Data
Título
Take
27.7.18

Paris_Texas-1984_Obscure_Masterpiece_Harry_Dean_St

Então, mas este estaminé faz os seus 11 anos de existência e nem celebro dia?!

 

Bem, sim, passamos a primeira década e continuamos em movimento, mesmo em modo lento. Enfim, mea culpa!

 

Agradeço a todos que me acompanham e que me ajudaram a tornar o Cinematograficamente Falando … naquilo que é hoje.

 

Muito obrigado! ;)

 


publicado por Hugo Gomes às 19:44
link do post | comentar | partilhar

10.5.18

67c1d6ad32ea6665b1c0142442849ca4_XL.jpg

36 anos depois da sua projeção em Cannes, A Ilha dos Amores regressa à Riviera como um dos filme-evento desta 71ª edição. O seu retorno não é em vão, em causa está um trabalho de restauro invejável por parte da Cinemateca Portuguesa, com digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996.

 

Com isto, foi conservada na obra de Paulo Rocha a esplendorosa fotografia de Acácio de Almeida e a acústica sonora que nos transporta para um Oriente distante à boleia do eterno trágico-romântico Wenceslau de Moraes, interpretado por um dos “santos” do cinema português, Luís Miguel Cintra. O ator esteve presente na sessão especial ao lado do diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa.

 

f38adbabe7a5d07e33ac8970b8fa7a26.jpg

 

A imaculada beleza captada pelo olhar clinico de Rocha, desde a simetria cénica até a profundidade que nos convida a um outro filme presento nos espelhos, A Ilha dos Amores preencheu cada espaço do ecrã da Sala Buñuel. Apesar de ser um filme narrativamente difícil de se ver durante a euforia de Cannes, os seus magistrais planos não deixaram ninguém indiferente quanto à restauração.

 

Regressando agora a 2018, à Competição Oficial, que tem por fim, algum dinamismo. A primeira com Leto, retrato punk da juventude inquieta da Leninegrado dos anos 80. Trata-se do novo filme do dissidente russo Kirill Serebrennikov, que para além de ser uma vibrante coletânea musical (Bowie, Sex Pistols, T-Rex, Blondie, etc) apresenta-nos uma bidimensionalidade narrativa que desfaz muito dos formatos de cinebiografia.

 

5acf72fd15e9f97b8136ffd9.jpg

 

Já o segundo filme a demonstrar a sua “garra” na Seleção Oficial é Plaire, Aimer et Courir Vite, de Christophe Honoré, a sua resposta ao êxito de Moonlight. Segundo o realizador de Canções de Amor, o filme galardoado ao Óscar em 2017 apresentava a homossexualidade como uma maldição digna de vitimização. No seu novo trabalho, somos apresentados aos amores e desamores de um homossexual em Paris do inicio dos 90’, no calor da epidemia do HIV. Ao contrário do que poderia suscitar com o contexto histórico, Plaire, Aimer et Courir Vite celebra o amor nas mais diferentes formas, para além de encarar a homossexualidade como algo normalizado, consciente e, porque não, humanista. Até ao fim não existem vitimizações, tudo faz parte do ato de amar e de ser amado. Encontramos a sidequel de 120 Battements per Minute!

 

Já na Quinzena de Realizadores, o último filme do espanhol Jaime Rosales, um experiente no Croisette, divide critica e público. Petra, titulo que também serve de nome à personagem principal (Bárbara Lennie, que também ingressou o elenco de Todos lo Saben, de Asghar Farhadi), é um drama em busca da paternidade que abraça um forte fluxo de tragédia. Rosales evita em toda sua condução, uma emotividade farsante, sendo que a principal característica desse afastamento é a recusa pelo grande plano e pela decopagem técnica. Ficamos a saber, numa entrevista a publicar brevemente, que Rosales foi convidado a trabalhar com a Netflix. Aceitará? Veremos...

 

SORRY-ANGEL-670x370.jpg

 

Hoje teremos o muito antecipado Jean-Luc Godard e o seu Le Livre d’Image, seguido pelo novo de Jia Zhangkee e de Pawel Pawlikowski.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 22:01
link do post | comentar | partilhar

3358168.jpg

Cannes ficou em sobressalto após uma convocatória de última hora do produtor Paulo Branco. A Amazon abandonava a distribuição norte-americana de Dom Quixote, o que levou Branco a manifestar-se frente aos jornalistas que se amontoavam na bancada da Alfama Films, no Marché du Film.

 

Eram 15h00 (hora francesa) e esperava-se a decisão do tribunal em relação à projeção do “filme maldito” de Terry Gilliam no Croisette. Enquanto isso, o produtor português não poupou palavras em direção a Thierry Frémaux e à organização do Festival, acusando-os de calúnia e difamação. Ainda assim, o próprio referiu que caso o tribunal proibisse a exibição do filme no Festival, estaria disposto a negociar a sua projeção, sublinhando a ausência de qualquer transação financeira. Ou seja, estamos perante uma questão de orgulho. Pouco tempo depois, o tribunal de Paris indeferiu o pedido de Paulo Branco. O Festival de Cannes não tem que se preocupar, The Man who Killed Don Quixote (O Homem Que Matou Dom Quixote) continua designado como o filme de encerramento da sua 71ª edição e Thierry Frémaux tem razões para rir.

 

5acf72fd15e9f97b8136ffd9.jpg

 

Em outras notícias, o realizador dissidente russo Kirill Serebrennikov encontra-se detido na Rússia, impossibilitando a sua ida ao Festival para apresentar a sua obra, Leto, em Competição. O delegado referiu que a organização tentou tudo ao seu alcance para trazer o realizador à Riviera Francesa, mas segundo Frémaux, Putin terá lhe dito que “na Rússia, a justiça é independente”, relato que suscitou gargalhadas entre o público.

