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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Não houve comeback. Ficou a eternidade.

Hugo Gomes, 11.10.25

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Diane Keaton (1946 - 2025) em "Looking for Mr. Goodbar" (Richard Brooks, 1977)

Ouvi dizer que havia por aí uma série, das mais recentes, que a resgatou. Peço desculpa, não faço parte dessas audiências, portanto prossegui com o desejo, ou talvez a fantasia, de testemunhar o seu ‘comeback’: o retorno à ribalta, após anos e anos do arquétipo “filme à Diane Keaton”, mãe neurótica em comédias de pavoroso termo. Se esse acontecimento não nos chegou, fica então a eternidade: a de “Annie Hall” e outros Woody Allens; a de “The Godfather”, como impotente vítima indirecta da herança sanguinária; a de Theresa, nos "encantados" trilhos de “Looking for Mr. Goodbar” ou em "Reds ", de Warren Beatty. Por isso, e por outros motivos, a saudade já se começa a sentir e adquiriu um outro sabor. O de elegia, talvez…

Só a “cara de frete” de Robert De Niro diz tudo …

Hugo Gomes, 14.01.14

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Hollywood está a ficar sem ideias! O slogan da passada edição do IndieLisboa encaixa perfeitamente como acusação a “The Big Wedding”, de Justin Zackham, um remake hollywoodesco da comédia franco-suíça “Mon frère se marie”, de Jean-Stéphane Bron. O resultado? Um filme caótico e narrativamente pastoso, que usa o seu elenco de luxo apenas como isco estrelado. A premissa resume-se a isto: um casal divorciado há anos (Diane Keaton e Robert De Niro) aceita fingir continuar casado para garantir que o filho adotivo (Ben Barnes) receba a bênção da sua mãe biológica (Patricia Rae), uma mulher preconceituosa e moralista, antes do casamento.

Pelo caminho, entre mal-entendidos forçados e ilusões de “perna curta”, ainda nos é servido um drama digno de telenovela, apenas para conferir uma pretensão emocional ao enredo. Mas o pior de “The Big Wedding" não está nos impasses narrativos, nos gags sem um pingo de criatividade ou nas cenas que surgem sem propósito (nem nas personagens que desaparecem sem explicação), e sim no elenco automático e desleixado. Robert De Niro, depois de um regresso às nomeações aos Óscares [“Silver Linings Playbook”], brinda-nos aqui com uma interpretação miserável, sem remédio, portanto. Robin Williams e Diane Keaton reciclam os mesmos papéis que vêm interpretando nos últimos anos, e Katherine Heigl parece estar como “peixe na água” (e não, isto não é um elogio). Apenas Susan Sarandon demonstra alguma classe — sublinho, alguma — na sua autocaricatura (aliás, tudo não passa de caricaturas).

“The Big Wedding” encarna Hollywood na sua pior forma: uma encenação falsa, sem pingo de originalidade e com atores de luxo a receber "cheques chorudos" para fazer quase nada. Se não fosse a linguagem ocasionalmente obscena e as cenas de nudez, diria que “The Big Wedding” estava destinado a ser mais um filme de domingo à tarde.