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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

"You didn't get me down, Ray"!

Hugo Gomes, 14.11.20

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Comemoramos 40 anos de "Raging Bull" ("O Touro Enraivecido", 1980), aquele que é para muitos a obra-mestra de Martin Scorsese e, em matéria de desempenho, de  Robert DeNiro.
 
"Para fortalecer essa ideia, eis o “You didn't get me down, Ray”, o “Não me deitaste ao chão, Ray” que grita, ensanguentado, derrotado e, enfim, orgulho, o nosso pugilista no último combate com Sugar Ray Robinson. Trata-se da sua afirmação perante a luz que vislumbra no hiato entre o arremesso e o choque dos golpes do seu rival. Terá sido o divino a comunicar com ele, imperando para que se arrependa dos seus inúmeros pecados? Se foi, Jake LeMotta ignorou. Vendeu a alma ao diabo." Texto no SAPO, aqui.

 

 

Silêncio ... o filme de Scorsese vai começar

Hugo Gomes, 06.01.17

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Um Martin Scorsese irreconhecível, empenhado em construir uma obra-mestra? Será que conseguiu? Silêncio instala-se como uma faca de dois gumes, o que muitos poderão ver propaganda cristã, eu vejo um filme de crenças com especial alvo as instituições religiosas. De certa maneira foi como Scorsese replicasse Merry Christmas, Mr. Lawrence, o espírito do ocidental vergado em confronto com as doutrinas e disciplina do outro lado do Oceano.

Sem ou com crachá

Hugo Gomes, 07.03.14

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Como já dizia Jack Nicholson em The DepartedWhen I was your age they would say we can become cops, or criminals. Today, what I'm saying to you is this: when you're facing a loaded gun, what's the difference?”, conselho que parece fazer sentido face a um filme como este Street King, em que policias e criminosos pouco ou nada se distinguem. Uma mistela cada vez mais usual para se expor como uma denuncia a essa diluída equação binária. Porém, muitos seguiram estas mesmas pisadas, a quebra do fascínio da violência e do vigilatismo de ‘70 e o choque frontal com 11/09/01, levaram a América, neste caso a Hollywood, a dissecar o seu próprio sistema de combate à criminalidade com um olhar não tão ingénuo assim.

É o auscultar das “cicatrizes interiores”, é a ambiguidade como veste para a conceção de “novos heróis” … ou mais precisamente a desconstrução dos velhos e do próprio conceito. Antoine Fuqua e agora este emancipado David Ayer, um novo subgénero dentro do formatado policial. Pena, que em Street Kings, a permanência de um estilo não o resgata da “garras” do corriqueiro.