argylle", comédia de enganos que reúne “rodriguinhos” do universo cobiçado e mais como paragem prazenteira. Tendo como enredo uma escritora de histórias de espionagem (Bryce Dallas Howard a malabarear delírio e empatia) que se vê envolvida num enredo que tão bem poderia sair das suas próprias criações. Aqui, Sam Rockwell, no seu estilo rude e despreocupado, surge como uma afronta ao estereótipo de espião cinematográfico, em contraste com Henry Cavill, o alter-ego fantasioso da protagonista que reúne as características de James Bond.
No entanto, mesmo conservando alguns twists que ‘apimentam’ um enredo que poderia cair na previsibilidade, o filme não foge à imagem do seu criador, respeitando as suas normas e as suas "loucuras", como o já habitual "bailado de violência" que condensa “matança” em modo videoclipe (outro “amor escondido de Vaughn, o musical, futuramente trabalhará com Damien Chazelle nesse género, a ver vamos!).
Para efeitos de comédia é o desvaire exacto, mas o déjà vu apodera-se … “Kick Ass”, “The Kingsman”, já vimos este truque. Caro, Vaughn andiamo, a repetição já é um efeito.
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The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover (Peter Greenaway, 1989)

Gosford Park (Robert Altman, 2001)

The Singing Detective (Jon Amiel, 1986)

Layer Cake (Matthew Vaughn, 2004)

A Dry White Season (Euzhan Palcy, 1989)

The Good Shepherd (Robert De Niro, 2006)

Sleepy Hollow (Tim Burton, 1999)

The Beast Must Die (Paul Annett, 1974)

The Insider (Michael Mann, 1999)
Michael Gambon (1940 - 2023)
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Encontramos-nos saturados pelas sátiras de espionagem, mas o diptico «Kingsman» funciona no seu todo como um acto de rebeldia e de auto-paródia. A contra-orgânica da violência com a musicalidade inesperada é um às de copas na manga de Matthew Vaughn.
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