Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Andre Braugher (1962-2023)

Hugo Gomes, 13.12.23

p-themist2.jpg

The Mist (Frank Darabont, 2007)

vlcsnap-0780.png

Glory (Edward Zwick, 1989)

410469764_10224413882111501_6109705289056475765_n.

Brooklyn Nine-Nine (2013 - 2021)

Não sou audiência para televisão (quanto a séries, no geral tenho vertigem, e mais nas aclamações de “cinema do futuro”), mas sitcoms sempre foram uma fraqueza minha, vejo-os avulsos e quanto menos continuidade detém … melhor, o humor funciona antídoto, não é preciso historietas novelescas para me conquistar, e “Brooklyn Nine-Nine” era um daqueles exemplares que me gargalhava de vez em quando, e com gosto, depois de um dia de trabalho ou “cobertores de melancolia” revestidos em mim, era um escape, sendo o Capitão Holt uma das mais divertidas personagens desta galeria. É pena, mas a vida é assim, o riso num dia, a tumba no outro.

Obrigado pelas gargalhadas Andre

"Hit the road, Jack, and don't you come back"

Hugo Gomes, 23.10.16

image.jpg

Em Hollywood o que não falta são realizadores sem personalidade, e dentro dessa vaga encontramos o muito pomposo Edward Zwick, que assumindo agora como o tarefeiro num franchise sob uma segunda oportunidade poderá ter feito o melhor filme da sua carreira.

Sim, estamos a falar desse mesmo, o autor dos êxitos de “The Last Samurai”, “Blood Diamond” e “Glory” (mais conhecido como a obra que garantiu o primeiro Óscar de interpretação a Denzel Washington), está neste momento resumido a um nome de lista, o qual embarca na segunda aventura de Jack Reacher, a criação de Lee Child, convertido numa variação híbrida entre Ethan Hunt / Dirty Harry por parte de Tom Cruise. É acima de tudo uma personagem militante e autoritária que se move como um freelancer ao serviço de uma nação, as suas "missões" tem sim, personalidade, algo que primeiramente confronta com o estilo confundível de Zwick.

Mas verdade seja dita, Cruise é daqueles atores bem ligados ao star system, e porque não considerá-lo num autor emancipado, ao invés de referirmos o "sujeito" sentado na cadeira de realização? Estamos perante num automático filme de ação, mas nada de irritante aliás, porque a sua automatização é oleada e lustrada com os propósitos da sua estrela, e em comparação com o primeiro tomo (estreado entre nós com algum agrado em 2012), este “Never Go Back” é deveras "plus" emocional, até porque humanizar heróis e vilões são o prato do dia, e como ninguém mais acredita em "homens de ferro", porque não encher esta satírica personagem com traços paternais (de velha guarda, claro).

Outro ponto que marca este novo Jack Reacher encontra-se refletido na produção, existe nos créditos um nome que devemos tomar nota, Christopher McQuarrie. Realizador do filme de 2012, mas que conheceu o êxito verdadeiramente com o quinto “Missão: Impossível”, cujo paralelismo com este “Never Go Back” é simplesmente na condução das personagens femininas. Se na aventura de Ethan Hunt era Rebecca Ferguson a acompanhar as "peripécias" do herói com tamanha dignidade e solidez, neste segundo Jack Reacher é Cobie Smulders (sob a experiência da série da Marvel, “S.H.I.E.L.D”) a livrar constantemente do rótulo de "dama em apuros", ao mesmo tempo dignificando o papel feminino nas Forças Armadas.

Mas pronto, de resto este novo capítulo de uma saga (veremos o que ditará o box-office, confirmando assim ou não, a força de Tom Cruise em bilheteira), é simplesmente um veículo de ação que não envergonha ninguém, nem ofende o intelecto do espectador (nesse aspecto o franchise “Fast and Furious” sempre fora um atentado), que sob uma previsibilidade um quanta atormentada garante-nos um modelo, hoje em dia descartado, do cinema lúdico e ferozmente capaz dos tempos de Charles Bronson. Mas fica na mesma o aviso à navegação, nada aqui de verdadeiramente vintage.