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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Donald Sutherland (1935-2024)

Hugo Gomes, 20.06.24

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Il Casanova di Federico Fellini (Federico Fellini, 1976)

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Invasion of the Body Snatchers (Philip Kaufman, 1978)

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Don't Look Now (Nicolas Roeg, 1973)

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JFK (Oliver Stone, 1991)

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The Hunger Games: Mockingjay – Part 2 (Francis Lawrence, 2015)

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Eye of the Needle (Richard Marquand, 1981)

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Klute (Alan J. Pakula, 1971)

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M*A*S*H (Robert Altman, 1970)

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Revolution (Hugh Hudson, 1985)

MV5BODBiNzExZWUtNjM2ZS00YWNhLTgyZTMtZGVmZDU0NGUyNDStart the Revolution Without Me (Bud Yorkin, 1970)

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The Day of the Locust (John Schlesinger, 1975)

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Space Cowboys (Clint Eastwood, 2000)

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Backdraft (Ron Howard, 1991)

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Johnny Got His Gun (Dalton Trumbo, 1971)

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Ordinary People (Robert Redford, 1980)

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Novecento (Bernardo Bertolucci, 1976)

16 Anos de Cinematograficamente Falando ... ainda 'moro' cá!

Hugo Gomes, 25.07.23

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Marcello Mastroianni em "La Dolce Vita" (Federico Fellini, 1960)

Bem, chegamos aos 16 e, segundo a lógica dos GNR, falta pouco para os 96. A caminho da sua maioridade, o Cinematograficamente Falando … tornou-se um espaço mais do que sobrevivente, caloroso de uma cinefilia perdida e partilhada entre blogs e "cinéfilos de cave", como também de expressão deste meio, algures entre a crítica (que não segue os padrões mercantis) ou do cinema enquanto discurso universal. É como uma espécie de bimby, cozinha-se tudo ao sabor da Sétima Arte, seja de transversalidades como políticas, estéticas, sociologias ou lirismo. Sai o prato e acompanha-se com uma boa cerveja, gelada de preferência.

De momento, com 16, não existe novidade alguma senão a perseverança e o aprimoramento deste espaço, meu, como também vosso. Portanto, convido-vos a explorar, comentar, criticar, degustar ou até desgostar (estão no vosso direito). E fora isso, um agradecimento a todos que têm contribuído para a longevidade do Cinematograficamente Falando..., não é só para mim que escrevo, como também para vocês, e as visitas confirmam essa adesão.

Ah... já me estava a esquecer, este ano teremos outro dossiê de convidados, desta feita sobre a relação entre Cinema e Medo, a ser lançado nas proximidades do Halloween. Brevemente adiantarei mais sobre esta iniciativa. Por enquanto:

CONFORME SEJA AS VOSSAS ESCOLHAS, BONS FILMES!

Celebrando a mentira com os mentirosos!

Hugo Gomes, 01.04.21

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No dia 1 de Abril, o cada vez mais banalizado Dia das Mentiras (tendo em conta que a verdade já não é mais uma definição absoluta nesta mesma contemporaneidade), celebramos o Cinema como a maior das mentiras criadas pelo Homem, e em especial, o assumidamente maior dos seus mentirosos – Federico Fellini. Porém, se a Mentira é aparentemente uma folia neste universo felliniano, ele também é [mencionando uma das mais conhecidas citações de Michael Haneke] um dispositivo ao serviço de uma verdade. Mas qual Verdade será essa? Ou a verdade é tão cruel e ácida que necessitamos de adocicá-la com a Mentira? Conforme seja a questão e a sua eventual resposta, o cinema existe, não para nos elucidar perante os nossos dilemas, mas para ... c'os diabos! ... Confundir-nos ainda mais. 

Na foto, Fellini e o ator e amigo Marcello Mastroianni, durante a rodagem de 8½ (1963).

Foi culpa da Lua

Hugo Gomes, 10.10.20

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Não faremos suspense algum em relação ao facto de “La Voce della Luna” (“A Voz da Lua”) ser o último dos trabalhos de Federico Fellini (falecido em 1993, três anos após o seu lançamento). Ou que foi criticado à época e nem mesmo os mais "fellinianos" conseguiram contrariar a tendência. Mas hoje, com a distância do tempo, podemos desenterrar nestes "iluminados lunares" um sereno e triste adeus, o de um homem derrotado por uma indústria que lhe falhara.

Baseado no romance “O Poema dos Lunáticos”, de Ermanno Cavazzoni, que também co-escreve o argumento, “A Voz da Lua” permanece o deambular de um louco, inocente e de perceção encantada perante um mundo em forte e rápida mudança, discutindo com os velhos “amigos”, eremitas de um destino não-concretizado. Nesta jornada, Roberto Benigni (antes do sucesso global de “La vita è bella”) assume este seu papel-tipo, o mesmo que levaria até às últimas consequências em “Pinocchio”. E assim somos paralelizados com o percurso de um cineasta, grande e “mentiroso”, homem forte de um movimento que fortaleceu uma máquina operativa de cinema em italiano.

O brilho do maestro Fellini tenta resistir ao seu possível esquecimento, provocado por um "boom" televisivo que seria um útil instrumento político em Itália e também o carrasco do estilo dito “felliniano”, que soaria cada vez mais caducado perante a chegada de novos autores, estéticas e formalizações. Neste contexto de decadência de um sistema italiano a torná-lo obsoleto, Fellini foi preservado como uma "espécie em vias de extinção", ou, apropriando-nos de “A Voz da Lua”, um lunático convencido que o seu ambiente se mantém intacto ao longo da existência artística.

Hoje, “A Voz da Lua” parece-nos o soneto melancólico de um eventual adeus, mas fora isso, é a sua entropia "felliniana" que o mantêm próximo do brilhante satélite que é o realizador. Aquelas personagens caricatas, excêntricas e convidativas de uma Itália de outros palcos, as constantes invocações do passado que se distancia mais e mais, deixando-nos nus face a um futuro sem filões, são marcas de Fellini recitadas num esforço incansável, mas reveladoras do seu imenso cansaço. Uma fadiga assente em persistência.

É o filme de Fellini mais fascinado com o desencanto à sua volta com o imaginário que criara ao longo de décadas de cinema. É Fellini e basta, mas o Fellini triste e inconsolado. Uma obra que merece uma nova vida para além do seu maldito estatuto. Merece, sim, compaixão.