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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

O Óscar é sul-coreano!!

Hugo Gomes, 10.02.20

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And the Oscar goes to ...

Não é uma questão de Parasite ser o melhor filme em competição, é o feito de um filme internacional e sem ser falado em língua inglesa, a conquistar o tão cobiçado prémio (de certa forma, “O Artista” não conta, era demasiado preso às glórias hollywoodescas). .

Esperemos que haja precedentes desta vitória e sobretudo em Portugal, só pelo facto da Alambique dispor no seu catalogo um "Best Motion Picture Winner".

Parabéns Bong Joon-ho, desde a vitória de "O Estado de Guerra" que não ficava feliz com a atribuição de um Oscar (The Academy).

Duelo ao som-do-sol!

Hugo Gomes, 29.08.19

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Podemos apelidá-lo de “tearjerker” de segunda categoria, um melodrama que se empoleira de bico de pés perante o selo qualitativo oriundo dos grandes estúdios, orquestrado (melhor palavra aqui) pelo mais “lacrimejante” dos realizadores da Hollywood clássica, Frank Borzage, mas existe nele um momento perfeitamente divinal.

 

Falo de I’Ve Always Loved You (1946), um à primeira vista romance entre mestre e discípula orientado no mundo da música clássica, porém, o filme é mais que isso, é um conto de superação profissional e de género (mesmo que nesta questão haja nele um lençol de conservadorismo) em que as personagens se relacionam com a música como uma linguagem emocional distinta.

 

A genialidade encontra-se no confronto entre Myra (Catherine McLeod), a aprendiz, e o “grande” maestro Goronoff (Philip Dorn), ocorrido no Carnegie Hall, Nova Iorque. Aqui sob o olhar atento de um público que reconhece a rivalidade descortinada na performance musical, Myra tenta brilhar através das suas proezas no piano enquanto Goronoff a sabota perante uma orquestra submissa à sua enfurecida batuta. O momento prolonga-se, a música ecoa pela grande sala de espéctaculos oscilando entre a doce melodia até ao rompante uníssono, os olhares entre os dois competidores cruzam-se de lés-a-lés, os pensamentos de Myra sufocam a cadência enquanto os gestos agressivos e assertivos de Goronoff solicitam por mais um round.

 

É como um combate de boxe, aliás, nunca se vira o glamoroso Carnage Hall transformado num ringue entre dois pugilistas - o underdog promissor contra o convicto campeão - o entretenimento de aristocratas assumindo-se no “desporto de brutos”. Não vira tal transladação semiótica desta maneira, não até surgir entre nós Whiplash de Chazelle, também ele o embate entre mestre/aluno, maestro e “trovador”.


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E os Óscares?

Hugo Gomes, 25.02.19

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A convite do Cinetendinha e do caro amigo crítico e jornalista de cinema Rui Tendinha, estive presente (indiretamente) na noite de entrega das estatuetas douradas para mandar uns quantos bitaites sob o gosto dos comes e bebes e do cansaço sempre habitual desta espera pelo hipoteticamente Melhor do Ano. E sempre bem acompanhado por Paulo Portugal (da Insider) a mostrar novamente aqui o seu encanto. Muito grato pelo convite e pela oportunidade.

PS: a nossa intervenção surge a partir das 4:50:00

Enquanto isso, e após a “surpresa” do Green Book, expressei numa crónica corrida no C7nema. “Poderia ter sido o ano da mudança nos Oscars, mas não o foi. Preferiram ficar à sombra da bananeira.” Ler crónica completa aqui.

 

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A Morte chega de Noite dançando.

Hugo Gomes, 17.02.19

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Com Ghost Stories, de Jeremy Dyson e Andy Nyman, prestes a chegar aos nossos cinemas gostaria de recordar uma das mais impressionantes antologias do género de terror (e possivelmente das pioneiras no grande ecrã), que parece atualmente ganhar pó perante as memórias efémeras dos cinéfilos de “nowadays”.

 

Tendo as antologias de género uma “moda” que tenta colar-se nas industrias atuais, em 1945 surgia Dead of Night (A Dança da Morte), um conjunto de cinco episódios e mais uma narrativa de ligação concebido a oito mãos, destacando obviamente Alberto Cavalcanti que emana um pesadelo psicológico e psicadélico tendo um boneco ventríloquo (don’t call it dummy) como estrela. Por vezes esquecido face a muitos dos seus “filhos e bastardos”, como a série The Twilight Zone ou até mesmo o cultuado Groundhog’s Day e o agora fenómeno da Netflix, Russian Doll. Dead of Night é mais que antologia, é um corrente de temores da noite materializado no derradeiro ano da Segunda Grande Guerra.

 

Vale a pena espreitar, antes de dar atenção aos seus promíscuos influenciados.

 

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Procurando um autor em Glass

Hugo Gomes, 13.02.19

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Night Shyamalan é um dos últimos autores norte-americanos do qual temos conhecimento … sim, autor (que venham então os enésimos artigos abaixo deste estatuto fora dos ditos “veteranos”, porque os sinais estão lá) … e Glass é perpetuamente um olhar autoral à massificação do cinema de super-heróis e o faz através da desconstrução. Essa, apoiada numa metalinguagem que evidencia a mitologia hoje atestada para ponto de partida nesta aproximação/afastamento desses mesmos universos.

 

É um filme inteligente … sim, é … que desafia até a própria pedagogia hoje alicerçada aos pseudos-“críticos” norte-americanos, habituados (ou melhor, mal-habituados), às fórmulas disnescas e ao fun check que a indústria proporciona. Glass é sobretudo esse dedo médio à falta de reflexão no Cinema de hoje. Contudo, é Cinema, fora dos modelos academicamente aceites da narrativa, ou seja, é mais que simples “historietas”, que te contempla com um técnica sinónima a uma emancipação por parte de Shyamalan.

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A fim de evitar o automatismo de Split, o realizador se assume rigoroso não no guião, mas no como entregá-lo através de uma narrativa visual, exemplo disso, a sala cor-de-rosa picotada com grandes planos de cada um destes peões, o substituto digno da vitrine prisional de Silence of the Lambs, as reavaliadas lições de suspense de Hitchcock.

 

Da categoria: filmes que tem vindo a crescer e o cinema é mais que telenovela.

 

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Todos temos um coração de fantasma ...

Hugo Gomes, 21.04.18

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Quem lida comigo conhece perfeitamente os meus sentimentos em relação à obra de Philippe Garrell, nomeadamente à ultima fase (ainda a decorrer). Contudo, ao rever o Le Coeur Fantôme (O Coração Fantasma) deparei ainda mais com o porquê dessa “repudia” aos seus últimos trabalhos.

 

Em Le Coeur Fantôme, Garrell filma expressões, as personagens tem, por fim, uma face a preencher a tela, e nela, sem o uso de qualquer palavra, comunicam emocionalmente com o espectador (o olhar de Luís Rego diz tudo e mais alguma coisa). Uma “mania” perdida com um Garrell que começou a filmar as relações de longe, ingenuamente de longe.

 

Mas o que mais me fascinou neste revisitar fantasmagórico foi o peito cheio de masculinidade, sem receio às “balas” apontadas. Sim, Le Coeur Fantôme é um filme masculino, e ao mesmo tempo um filme sensível sem tentar produzir faíscas de empatia com o género oposto. Fala-nos de amor e ao mesmo tempo interroga esses mesmos afetos. Porquê amamos? Será que amar tem prazo de validade? Ou, teremos a necessidade de amar?

 

Questões … e questões … questiono … intrigado, porém, questiono .