 

Mas a piada acabou, apesar de tudo, por ser outra. O filme Yomeddine, a primeira longa-metragem do egípcio A.B. Shawky, encontra-se em Competição, um filme manipulador e sobretudo ofensivo. O porquê? Porque o jovem realizador decide contar a história de um leproso viúvo que viagem pelo Egipto em busca do pai que o abandonou. Ao seu lado conta com a companhia de um burro e de um menino órfão. A viagem é atribulada e desafortunada, com todos os tiques para o espectador de condescendência do seu protagonista, o qual deve-se salientar que é um não-ator que sofre das reais “deformidades”. Para além deste sentimento de pena, junta-se um perfeito desleixo na realização, fraca aptidão no tratamento das personagens e uma banda sonora omnipresente para os efeitos previstos: emocionar imperativamente. No final houve aplausos … tímidos … mas, houve.

 

Rafiki, o romance lésbico queniano que faz História, trata-se do primeiro filme desse país selecionado para o Festival, uma honra que levou a realizadora Wanuri Kahiu, em palco, a gritar “We are proud to be Kenyan”. Quanto ao filme em si, bem, as boas intenção não fazem Cinema, sendo que ao contrário de Yomeddine, o grande problema de Rafiki é a sua ingenuidade, o que por sua vez o leva a caminhos panfletários que prejudicam as personagens e até mesmo as suas relações.

 

Se a Seleção Oficial ainda não mostrou a prometida garra, a Quinzena dos Realizadores abre com audácia e furtividade requerida. O colombiano Ciro Guerra regressa à secção com Pajaros de Verano (realizado com a colaboração de Cristina Gallego), uma trama de gangsters e narcotráfico sob um cenário indígena tribal. Recordamos que Martin Scorsese encontrou-se presente na abertura para receber a La Carrosse d’Or.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 02:55
link do post | comentar | partilhar

9.5.18

31961906_1887986224555638_903430771392380928_n.jpg

O júri chefiado por Cate Blanchett tem uma tarefa herculana e tal ficou evidenciado na sua apresentação à imprensa, na qual não faltaram questões sobre a representação das mulheres na competição e ainda sobre Jean-Luc Godard.

 

A atriz norte americana, galardoada com dois Óscares da Academia, referiu que na questão de existirem apenas três mulheres a concorrer à Palma de Ouro “é” um avanço positivo, mesmo assim, visto que em anos anteriores o número era relativamente mais baixo e em alguns casos mesmo inexistente.

 

Outro dos temas discutidos foi o facto da Competição deste ano estar recheada de realizadores jovens, muitos deles a contar com a sua primeira longa-metragem, que confrontam nomes experientes como Jean-Luc Godard. A intervenção do jornalista tentava conhecer como o júri iria encarar a análise de filmes adereçados a experiências diferentes. Cate Blanchett referiu que o que a preocupava eram os filmes e não os nomes. Contudo, no caso do Godard, teria que estar ciente da sua carreira, referindo ainda como cada filme do incontornável nome da Nouvelle Vague era uma experiência própria.

 

32072697_1887986241222303_7535126581568602112_n.jp

 

Recorde-se que as mulheres dominam o júri da 71ª edição do Festival de Cannes. No júri do certame, e para além de Blanchett, estão Ava DuVernay (realizadora), Robert Guédiguian (realizador), Andrei Zvyagintsev (realizador), Denis Villeneuve (realizador), Chang Chen (ator), Léa Seydoux (atriz), Kristen Stewart (atriz) e Khadja Nin (cantora).

 

Assim arrancou mais uma edição do Festival de Cannes, que se prolongará até dia 19 de maio e cuja Seleção Oficial abrirá com a mais recente obra do iraniano Asghar Farhadi, que filmou em Espanha o casal maravilha Penélope Cruz / Javier Bardem numa trama de segredos e revelações.

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 15:56
link do post | comentar | partilhar

cb76744d10c26bc80b0f00d8a0bd0dfd011f9a04.jpg

Pourquoi t’as l’air triste?”, pergunta Jean-Paul Belmondo a Anna Karina numa das muitas cenas fulcrais de Pierrot le Fou, ao que ela responde: “Parce que tu me parles avec des mots, et moi je te regarde avec des sentiments”. Não é por menos que o beijo entre os dois atores/personagens, o Ferdinand (Belmondo) e Marianne (Karina) encontra-se imortalizado no cartaz desta 71ª edição de Cannes. Eles levaram o Cinema por outros caminhos e sobretudo por outros sentimentos, estes que são relembrados com tamanha nostalgia.

 

Depois da feira das vaidades do tapete vermelho, o Grand Théâtre Lumière aplaudiu serenamente este trecho de uma das obras-mestras de Jean-Luc Godard, que foi seguido por um monólogo especial por parte de Edouard Baer, o mestre de cerimónias, com acompanhamento do piano de Gérard Daguerre, tributo que tocou no coração da própria Anna Karina, presente num dos balcões.

 

pierrot-le-fou.jpg

 

Pierrot le Fou entra novamente em cena, desta vez com a mítica sequência em que Belmondo dirige-se aos espectadores, quebrando a quarta barreira. São tempos em que o Cinema comunicava diretamente connosco, sem filtros nem rodeios, e - condizendo com a cena inaugural da cerimónia - olhava para os espectadores com sentimento. Coisa rara no Cinema de hoje, mas o Festival de Cannes é sobretudo feito disto - uma busca incansável pelo Cinema que nos “fala” de forma emocional - e que melhor pessoa para rastrear tais “pegadas” que Thierry Frémaux, o qual tem demonstrado nos últimos tempos uma paixão cinematográfica cega, porém, apaixonada por causas algo perdidas. Ora as guerras com a Netflix e mais recentemente o seu olhar desconfiado às séries de televisões, o delegado artístico de Cannes tende usar como escudo a sua cinefilia, para o bem e para o mal. É um amante de cinema à moda antiga e durante 11 dias queremos acreditar que sim.

