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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Para quê ir ao Cinema?

Hugo Gomes, 06.06.22

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Mas porquê ir ao cinema? Se podes ver em casa e mandar vir pipocas. Fica mais barato.” Ouvido hoje! Local? Metro. Origem? Um grupo de jovens que não passaria os seus 18 anos. Ouvi eu, aquilo que é mais um sinal de gerações descontinuadas do hábito de “ir ao cinema” … mas convém afirmar que não são os únicos. 

Contudo, este tipo de discurso (não sendo a primeira vez que o ouço, ainda recordo o “Para quê Cinema se tenho Netflix? em alunos de Cinema) remeteu-me automaticamente a um outro discurso que se joga numa outra realidade (pelos vistos inexistente). Recordo-o, foi num “Encontros do Cinema Português” (julgo que era a edição a meio do primeiro ano da pandemia, pouco tempo depois da reabertura dos cinemas), onde um representante da maior distribuidora / exibidora do nosso país declarou, frente a um “público” constituído por jornalistas, realizadores e produtores de Cinema Português, que, mesmo dada as circunstâncias, a empresa continuaria a vender filmes para millenials, obviamente errando na geração (millenials correspondem aos nascidos no final dos 80 até à metade dos 90), mas entendendo-se como sinónimos de novas gerações, aquelas que nasceram numa “bolha virtual”, exclusivamente habituadas a ver “filmes em casa”. 

Questiono, tendo em conta os valores aí divulgados, se são mesmo os jovens que estão a pagar bilhete para ver "Top Gun", por exemplo? Deixo a reflexão …

O indomável Maverick e aquilo que chamamos nostalgia

Hugo Gomes, 25.05.22

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Poderia aqui falar das sequências de ação, tomadas pelo gosto do risco, da fisicalidade, e do menor uso possível do CGI. Poderia referir o espéctaculo em sala, a exaltação dos costumes circenses ditados pela Hollywood, e sempre a Hollywood. Poderia citar o jogo de cintura executado por Tom Cruise, desafiando, para além da morte, o tempo, e com isso mantendo a ilusão do “star system" em épocas de famas efêmeras ou de estrelas “virtuais” e “conceptuais”. Poderia … mas mencionar só um momento deste “Top Gun: Maverick” é o equivalente da abordagem a todas estas temáticas. 

O que sabemos é que passaram 36 anos desde o sucesso do primeiro “Top Gun” - com a assinatura de Tony Scott e com uma estrela em ascensão de nome Cruise - e que o nosso protagonista, ainda detendo o seu talento volátil, contraria as ordens do seu superior hierárquico (Ed Harris novamente como o sisudo de eleição) em de não pilotar. Um ato de rebeldia que por pouco lhe custaria a sua reputação e carreira, mas que não evitou de lhe ser dirigido o sermão, realçando a extinção da sua "espécie" em um projetável futuro de máquinas dirigidas por máquinas e de pilotos encostados às boxes. Isto, logo antes de nos ser introduzido o macguffin da trama, mera irrelevância (até mesmo o filme aponta num inimigo sem pátria nem cultura, um não-lugar para se lançar em joguetes de stunts e sobressaindo o espírito do antecessor, aquele ambiente académico-militar), mas que reforça uma ideia de resistência, não somente de um modus operandis, como de um cinema deslocado das tendências atuais ou da imperatividade do streaming. 

Tom Cruise relatou em entrevistas várias, a recusa deste projeto estrear numa plataforma, conduzindo-a para um evento de sala, cuja capacidade de prevalecer depende da disposição dos espectadores em não aceitar o predestinado trilho da indústria hollywoodesca. O produtor Jerry Bruckheimer e o realizador Joseph Kosinski (de outras ressurreições como “Tron Legacy”, mas sublinhamos “Oblivion” como casa de partida para esta estância) também alinharam. “Top Gun: Maverick” não inventa a roda, apenas nos oferece um bilhete de ida e volta a um outro período, contudo, é no fascínio do mesmo e sempre com a motivação de Cruise e o seu cúmplice das últimas baladas [Christopher McQuarrie] para estender acima do mero exercício de revisitação, digamos, tal como a personagem, de superação. 

 

Highway to the Danger Zone

I'll take you right into the Danger Zone