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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

"É tudo uma cambada de chupistas!"

Hugo Gomes, 16.01.14

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Existe um novo fenómeno nos remakes norte-americanos que de certa forma passa despercebido pelo grande público, se não fosse essa a intenção. Os grandes estúdios norte-americanos logo após serem informados da produção  e sucesso de novos filmes (principalmente de terror) da América Latina compram os direitos e bloqueiam que o original percorra o resto do Mundo, quer em circuito comercial ou em festivais. Assim, o espectador apenas tem acesso aos remakes hollywoodescos, “rip-offs” oportunistas que vingam graças à distribuição limitada da matéria original. Puro estratagema de rentabilidade com selo de predominância norte-americana o qual foram vítimas obras como “We Are What We Are” (cujo original e a “cópia” foram apresentados em Portugal nas duas últimas edições do MOTELx) e “Silent House” (“La Casa Muda”, ainda inédito em fronteiras nacionais), que é descrito como “A Russian Ark” do género do terror, constituído por um longo plano-sequência que compõe toda a narrativa do filme.

Dentro desta proposta narrativa de “tempo real”, deparamos então com mais um “home-invasion“, sendo que este exemplo desenvolve para diferentes contornos. Porém, os trilhos até ao eventual twist são marcados por clichês, lugares-comuns e toda uma previsibilidade entediante e cansativa que se resume tudo a um jogo de “escondidas”. A chegada do clímax é assinalada então com um despacho deplorável da intriga onde a surpresa inicial dissipa-se instantaneamente e Elizabeth Olsen, que tem até ao momento transportado o filme às costas, desaba numa falhada invocação de dualidade.

A verdade, é que sente-se neste “Silent House” uma tentativa de manufacturação abusiva e não a de criatividade, aquilo que poderia ser valorizado como um exercício de estilo é adulterado pelas intenções de mercado, ou seja é como copiar em folha vegetal. Esperemos que esta tendência de remakes não vire moda, porque isso seria o indício de uma eventual destruição da diversidade cultural e cinematográfica. Oportunistas é o que são!