 

Com isto, Frémaux subiu ao palco, apresentou um a um o seu Júri de 2018, com especial homenagem à sua presidente, Cate BlanchettMadame, madame … and monsieur”, assim se dirige a atriz ao público. A cantora Juliette Armanet sobe ao palco para cantar Les Moulins, música que ecoou no grande teatro. Foram visíveis algumas lágrimas perante a melosa melodia.

 

 

E é então que chega-nos outro convidado, Martin Scorsese, o qual relembro que irá receber o Le Carrosse d’Or na Quinzena de Realizadores, que teve as honras, ao lado de Blanchett, em dar como aberto mais um Festival de Cannes. O 71º ano que arranca já com uma tremenda desilusão.

 

Asghar Farhadi tornou-se nos últimos anos num dos mais respeitados nomes do chamado world cinema e não é para menos. Um Urso de Ouro acolá e dois Óscares conquistados, uma mão cheia de obras que têm sobretudo seduzido a crítica e público cinéfilo, o iraniano tinha tudo para fazer deste Everybody Knows (Todos Lo Saben) num fascinante thriller dramático. Resultado, uma telenovela encurtada cujo o enredo provocou gargalhadas no visionamento de imprensa, um humor involuntário perante personagem barrocas fragilmente construídas e Javier Bardem a falhar o alvo dramático. Esperamos que este equivoco não se reflita no resto da Competição, até porque contamos com uma remessa refrescante de Cinema com muito a provar e, claro, “caras conhecidas” que não desejem ficar para trás. Por enquanto, Farhadi mostrou que até mesmo os “campeões” não são imunes à derrota.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 02:14
link do post | comentar | partilhar

7.5.18

xcannes-poster-uncropped.jpg.pagespeed.ic.MoDptgW3

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 08:48
link do post | comentar | partilhar

21.4.18

203922.jpg

Quem lida comigo conhece perfeitamente os meus sentimentos em relação à obra de Philippe Garrell, nomeadamente à ultima fase (ainda a decorrer). Contudo, ao rever o Le Coeur Fantôme (O Coração Fantasma) deparei ainda mais com o porquê dessa “repudia” aos seus últimos trabalhos.

 

Em Le Coeur Fantôme, Garrell filma expressões, as personagens tem, por fim, uma face a preencher a tela, e nela, sem o uso de qualquer palavra, comunicam emocionalmente com o espectador (o olhar de Luís Rego diz tudo e mais alguma coisa). Uma “mania” perdida com um Garrell que começou a filmar as relações de longe, ingenuamente de longe.

 

Mas o que mais me fascinou neste revisitar fantasmagórico foi o peito cheio de masculinidade, sem receio às “balas” apontadas. Sim, Le Coeur Fantôme é um filme masculino, e ao mesmo tempo um filme sensível sem tentar produzir faíscas de empatia com o género oposto. Fala-nos de amor e ao mesmo tempo interroga esses mesmos afetos. Porquê amamos? Será que amar tem prazo de validade? Ou, teremos a necessidade de amar?

 

Questões … e questões … questiono … intrigado, porém, questiono .

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 16:09
link do post | comentar | partilhar

23.3.18

image-w1280.jpg

Ozu é um fantasma que assombra o cinema nipónico.

(imagem.: «Still Walking», Hirokazu Koreeda)

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 13:01
link do post | comentar | partilhar

9.2.18

MV5BMTQ1NzY0MjQxNV5BMl5BanBnXkFtZTgwNTExNDU5MTE@._

kkdead1933.jpg

Michel Poiccard assim como a “oitava maravilha do Mundo” King Kong são “criaturas” fora do seu habitat natural que deambulavam numa selva de asfalto em busca de uma salvação possível, sob a conveniência de salvaguardar o seu projectivo romance. Ambos foram traídos pelo que mais amavam, consequentemente fuzilados à queima-roupa, sendo o alcatrão, o seu improvisado túmulo. A multidão cerca-os de igual forma nos dois casos.

 

Os diálogos finais e últimos atos pouco diferem, mas cujas divergências poderiam ser trocadas que mesmo assim preservariam o exacto simbolismo. Enquanto que na leva de Poiccard facilmente ouvir-se-ia “It was beauty killed the beast”, e no caso do símio “Qu'est-ce que c'est, "dégueulasse"?”.

 

Mas a cerimónia fúnebre está longe da convergência. Num deparamos com a morte da besta, enquanto que o outro é a morte do cinema clássico e a longa vida para o cinema moderno.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 15:53
link do post | comentar | partilhar

8.1.18

james-franco-tommy-wiseau-the-room-golden-globe-wi

Por mais destaque e singularidade que tentam emanar nas suas cerimónias, os Golden Globes são sempre vistos como uma linha reta à premiação dos Óscares. A noite de ontem, pouco se destacou nesse sentido. Foi a feira das vaidade, porém, coberta de negro devido ao tão badalado protesto contra o assédio sexual, uma assombração que parece viver em Hollywood. E o decorrer da cerimónia deixa claro, que Hollywood não quer esquecer isso. Seth Meyers entra a “matar” com um rol de piadas nesse ramo, desde Weinstein a Kevin Spacey, passando pela sua masculinidade, ninguém sai ileso no seu discurso inicial. Mais um fator de que os Globos não conseguem deixar a sua marca, até porque os Óscares parecem dotados desse “comentarismo” político-social, diversas vezes embalado pela hipocrisia. E falando em hipocrisia, ouviu-se uns certos apupos a Meryl Streep.

 

Enfim, mas os Golden Globes não são o “We are the World” do discurso mediático, são Cinema … e Televisão, onde esta última tem adquirido uma portentosa relevância na indústria. Celebram-se séries como grandes produções hollywoodescas, festejam-se vitórias como verdadeiros oscarizados. The Handmaid’s Tale e Big Little Lies provam a sua força nas suas respectivas nomeações, tornando-se os grandes da noite - quer no pequeno ecrã, quer no grande panorama.

