Data
Título
Take
31.10.19

MV5BOGQwNmIzNWMtMGQyMC00NjM0LTg0YWYtNzQyMzQ5YjMwZG

""Não choro por nenhum cobarde", declara Varela, que mais tarde terá resposta do "homem de Deus" - "Bem-amado é aquele que chora" – para depois ceder ao peso de uma vida em vão, constituída somente pela morte sem pré-aviso. Se bem que o filme de Pedro Costa não é mais do que um diálogo entre dois seres, enfaixados num rigor que só o realizador parece ter adquirido nos seus anos de carreira, Vitalina Varela [título do filme] é um degrau numa escadaria que vai dar, sabe-se lá onde." Ler crítica no C7nema.

 


publicado por Hugo Gomes às 12:56
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

29.9.19

d17a1588_7c4a_11e9_8126_9d0e63452fe9_image_hires_1

"De regresso ao seu território natural, o realizador demonstra a sua determinação em dissecar o seu tema-base – a classe social do ponto de vista de um eterno contador de histórias. Nada de novo, é certo, mas “Parasitas” remexe em diferentes tons, apresentando-se como uma salada russa fresca. A sensação de novidade é aquela que obtemos perante esta mistela de ritmos e sabores. É o poder da arte de contar uma história de Joon-ho e por isso estamos mais do que agradecidos." Ler texto no Sapo

 

"Bong Joon-Ho vem claramente demonstrar a força do cinema sul-coreano na sua mais aperfeiçoada "cartada", a solidificação da trama sem o "parasitismo" dos códigos de indústrias globais. É a narrativa novamente a soar como enzima, face aos apelos de criatividade num panorama de saturação que nos conduz à escassez de ideias. É essa vontade criativa no seu "storytelling" pela qual este cinema vinga ainda hoje, até mesmo, no pseudo-formalismo de Hong sang-soo, que após a retirada da sua "defesa inteletualizada" demonstra vigor no seu conto e reconto." Ler texto no C7nema.net

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 20:35
link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

24.9.19

transferir (1).jpg

É dos exercícios mais maduros do universo dos super-heróis desde Logan … mas que neste caso inseri-lo no contexto desse subgénero é quase como uma ofensa. Convenhamos que toda esta emancipação serviu para incentivar uma experiência de cinema longe dos círculos dos cânones das tendências industriais, o resultado é uma subversiva e perversa analogia do nosso mundo, completamente inspirado pelo código binário social. Mas essa lógica funciona somente como uma capa, Joker, do cada vez mais “scorseseano” Todd Phillips (já começo a ver The Hangover como um delirante After Hours) remexe nas fontes das nossas anomalias, culpando a sociedade envolto, mas nunca vitimizando a “cobaia”.

Pois … já me ia esquecendo … Joaquin Phoenix é esmagador!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 14:00
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

13.9.19

10518.jpg

James Gray decidiu olhar para as estrelas e contemplar a vastidão do universo, possivelmente é através desse ato que se apercebe da sua pequenez enquanto mero mortal num já extenso legado. Ad Astra … para as estrelas, tradução literal … é um virtuosismo véu que cobre as falhas sempre ostentadas ao longo da sua carreira, mas ofuscadas pela veneração de outros. Aqui, Brad Pitt é o peregrino espacial num eterno conflito com a sua persona e aquilo que nós, espectadores, testemunhamos, ou seja, por palavras diretas, uma voz off em modo maliquice tenta vendar-nos dos eternos lugares-comuns e epifanias espaciais que este subgénero encontra-se exausto. Queríamos uma odisseia pelas galáxias e obtivemos uma quimera a cru.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 17:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

6.9.19

midsommar4.0.jpg

É fácil desprezar o Midsommer … facílimo … até porque Ari Aster sai do “calabouço” de Hereditário e assume algum pretensiosismo na sua planificação (olha tão bem que filmo!). Contudo, deve-se salientar que o mesmo realizador que invocou entidades serventes na sua obra anterior cita sem nenhum surpresa os degraus da escadaria do “folk horror”. Nesse sentido, Midsommer é uma prolongada referência que esconde um pequeno e valioso trunfo – a sua estranheza. Ao invés de apostar no terror-choque da sensação (ou sensações) do género, Aster concede toda uma máquina ritualista e confrontam-nos com um episódio xamânico e psicotrópico sobre a perda e o vitimismo anexado.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:31
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

