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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

A comédia não foi inventada ontem ...

Hugo Gomes, 17.02.17

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Será a comédia um solene ato de rir do outro? E o cómico? Uma mera figura possessora desses mesmos códigos de troça? Qual a finalidade da comédia? Por fim, será ela, um género menor, desprezado pela classe dignamente culta? Para responder a tais perguntas deveríamos espreitar pela História do Cinema e encararmos essa herança de "fazer rir", e ao mesmo, invocar subversivamente temáticas sociais e políticas que em outros géneros dificilmente estariam a salvo do contexto de época. 

Aliás, desde os preciosos momentos de que o Cinema ainda comunicava exclusivamente por imagens, a comédia surgiu, a par do terror, como um dos primórdios dos teores de stock, antes de ser definido os géneros, o que foi um método de classificação gerada e expandida pelos grandes estúdios de Hollywood, de forma a condensar e direccionar as suas audiências, a Sétima Arte já contava as suas "primeiras" piadas. Actualmente, quando falamos de comédia, atribuímos automaticamente aos produtos instantâneo reduzidos a alvos fáceis de sucesso. Quase como um escape, as audiências abraçam, não apenas a comédia pura, mas o tom aligeirado da ficção, de forma a descomprimir da realidade pelo qual são constantemente alvos.

Contudo, a comédia é também experimentada, e sempre fora seguindo as correntes cronológicas do tempo, e actualmente procura-se um novo movimento, e é nesse ponto, que surge a fascinação por este Toni Erdmann, o novo filme da alemã Mared Ade, que fora apresentado em competição no Festival de Cannes, e desde então, forma muitas as menções como Melhor Filme do Ano.

Será Toni Erdmann digno desta categoria de nova "onda" no seio cómico-cinematográfico? Simplesmente não, e que não caia no erro de apelidá-lo o "Adam Sandler para intelectuais", assim como fora referenciado vezes sem conta. O que encontramos nesta fita com mais de três horas de duração é a invocação do artificio mais antigo da comédia - o disfarce - método que se vingou nos reinados de Billy Wilder e até antes deste, hoje, mera rotina para a comédia norte-americana. Por isso, Toni Erdmann não diferencia desse mesmo tipo de produções, envolvendo-se em gags acostumados, truques dos nosso … avôs.