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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Raya e a automatização do "caça-memórias"

Hugo Gomes, 08.03.21

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É certo que em relação à Disney temos por hábito revelar uma sede insaciável por uma fonte de nostalgia. Memórias agarradas às infâncias de gerações que assumiam as animações disnescas como eventos cruciais no seu percurso de crescimento pessoal e emotivo. Não querendo ser o vilão da história, serei eu a quebrar a “magia” confortante desse limbo – o tempo não volta atrás, por isso é escusado procurar nestas novas produções, uma inocência que nós, enquanto crianças de supostos futuros risonhos, víamos e guardávamos no sigilo da nossa feliz ignorância. Com “Raya and the Last Dragon”, a última criação do estúdio nesse departamento animado, é mais que esclarecedor que tudo é ligado por fórmulas … e valha-nos Deus … já nem sequer esforçam a contornar essa inércia.

Fantasia que une mitologia e folclore do sudeste asiático com uma mensagem clara de Paz Mundial (a utopia servida de solução para um mundo cada mais dividido e polarizado), o filme, que é dos mais adultos desde o fracassado “The Black Cauldron” (1985), é um festim de animação como manda a tecnologia mais avançada hoje disponível, e obviamente, um feito noticiado na representatividade na indústria (as vozes originais estão encarregues a atores asiáticos ou de descendência asiática), mas impedido de avançar nos seus territórios criativos pela imperatividade de uma narrativa formatada.

Infelizmente é este o resultado que nos é oferecido, e ao mesmo tempo não querendo desdenhar a eficácia desses mesmos truques, porém, não encontramos motivos de felicidade no somente “bom trabalho”. Depois de “Soul” (sabendo tratar-se de uma animação com selo Pixar, mas a esta altura do campeonato tudo pertence ao mesmo “patrão”), o arrojo ficou à porta para nos entregar mais do mesmo.

Contudo, há uma lição aprendida no meio disto tudo, a ausência de momentos musicais, possivelmente evitando a exaustiva coletânea reunida no campeão de box-office (mas perdedor criativo) que foi “Frozen 2” (2019). Uma ausência que garante-nos um enredo fluido e sem quebras, como o rio crucial que atravessa toda esta jornada.

Disney canibal de memórias fartas

Hugo Gomes, 12.07.19

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Estão a ver aquele filme de animação de 1994 com o selo Disney que conquistou uma geração, para além do grande êxito de bilheteira que se tornou? Estão? Pois, fiquem com ele bem juntinho ao coração, porque esta "modernice", aliás objeto oportunista, é somente fogo-de-vista. A Disney e o seu constante ato de canibalismo.

Perdendo o ar da sua graça ... pelo conformismo

Hugo Gomes, 17.03.17

MV5BMTU5NDEyOTkwNl5BMl5BanBnXkFtZTgwNDAyOTE1MDI_._Temos efeitos visuais, cenários grandiosamente artificiais, um elenco que está ali para cumprir o cheque e zero em criatividade. The Beauty and the Beast chega quase a ser um frame-to-frame da amada versão animada, aquela que resgatou a Disney das ruas da amargura. É um filme espalhafatoso que demonstra o quanto o estúdio está empenhado em manter a sua rigor mortis de conformismos mercantis.