 

billboard2.0.jpg

 

Mas o Cinema está lá, a tentar vincar a sua constante ofuscação. Three Billboards Outside Ebbing, Missouri prova a sua consistência na época de prémios, arrecadando 4 estatuetas, entre as quais as previsíveis ator secundário (Sam Rockwell) e argumento (a mais merecida das suas indicações), em conjunto com o de melhor atriz (Frances McDormand a destroçar Sally Hawkins) e o surpreendente Melhor Filme. Martin McDonaugh viu o prémio de realização cair nas mãos de Guillermo Del Toro, a provar que é uma força a acontecer nos Óscares, quem sabe, a consagração do cinema de género. De mãos vazias, saíram três grandes da indústria: Steven Spielberg, Ridley Scott e Christopher Nolan, o resto do quinteto de “all-male directors”, ferroada lançada por Natalie Portman na apresentação da categoria à luz do snub de Greta Gerwing, Patty Jenkins e Dee Rees nos nomeados.

 

Lady Bird tira o tapete a Get Out na categoria de Melhor Filme Comédia ou Musical. Para quem esperava que o filme de Jordan Peele, completamente deslocado da sua secção, levasse a estatueta desmerecida (comédia, vai se lá ver), entrou aqui numa desesperante espiral. Até porque Daniel Kaluuya viu o prémio de melhor ator (comédia) ser entregue a James Franco com a sua mimetização de Tommy Wiseau. Surpresa, das surpresas, surge em palco o “verdadeiro” Wiseau, impedido de discursar por Franco. Este foi o momento mais hilariante da noite.

 

GettyImages-902405588-920x584.jpg

 

De resto, Saoirse Ronan foi a melhor atriz de comédia por Lady Bird; Gary Oldman foi reconhecido como melhor ator dramático (como as academias adoram “imitações”); Coco, sem “espinhas”, conquista a melhor animação e Allison Janney rebaixa a sua concorrência (Laurie Metcalf) como melhor atriz Secundária em I, Tonya (Margot Robbie não foi reconhecida desta vez na categoria principal). Surpresas das surpresas, surge com a vitória de Fatih Akin e o seu In the Fade no melhor filme em língua estrangeira (para os Óscares apostasse em The Square- O Quadrado).

 

Contudo, existem ainda dois momentos que gostaria de destacar na Cerimónia. Uma foi o discurso inspirador de Oprah Winfrey, que motivou lágrimas e, apesar de tudo, deu um “cheirinho” de corrida presidencial. E o segundo ponto, e talvez o mais doloroso, Kirk Douglas decadente e inaudível em palco. Sabemos que ninguém é imortal, mas a velhice é tramada … e infernalmente cruel.

 

Para os Óscares espera-se um maior destaque a Get Out e quem sabe (a minha aposta), a Wonder Woman, visto que a heroína da DC integrou o painel da Producers Guild of America, o que é sempre um sinal. E sim, na maior das hipóteses a vitória de Gary Oldman como ator, um prémio de “consolação” pelos anos e anos de negligência por parte da Academia. Por enquanto, é só esperar pelo dia 23 de janeiro, quando as nomeações foram anunciadas.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 17:13
link do post | comentar | partilhar

4.1.18

image-w1280.jpg

Le Révélateur (1968)

MV5BYTBhZDViM2YtOTk3NS00MDcwLWE4OTQtYjk5ZmFlMDBlYT

La Cicatrice Intérieure (1972)

 4327664453_e8081cffcb.jpeg

L'Enfant Secret (1979)

DR5Y8wBXUAAz_oS.jpg

Liberté, la nuit (1984)

Garrel_J’entends-plus-la-guitare_Danks.jpg

J'Entends plus la Guitare (1991)

116830.jpg

Le Coeur Fantôme (1996)

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:18
link do post | comentar | partilhar

1.1.18

Depois dos melhores, seguem então os … esquecíveis. Um ano de cinema que se apresentou geralmente cansado e gasto, mas que mesmo assim presenteou-nos com algumas obras-primas, enquanto que existiram pelo meio outras “primas-obras”. Uma despedida de solteiras que dá para o torto até à enésima barafunda em CGI, o cinema português a pontuar com fachadas televisivas e um Sean Penn que pirou de vez. Isto e mais novidades na seguinte lista de horrores.

 

20483535_kDoJ9.jpeg

 

10) Rough Night

 

“Confessamos, que nem nós sabemos o porquê de estarmos a referir isto tudo, tendo em conta que Rough Night é somente uma parvoíce (e que dispensa sexos). Nada mais que isso. Comédias há muitas, agora fazer rir … esse é que é o desafio.” Ler crítica  

 

20661826_ldMID.jpeg

 

09) Flatliners

 

“Como diria Sutherland na década de 90 - "Today is a good day to die."(Hoje é um bom dia para morrer). E até pode ser dia para tal, contudo, nenhum dia é bom para testemunhar a enésima preguiça de Hollywood.” Ler crítica

 

20508063_WEZ08.jpeg

 

08) Transformers: The Last Knight

 

“Gastamos 200 milhões … nisto. Um "filme" que nos deixa mudos, mas devido ao cansaço psicológico causado por esta anarquia mais anárquica, que nem serve sequer para o conseguirmos apelidar de cinema experimental. Apre!” Ler crítica

 

20317145_z25uz.jpeg

 

07) Malapata

 

“Assim chegamos ao humor básico tão característico dos alter-egos dos seus protagonistas (Marco Horácio e Rui Unas), à narrativa que falha sem a concepção de um alvo requerido ou de uma linguagem cinematográfica e, como não poderia deixar de ser, a direcção sem brilho e quase anónima de Diogo Morgado, mas ao menos a sua estreia demonstra mais talento que um Leonel Vieira.” Ler crítica

 

20204108_A253T.jpeg

 

06) xXx: Return of the Xander Cage

 

“Um aperitivo somente apropriado para quem não aguenta esperar pelo oitavo filme de um certo franchise bilionário. Se é para brincar aos “espiões”, fiquemos com a classe politicamente incorrecta de Kingsman.” Ler Crítica

 

20270790_QvpJ1.jpeg

 

05) Fifty Shades Darker

 

“Depois de Paul Verhoeven ter apresentado em Elle que é possível representar mulheres numa jornada em busca das suas fantasias sexuais, é quase uma censura moral sermos presenteados com um filme sobre sexo tão inofensivo que até o próprio tempo de antena lascivo é um mero embaraço narrativo. Na televisão conseguimos ver bem mais.” Ler crítica

 

20618230_eGar3.jpeg

 

04) Índice Médio da Felicidade

 

Joaquim [Leitão], lamento, mas tem aqui o seu pior filme, com uma técnica e linguagem puramente televisiva. Com isto espero as melhoras, atenciosamente…” Ler crítica

 

20231731_ZZeJE.jpeg

 

03) Patriots Day

 

Patriots Day nem sequer tenta disfarçar as suas ideias perigosas, estas servidas de bandeja como uma homenagem às vítimas. O que vemos é um perigoso ensaio da actualidade norte-americana.” Ler crítica

 

por-onde-escapam-as-palavras-1.jpg

 

02) Por Onde Escapam as Palavras

 

“Eis um lixo, visto do ponto vista criativo, artístico, sociológico e mercantil. Uma comédia involuntária que nos remete ao pior que o cinema português possui: a falta de ideias, e, pior, a falta de ideias de cinema. Não é por questões monetárias que a criatividade e a coerência, têm de se ver descartadas. Pelo contrário, por vezes é sobre esse signo de apertos financeiros e outras limitações que nascem… eureka!… as ideias.” Ler crítica

 

19639650_LQeKk.jpeg

 

01) The Last Face

 

 

“Nem mesmo Javier Bardem e Charlize Theron safam-se a este grave atentado, a este Sean Penn "bêbado" que se julga Terrence Malick em causas humanitárias. Falando em atentados, ver a "promissora" actriz Adéle Exarchopoulos, presente no elenco só como garantia de co-produção, é o equivalente a esfaquear o meu coração com uma faca de manteiga. Matem-me, por favor!” Ler crítica

 

Menção (des)onrosa: Resident Evil: The Final Chapter, Rings, Song to Song, The Circle, King Arthur: Legend of the Sword

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 22:42
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

31.12.17

Assim seguimos para a já habitual lista de 10 melhores do ano. Começo por referir que fora no geral um ano difícil de Cinema, onde a criatividade escassa e as ideias parecem cansados. Contudo, mesmo assim algumas obras destacaram nesta tremenda época de desilusões. Desde super-heróis adultos até derradeiros adeus a estrelas, passando por poetas motoristas e o sucumbir de gigantes monarcas. E já agora, o cinema português está de parabéns.

 

Lucky.jpg

 

10) Lucky

 

 

“Mesmo que Stanton aposte no “realismo” que acabara de definir (“realism is a thing”), e nas verdades entre indivíduos que nunca corresponde uma verdade absoluta, este cantinho transforma-se o seu Éden, prevalecendo memórias e garantido o merecedor descanso eterno. Isto acontece porque o sentido alterou com o contexto, a celebração aos vivos é agora uma dedicada canção para os mortos.” Ler crítica

 

8991.jpg

 

09) A Fábrica do Nada

 

“As Máquinas não podem parar, e o Cinema deve acompanhar todo esse processo de auto-sustentabilidade. A Fábrica do Nada, a quarta longa-metragem de Pedro Pinho, é esse conceito simultâneo de fazer cinema e falar de política, um retrato de um activismo em pleno passo de reflexão.” Ler crítica

 

20647098_t7zkI.jpeg

 

08) Verão Danado

 

“A verdade é que o cinema tem ido cada vez mais ao encontro dos mais jovens e, com isso rejuvenescido. E esse rejuvenescimento não é um factor que deva ser ignorado, nem sequer desprezado. Verão Danado exibe os dotes dessa tremenda juventude… até Nuno Melo, quando surge, cobiça esse tão inexistente elixir. Ó tempo, porque não voltas atrás?” Ler crítica

 

logan.jpg

 

 

07) Logan

 

O veio entre BD e Filme foi quebrado, já não estão em sintonia, mas sim, em oposição. A personagem ganha com esta nova forma de emancipação, uma carga dramática que sobrepõe ao heroísmo mercantil e o estabelece como um peão de uma tragédia existencialista. Sim, era este o filme que merecíamos em 2013, esta é a prova de que os super-heróis das nossas infâncias conseguem ser material para intermináveis histórias humanas, ao invés das fórmulas acostumadas.

 

thumbnail_24989.jpg

 

06) Get Out

 

“É fácil cair no erro de considerar Get Out em mais um arquétipo do "bate e foge" como tem sido claro no cinema deste género. Felizmente, os marcos do género aqui incutidos são um embuste, um disfarce para que Peele consiga difundir a sua mensagem através da sua "voz". Voz essa perturbada com o crescente temor sociopolítico que abraça os EUA pela discussão na "praça pública" de temas que se consideravam "enterrados" há anos. Sim, Get Out é um filme sobre o medo. E é também nesse medo que encontramos o ponto de ebulição e o lançamento de farpas às mob flash politicamente corretas que -  à sua maneira - são culpadas pela crescente vaga de populismo e de idealismos do arco-da-velha.” Ler crítica

 

MV5BZDYyNGNiNDUtNmQzMC00Yzc0LWIyMWQtZDViNDlhMzY5M2

 

05)  La Mort de Louis XIV

 

Um objecto violento sobre a morte enquanto estado transgressivo. La Mort de Louis XIV é um filme sobretudo sobre o tempo, essa espera eterna pela queda de um gigante monarca, e o desconhecido que o atenta, a si, e aos seus entes e servos. Depois de três experimentações que resultaram em “híbridos” indigestos da linguagem dos actores, Albert Serra resolve apostar na sua primeira grande Obra (até que enfim um estilo encontrado), neste caso servente de um titã do cinema francês (Jean-Pierre Léaud) a mercê de novos “golpes”.

 

paterson.jpg

 

04) Paterson

 

“Mas é nessa poesia que recorta os dias de Paterson, assim como a sua mente, uma ode às vozes estampadas nas palavras de muitos, e com especial atenção a obra de William Castle William até porque Paterson (cidade) é um signo da sua própria poesia, mesmo que não queira cair em citações de trechos do seu trabalho. Porque, parecendo que não, o filme de Jim Jarmusch já transborda, por si, essas palavras soltas, unidas numa precisa e bela onomatopeia. Como o filme, achamos que não há melhor maneira de terminar aqui do que citar, por uma última vez a personagem misteriosa: "Sometimes an empty page presents more possibilities".” Ler crítica

 

120-bpm-jump-lff17-015.jpg

 

03) 120 Battements par Minute

 

“Fora géneros e orientações, 120 BPM é um filme sobre a celebração da vida e o quanto queremos residir nesse “bailado”. Até a morte, maioritariamente induzida como assombração, revela-se uma celebração quando surge, anunciando a chegada de uma nova etapa. Se a vida é na realidade uma compostura de etapas, daquelas que nos comprometem com novos desafios, objectivos e porque não, amores,120 BPM usufrui desta metamorfose cíclica de forma a estruturar uma narrativa aberta, sem a recolha de moralismos-objectivos, mas o de simular a vida em mudança através do seu ritmo desalinhado.” Ler critica

 

cannesthetribe.jpg

 

02) The Tribe

 

Um filme-choque. É essa  a verdade da sua natureza. Mas por vezes a provocação integra a experiência do cinema e porque não pensar que esta nasceu através da arte de provocar como o comboio filmado que assustou uma multidão na projeção de 1896. Enquanto isso, somos deslumbrados com uma lavagem ousada e politicamente incorrecta de um filme ucraniano sobre a repreensão social, sobre as sociedades mantidas e vividas no silêncio que encontram na violência a sua liberta forma de expressão. É cliché dizer isto, mas ... é um soco no estômago.

 

19628557_Euamn.jpeg

 

01) Aquarius

 

Aquarius é tudo num só, menos um "filme" no seu sentido mais simplista. É uma força de expressão filmada em estado de fúria, mas cuja cólera é registada com sapiência. Ao mesmo tempo é uma "mensagem numa garrafa", uma obra para perdurar para futuras gerações, assim como a cómoda que acompanhou todo uma árvore geracional de Clara. Um retrato subliminar do estado brasileiro que por sua vez conserva a riqueza da cultura de Recife e imortaliza Sónia Braga como a maior das divas do Brasil. Será muito cedo para falar em obra-prima? Muito bem, arrisco em declará-lo como tal. Que venha então a primeira pedra.” Ler crítica

 

Menções honrosas – The Little Men, São Jorge, Ma Vie de Courgette, Silence, War of the Planet of the Apes

 

E para o leitor, quais foram os melhores do ano 2017?

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:34
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

26.11.17

15196258278_0943c3b024_o.jpg

Coimbra será novamente a capital do Cinema Português com o arranque da 23ª edição do festival Caminhos do Cinema Português, que nos apresentará mais uma mostra do melhor que se produziu este ano no nosso país.

 

Serão mais de 50 filmes selecionados, entre animações, curtas ficcionais e documentais e longas de toda a espécie que poderão ser visualizados em grande ecrã entre 27 de novembro até 3 de dezembro. Este leque variadíssimo vem demonstrar a cada vez mais diversificação do panorama cinematográfico nacional, um Cinema que adquire a capacidade de abranger diferentes perspetivas e fenomenologias.

 

nuno_lopes_sao_jorge10017bbf_base.jpg

Basta olhar para a programação e perceber essa ramificação de géneros, desde a cinebiografia do poeta Al Berto, por Vicente Alves de Ó, até à série B A Ilha dos Cães, de Jorge António, passando pelo nosso candidato ao Óscar, São Jorge, de Marcos Martins, a curiosa comédia de ficção cientifica A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha, e o humor carnavalesco de Edgar Pêra em Delírio em Las Vedras. O documentário ganha também força com as projeções de A Rosa de Ermera, de Luís Filipe Rocha, o regressar de Susana Sousa Dias aos arquivos da PIDE, A Luz Obscura, a viagem pelo Tarrafal no homónimo trabalho de João Paradela e o hibrido de forte teor politico num dos mais premiados filmes do ano, A Fábrica do Nada, de Pedro Pinho.

 

A longa-metragem encontra-se de boa saúde, porém, é a curta-metragem que continua o veiculo mais capaz de condensar histórias e olhares em Portugal. A seleção é grande, e apesar da duração menor, desprezar este formato é desprezar o Cinema mais experimental, ousado e audacioso. Salomé Lamas, João Salaviza, André Marques, Gabriel Abrantes, Ico Costa e Jorge Jácome são nomes reconhecidos deste universo novamente reunidos para demonstrar a vitalidade da curta-metragem enquanto expressão. Destaque também para Terreno Baldio, por Latifa Said.

23843569_1570996109623484_1012331335491140039_n.jp

Com a Seleção Ensaios, a mostra estende-se para outras nacionalidades, conjugado uma utopia fílmica composta por diversos trabalhos académicos e escolares, representado por diversas escolas nacionais e internacionais, tendo como objetivo dar a conhecer “sangue novo” por estas “vizinhanças” cinematográficas.

 

XXIII Caminhos Film Festival ocorrerá no Teatro Académico Gil Vicente e no Mini-Auditório Salgado Zenha do Centro de Estudos Cinematográficos assim como reposições no NOS do Alma Shopping. Ver programação completa aqui.

 

Al-Berto-2017_2.png

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 11:36
link do post | comentar | partilhar

26.10.17

image.jpg

Há uma vertente que levemente tem surgido no panorama do documentário português, uma vertente de jornalística, não a de mera entrega de informação, mas de investigação. Essa no qual poderá denotar o pessoal (identitário) ou coletivo (demanda para a divulgação, preservação de memória). Este tipo de documentários, que se prolongam ou evitam o cinema como mera lente de documentação de imagens (que porventura poderá anexar-nos a memórias etnográficas e épicas), não são de todo bem vistas na comunidade-nicho da cinefilia. Há quem os acuse de aligeirar o poder e possibilidades (de momento infinitas) de Cinema, desde a sua narrativa até ao estilo intrínseco e extrínseco, porém, e tendo em conta a muita da seleção presente de um Doclisboa, poderemos considerar esta “básica” forma de fazer documentário num registo outsider e porque não, na maioria dos casos, mais experimentes e concisos na sua abordagem.

 

Como exemplo desse cinema-investigação, Catarina Mourão [ler entrevista] elevou-se numa busca ínfima de autodescoberta com A Toca do Lobo, onde seguiria o paradeiro do avô da realizadora, figura que não conhecera por completo mas que marcas deixou. A realizadora / documentarista apresenta-nos um objectivo claro na sua proposta (“descobrir quem é este homem”), convite claro que o espectador retém no seu arranque, a viagem, essa, vinculada num hibrido entre a investigação propriamente dita e a deambulação pelas memórias pessoais. Em todo o caso, porque não reconhecer A Toca do Lobo como um objeto no limiar do intimismo e da retribuição social.

 

maxresdefault (1).jpg

 

De estética pessoal, mas de caracter mais urgente, está Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira, outra investigação (presente desta edição do Doclisboa) que regista um pedaço de História portuguesa, neste caso Bárbara Virgínia, a multifacetada artista que se tornou na primeira mulher realizadora nacional, atualmente “apagada”, é o corpus de estudo que despoleta uma tremenda jornada de conhecimento pessoal com vista maioritária para o público e memória futura na “salvação” deste personalidade. O objectivo neste caso encontra-se no título (Quem é Bárbara Virgínia?). O espectador tem com isto a certeza do que vai encontrar, a proposta é clara. Quanto à forma como a mensagem é emitida, essa, tem a sua razão de divergir dos moldes, digamos, televisivos. Luísa Sequeira consegue sobretudo uma investigação com uma apresentação intimista, até porque esta procura torna-se, para todos os efeitos, bastante pessoal (apercebemos o quanto a imagem de Bárbara Virgínia transgride da meta de estudo para a transferida pessoalidade numa determinada sequência, a anunciada morte de Virgínia e a reação da nossa documentarista perante tal).

 

Porém, talvez de caracter urgente acima da sua pessoalidade, temos Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro, uma contagem de linguagem televisiva que visa em projetar o legado de Macedo e apurar as causas do seu “desaparecimento”. Obviamente que este documentário completamente destilado por entre footages e talking heads possui um propósito de preocupação pública e patrimonial, mas se o considerarmos como um objeto cinematográfico de requinte, a sua pobreza não o exaltará como algo mais. Contudo, o objetivo de Monteiro é mais do que simplesmente integrar uma teoria estilística, social e cinematográfica, é como um apelo, um ato ativista, esse, que poderá originar consequências futuras, quem sabe, a revalidação absoluta de Macedo, não simplesmente como tentador do cinema de género em Portugal, mas como cineasta. Estes três exemplos recentes de documentário português, uma minoria perante a divulgação dos festivais, formam um cinema de causa-efeito, a investigação como uma narrativa que não deve ser sobretudo desprezada.

 

e21e5897-9fd0-4398-8bd0-c69954682722-754x394.jpg

 

O outro cinema, com excepção de alguns casos que conseguem através dos seus meios desbravar a sua linguagem, apresenta-se como máscara, escondendo a incapacidade e o amadorismo de muitos “documentaristas” pretensiosos, em busca do caminho fácil do estatuto autoral. Esse anti-cinema não deve ser sobretudo erguido como o Cinema, assim como o cinema na sua forma mais clássica, universalmente empática, não deve ser rebaixado a anti-cinema. 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:09
link do post | comentar | partilhar

17.8.17

 

Entre ontem e hoje, já não me recordo ao certo a data, saiu um artigo em que apontava os "millennials" como seres cada vez menos interessados no património cinematográfico, ou seja, nos clássicos, tudo o que é abaixo dos anos 80 (e com restrições). Hoje, no visionamento de imprensa, dei por mim a pensar na perda dessa herança, na cada vez mais homogénea forma de ver cinema ... ou a falta dele. Pior, sinto que de certa forma, existe alguma culpa no cartório em muita imprensa que perpetua essa mesma falta. Hoje chegam duas cópias restauradas de dois clássicos de Jacques Demy, um dos homens esquecidos por esta cinefilia que deve sobretudo ser falada pelas gerações mais novas ... gerações essas que correm aos milhares para ver a mais recente adição da Marvel ou da comédia romântica do costume. Sim, o artigo deixou-me triste, inconsolado, o Cinema não morreu como dizem os pessimista, mas a sua herança parece cada vez mais decadente.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 23:36
link do post | comentar | partilhar

11.8.17

The_Dark_Tower.0.jpg

Obrigado The Dark Tower por nos mostrar o quanto silly season é o mês de Agosto.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 13:13
link do post | comentar | partilhar

5.8.17

t-marilyn-monroe-seven-year-itch-subway-grate.jpg

Há 55 anos atrás neste mesmo dia, deixou-nos uma das estrelas mais cintilantes de Hollywood ... hoje, um ícone inimaginável da Sétima Arte. A única Marilyn Monroe

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 12:24
link do post | comentar | partilhar

2.8.17

20596995_10209570012064027_1092161232561318531_n.j

Em 20 anos o Mundo tornou-se mais psicótico que Norman Bates. Em plena década de 80, os anos que se definiriam como a expansão do "slasher movie", uma impensável sequela de Psycho iria tornar-se numa espécie de contra-natura. Acompanhamos um reabilitado psicopata ainda sob a mercê dos seus devaneios de violência, mas ao contrário de outros congéneres, o espectador não deseja ser cúmplice dos seus actos, "reza" sobretudo que o nosso antagonista afaste-se dessa sua mais tormenta tentação. (Psycho II, 1983)

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 22:03
link do post | comentar | partilhar

dunkirk-movie-preview-01_feature-1.jpg

O mais recente filme de Christopher Nolan [ler crítica], pode ser tudo, desde a magnificência com que tem sido descrito pela imprensa mais imparcial até à maior “nojeira” das história do cinema bélico pela outra quota, e quem escreve estas palavras é um assumido opositor a Dunkirk, mas desta vez saio… e contrariando as hipóteses… em defesa da obra. Sim, leram bem, não de forma a reconhecer a sua “majestosidade” (até ao final do texto continuo a prevalecer na ideia de um filme desorganizado e manipulador), mas devido às acusações que Dunkirk tem disso submetido nos últimos dias. Até porque os tempos evocam uma resposta da diversidade cultural e de género, e sucessivamente a sua representação em meios que outrora os ignoravam. Porém, há que separar o “trigo do joio”. Existe sim, uma distinta vertente política correcta que cada vez mais se distingue com esse “senso de justiça”.

 

O que vos trago é a panóplia de notícias que tendem em provar uma negligência por parte de Nolan à importância do outro lado do Império Britânico neste seu retrato à maior das evacuações militares. Segundo o colunista indiano, Mihir Sharma (Bloomberg View), tendo como base um artigo da The Times of India, a India, na altura colónia inglesa, obteve um papel relevantíssimo na Segunda Guerra Mundial, nessa defesa da Coroa Britânica contra a ameaça nazi. O mesmo colunista em conformidade com outras provas históricas e afirmações de historiadores, clama que o episódio de Dunquerque foi igualmente representado pelas tropas coloniais indianas e paquistanesas. As mesmas informações levam a acusações de que Nolan ignorou os factos por diversos motivos, quase todos ligados ao chamado “privilégio branco” ou até mesmo a um cego patriotismo, e não, na maior das hipóteses, à educação escolar que se vive nas escolas britânicas, fruto dessa imagem de “bom Império”. Um pouco à imagem da nossa que continua a vender-nos a ideia que os “portugueses sempre foram bom colonizadores”. Assim sendo, será Christopher Nolan uma vítima do ensino britânico, ou o privilegiado que se vende?

 

_97083394_gettyimages-3400188_28129.jpg

 Soldado indiano na evacuação de Dunquerque / Foto.: FRED RAMAGE/GETTY IMAGES

 

Se é ou não, a questão não serve de todo como um martelo-pneumático para demolir aquilo que o realizador construiu, uma reconstituição longe do romantismo a uma das grandes manchas do historial das Forças Armadas Britânica, e… também, o injectar de uma certa glória na derrota, quase como statment nacionalista. Esta última, servido de acha para outra fogueira, a da metaforização do Brexit, muito em consideração às declarações do conservador politico Nigel Farage (um dos “cabecilhas” da saída do Reino Unido da União Europeia), que veio a público expor a sua admiração pelo filme. Neste caso, é como se o gosto de um indivíduo direccionasse todo um filme para um vertente política e ideológica à sua imagem. Como se, nesse sentido, o fascínio de Adolf HitlerMetropolis, de Fritz Lang, o conduzisse a uma ideologia nazista nos seus frames (se existir ou não, como tem sido constantemente teorizado o papel do Expressionismo Alemão na concepção dos ideais do nazismo, nenhum dos casos motiva a queda de um filme como uma peça rica da História cinematográfica).

 

Porém, tirando estas criminações, do outro lado do Oceano, num país que elegeu Trump como presidente, continua-se a derramar tinta em discursos político-sociais da escassez de representações culturais no retrato de Nolan, até mesmo incriminações de misoginia, pela igual ausência da Mulher em todo este enredo. Perpetua-se a valorização do activismo, por vezes forçado, frente aos propósitos de um filme. E voltando ao início, Dunkirk poderá ser um trabalho impaciente, desleixado e demasiado egocêntrico para se posicionar entre os melhores do seu género, mas posicioná-lo no contexto actual sabendo que a “História está morta” era a proposta encarada pelo realizador… uma afronta a um Mundo cada vez mais sedento por um exemplaridades colectivas no Cinema e numa propagação de um conceito de um “mundo ideal”. Para ser sincero, tudo soa mais histerismo que qualquer outra coisa. 

 

20-dunkirk-2-1024x683.jpg

 Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 21:56
link do post | comentar | partilhar


sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Cinematograficamente Fala...

Cannes: Canções de amores...

Braço de Ferro em Cannes,...

Cate Blanchett e o seu jú...

Os sentimentos de um louc...

I'm here ... again!

Todos temos um coração de...

"Cinepescadas" #7

As belas trazem a morte c...

Quando o Cinema não é pro...

últ. comentários
Um filme lindo. Um dos melhores do Ang Lee. O meu ...
"Deveria ser um crime ignorar um filme destes.". B...
Nem tinha vontade de ver o filme. Pensei que apena...
Sei que um filme é bom quando, assim que acaba, te...
Acho que será muito bom. O Joker é um personagem ...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs