Ainda podemos acreditar na magia de Hollywood?

O quarto está a caminho! Não há como fugir: o caderno de encargos é quem mais ordena. Enquanto isso, deixamo-nos “encantar” pelo espectáculo de ilusionismo, dos pobres até, dos efémeros porém, óptimos para se adaptarem a uma pequena tela, a ser transmitida num serão de um qualquer fim-de-semana.
Ruben Fleischer, realizador promissor em tempos, reduzido a tarefeiro de segunda, sem visão, sem enquadramento, sem opinião para os chamamentos que o seu lugar na indústria poderia invocar. Assim sendo, na saga “Now You See Me”, cada filme entregue a um realizador distinto (Louis Leterrier inaugurou, Jon M. Chu continuou, hoje “querido” do seu meio pelo díptico “Wicked”), sem que estes mostrem mais do que a sua mera operacionalidade. Virou rito de passagem, de colheitas fáceis, pois o público não se revela mais exigente do que o uso do cinema enquanto escapismo … e apenas escapismo.
Voltam as caras antigas (até Morgan Freeman, cada mais velho, a sua aveludada voz é a primeira vítima), juntam-se outras, reúnem-se os cheques, ergue-se o enredo em pleno truque de magia, vingam-se nos ares do tempo, provoca a ingenuidade do próprio tema (politicas a três pancadas, bem e mal, capitalismo de faćil compreensão e moralismos samaritanos, só quem acredita como quem acredita em fadas). Preparem-se… vem plot twist, portanto, tentem adivinhar. Pouco, ou quase nada, há a dizer de “Now You See Me: Now You Don’t”, além de ser sintoma de uma Hollywood anestesiada (incapaz de muito mais entre as lutas do streaming e a IA a entrar pela porta dentro, somado à fraca adesão do público a produções minimamente originais), é é a maior cartada esperada daquele canto e recanto.
O cinema importa pouco — ou nada — nestes tempos inquietos. Estamos no limbo. Ouçamos o tilintar da máquina registadora: milhões para o cofre sem o mínimo esforço, e isso, sim, é o melhor dos truques de magia … simplesmente enganar-nos a todos.
