Data
Título
Take
16.5.16
16.5.16

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Amor sem barreiras!

 

Nos últimos tempos, temos constatando que os EUA não tem sido (nem hoje é), o país detentor da liberdade, igualdade e oportunidades que muitas vezes tem sido descrito. A discriminação racial continua ainda a ser um dos grandes problemas dessa mesma nação, nos tempos mais recentes tem ganho uma relevante “voz”, provavelmente face a um antagonista de peso, Donald Trump, que demonstrou que os EUA ainda não havia superado esse racismo intrínseco.

 

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Em paralelo, surgiu a campanha #OscarsSoWhite, um boicote activista contra a ausência de actores “negros” entre os nomeados em tais cobiçados prémios norte-americanos. Tal funcionou como uma reflexão à falta de diversidade no cinema de Hollywood, assim como branqueamento que tem atingido inúmeras produções. Entretanto, muitas outras produções foram feitas nos últimos anos que visaram e desvendaram histórias “malditas” de um país cujo maior tesouro é a Constituição Nacional. Entre essas produções, que tem como principal intuito “abanar” consciências, surge Loving, a nova obra de Jeff Nichols que estreou no mesmo ano em que havia apostado num “embrião” de ficção cientifica à la Steven Spielberg, que fora Midnight Special (que por cá conheceu a luz do dia através do circuito direct-to-video).

 

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A seguir a passos desse artesão de histórias norte-americano, Nichols, mais conhecido por obras como Shotgun Stories e Take Shelter [ler crítica], “descortina” ao espectador um curioso facto histórico, porém, infeliz, de um EUA marginal, longe dos feitos heróicos e humanitários - a América onde a oportunidade é para alguns, e esses alguns os verdadeiros privilegiados. Trata-se da história de Richard e Mildred Loving, os modernos Romeu e Julieta onde a verdadeira barreira para a concretização das suas paixões é a nível judicial.

 

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No estado de Virgínia, durante a década de 50, era proibido qualquer união entre “raças”, uma lei, como pode ser vista no filme, que anexou-se a um prolongado julgamento, a luta de quem desejava acima de tudo viver (e conviver) com a sua “cara de metade”. Obviamente o objectivo deste casal não era o do mero activismo, mas sim a requisitada normalidade na sua vida matrimonial, um feito que para Jeff Nichols e todos os interessados é um statment sociopolítico, que exibe duas contradições acerca desta “brilhante” nação. A primeira era que a Guerra Civil não terminou, apenas residido a pequenos confrontos na sociedade, e para um país que se auto-titula livre, uma governação semi-independente dos estados não era necessariamente um veículo político mais viável (o contrário também não seria).

 

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Loving, é assim, mais uma obra sobre a verdadeira distopia, não daquelas agregadas a ficções cientificas, mas à nossa História, um passado bem presente, e um presente antiquado para aqueles que “respiram” na actualidade. Mas por mais boas intenções que exista, tal não justifica um filme, Jeff Nichols desmereceu-se perante tal dramático enredo (talvez os factos verídicos não seja a sua “praia”), sendo que a vitalidade anteriormente apresentada é desvanecida em conformidade com um ensaio académico de cinema formalista.

 

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É o tipo de produção que de certo irá integrar entre os nomeados ao Óscar deste ano, mas infelizmente é um filme que funciona graças a uma “fantástica” intriga por detrás dos bastidores, e claro, pelos rigorosos desempenhos de Joel Edgerton e a surpresa de Ruth Negga, a grande aposta para a categoria de Melhor Actriz.  

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Jeff Nichols / Int.: Joel Edgerton, Ruth Negga, Michael Shannon, Marton Csokas, Nick Kroll

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 21:47
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24.10.13
24.10.13


 

Mark Twain do seculo XXI!

 

Segundo o realizador (também argumentista), Mud é um retrato algo másculo da adolescência e a transição directa para a fase adulta. Jeff Nichols recorre a inúmeros elementos característicos dos "anos verdes" como por exemplo e em grande plano; as primeiras paixões e as primeiras decepções amorosas, que funcionam como efeitos colaterais do desenvolvimento dos seus personagens. Ou seja, facilmente identifica-se que Mud é uma história sobre adolescentes e as suas tramas triviais, "a sort of", contudo é também sobre adultos com claras atribulações de maturidade, e é nesse termo que entra a homónima figura central.

 

 

Figura, essa, Mud, um sujeito misterioso, acorrentado às suas fantasias e prematuridades, uma alusão adulta de Tom Sawyer, personagem fictícia da autoria de Mark Twain (considerado o pai da literatura norte-americana), onde o próprio Jeff Nichols confirma tais referências. Interpretado por um Matthew McConaughey a contrair a tendência (que tem presenteando-nos com desempenhos cada vez melhores ao longo da sua carreira), este é um personagem que a certa altura é descrito como um mero cobarde face às suas responsabilidades, um simplicista instintivo, mas é acima de tudo um "alicerce" na jornada dos nossos juvenis protagonistas (Ty Sheridan, Jacob Lofland), cuja sua ambiguidade é quase como introdutória à vida que espera aos referidos. Todavia, muito graças à composição de McConaughey, é quase impossível não simpatizar com este personagem, o "vertigo" dramático de uma obra que "explode" em lirismo, como um próprio romance de Twain se tratasse. Um espectro tão presente na sua narrativa como nos cenários (os deltas pantanosos do rio Mississípi) e na inerência da trama onde insere um espírito aventureiro e rebelde.

 

 

 

Jeff Nichols implanta mesmo assim as suas temáticas e auto-proclama-se por fim como um autor, e a verdade é que de momento existem poucos com tamanha convicção no cinema norte-americano, ou seja, o futuro prevê-se "risonho" para o realizador. Mud é o trabalho de improviso, muda-se as técnicas, mantém-se a forma, ao mesmo tempo que se cria, e nessa criação origina-se um filme fortemente construído, invocação plena do "coming-to-age film" (denominação vulgar das fitas sobre a transição da adolescência para a fase adulta) em estado selvagem e apurado nos seu termos cénicos.

 

 

 

Todavia, apesar de ser um dos mais interessantes episódios cinematográficos vindo dos EUA deste ano, Mud é uma obra com evidentes debilidades, que se acentuam na sua abrangência. Nota-se as pretensões para algo mais, mas falta-lhe a coerência para que tais situações contornam a dita inconsequência e a inverosimilhança que involuntariamente emane. Depois existe aquele final, onde a violência sem profundidade é vista aqui como um facilitismo para o desfecho, uma escapatória, e assim sendo, adquire-se a sensação de que muito do “gás” contido em relação à ambição dramática que o filme construía desde então, perdeu-se no vácuo. Mas novamente a referência … quem me dera que todos as obras cinematográficas norte-americanas fossem assim. Enfim!

 

So you get your heart broke? Don't walk around with a shit look on your face. Get back in there, get your tip wet. You hear me?”

 

Real.: Jeff Nichols / Int.: Matthew McConaughey, Ty Sheridan, Jacob Lofland, Sam Shepard, Reese Witherspoon, Sarah Paulson

 


8/10

publicado por Hugo Gomes às 10:00
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29.11.12

Complexo de Cassandra!

 

There's a storm comin'! Like nothing you ever see and not one of you is prepare for it!” profere rompendo de ira o actor Michael Shannon em frente em uma multidão que o desvaloriza, questionando a sua sanidade. A dupla composta pelo actor protagonista e pelo realizador e argumentista Jeff Nichols parece dar cartas, primeiro foi o thriller dramático de 2007,Shotgun Stories, onde o autor invoca um certo espírito de Malick em cruzamento com um afecto carnal com a violência e os idealismos republicanos. Agora o palco é outro mas em Take Shelter as trágicas e martirológicas personagens parece regressar. Neste novo filme, o espectador remete a um pai de família, Curtis (Michael Shannon), o qual é assombrado por visões apocalípticas. Como tal torna-se obcecado pela construção de um abrigo para os seus entes mais queridos.

 

 

No desenrolar somos confrontados com dúvidas quanto ao estado mental da personagem de Michael Shannon, porém, devido ao carisma e simpatia exposta pelo seu protagonista, torcemos ao negar quaisquer indícios de insanidade, mesmo que o historial desta revele o oposto. A sua prestação é poderosa e o actor consegue invocar na perfeição o desequilíbrio psicológico requerido e tal se confirma com as proximidades finais onde a personagem terá o seu maior desafio, a interpretação deste ofusca tudo o resto, inclusive Jessica Chastain, a imparável actriz a demonstrar mais uma vez a sua boa forma. Jeff Nichols confirma ser um realizador seguro e confiante, pleno e conhecedor, aproveitando o máximo do empenho de Shannon como também o balançar da emoção transposta pela fita, sem nunca cair no bacoco nem sequer no puro exagero.

 

 

Uma fita extraordinária levada a peito por um dos actores mais talentosos da sua geração e guiada por um argumento que não é de todo descabido com os tempos em que vivemos, trazendo à tona medos e receios comuns partilhados, provavelmente o fantasma do terrorismo que desperta em nós uma fobia e premonição a um futuro cenário bélico. Realmente Take Shelter merece ser visto!

 

Real.: Jeff Nichols / Int.: Michael Shannon, Jessica Chastain, Shea Whigham, Tova Stewart, LisaGay Hamilton, Kathy Baker

 


 

9/10

publicado por Hugo Gomes às 23:12
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9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
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