Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Dia do trabalhador!!

Hugo Gomes, 01.05.23

PikJWvblmySeD8Hq3ITayWDQ68.jpg

La Sortie de l'usine Lumière à Lyon (Auguste Lumière & Louis Lumière, 1985)

327168964_556268056437049_6974013853936435890_n.jp

Modern Times (Charlie Chaplin, 1936)

341985345_2515860045245056_4517444373285375415_n.j

Tout va Bien ( Jean-Luc Godard & Jean-Pierre Gorin, 1972)

341994002_203673702454321_4759042424493951812_n.jp

La loi du marché / The Measure of a Man (Stéphane Brizé, 2015)

342002720_610230314486791_4121219705945080512_n.jp

Trabalhar Cansa (Juliana Rojas & Marco Dutra, 2011)

342073543_6124354547656781_8557917725949911337_n.j
La mano invisible / The Invisible Hand (David Macián, 2016)

343986421_182623844692763_8414637122502161715_n.jp

North Country (Niki Caro, 2005)

344199087_1285766175697365_1155831829483810314_n.j

Sorry We Missed You (Ken Loach, 2019)

344584282_1103396097717796_4681421223623293649_n.j

Stachka / Strike (Sergei Eisenstein, 1925)

344607790_596090582465644_913050294867957134_n.jpg

Ressources Humaines / Human Resources (Laurent Cantent, 1999)

labouroflove3.jpg

Labour of Love (Aditya Vikram Sengupta, 2014)

MV5BOTU0ZjkyMDUtMDYzOC00NjQ0LTg3ZGQtYmZmZDdiM2JhND

A Fabrica do Nada (Pedro Pinho, 2017)

vida-activa.webp

Vida Activa (Susana Nobre, 2014)

A Mão Invisível que esmurra o proletariado

Hugo Gomes, 20.06.17

FB_IMG_1583083396217.jpg

Longe da pedagogia de um Laurent Cantet, “La Mano Invisible” (primeira longa-metragem de David Macián) autoconstroi-se como um experimento, um filme-instalação sob plena fase de metamorfoses em total rodagem para um “espectáculo de horrores”. Mas afinal, que horrores são esses? Aqueles mesmos que lidamos no dia-a-dia, os quais, infelizmente, estamos sujeitos como parte do nosso ciclo vivente.

“Trabalhar até morrer”, assim nos dita o lema que ecoa no nosso quotidiano como um hino de guerra para relembrar as razões da nossa existência. Leis formadas desde a Era Industrial, reafirmadas com toda a sua extremidade dos apogeus da globalização e dos avanços tecnológicos. Os trabalhadores transformam-se em números, facilmente descartados e prontos para eventuais subtrações. É a sobrevivência, não a do mais forte segundo Darwin, mas a do oportunista, aquele que não deixa escapar a chance por entre os dedos. Porém, onde está a dignidade? O orgulho de integrar uma classe trabalhadora, esse estandarte da precariedade?

Como experimento dessa Natureza, “La Mano Invisible" dialoga com um dos “hermanos”, o português A Fábrica do Nada, de Pedro Pinho. Ambos expõem os operários como cobaias de uma experiência politizada, ferramentas para a compreensão para um quotidiano em constante “lufa-lufa[João Machado Pais]. Contudo, “La Mano Invisible" tece uma capacidade de compaixão humanizada ao contrário do cerco político formado no exemplar luso. E falando em cercos, David Macián, com base numa novela de Isaac Rosa, cria um “cerco”, uma de invisível forma onde as nossas personagens parece erradicar-se a uma prisão de precariedade cooperativa. Lá se vão, uma vez mais, os sonhos da esquerda, aqui ideais disfarçados de combustão para o acentuado capitalismo. Em “La Mano Invisible” não existem estruturas perfeitas; estas são abaladas pelas quedas constantes dos ciclos repetitivos que iludiam como estabilidade a estes operadores.

A hierarquia, assim como a oligarquia, são “ramificações” de frágil compostura que devem acima de tudo serem relembradas. Aos infratores, a maré de sorte encontra-se na “porta” ao lado. O Caos toma conta do “barco”, a destas classes “escravizadas” em prol de uma ideia de sobrevivência. O espectáculo desenvolve-se à vista de todos, sob o olhar deste público “invisível” que por vezes dá a “cara” nos seus atos mais violentos. Estes proletários estão à mercê dos seus julgamentos, de menor compreensão possível e de uma intolerância “hooligan“. Eles são vítimas da sociedade que os alberga, eles são os “filhos do trabalhos”.