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18.8.15

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O Cinema Ideal acolherá a primeira edição da Festa do Cinema Chinês, que arrancará já no próximo mês de Setembro (de 10 - 16). um evento que marcará uma nova colaboração a nível cultural e cinematográfica entre os dois países, visto que tal intercambio irá resultar no próximo ano a Festa do Cinema Português, na China.

 

A mostra abrirá com a antestreia de Mountains May Depart (Se as Montanhas se Afastam [ler crítica]), o aclamado último filme do cineasta Jia Zhang-Ke, que integrou a Selecção Oficial do Festival de Cannes de 2015. A respectiva sessão contará ainda com as presenças de uma Delegação Oficial de responsáveis do cinema na China e em particular da Cinemateca Chinesa e do Xiao Xiang Film Group, aquele que é considerado um dos mais importantes estúdios, produtoras, distribuidoras e exibidoras de toda a China.

 

Mountains May Depart

 

A destacar também nesta programação, as esperadas antestreias de The Assassin (A Assassina [ler crítica]), de Hou Hsiao-Hsien, o vencedor do prémio de Melhor Realização em Cannes deste ano, de The Golden Era (A Era Dourada), de Ann Hui, baseado na vida da escritora Xiao Hong, e de The Taking of Tiger Mountain (A Tomada do Tigre da Montanha), de Tsui Hark.

 

Depois de terminada a "estadia" no Cinema Ideal, a festa prosseguirá para a Cinemateca Portuguesa (de 17 a 30), com um programa intitulado de “Cinema Chinês: Panorama Histórico e Retrospectiva Xie Jin”. Um ciclo composto por 20 obras correspondentes a diferentes épocas e períodos cruciais da História da China, assim como uma mostra dedicada ao influente cineasta Xie Jin.

 

Brevemente estará online o site da Festa, bem como a sua página no Facebook, o qual garantirão mais informação sobre as sessões e outras iniciativas.

 

The Assassin

 

Abaixo segue a lista completa das obras que serão apresentada em toda esta mostra de uma diversificada cultura cinematográfica:

 

 

Cinema Contemporâneo

Shanhe Guren, Mountains May Depart (Se As Montanhas Se Afastam), Jia Zhangke,2015

Cike Nie Yinniang, The Assassin (A Assassina), Hou Hsiao-Hsien,2015

Zhiqu Weihushan, The Taking Of Tiger Mountain (A Tomada Da Montanha Do Tigre), Tsui Hark, 2014

Tuina, The Blind Massage (Massagem), Lou Ye, 2014

Huangjin Shidai, The Golden Era (A Era De Ouro), Ann Hui, 2014

Zhongguo Hehuoren, American Dreams In China (O Sonho Americano Na China), Peter Chan, 2013

 

 

Xiao Xiang Film Group

Xin Longmen Kezhan, Dragon Inn (New Dragon Inn) (Hotel Novo Dragão), Raymond Lee, 1992, 88 Min 

Nashan, Naren, Nagou, Postmen In The Mountains (Aquela Montanha, Aquela Pessoa E Aquele Cão), Huo Jianqi, 1999

Diexue Gucheng, Death And Glory In Changde (Morte E Glória Em Changde), Shen Dong, 2010

Yunshang De Renjia, Top Of The Hill People (Famílias Além Das Nuvens), Han Wanfeng, 2012,

Mao Zedong Yu Qi Baishi, Mao Zedong And Qi Baishi (Mao Zedong E Qi Baishi), Shi Fenghe, 2013

Lao Qiang, Yellow River Aria (Ária Do Rio Amarelo - Lao Qiang), Gao Feng, 2014

 

The Golden Era

 

Cinema Chinês: Panorama Histórico

Xiao Wanyi (Os Pequenos Brinquedos), De Sun Yu, 1933 (Com Acompanhamento Musical Ao Vivo)

Shen Nü (A Divina), Wu Yonggang, 1934 (Com Acompanhamento Musical Ao Vivo)

Xiaocheng Zhi Chun (Primavera Numa Pequena Cidade), Fei Mu, 1948

Liang Shanbo Yu Zhu Yingtai (Liang Shanbo E Zhu Yingtai), Sang Hu, 1954

Lu Ban De Chuanshuo (A Lenda De Lu Ban), Sun Yu, 1958

Da Nao Tiangong (O Rei Dos Macacos E O Palácio Celeste), Laiming Wan, 1961 /1964 – Filmes De Animação

Huang Tudi (Terra Amarela), Chen Kaige, 1984

Ju Dou (Ju Dou), Zhang Yimou, 1990

Yangguang Canlan De Rizi (No Calor Do Sol), Jiang Wen, 1994

Minjing Gushi (Histórias Da Polícia Do Povo), Ning Ying 1995

 

 

Retrospectiva Xie Jin

Nülan Wuhao (A Jogadora De Basquete Nº5), 1957

Da Li, Xiao Li He Lao Li (O Grande Li, O Pequeno Li E O Velho Li), 1962

Wutai Jiemei (Irmãs De Palco), 1965

Tianyunshan Chuanqi (A Lenda Da Montanha Tianyun), 1980

Mumaren (O Tratador De Cavalos), 1982

Qiu Jin, 1984

Furong Zhen (A Cidade Dos Hibiscos), 1986

Zuihou De Guizu (As Últimas Aristocratas), 1989

Qing-Liangsi Zhong Sheng (O Sino Do Templo Da Pureza),1992

Yapian Zhanzheng (A Guerra Do Ópio), 1997

 

Yapian Zhanzheng (A Guerra Do Ópio)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:19
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22.5.15

Se as Montanhas Afastam-se.jpg

Perdendo a identidade!

 

Existe mais para onde olhar nesta nova obra de Jia Zhang-Ke do que o drama sobre a criação e preservação de relações afectivas no rumo de um conflituoso triângulo amoroso, como uma subliminar distopia às consequências da globalização e a invasão do Ocidente na cultura oriental. Nesse sentido, os primeiros minutos deste Mountains May Depart arrancam com a crítica estabelecida por Zhang-Ke em toda a sua narrativa. Enquanto vemos os nossos protagonistas jubilantes dançando ao ritmo de Go West, dos Pet Shop Boys, reparamos numa sequência de um dragão chinês pavoneando-se nas ruas da amargura. É a premonição da morte da cultura chinesa, algo que parece contrariar tudo aquilo que se tem dito por este mundo fora: "Os chineses vão invadir o Mundo". A verdade é que Jia Zhang-Ke vai mais fundo nessas palavras e explora a fragilidades de uma identidade cultural cada vez mais decadente.

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Relembramos as palavras do argumentista e produtor James Schamus, durante uma convenção de argumentistas em Setembro de 2014, onde declarou que Hollywood encontrava-se de momento apenas interessado em fazer filmes direccionados para adolescentes chineses [devido à importância do país nas receitas globais]. Este depoimento demonstrou sobretudo preocupação nos modelos de produção de alguns dos maiores estúdios norte-americanos e dos riscos que isso implicava. Se por um lado os filmes norte-americanos tornam-se acessíveis às audiências chinesas, por outro, nenhum destes produtos instala-se com respeito cultural. Ao invés, são apontados como injecções de arquétipos dignamente ocidentais nesse mesmo público.

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Obviamente a culpa não é inteiramente do cinema, mas sim dessa globalização, que por sua vez é um beneficio para a própria China, propicia à proliferação dos seus negócios pelo resto do Mundo. Talvez um dia iremos necessitar de escolas especializadas como aquelas que vemos no terceiro ato desta fita, onde num futuro próximo, os chineses residentes da Austrália frequentarão estabelecimentos de ensino para serem relembrados que realmente são chineses. Jia Zhang-Ke constrói esta história sobre um triângulo amoroso dilacerado em três actos temporais, repartidos em décadas diferentes, acompanhando os seus protagonistas e as suas tramas num mundo unificado por antigos sonhos. Sonhos esses que exploram a ausência das fronteiras culturais, quase invocando o conceito de superestados Orwellianos nessas mesmas condições.

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Mas acima de tudo, Mountains May Depart revela-nos a crise identitária como um dos maiores medos perante esses mesmos sonhos e o quão urgente é recuperar essa mesma identidade, da mesma foram que devemos preservar as nossas relações familiares e afectuosas. Assim, Mountains May Depart é um exercício desafiante que já se apresenta como um dos melhores filmes do cineasta e um filme obrigatório para todos os seus conterrâneos.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Jia Zhang-Ke / Int.: Tao Zhao, Yi Zhang, Jing Dong Liang

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 01:35
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20.5.15

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Quando ser belo não chega!

 

Descontextualizar um género como o wuxia é uma tarefa um quanto complicada, mas mesmo assim um autor como Wong Kar-Wai executou de forma peculiar o seu Ashes of Time (As Cinzas do Tempo, 1994). Hou Hsiao-Hsien, um autor dotado de um certo respeito pelo realismo e a veracidade do tempo de duração dos planos, desafia ao integrar-se num estilo que não o seu. Estranho será dizer que The Assassin lacrimeja pela sua falta de ritmo, uma frase hipócrita visto que a obra conserva todos os toques dignos do autor. Mas será que o wuxia necessitava de tal tratamento? A resposta deve ser dada com outra pergunta, que tratamento? The Assassin regista-se na mesma liga que Tales of Tales, de Matteo Garrone (também visto na competição oficial do Festival de Cannes); é demasiado técnico e pouco consistente.

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A história leva-nos a uma China do século IX, onde a filha de um general foi abduzida por uma freira que a converte numa perfeita assassina. Treze anos mais tarde, Nie (Shu Qi, vista em Three Times, outro filme de Hou Hsiao-Hsien) falha pela primeira vez uma missão e como castigo a sua mestra decide enviá-la para a sua terra natal, com ordens para abater o homem pelo qual estava comprometida – o seu primo – agora detentor de um extensa força militar. Ao chegar à sua terra, Nie reencontra os seus pais e as memórias passadas, o que a levarão para um derradeiro dilema. Será que Nie é capaz de cumprir a sua missão com êxito?

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Todo este percurso do dever e sangue é concretizado com um câmara "lenta" mas contemplativa para com um trabalho rico na produção e que reconstituiu uma época distinta (provavelmente este seja um dos wuxia mais credíveis dos últimos anos). Com poucas coreografias de acção, até nisso foge da fórmula genérica, evitando o espalhafato do kung fu e a toda aquela suis generis liberdade em "violar" as regras da física. Mas em The Assassin faltam-lhe personagens com que nos possamos identificar, falta conflito, climax, elipses. Por outras palavras, é o dinamismo da narrativa que temos mais saudades. Essa ausência transforma esta obra supostamente em algo mais sério, estilístico e visualmente belo num poço de situações involuntariamente cómicas. O mesmo pode-se dizer dos enredos e subenredos, exaustivamente anorécticos e até mesmo para hora e meia de filme.

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Vergonhosamente o filme não consegue atingir a diferença, porque todo este trabalho resultou numa extrema indiferença emocional. Pelos vistos, os wuxia não foram feitos para Hou Hsiao-Hsien, pelo menos não nestes termos. Um dos filmes mais fracos da sua carreira.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Realização.: Hsiao-Hsien Hou / Int.: Qi Shu, Chen Chang, Satoshi Tsumabuki

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 23:38
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Gritos 3: 5*Que filme excelente e fenomenal, adore...
Um dos meus favoritos 5*
Gritos 2: 5*Sidney, Dewey e Gale estão de regresso...
Para mim é um dos melhores estreados em 2018, amo ...
É já de domínio público que João Botelho adaptou, ...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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