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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Bola Preta #7: ‘Está à janela encantada com a tua cinefilia’, os blogs de cinema, o que fazer com as suas carcaças? Uma conversa com José Carlos Maltez.

Hugo Gomes, 13.11.25

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Under Capricorn (Alfred Hitchcock, 1949)

Um jantar (mais um!? Tradição neste programa? Talvez… não sei, andiamo). Um jantar de resistentes, após o vislumbre do “novo” filme de John Ford na CinematecaThe Scarlet  Drop” — achado mudo que contraria a extinção declarada destas metragens. História a ser feita, recontada ou apenas contemplada. Sim, aqueles exteriores remetem-nos sobretudo ao teor fordiano que remexemos e embutimos nos nossos textos. Os resistentes são, porém, outros, os bloggers, essa raça maldita, hoje em iminente extinção como os filmes desaparecidos, e, de igual modo, de vez em quando surgem, dão sinais de vida, prometem manifestar-se perante a História, ou, neste caso, na forma de ver e partilhar cinema. José Carlos Maltez é o último dos moicanos, e os treze anos do seu projecto, A Janela Encantada”, são prova viva dessa teimosia de existir num meio cada vez mais acelerado, imediato e efémero. Entre garfadas e tragos amargos de cevada, eis uma conversa (perdoem a minha voz constipada) de um tempo que não regressa …  para o bem e para o mal.

 

Material de Apoio

Comemoração 13 Anos de “A Janela Encantada”

Ciclo Alfred Hitchcock na “A Janela Encantada

Para adquirir o livro “O Cinema Expressionista Alemão” de José Carlos Maltez

 

Ouvir episódio completo aqui

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13 Anos de "A Janela Encantada" em 13 filmes

Hugo Gomes, 26.10.25

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"La Vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2" (Abdellatif Kechiche, 2013)

José Carlos Maltez, co-autor do livro “Olhar o Medo”, co-anfitrião do podcast de cinema “Universos Paralelos”, celebra 13 anos de “A Janela Encantada, o seu blog, mas mais que tudo, o seu cantinho cinéfilo. Para desviar de qualquer superstição em relação ao número, decidiu convidar alguns amigos, igualmente cinéfilos, para que cada um abrisse os seus respectivos sótãos cinematográficos: 13 filmes a representar os 13 anos de longevidade do espaço. Aceitei o convite, e os seguintes elegidos, não são alusivos aos tops habituais, antes disso, fruto de um malabarismo entre subjetividade e objetividade. O que penso resumir a década e “uns trocos” e igualmente os filmes que me abraçaram durante esse período. 

Muitos parabéns José, pela resistência, pela cinefilia e também carolice numa Modernidade em que o Cinema parece ser uma mera inutilidade.

Ver Aqui

O Cinema e o Medo [Índice]

Hugo Gomes, 15.11.23

Cinema e Medo

Hugo Gomes, 25.10.23

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The Great Dictator (Charlie Chaplin, 1940)

Ao receber o convite do Hugo (um exemplo de resistência e perseverança na blogosfera portuguesa), dois sentimentos me tomaram. Inicialmente senti-me honrado pelo convite. De seguida... com medo!

Medo? Sim, medo da página em branco, medo de não ter o que dizer. Medo da inconsequência da escrita sobre cinema. Ou seja, estava no caminho certo. Afinal, a "Olhar o Medo" ando eu há mais de dois anos, com as voltas que a edição de um livro me tem feito dar e os filmes que me tem feito ver. Livro feito de amor ao cinema e carolice sem medo.

Ao pensar em medo e cinema, a primeira ideia que me ocorre é a reação de Massimo Gorki. Assistindo a uma projecção de filmes dos irmãos Lumière, em 1896, o escritor russo descreveu-a como assustadora, pelo novo poder das luzes e sombras. Foi, certamente, um medo mais intelectual que o sentido no ano anterior pelos espectadores que temeram o comboio de "L'arrivée du train en gare de la Ciotat". O denominador comum é que um e outros trouxeram o medo para o léxico do cinema logo à nascença. Não sabiam era o que esse medo ainda tinha para dar.

E se o cinema pode ser uma indústria do medo, com os filmes de terror a serem aposta segura para manter as salas abertas e os projectores a funcionar, e vampiros, zombies e lobisomens a tornarem-se nossos companheiros de insónias, esta espécie de contos modernos da carochinha empalidece perante outro medo.

Refiro-me, não ao medo de um filme, mas ao medo do cinema pelas vezes em que antecipou causas e lutas forçando a humanidade a olhar em frente, ou pior, a olhar para si mesma. Méliès não teve medo de brincar com o Diabo, Louise Brooks foi temerária ao dar nova expressão à feminilidade, Milestone ensinou-nos a ter medo do patriotismo, Chaplin não teve medo de desafiar o nazismo enquanto os EUA assobiavam para o lado, Sidney Poitier olhou o racismo norte-americano nos olhos, James Dean reformulou os desesperos e medos da juventude, Bergman atirou-nos à cara o silêncio de Deus, Antonioni assustou-nos com a nossa incapacidade de tocarmos os outros, Pakula, Zinnemann, Pollack ou Coppola ensinaram-nos a temer os nossos governos e até Scorsese enfrentou o terror de fanatismos religiosos. Hoje o cinema não tem medo de desafiar os nossos conceitos de género, os desafios virtuais e o papel do Homem no universo.

O cinema nunca teve medo de fazer as suas revoluções, nem de anunciar revoluções ou de documentar revoluções. A mais importante das artes, para Lenine, deu voz aos que não a tinham, deu novos horizontes aos que deles precisavam. O cinema transgrediu, ofendeu e amedrontou poderes instituídos, foi vítima de censura, foi manietado em grilhões por mentes medrosas e usado como propaganda para manipular opiniões. Mas sempre se superou e, como uma janela encantada, permitiu quebrar fronteiras, dando a ver mundos que alguns tentavam esconder do outro lado de muros e linhas artificiais.

E se o medo no cinema de hoje é o da sua irrelevância perante a mudança de paradigma no modo como as imagens em movimento nos chegam, é das mentes, vozes e rostos sem medo que ele triunfará, enquanto estas se lembrarem que o cinema veio para meter medo, não com monstros e assombrações, mas como um espelho indomável daquilo que nós somos.

Quanto a nós que aqui escrevemos, resta-nos não ter medo de o fazer nem de nos darmos um pouco também dessa forma, e de ainda conseguirmos a coragem de nos maravilharmos com o que nos chega do grande ecrã.

 

*Texto da autoria de José Carlos Maltez, cinéfilo desde que se conhece, iniciou-se em 2012 na escrita sobre cinema no seu blogue pessoal "A Janela Encantada", com mais de um milhar de análises de filmes, agrupando-as em temas e estéticas, numa viagem pela história do cinema. Seguiram-se a participação na revista online "Take Cinema Magazine" e, desde 2018, a co-autoria do podcast "Universos Paralelos". Em 2023 publicou o livro "Olhar o Medo - Visões sobre o Cinema de Terror" em parceria com António Araújo.

"Olhar o Medo" no Fórum Fantástico 2023

Hugo Gomes, 27.09.23

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No dia 1 de outubro, às 15h15, estarei no Fórum Fantástico, que decorrerá na Biblioteca Orlando Ribeiro, a convite dos autores António Araújo e José Carlos Maltez, para apresentar e moderar uma conversa sobre o seu livro "Olhar o Medo". A entrada é livre.

Para mais informações sobre o evento, consulte aqui.

Para adquirir o livro, clique aqui.

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