4.9.19

pjimage_28329_20.jpg

"Antonio Banderas (que, vamos ser sinceros, é ator de quem não se espera muito) é injetado com uma dose de personificação, camuflando-se com as vestimentas "almodovarianas", desde o melancolismo de fácil resolução até ao seu encantamento pelo percurso e indústria cinematográfica. Mas desenganem-se se julgam que “Dor e Glória” é um suposto filme de ator. Pelo contrário, é um pacto que se revê pelos códigos deste cinema … e para saber mais, basta ler novamente o título." Ler crítica completa no Sapo Mag

 

"Conhecimento, maturidade e experiência, três elementos todos interligados e quase diluídos que formam uma obra culminar. Pedro Almodóvar teve que tropeçar para voltar ao carris e fá-lo sob um sabor de saudade." Ler crítica completa no C7nema

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 17:11
link do post | comentar | partilhar

pjimage_287629_0.jpg

"Tudo decorre com o menor esforço de inovação, confundindo complexidade com saturação e ainda (imperdoável) abuso dos efeitos especiais, que vem substituir não só a criação de “novas criaturas” (tão artificiais que até dói) como o próprio fundamento do sector de caracterização e maquilhagem. Por outras palavras, o artificialismo tecnológico é uma analogia ao quanto farsola e este segundo capítulo deixa o espectador anestesiado para o climax final (acabamos por citar a “running gag” do personagem-escritor: “ninguém gosta do final”)." Ler crítica completa aqui.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:05
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

29.8.19

YErQqEC.jpg

"Os judeus criaram uma palavra para caracterizar o genocídio do seu povo - Shoah (Holocausto). Para os bielorrussos, possivelmente Idi i Smotri [título original do filme] seja a expressão perfeita." Ler texto completo no C7nema.net

 

"A desumanidade contamina qualquer imagem: “Vê e Vem” é, em toda a sua inglória, um filme produzido com um tenebroso gesto de revolta, pesar e repudia ideológica. Mas Klimov tece-o sem acórdãos descarados da propaganda, ruminando uma reprimida emoção, um "fardo" que pretende carregar colocando em risco a sua narrativa e o seu protagonista, o inocente que se metamorfoseia em frente aos nossos olhos." Ler texto completo no Sapo MAG

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 22:03
link do post | comentar | partilhar

Sem Título.jpg

Podemos apelidá-lo de “tearjerker” de segunda categoria, um melodrama que se empoleira de bico de pés perante o selo qualitativo oriundo dos grandes estúdios, orquestrado (melhor palavra aqui) pelo mais “lacrimejante” dos realizadores da Hollywood clássica, Frank Borzage, mas existe nele um momento perfeitamente divinal.

 

Falo de I’Ve Always Loved You (1946), um à primeira vista romance entre mestre e discípula orientado no mundo da música clássica, porém, o filme é mais que isso, é um conto de superação profissional e de género (mesmo que nesta questão haja nele um lençol de conservadorismo) em que as personagens se relacionam com a música como uma linguagem emocional distinta.

 

A genialidade encontra-se no confronto entre Myra (Catherine McLeod), a aprendiz, e o “grande” maestro Goronoff (Philip Dorn), ocorrido no Carnegie Hall, Nova Iorque. Aqui sob o olhar atento de um público que reconhece a rivalidade descortinada na performance musical, Myra tenta brilhar através das suas proezas no piano enquanto Goronoff a sabota perante uma orquestra submissa à sua enfurecida batuta. O momento prolonga-se, a música ecoa pela grande sala de espéctaculos oscilando entre a doce melodia até ao rompante uníssono, os olhares entre os dois competidores cruzam-se de lés-a-lés, os pensamentos de Myra sufocam a cadência enquanto os gestos agressivos e assertivos de Goronoff solicitam por mais um round.

 

É como um combate de boxe, aliás, nunca se vira o glamoroso Carnage Hall transformado num ringue entre dois pugilistas - o underdog promissor contra o convicto campeão - o entretenimento de aristocratas assumindo-se no “desporto de brutos”. Não vira tal transladação semiótica desta maneira, não até surgir entre nós Whiplash de Chazelle, também ele o embate entre mestre/aluno, maestro e “trovador”.


Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 11:16
link do post | comentar | partilhar

20.3.19

la-1545755541-fws1l73c21-snap-image.jpg

Era um dos filmes mais esperados do ano. A segunda longa-metragem de Jordan Peele, Us, promete reviver o conflito social dos EUA numa distopia de horror. Escrevi sobre o filme quer no Mag.Sapo, quer no C7nema.


"Tristemente, Jordan Peele faz um filme industrial no sentido mais prostituto possível. Mas até mesmo nessa industrialidade (esperemos que seja só uma fase), encontramos em "Nós" um palco performativo exclusivo para Lupita Nyong'o (o seu melhor trabalho desde sempre, para lá de "12 Anos Escravo", que lhe valeu um Óscar) e um senso de afirmação de um futuro autor (tendo em conta muitos dos seus gestos, aponta-se como um futuro Hitchcock)." Ler crítica completa no Mag.Sapo


"As evidências são claras, Peele cede ao seu intelecto cinéfilo que recita todo um contingente de obras à mão. Nada contra às referências, mas ao incuti-las como brindes perante a inaptidão de um enredo que se desenrola nos jump scares "limpinhos" e nos plot twists (sendo que o 'final" já se adivinhava a léguas e não faz qualquer sentido para a narrativa)." Ler crítica completa no C7nema.net

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 21:20
link do post | comentar | partilhar

19.3.19

54278341_10213542574455604_4038130966118531072_n.j

Jordan Peele banha-se no sucesso de Get Out e joga-se de cabeça a uma mescla de referências e jump scares fáceis. Aliás, é isso mesmo, Us é um filme fácil em todo o seu registo. Um Funny Games com cruzamentos de Twilight Zone e Crazies de Romero. Uma equação que parece apetitosa? Olha que não. De tudo isto, ao menos, viva a Lupita Nyong'o.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 19:36
link do post | comentar | partilhar

6.3.19

Captain-Marvel-Tickets-On-Sale-Brie-Larson.jpg

“Sim, convém afirmar, para além de todo o fundamentalismo gerado pelos fãs deste género de filmes, que a Marvel / Disney, em particular, sempre tratou muito mal as personagens femininas.

 

Ora, se Black Widow (Scarlet Johansson) era sempre recorrida como um interesse algo amoroso nos protagonistas masculinos, e se Scarlett Witch (Elisabeth Olsen) possuía uma sotaque que não lhe garantia credibilidade alguma, o maior feito neste ramo pelo estúdio se encontrou em “Black Panther” com a personagem de Okoye (Danai Gurira), a guarda-costas pessoal do homónimo herói, a “roubar” o já adquirido protagonismo.

 

Com “Captain Marvel”, o que estava em jogo era dar enfoque às mulheres nos comics neste Universo Partilhado, obviamente que a oportunidade foi vista pela então escolhida Brie Larson como uma difusão de mensagens de valorização feminina. Contudo, não podemos ficar pelas montagens motivacionais aqui introduzidas (a semelhar tantas outras que vemos nas nossas redes sociais) ou dos seus poderes quase divinos que surgem como Deus Ex Machina na resolução do conflito da trama.” Ler crítica completa

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 14:05
link do post | comentar | partilhar

5.3.19

pjimage (2).jpg

Depois de uma “ausenciazita”, eis a compilação das minhas recentes críticas aos igualmente recentes filmes estreados.

 

Começo por embarcar em dois filmes com cheiro a award season, um deles conseguiu chegar ao objetivo máximo – os Óscars (tendo arrecadado o prémio de Atriz Secundária) – e o outro ficando de fora das nomeações. Ambos foram escritos para a Mag Sapo.

lead_720_405.jpg

If Beale Street Could Talk: “Em certa maneira, “Se Esta Rua Falasse” é um pequeno belo filme que nos contamina pela sua atmosfera e na sua densidade deposita-nos as suas alarmantes mensagens. Não nos coloca em cheque com o explícito ou o propagandístico que muitas obras tomam. Refere-nos, a nós como espectadores, seres sensíveis, por vezes inocentes na sua arte de amar.Ler crítica completa aqui

stan-e-ollie-2018-2.png

Stan & Ollie: “Contudo, "Bucha & Estica" é um filme que nos causa uma empatia, mesmo fora desses arranjos automatizados. Porquê? Porque primeiro sentimos o carinho desta produção pelas figuras homenageadas, ao mesmo tempo que os atores tendem em atribuir “carne” a supostos bonecos, e o resultado, para além de química evidente, é este olhar biográfico e de certa forma analítico perante as pessoas fora das personas encarnadas.” Ler crítica completa aqui

 

Com as animações, totalmente CGI, passamos para o terceiro How to Train Your Dragon e o segundo The LEGO Movie. Ou seja, sequelas, sequelas everywhere …

 

How-To-Train-Your-Dragon-The-Hidden-World.jpg

How To Train Your Dragon: The Hidden World: “Contudo, não devemos entrar nesta reflexão sobre exaustões como um dos defeitos aguçados deste How To Train’, até porque a nível visual, estamos lá na perfeição requisitada, enquanto que narrativamente tudo corre como planeado (falamos sobretudo dos lugares-comuns deste tipo de storytelling). Mas existe algo curioso nesta trilogia animada, uma virtude que encontramos parcialmente noutro invejável trio (em breve quarteto), Toy Story, o amadurecimento da intriga, assim como das suas personagens.Ler crítica completa

transferir.jpg

The LEGO Movie: The Second Part: ““O Filme LEGO 2” é isso mesmo, o qual se adivinhava a léguas, um escapismo a servir de auxílio às propostas infanto-juvenis dos nossos cartazes. Falta-lhe o toque de autocrítica, aqui prevalecido numa imensidão de "gags" corriqueiros e numa maior dependência ao inventário da Warner Bros (“a Marvel não atende o telefone”, possivelmente a mais conseguida piada da produção). E essa ligeireza, não no tom propriamente dito, mas na astúcia que o sucesso 2014 afirmava de maneira invejável, é tida em consideração pelas próprias distribuidoras nacionais.Ler crítica completa no Mag Sapo

 

Joga-se no seguro e sem riscos; falha se nas piadas e no timing certo destas, existindo assim uma perda da noção das referências e, acima de tudo, da mensagem que tenta transmitir - novamente caindo no saturação do produto. Julgo que não existe muito mais para dizer. É um filme esquecível, onde o Everything is Awesome não é um slogan que valha. Phil Lord e Christopher Miller apenas se mantém como argumentistas, porém, os seus escritos parecem ser pouco compreendidos na automatização desta indústria.” Ler crítica completa no C7nema

 

Mas um dos grandes destaques nas nossas salas, é o mais recente trabalho de Jia Zhangke, novamente com Zhao Tao como protagonista.

NYFF_MainSlate_AshIsPurestWhite_01-1600x900-c-defa

Ash is Purest White: “(…), novamente determinado na sua jornada, o cineasta cede a uma verdadeira utopia cinematográfica, frente a uma suposta distopia que encontraríamos na sua referida obra de 2015 [Mountains May Depart]. Nesse caldeirão de elementos, a sua câmara regista uma indiferença pelas diferentes nuances e tons. Se o metafórico se confunde com o realismo, a ficção com o documental, o heroísmo com o antagonismo ou o vitimismo com o belicoso, um poço leva-nos a uma mistela uniforme e unicolor, endereçado a uma espécie de “farinha do mesmo saco”.” Ler crítica completa

 

Agora em língua portuguesa, os textos sobre o A Portuguesa, de Rita Azevedo Gomes, que esteve presente no último Festival de Berlim e Imagens Proibidas, o novo filme de Hugo Diogo, o mesmo realizador de Os Marginais.

201910145_2-678x381.jpg

A Portuguesa: “Pois … morta! Pois nada aqui vive; os atores são meros bonecos que respiram em prol de um júbilo não-partilhável, alvos a abater para que o cinema dos outros viva. Rita Azevedo Gomes faz um “filme para amigos”, porque nele encontramos as pisadas que os seus “amigos” fizeram e melhor, tendo especial atenção aos ecos deixados por João César Monteiro nos seus tempos de Silvestre ou da memória sempre invocada do épico à Manoel de Oliveira (os despojos de batalha a requisitar os quadrantes de 'Non', ou A Vã Glória de Mandar). São interpretações suas que não saem das ciências aplicadas e em A Portuguesa somos conduzidos sobretudo a uma alternativa a essa inexistência.” Ler crítica completa

Sem Título.jpg

Imagens Proibidas: O artificialismo de uma trama que se afasta do miserabilismo identificável de outras obras, ou das tendências de configuração de uma “portugalidade” enquanto identidade coletiva, Imagens Proibidas é somente o Cinema fora do seu habitat, assim como fizera no ano passado Leviano (um fracasso curioso que merece mais a nossa atenção do que o nosso profundo desprezo). Por vias de tentar ser um Brisseau alfacinha, mais académico e pouco dado aos explícitos corporais e emocionais, cabe a nós explicar a Hugo Diogo que, por mais alma deposite a este projeto, este não vinga para além de um exemplar egocêntrico.Ler crítica completa

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 21:53
link do post | comentar | partilhar

captain-marvel.jpg

Por mais montagens motivacionais que deparamos aqui, daquelas que facilmente encontramos nas redes sociais aos trambolhões, não existe feminismo em todo este quadro, apenas marketing com propósitos. Tudo isto serve para desmistificar o que o filme tem para oferecer fora dessas “mensagens”, o que é quase nada. Não existe ligação nem preocupação com as personagens (Samuel L. Jackson e o seu gato salvam de uma Brie Larson sem carisma), o argumento é dos mais rotineiro possível, as referências aos anos 90 são engodos sem importância, e a ação, muito devedora aos slow-motions, é tosca. Sim, Captain Marvel rompe até ao próprio automatismo da sua indústria / casa, para se tornar num dos piores da saga desde Thor: Dark World.

 

Antes que venha os fundamentalismos, havia muito mais em Wonder Woman que somente uma “cara bonita” (mas também não é o hino do empoderamento feminino que se tentou vender).

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 15:27
link do post | comentar | partilhar

19.2.19

MV5BZmY0ZWY4ZjYtZmIwOC00NGUwLWFkZmYtZjkzNzVjNDBlMD

Disponível no Filmin Portugal (em exclusivo), um dos filmes menos consensuais da passada edição do Festival de Cannes. Estreado na secção Un Certain Regard, Gueule d'ange, de Vanessa Filho, é acima de um filme sobre a juventude perdida, é um retrato das novas convenções da maternidade e o que ela representa nos dias de hoje.

 

Caímos que “nem uns patinhos” nas referências e influências entranhadas desse mesmo Cinema, desde Little Fugitive, de Ray Ashley e Morris Engel (a promessa de Coney Island trocada pela promessa do Carnaval), até 400 Coups, de Truffaut (a mentira, “a minha mãe morreu”), passando por Nana, de Valérie Massadian (a emancipação imediata da criança) e porque não, o recente The Florida Project (a criação de uma realidade em separado para a distancia do mundo adulto). Vanessa Filho prova ser conhecedora desses mesmo códigos e entranhando no universo Lolita tece uma “naperon” por uma existência deslocada, emitida por um crescimento anti-natura.Ler crítica completa.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 13:29
link do post | comentar | partilhar

13.2.19

A-Portuguesa-2019-4.jpg

Por entre o uso dos planos conjuntos que tornam cada cena num quadro vivo, devemos olhar para A Portuguesa e procurar uma luz de enfoque que nos tire dos traços de natureza morta aqui perpetuados. Morta? Sim, porque nada disto acrescenta, avança, nem inova no panorama de cinema português dito autoral, até porque, dentro do universo de Rita Azevedo Gomes, já acontecera oportunidades que chegue de sair do dito circulo de amigos o qual influencia e se deixa influenciar. A fragilidade do Mundo e até as vinganças femininas transportaram-nos para outros ares (esperanças assim sublinhadas), mesmo respeitando um legado em cima (devidamente homenageado nos créditos), mas depois da quebra imagética que houvera com Correspondências (a passividade visual ao invés do transe), A Portuguesa é um limbo. Esse mesmo que impede Azevedo Gomes de ser algo mais do que uma condutora de referências. Assim sendo, temos uma ditadora do cinema confortável.


Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 21:24
link do post | comentar | partilhar

vice-2018-still.jpg

Adam McKay fez-se “realizador à séria” com A Queda de Wall Street, onde resumia a crise imobiliária de 2008 num conto de tragédia dirigido para “pequeninos”. Sob tendências de chico-esperto - uma atitude emprestada e distorcida do Cinema ilícito idealizado por Martin Scorsese durante anos a fios - o seu trabalho datado de 2015 teve a proeza de abordar um tema exclusivo e transmiti-lo para uma linguagem universal aos mais diferentes espectadores. Esquema que o colocou sob um bailado pedagógico e ao mesmo tema demagógico. O resultado é que A Queda... arrecadou cinco nomeações aos Óscares, tendo vencido o de Melhor Argumento Adaptado, o que, traduzindo para o dialeto de indústria, é selo de requinte e qualidade. Em Vice, o espírito não foi de todo inovado, aliás, diríamos que foi renovado para mais uma demanda. A pedagogia está lá, desta feita dirigida aos bastidores da política norte-americana, desencantando todo este processo e contaminando-o com o já habitual sarcasmo e porque não … um intenso tom trocista.Ler crítica completa aqui

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 21:19
link do post | comentar | partilhar

51630177_798075360526200_604906883345547264_n.jpg

Tinha tudo para ser uma conversa intelectualizada, mas a humildade de Dídio Pestana me conquistou. Responsável pelo sound design dos filmes de Gonçalo Tocha, o agora realizador aventura-se num cinema íntimo a referenciar Jonas Mekas e Ross McElwee, porém, o resultado final é algo tão seu que merece ser partilhado ao Mundo.

 

Em Sobre Tudo Sobre Nada pretendia pegar em imagens pessoais e transformá-las num filme narrativo, uma história, neste caso diria 100% real, mas foi um processo em que permiti. Como falei, interessa-me esse lado pessoal do cinema, assim como cinema que se expõe, aquele em que vemos o realizador do filme ou o técnico de som, ou simplesmente a camara cai acidentalmente. Para isso, diversas vezes dava a câmara a outros para que pudessem filmar-me, porque no fundo o Cinema é isso, uma partilha.” Entrevista completa aqui.

1279446.jpg

“É um bonito ensaio, sem com isto declarar o adjetivo como primário e infantilizado. Quem dera que muito do nosso cinema umbiguista tivesse este terra-a-terra das suas intenções, ao invés de cair por campos sem pássaros, silenciosos e pedantes na sua caminhada. Este é simplesmente um filme sobre tudo … e sobre nada.”  Crítica completa aqui.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

 

 

 


publicado por Hugo Gomes às 21:12
link do post | comentar | partilhar

glass-film.jpg

Night Shyamalan é um dos últimos autores norte-americanos do qual temos conhecimento … sim, autor (que venham então os enésimos artigos abaixo deste estatuto fora dos ditos “veteranos”, porque os sinais estão lá) … e Glass é perpetuamente um olhar autoral à massificação do cinema de super-heróis e o faz através da desconstrução. Essa, apoiada numa metalinguagem que evidencia a mitologia hoje atestada para ponto de partida nesta aproximação/afastamento desses mesmos universos.

 

É um filme inteligente … sim, é … que desafia até a própria pedagogia hoje alicerçada aos pseudos-“críticos” norte-americanos, habituados (ou melhor, mal-habituados), às fórmulas disnescas e ao fun check que a indústria proporciona. Glass é sobretudo esse dedo médio à falta de reflexão no Cinema de hoje. Contudo, é Cinema, fora dos modelos academicamente aceites da narrativa, ou seja, é mais que simples “historietas”, que te contempla com um técnica sinónima a uma emancipação por parte de Shyamalan.

5732_d012_00904rv2_cmyk.jpg

A fim de evitar o automatismo de Split, o realizador se assume rigoroso não no guião, mas no como entregá-lo através de uma narrativa visual, exemplo disso, a sala cor-de-rosa picotada com grandes planos de cada um destes peões, o substituto digno da vitrine prisional de Silence of the Lambs, as reavaliadas lições de suspense de Hitchcock.

 

Da categoria: filmes que tem vindo a crescer e o cinema é mais que telenovela.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 21:08
link do post | comentar | partilhar

19.1.19

transferir (1).jpg

Ao virar da esquina …

 

Se a rua falasse, ela diria que Barry Jenkins avançou numa terceira longa-metragem com a confiança que não se encontrava na anterior e premiada obra, Moonlight. O registo tão Sundance é substituído por um ego artístico que contamina uma narrativa sob os tons de um cinema mimético e imagético, é a estética doce a imprimir emoções (há aqui qualquer coisa de Wong Kar-Wai dos tempos de In the Mood for Love), desde a música jazz que ecoa como recordações vitalícias no casal de personagens, cada um deles experienciando um romance que não se conforma nas omnipresenças de Hollywood. É um amor que remexe no trágico da sua natureza sociopolítica, tecendo com isso um mapa de uma América resumida em pontos fulcrais; a discriminação, a religiosidade fervorosa e o corrupto sistema que desfavorece minorias e incentiva um medo justificado pelas autoridades.

regina2.jpg

Sim, Jenkins sustenta toda esta conversa de esquina num retrato crítico e sentido da sua própria comunidade, isto, em tempos em que a administração Trump fomenta ainda mais as desigualdades raciais e legitima a violência e ódio aos mesmos. If Beale Street Could Talk segue as pisadas contextuais de Moonlight (neste caso, transforma a década de 70 numa réplica social dos nossos tempos), mas avança em terrenos mais exóticos que as abordagens anteriores. Assistimos a um homem novo, determinado, sem o medo da pouca especificidade e das deambulações que providenciam como atalhos temporais. A criação de uma narrativa-mosaico sem as requisições do próprio conceito insertado em produções do género, porém, desafiando o espectador a “costurar” os destino destes mesmos protagonistas.

lead_720_405.jpg

Barry Jenkins devolve ao livro do escritor e ativista James Baldwin a sua “rua” original, 20 anos depois do francês Robert Guédiguian o ter deslocado para as ruas de Marselha. Mas não se trata somente de um caso de fidelidade, tudo deveu-se à criação de um filme sensível e curioso erguido pelos subtis talentos de Kiki Layne, Stephan James (completamente ignorado nesta award season) e Regina King, convertidos peões nestes quarteirões inspirados pela plasticidade. É sim, o melhor trabalho de um realizador disposto a abandonar a frieza da veracidade encenada no Cinema e aproxima-la à poética das imagens. Mesmo que o resultado não seja totalmente integrado nesse senso, filmes como If Beale Street Could Talk são raros na terras do Tio Sam.

Real.: Barry Jenkins / Int.: Kiki Layne, Stephan James, Regina King, Colman Domingo, Diego Luna, Ed Skrein, Pedro Pascal

beale-street-could-talk.jpg

 

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 20:45
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar


sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

«Vitalina Varela»: a noit...

Parasitismo da Palma de O...

Primeiras Impressões: «Jo...

Primeiras reacções: Ad As...

Primeiras impressões: «Mi...

Dor e Glória, o mapa para...

It: Chapter Two: integrar...

«Come and See»: quando os...

Duelo ao som-do-sol!

Critica - "Nós" não ficam...

últ. comentários
escadas moduladas
receita de chicha morada peruana
Chamar uma desentupidora!
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs