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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

The roof is on fire!

Hugo Gomes, 19.08.22

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Minari (Lee Isaac Chung, 2020)

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Rebecca (Alfred Hitchcock, 1940)

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Mirror / Zerkalo (Andrei Tarkovsky, 1975)

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The Sacrifice / Offret (Andrei Tarkovsky, 1986)

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Nightsiren (Tereza Nvotovà, 2022)

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The Homesman (Tommy Lee Jones, 2014)

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Burning (Lee Chang-dong, 2018)

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Come and See /  Idi i smotri (Elem Klimov, 1985)

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Midsommar (Ari Aster, 2019)

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Pet Semetary (Mary Lambert, 1989)

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8 Mile (Curtis Hanson, 2002)

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Gone with the Wind (Victor Fleming, 1939)

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There Will Be Blood (Paul Thomas Anderson, 2007)

Só espero que os russos amem os seus filhos (e os seus filmes) ...

Hugo Gomes, 04.03.22

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Russian Ark (Aleksandr Sokurov, 2002)

O que está a acontecer perante os nossos olhos é horrível, mas peço-vos que não cedam à loucura. Não devemos julgar as pessoas pelos seus passaportes. Devemos, sim, julgá-las pelos seus actos”. Sergei Loznitsa falou e pelos vistos ninguém quis ouvir o cineasta bielorrusso (tendo em conta o processo em marcha de “higienização russa” no estado das artes, nomeadamente no espectro cinematográfico). 

Numa guerra, é “normal” seguir-se por uma via de oposição contra o “outro” fora da somente matéria bélica, dando o exemplo da Segunda Guerra Mundial, a propaganda vindo dos americano que “pintavam” o nipónico, esse inimigo que partilhavam o Oceano Pacífico, como a “criatura nefasta" possuidora de todos os males da Humanidade. Era visível essa caricatura nos seus medias e nas vinhetas cinematográficas que mais tarde transpuseram para a narrativa cinematográfica em geral. Mesmo após a rendição dos japoneses, a "japanofobia" mantinha-se em solo americano anos após anos, e quanto à representação audiovisual, a prejudicial caricatura convertia-se numa outra ainda mais vincada. Perdendo a sua aura ameaçadora, o que restava era a ridicularização. 

A "russofobia", por outro lado, não se resume em somente caricaturar um povo (o cinema norte-americano encarregou-se disso nestes anos todos), mas sim inibi-lo da sua existência cultural. Tendo em conta as imagens divulgadas pelos órgãos de comunicação, aquele povo não estão totalmente alinhado com as ideias e agressões “putinescas”, o qual é lhes depositado esperança de cessam do conflito, mas enquanto isso segue-se a todo o gás, um "boicote" a toda uma produção cultural daí gerada. Cortes abruptos aos filmes russos em festivais e prémios, uma sanção cúmplice a outras sanções financeiras que tem como âmbito “parar” essa Rússia não consensual, medidas que são só possíveis perante os avanços da globalização. Mas quais são as implicações desses atos? Loznitsa falou exatamente disso na sua declaração; o sufoco de “vozes” interiores e críticas das políticas de Putin, e ainda mais, dos dissidentes como é o caso de Kirill Serebrennikov (“Leto”, "Petrov's Flu”), e uma possível mitigação de um cinema politizado e possível dentro de um sistema financeiro que concentrava uma atitude anti-estereótipos (Putin não é a Rússia, Russia não é Putin). 

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Ivan The Terrible (Sergei Eisenstein, 1944)

O que será deles? Manteremos o combate à Rússia colocando em cheque a sua própria cultura? A verdade é que esta manifestação já está a evidenciar algumas medidas e precauções; um curso académico italiano sobre Dostoievski cancelado, num ciclo em homenagem ao escritor de ficção de científica Stanislaw Lem [polaco] na Filmoteca de Sevilha testemunhou a substituição do programado “Solaris” de Andrei Tarkovsky pela versão de Steven Soderbergh, a pressão no meio académico para suprimir qualquer referência cultura russa (literatura, cinema, música) das diferentes cadeiras (“O que será da História de Cinema sem Vertov?”) e, talvez insignificante mas igualmente preocupante, o silencioso desaparecimento de filmes russos do muito consultado Top 250 do site IMDB. Sabendo que esta Guerra, que poderá culminar numa Mundial ou quem sabe numa Nuclear, é um ataque aos Direitos Humanos, disso não há dúvida nem contestação (trata-se de um país invadido por um país invasor), mas entristece-me que este movimento de asfixia e de preconceito em tempos onde o politicamente correto e o cancelamento cultural são realidades (não confundir este fenómenos com estas duas manifestações) poderá ter consequências futuras no legado cinematográfico. Sejam na produção das obras do amanhã, seja nas relações das próximas gerações com o património russo. 

O que será de nós sem Eisenstein e outros soviéticos que tanto nos ensinaram o poder da montagem? O que será de nós sem o tempo esculpido de Tarkovski? O que será de nós sem as teias de poder examinadas por Sokurov na sua tida quadrilogia? O que será de nós sem o mais poderoso retrato anti-guerra que o cinema alguma vez filmou? Sim, falo de Elem Klimov e o seu “ Come and See” (1985). O que será de nós? Aliás, antes de responder a todas estas questões, estaremos insensíveis só pelo facto de estarmos a pensar nelas? 

 

“I don't subscribe to this point of view

Believe me when I say to you

I hope the Russians love their children too

We share the same biology, regardless of ideology

But what might save us, me and you

Is if the Russians love their children too”

Sting - Russians 

 

Cada um com a sua infância, cada um com o seu Cinema

Hugo Gomes, 01.06.21

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Good Morning (Yasujiro Ozu, 1959)

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The Childhood of a Leader (Brady Corbet, 2015)

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Capernaum (Nadine Labaki, 2018)

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Wadjda (Haifaa Al-Mansour, 2012)

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Home Alone (Chris Columbus, 1990)

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The White Ribbon (Michael Haneke, 2009)

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Let the Right One in (Thomas Alfredson, 2008)

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Little Fugitive (Ray Ashley & Morris Engel, 1953)

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The Florida Project (Sean Baker, 2017)

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The Sixth Sense (M. Night Shyamalan, 1999)

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The 400 Blows / Les Quatre Cents Coups (François Truffaut, 1959)

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The Kid (Charles Chaplin, 1921)

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The Last Emperor (Bernardo Bertolucci, 1987)

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Zero to Conduite / Zéro de conduite: Jeunes diables au collège (Jean Vigo, 1933)

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Bicycle Thieves / Ladri di Biciclette (Vittorio di Sica, 1948)

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Village of the Damned (John Carpenter, 1995)

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My Life as a Zucchini / Ma vie de Courgette (Claude Barras, 2016)

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The Boy with Green Hair (Joseph Losey, 1948)

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Aniki Bóbó (Manoel de Oliveira, 1942)

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The Shining (Stanley Kubrick, 1980)

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Cinema Paradiso / Nuovo Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore, 1988)

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Come and See (Elem Klimov, 1985)

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Pather Panchali (Satyajit Ray, 1955)

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E.T. the Extra-Terrestrial (Steven Spielberg, 1982)

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André Valente (Catarina Ruivo, 2004)

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Ivan's Childhood (Andrei Tarkovsky, 1962)

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Nana (Valérie Massadian, 2011)

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Pixote, a Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1981)

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Poltergeist (Tobe Hooper, 1982)

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800 Balas (Álex de la Iglésia, 2002)

Come and See: quando os "sussurros" dos caídos perseguem

Hugo Gomes, 29.08.19

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E quando ele abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal dizer: Vem e vê. E olhei, e contemplei um cavalo amarelo: e o nome dele que estava em cima dele era a Morte, e o Inferno seguia com ele. E foi-lhes dado poder sobre a quarta parte da terra, para matar à espada e com fome, e com a morte e com os animais da terra.

Livro das Revelações, Capítulo 6

Chega em cópia restaurada a obra de 1985 que é descrita como um dos “maiores filmes de guerra de sempre”.

“Era humano, agora sou alemão

Encarna a criança, aliada ao jovem Fyora (Aleksey Kravchenko), que será o nosso guia perante um cerco de horrores no último filme de Elem Klimov. Mas já lá vamos! É nesta exclamação, com o intuito de afugentar o velho louco que adverte a estes “enfants” o perigo de vasculhar aquelas terras. Não poderia estar mais certo, o nosso protagonista encontra o brinde que tanto ansiava, sem saber que esse mesmo se convertia no seu mais íntimo pesadelo: uma espingarda. Com essa mesma arma, quase seguindo as cantigas de teor militar popularizadas no universo yankee: “This is my rifle, there are many like it but this one is mine. My rifle is my best friend. It is my life. I must master it as i master my life. Without me it is useless, without my rifle i am useless” (parafraseando “Full Metal Jacket”, de Stanley Kubrick), este fraudulento coming-to-age dá-se como iniciado.

Fyora viu neste seu achado a sua entrada em grande para a resistência bielorrussa contra os invasores nazis, os alemães, os não-humanos que as crianças invocam como autênticos papões. O mundo do jovem instala-se numa fantasia concretizada quando dois “camaradas” entram pela sua casa adentro preparando-a para a sua partida para o acampamento clandestino. A felicidade de Fyora é cortada pelas lágrimas desesperantes da sua mãe, como se fosse esta a última imagem do filho.

Tudo parece correr como planeado. Fyora integra a resistência com dedicação e sobretudo motivação pela causa, mas apercebe-se do que o rodeia no preciso momento que se perde do resto do pelotão. O choro é transposto para a gargalhada, e vice-versa, a negação que o mantém na perseverança de um sonho, uma ingenuidade no alvo de uma violação de consciências. O nosso “herói”, como é descrito nas enésimas sinopses, não é mais uma personagem de consequências, é um espectro que paira num cenário dantesco da banalização do mal e a sua superlativa devoção.

"Come and See" perde-se do rasto dos outros retratos da Segunda Guerra Mundial por se “reduzir” à sua pequenez humana. Ou seja, não explora o heroísmo, nem sequer invoca o esplendor do bélico. Aliás, renuncia ao belicismo, despindo o seu "encanto" e apostando contra a sua doutrinação. Possivelmente é dos filmes de guerra mais adversos à sua essência, o verdadeiro "antiguerra", não o oposto que muitos desejam proclamar de peito aberto. Obviamente que toda esta boleia pela barca de Caronte se faz pelo grau dimensional de psicologia imposta por Klimov, seja através da impotência do seu protagonista, quase reduzido a uma somente perspetiva, seja pelos constantes foras-de-campo (os "travellings" "tarkovskianos" que perseguem Fyora, condicionando diversas vezes o ângulo do espectador) ou os ecos de trevor que se assumem como sonoplastia, como se transportasse a personagem para fora do seu corpo (porque esta sua carne já não lhe pertence). Eis um mero farrapo humano condenado a deambular nas cada vez mais escassas réstias de existência, citando "tintim por tintim" o negativismo extraído de Primo Levi.

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Já o escritor concentrava esse pensamento lúcido durante a sua “estadia” no campo de concentração de Auschwitz, experienciando os seus homólogos convertidos em farrapos humanos, despidos das características que o sempre tornaram “homens civilizados”. Essa redução ao estatuto animal é uma das armas do regime nazi, a fim de redefinir uma “raça superior” embutida num cenário darwinista (assim como é pronunciado o militar nazi no requiem, sem mostrar nenhum apontamento de remorso). Esse mesmo discurso, que consequências trará, joga em contacto com o prólogo, a dita criança que fantasia o “bicho-mau” alemão.

Novamente recorrendo à melodia fúnebre do contraste, o assombro gemido que alustre como uma atmosfera sonora, partilha o seu espaço com Mozart, pontuando a sua “civilizada” barbárie – no fim de contas, como é dito num discurso seminal do militar das SS, toda a violência emanada é inibida de sentimento e remorso, uma limpeza étnica, um embate entre castas humanas e a produção de uma civilização superiorizada tendo em conta uma “gloriosa” História. A desumanidade contamina qualquer imagem: “Come and See” é, em toda a sua inglória, um filme produzido com um tenebroso gesto de revolta, pesar e repudia ideológica. Mas Klimov tece-o sem acórdãos descarados da propaganda, ruminando uma reprimida emoção, um "fardo" que pretende carregar colocando em risco a sua narrativa e o seu protagonista, o inocente que se metamorfoseia [envelhece] em frente aos nossos olhos.

A obra ficou-se como o último trabalho de Elem Klimov, um retrato obscuro que suga vampiricamente qualquer otimismo e alegria residida no espectador, que se vê (verbo adequado em toda esta jornada) par a par com o seu protagonista impotente e debilitado. O realizador declarou que depois de “Come and See”, consagrada no Festival de Moscovo, “perdeu o interesse em “fazer filmes”. Tudo o que era possível fazer, já o fizera.“.

Os judeus criaram uma palavra para caracterizar o genocídio do seu povo – Shoah (Holocausto). Para os bielorrussos, possivelmente “Idi i Smotri'' [título original do filme] seja a expressão perfeita.

Viajamos para Famalicão! Arranca a 2ª edição do Close-Up, Observatório de Cinema

Hugo Gomes, 13.10.17

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"El espíritu de la colmena" (Victor Erice, 1973)

Numa viagem, no seu sentido mais poético e elusivo, o que menos importa é o destino. São os trilhos, essas veias sanguinárias que nos transportam para uma experiência à mercê da vivência. E são as experiências que vão este segundo episódio do CLOSE-UP – Observatório de Cinema de Vila Nova de FamalicãoDe 14 a 21 de outubro, a ocupar os mais diferentes espaços da Casa das Artes, e tendo como mira o sucesso da edição anterior, o CLOSE-UP apresentará mais de 40 sessões de cinema, workshops direcionados a escolas e famílias, uma produção própria (de Tânia Dinis) incluída no panorama no feminino de produção portuguesa, e a exposição fotográfica de André Príncipe (realizador de Campo de Flamingos, Sem Flamingos), intitulada de “O Perfume de Boi”, a ter lugar no foyer.

O primeiro dia será marcado pelo filme-concerto de “A Man with a Movie Camera”, de Dziga Vertov, devidamente sonorizado pelos Sensible Soccers (encomenda do CLOSE-UP). O gosto da melodia pop do grupo a tentar provar cadência para com uma das obras mais influentes da História do Cinema. Como qualquer viagem, digna do seu nome, o CLOSE-UP será dividido por diferentes etapas (secções) que nos acompanharão ao longo destes sete dias de pura reflexão cinematográfica. O Tempo de Viagem revela-nos uma metáfora sobre a maturação, o crescimento induzido por esses caminhos dados a lugares incertos. Andrei Tarkovsky é a “rock star” desta secção com “Nostalghia, a sua “aventura” em Itália. O existencialismo procurado por um poeta russo em terras toscanas e romanas funciona como um sacrifício que nos guia quase em modo retrospectivo e introspectivo ao cinema do seu cineasta. Wim Wenders é outro importante signo deste mesmo espaço, não fosse ele um dos grandes “caminhantes” do road movie.

Em “Fantasia Lusitana” esperam-nos quatro longas-metragens portuguesas em oposição a um programa de nove curtas, incluindo uma sessão dedicada a Tânia Ribeiro com a estreia de “Armindo e a Câmara Escura”. No lote nacional, destacamos principalmente as exibições da mais recente longa de Salomé Lamas, "El Dorado XXI", e de Luciana Fina, “O Terceiro Andar”. Vinda da nova vanguarda soviética, a cicerone Larisa Shepitko e Elem Klimov serão figuras relembradas nesta edição de Histórias de Cinema. Mas não serão as únicas. A partilhar o espaço está a dupla Peter Handke e Wim Wenders com “The Left-Handed Woman” e o sempre poético “The Wings of Desire”, bem como David Lynch, indiscutivelmente o realizador do ano, nem que seja pelo reavivar da série “Twin Peaks” que tanto deu que falar, no Observatório, representado pelo spin-off cinematográfico, “Fire Walk with Me”.

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Eldorado XXI (Salomé Lamas, 2016)

O resto da programação será constituído por sessões direcionadas para escolas e família, e ainda Infância & Juventude, que como o nome indica será um olhar coming-to-age; desse crescimento que por si deverá ser visto como uma viagem. E que melhor filme para transpor essas duas jornadas alusivamente interligadas que “American Honey” de Andrea Arnold? Claro que nem todas viagens são felizes e a juventude pode ser inconstante, inconsequente e até inconcebível, como o caso de “The Tribe”, de Myroslav Slaboshpytskyi, filme que, infelizmente, chegara demasiado tarde ao circuito comercial português, tendo em conta o seu historial de controversas passagens em festivais por esse Mundo fora. Nesta seção destacamos ainda o clássico de Victor Erice, “El espíritu de la colmena”.

A música e o cinema vão se fundir para criar um encerramento memorável, assim promete esta 2ª edição do CLOSE-UP, com três curtas de Reinaldo Ferreira, ou Repórter X + Dead Combo. A proposta parece indigesta, incompatível e sobretudo experimental, mas o cinema é um experimento que se transformou, como se pode verificar, na mais complexa das experiências. A viagem está marcada.