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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Little Women: o 'moderno' clássico

Hugo Gomes, 24.01.20

83163340_145238510267688_2258878894746632192_o.jpgClasse … Clássico … Classicista.

Na sexta adaptação cinematográfica do clássico literário de Louise May Alcott (aliás dois livros num só filme), revela-nos uma realizadora madura, experiente e dedicada em trazer um retorno ao cinema classicista e de velha guarda. A conversão é reajustada aos tempos modernos com um olhar menos benevolente à estrutura patriarcal, porém, é uma produção de requinte que demonstra (de forma a contrariar um certo pensamento retrogrado) que as mulheres também estão preocupadas em citar um legado de técnicas e planificações tradicionais, e com uma certa classe.

E voilá … utilizei os três termos familiares, até porque Greta Gerwig assim o quis nesta sua afirmação.

E agora ... um gesto autoral de Michael Bay!

Hugo Gomes, 13.12.19

79588192_10215398664936706_4134856099230646272_o.jUm conselho: contar até 3 e respirar, porque Michael Bay chegou e sem rédeas algumas, para além disso, com um guião desgraçado para nos obrigar a questionar sobre as nossas próprias vidas. Assim temos “6 Underground”, onde experienciamos um exemplo de autor na sua estética que se vê aflito (ou não) em procurar uma maturidade artística. Infelizmente, por entre explosões e os seus acostumados (nem por isso menos cansativos) maneirismos, somos “torturados” por uma espécie de purgatório de anarquia cinematográfica. Ainda a recuperar ...

Nem tudo são rosas ...

Hugo Gomes, 19.10.19

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Na Netflix, nem tudo é originalidade e primor! Numa só semana contamos com o lançamento de dois graus de “obras falhadas”, de um lado Wounds, da suposta revelação Babak Anvari, terror sob contornos lovecraftianos que produz um clima de mistério para depois lançar-se “às urtigas” e com ele levando Armie Hammer e Dakota Johnson (possivelmente das piores atrizes da atualidade) ao abismo. Do outro canto, possivelmente a mais alarmante, The Laundromat, o prolifero Steven Soderbergh na denúncia dos Panamá Papers, num objeto sabichão ou diria antes “chico-esperto”, a replicar as tendências da economia para totós de Adam McKay e apresentar a pior das Meryl Streeps. Armado em Robin dos Bosques versão caviar.

Que venham mas é esse Marriage Story e o tão badalado The Irishman, do “verdadeiro” Scorsese, porque a Netflix precisa urgentemente de Cinema nos seus cantos próprios.

 

Technoboss: melodia de viagem num dito "cinema português"

Hugo Gomes, 14.10.19

72449917_10214911871727180_4408377419279368192_o.jVoltando à tendência do absurdismo episódico, hoje em voga com a aclamação mundial de Miguel Gomes (mas já antes João César Monteiro o havia feito sob camadas e camadas de humor sardónico), João Nicolau instala-se no registo musical como a sua chave de acesso ao escapismo e com isso uma sensação de liberdade criativa e narrativa. Confesso que em Technoboss existe um ou outro momento digno de nota deste tipo de cinema em constante desenvolvimento semiológico (Miguel Lobo Antunes é um desses curiosos elementos), mas o realizador do anteriormente simpático John From fica-se apenas pelos apalpões aos “cus das lâmpadas”, não encontrando um objetivo definido com toda esta jornada por estrada fora.

Disfarçada nostalgia ...

Hugo Gomes, 02.10.19

71242514_10214818881882492_5723790520380030976_o.jUma tecnologia em desenvolvimento em prol de um filme que facilmente cai na categorização yankee de “cheesy”, ou seja, cumpre os mínimos em termos argumentativos. Nos anos 90, eram os Gemini Mans da vida que reinariam facilmente o box-office mundial, agora são peças obsoletas numa indústria alicerçada ao formato disnesco. Mas uma coisa é certa, por mais pecados que tenha, preguiçoso na sua ação (com características muito orientais) este nova aposta digital de Ang Lee não é de certeza.

 

A tragédia é uma comédia em Joker

Hugo Gomes, 23.09.19

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É dos exercícios mais maduros do universo dos super-heróis desde Logan … mas que neste caso inseri-lo no contexto desse subgénero é quase como uma ofensa. Convenhamos que toda esta emancipação serviu para incentivar uma experiência de cinema longe dos círculos dos cânones das tendências industriais, o resultado é uma subversiva e perversa analogia do nosso mundo, completamente inspirado pelo código binário social. Mas essa lógica funciona somente como uma capa, Joker, do cada vez mais “scorseseano” Todd Phillips (já começo a ver The Hangover como um delirante After Hours) remexe nas fontes das nossas anomalias, culpando a sociedade envolto, mas nunca vitimizando a “cobaia”.

Pois … já me ia esquecendo … Joaquin Phoenix é esmagador

Ad Astra: as estrelas contempladas por James Gray

Hugo Gomes, 13.09.19

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James Gray decidiu olhar para as estrelas e contemplar a vastidão do universo, possivelmente é através desse ato que se apercebe da sua pequenez enquanto mero mortal num já extenso legado. Ad Astra … para as estrelas, tradução literal … é um virtuosismo véu que cobre as falhas sempre ostentadas ao longo da sua carreira, mas ofuscadas pela veneração de outros. Aqui, Brad Pitt é o peregrino espacial num eterno conflito com a sua persona e aquilo que nós, espectadores, testemunhamos, ou seja, por palavras diretas, uma voz off em modo maliquice tenta vendar-nos dos eternos lugares-comuns e epifanias espaciais que este subgénero encontra-se exausto. Queríamos uma odisseia pelas galáxias e obtivemos uma quimera a cru.

Midsommer: podem estranhar, mas não devem desprezar!

Hugo Gomes, 06.09.19

69800286_10214643627221235_8688538773304115200_o.jÉ fácil desprezar o Midsommar … facílimo … até porque Ari Aster sai do “calabouço” de Hereditário e assume algum pretensiosismo na sua planificação (olha tão bem que filmo!). Contudo, deve-se salientar que o mesmo realizador que invocou entidades serventes na sua obra anterior cita sem nenhuma surpresa os degraus da escadaria do “folk horror”. Nesse sentido, Midsommar é uma prolongada referência que esconde um pequeno e valioso trunfo – a sua estranheza. Ao invés de apostar no terror-choque da sensação (ou sensações) do género, Aster concede toda uma máquina ritualista e confrontam-nos com um episódio xamânico e psicotrópico sobre a perda e o vitimismo anexado.

 

Dor e Glória, o mapa para a alma de Almodóvar

Hugo Gomes, 04.09.19

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"Antonio Banderas (que, vamos ser sinceros, é ator de quem não se espera muito) é injetado com uma dose de personificação, camuflando-se com as vestimentas "almodovarianas", desde o melancolismo de fácil resolução até ao seu encantamento pelo percurso e indústria cinematográfica. Mas desenganem-se se julgam que “Dor e Glória” é um suposto filme de ator. Pelo contrário, é um pacto que se revê pelos códigos deste cinema … e para saber mais, basta ler novamente o título." Ler crítica completa no Sapo Mag

 

"Conhecimento, maturidade e experiência, três elementos todos interligados e quase diluídos que formam uma obra culminar. Pedro Almodóvar teve que tropeçar para voltar ao carris e fá-lo sob um sabor de saudade." Ler crítica completa no C7nema

 

Come and See: quando os "sussurros" dos caídos perseguem

Hugo Gomes, 29.08.19

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"Os judeus criaram uma palavra para caracterizar o genocídio do seu povo - Shoah (Holocausto). Para os bielorrussos, possivelmente Idi i Smotri [título original do filme] seja a expressão perfeita." Ler texto completo no C7nema.net

 

"A desumanidade contamina qualquer imagem: “Vê e Vem” é, em toda a sua inglória, um filme produzido com um tenebroso gesto de revolta, pesar e repudia ideológica. Mas Klimov tece-o sem acórdãos descarados da propaganda, ruminando uma reprimida emoção, um "fardo" que pretende carregar colocando em risco a sua narrativa e o seu protagonista, o inocente que se metamorfoseia em frente aos nossos olhos." Ler texto completo no Sapo MAG