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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

"The End is Near!"

Hugo Gomes, 12.02.15

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"O Fim está próximo". Pelo menos é desta forma aclamado no início deste “Videofilia (y otros síndromes virales)”, um experimento que incute uma mensagem que a esta altura do campeonato todos têm conhecimento, mas que infelizmente grande parte ignora. Refiro-me à ausência de contacto físico como consequência dos avanços tecnológicos, nomeadamente a Internet e todo o seu meio virtual, essa "maldita invenção" que tem servido de alternativa a muitos dos nossos gestos quotidianos, até mesmo em questões sexuais. Contudo, nesta obra do peruano Juan Daniel F. Molero, a mensagem não é oferecida ao espectador como algo adquirido ou uma moralidade que antecede o "The End". O objectivo aqui não é o de recriar um panfleto pedagógico mas antes colocar quem assiste numa experiência sensorial e subliminar, mesmo que os "alvos" sejam mais que evidentes.

Mas então o porquê da citação do "Fim"? Qual a razão do Apocalipse que é mencionado na cena inicial? Os eventos proferidos por um jovem, gravando para a posteridade essa inesperada ocorrência, que, segundo este, marcará a sociedade como nós as conhecemos? Os Maias profetizaram esse derradeiro desfecho, mais tarde lido como uma transição para uma Nova Era. Por mais que tentamos descredibilizar esse dom de adivinhos e profetas, estes realmente desvendaram essa mudança, um futuro negro, mais individualista, constrangido e isolado no seu sedentarismo tecnológico. Mas o "Fim" não é esse, e sim a alusão presente num dos "castigos divinos" incutido na obra lá bem para o seu final.

Enquanto isso, somos presenteados por uma narrativa inventiva e psicadélica, brincando com "glitchs", pop-ups e pixéis para tornar menos perceptível a atual diferença entre Cinema e o mundo da informática. Talvez essa fusão seja o futuro da Sétima Arte e “Videofilia’” um dos incompreendidos pioneiros dessa linguagem visual. Violento nessa abordagem, Juan Daniel F. Molero conseguiu um assombroso ensaio cinematográfico cuja mestria não está no seu conteúdo, antes na forma como o expõe e se expõe. Uma experiência!