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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Porque nem sempre foi um "Bom Rapaz" ...

Hugo Gomes, 26.05.22

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Copland (James Mangold, 1997)

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Killing Them Softly (Andrew Dominik, 2012)

É muito fácil limitar Ray Liotta ao seu papel de Henry Hill em “Goodfellas”, não há escapatória, foi o filme da sua vida, da sua ascensão e ironicamente da sua queda. Sinto que a maldição de “Bom Rapaz” o perseguiu até então, reduzindo a diversidade dos seus papéis e ao mesmo tempo o encostando à categoria B de Hollywood. Não discrimino as homenagens feitas através da obra de Martin Scorsese, só por esse trabalho, Liotta (protagonista improvável digamos), merece todo o nosso carinho e respeito. O que seguiu foi a secundarização, mas sempre uma secundarização saudosa a esse mesmo filão. Enquanto isso sublinho dois desempenhos antes do seu promocional resgate em “Marriage Story” de Noah Baumbach; o parceiro de serviço de Stallone em “Copland” (James Marigold, 1997) e o alvo de “Killing Them Softly” (Andrew Dominik, 2012). Ao contrário do legado de Liotta, não devemos reduzir a sua memória. Mas claro, podemos sempre voltar à luz da ribalta de “Goodfellas”. E que espantosa iluminação e acima de tudo, formidável Ray Liotta.

"You didn't get me down, Ray"!

Hugo Gomes, 14.11.20

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Comemoramos 40 anos de "Raging Bull" ("O Touro Enraivecido", 1980), aquele que é para muitos a obra-mestra de Martin Scorsese e, em matéria de desempenho, de  Robert DeNiro.
 
"Para fortalecer essa ideia, eis o “You didn't get me down, Ray”, o “Não me deitaste ao chão, Ray” que grita, ensanguentado, derrotado e, enfim, orgulho, o nosso pugilista no último combate com Sugar Ray Robinson. Trata-se da sua afirmação perante a luz que vislumbra no hiato entre o arremesso e o choque dos golpes do seu rival. Terá sido o divino a comunicar com ele, imperando para que se arrependa dos seus inúmeros pecados? Se foi, Jake LeMotta ignorou. Vendeu a alma ao diabo." Texto no SAPO, aqui.

 

 

Silêncio ... o filme de Scorsese vai começar

Hugo Gomes, 06.01.17

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Um Martin Scorsese irreconhecível, empenhado em construir uma obra-mestra? Será que conseguiu? Silêncio instala-se como uma faca de dois gumes, o que muitos poderão ver propaganda cristã, eu vejo um filme de crenças com especial alvo as instituições religiosas. De certa maneira foi como Scorsese replicasse Merry Christmas, Mr. Lawrence, o espírito do ocidental vergado em confronto com as doutrinas e disciplina do outro lado do Oceano.

Sem ou com crachá

Hugo Gomes, 07.03.14

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Como já dizia Jack Nicholson em The DepartedWhen I was your age they would say we can become cops, or criminals. Today, what I'm saying to you is this: when you're facing a loaded gun, what's the difference?”, conselho que parece fazer sentido face a um filme como este Street King, em que policias e criminosos pouco ou nada se distinguem. Uma mistela cada vez mais usual para se expor como uma denuncia a essa diluída equação binária. Porém, muitos seguiram estas mesmas pisadas, a quebra do fascínio da violência e do vigilatismo de ‘70 e o choque frontal com 11/09/01, levaram a América, neste caso a Hollywood, a dissecar o seu próprio sistema de combate à criminalidade com um olhar não tão ingénuo assim.

É o auscultar das “cicatrizes interiores”, é a ambiguidade como veste para a conceção de “novos heróis” … ou mais precisamente a desconstrução dos velhos e do próprio conceito. Antoine Fuqua e agora este emancipado David Ayer, um novo subgénero dentro do formatado policial. Pena, que em Street Kings, a permanência de um estilo não o resgata da “garras” do corriqueiro.