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Take
23.4.18

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Trinta e seis anos depois, a Ilha dos Amores, de Paulo Rocha, regressa ao Festival de Cannes. O filme é um dos títulos que integram a secção Cannes Classics da 71ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 8 a 19 de maio de 2018.

 

O filme de Paulo Rocha - que será brevemente editado em DVD em Portugal - será exibido numa cópia recentemente restaurada pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, que teve origem na digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996. A correção de cor digital foi feita por La Cinemaquina usando como referência uma cópia de distribuição de 1982. O restauro digital da imagem foi feito pela IrmaLucia Efeitos Especiais.

 

Para além desta obra, que teve a sua estreia mundial no certame gaulês, serão apresentados filmes nesta secção como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), O Ladrão de Bicicletas (1948), Viagem a Tóquio (1953), Vertigo (1958) e A Religiosa (1965).

 

Vale a pena recordar que na Cannes Classics estarão ainda em destaque duas mulheres pertencentes à história do cinema, Alice Guy e Jane Fonda, um ensaio de Mark Cousins sobre Orson Welles e um tributo de Margarethe von Trotta a Ingmar Bergman.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:51
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18.4.18
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publicado por Hugo Gomes às 23:49
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A importância da preservação do património cinematográfico e os métodos de arquivamento serão novamente debatidos numa segunda edição do Laboratório do Ciclo de Encontros O que é O Arquivo? Depois da primeira edição em 2017, a Cinemateca Portuguesa volta a albergar esta rúbrica que se prolongará durante os próximos três dia (18 a 20 de abril), contando com mesas redondas, sessões de cinema e intervenções de ilustres convidados incluindo o teórico e professor do Pratt Institute, Jonathan Beller.

 

Tendo organização do Arquivo Municipal de Lisboa-Videoteca, em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, as sessões do O que é O Arquivo? serão gratuitas (com exceção da sessão de dia 18 de abril, às 21h30), composto cada uma por projeção de filmes seguida das intervenções de cineastas, investigadores, programadores e arquivistas. De forma a perpetuar o debate, no dia 19, será ainda lançado o livro O que é o arquivo? Laboratório 1: Arte / Arquivo.

 

Toda a programação do ciclo poderá ser vista aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:49
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28.3.18

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15 anos é uma longevidade a merecer ser celebrada, mas o Indielisboa não apresentará nenhuma novidade ou reestruturação no seu mapa de secções, assim como na natureza do próprio festival. “Perguntam-me quais são as novidades do Indielisboa deste ano e eu respondo que há 245 novidades, que são os filmes”, afirmou o diretor e programador Nuno Sena em conferência de imprensa. Mesmo não tendo qualquer alteração radical na sua programação, a festividade desta edição adquirirá um certo gosto nostálgico, um 15º festival que dialoga sobretudo com os primeiros passos do evento de Cinema Independente de Lisboa.

 

Nesse sentido, o contingente português continua em altas. O Indielisboa continuará a contar com um grande número de obras portugueses que vão desde curtas a longas metragens, estreias a confirmações, passando por estudantes a veteranos. É uma celebração lusitana, por outras palavras, 49 produções portugueses a figurar a montra deste ano, sendo que 18 comporão a Competição Nacional. E sob aventuras portuguesas, o Festival arrancará e encerrará com uma obra nacional. Drvo: A Arvore de André Gil Mata (filme que debruça sobre os fantasmas permanentes da Guerra dos Balcãs, tendo marcado presença na secção Panorama do último Festival de Berlim) terá as honras dar o passo em frente na programação, enquanto que Raiva, a nova obra de Sérgio Tréfaut, salienta-se, autor habitual na História do Festival, é encarregue de marcar o “The End” da temporada.

 

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Falando em habitués, a programação deste ano prepara-se para reencontrar novos trabalhos de "velhos amigos", grande parte deles reunidos na secção Silvestre. Poderemos contar com Paul Vecchiali, o herói independente da edição passada, que regressa a Lisboa para apresentar os seus recentes Les sept déserteurs ou La guerre en vrac e Train de vie ou les voyages d’ Angellque, o duo do bielorrusso Serge Loznitsa (A Gentle Creature, Victory Day), Eugène Green (Waiting for the Barbarians), James Benning (Readers), Claire Simmon (Young Solitude), Claude Lanzmann (The Four Sisters) e Radu Jude (The Dead Nation). Em destaque, e um dos grandes focos do festival, O Processo, filme controverso de Maria Ramos que aborda o julgamento da destituída presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

 

Sem surpresas as secções Indiemusic, Director’s Cut e Boca do Inferno se manterão, esta última com uma sessão espacial no terraço do Capitólio com a exibição de As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra, dupla impagável do cinema de género brasileiro. Ainda podemos contar com o especial televisivo, a projeção dos dois primeiros episódios de Sara com Beatriz Batarda, trabalho de Marcos Martins (Alice; São Jorge) sobre uma atriz farta de chorar no cinema, e ainda uma montra de metragens que visam o relacionamento entre Portugal e Macau, o Ocidente e o Oriente.

 

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Por fim, como também é habitual, os heróis independentes. Lucrecia Martel, um nome que acompanhou os primórdios do festival, vai marcar presença e será acompanhada com uma mostra integral da sua filmografia. É de notar que para além dos seus trabalhos consagrados como La Niña Santa (A Rapariga Santa) e La Mujer sin Cabeza (A Mulher Sem Cabeça), será ainda exibido Zama, até à data o seu último filme.

 

Um autor cirúrgico”, assim o descreve Maria João Madeira, programadora da Cinema-Portuguesa, sobre o segundo Herói Independente do Indielisboa, o histórico Jacques Rozier, apontado como um dos pilares da Nouvelle Vague, mas que infelizmente não usufrui da mesma notoriedade de Godard, Truffaut e até mesmo de Rohmer. O realizador de Adieu Philippine e Maine Ocean será homenageado pelo festival através de uma retrospetiva organizada em colaboração com a Cinemateca Portuguesa e a Cinemateca Francesa.

 

O 15º Indielisboa decorrerá na capital de 26 de abril a 6 de maio na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal. Este ano, a Biblioteca Palácio Galveias funcionará como uma espécie de Festival Center.

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publicado por Hugo Gomes às 00:07
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1.3.18

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A Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema e a Academia Portuguesa de Cinema acordaram a coedição em DVD e em Blu-ray de 8 filmes portugueses. O anúncio de tal colaboração havia sido feito na cerimónia de divulgação dos nomeados aos prémios Sophia, por Tiago Baptista, diretor da ANIM (Centro de Conservação da Cinemateca).

 

Em comunicado, a Cinemateca salientou que as obras, conservadas e preservadas pela Cinemateca ao longo das últimas décadas, passarão por uma processo de digitalização em alta resolução que, para além dos formatos home vídeo, estarão disponíveis num suporte DCP 2K para exibição em sala.

 

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É de realçar o trabalho de conservação e difusão da Cinemateca em muito do património português, o qual evidenciamos tal nos lançamentos de duas obras-primas de Rino Lupo (Lobos, As Mulheres das Beiras), Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros e os filmes etnográficos de Margot Dias.

 

Os filmes acordados para ser lançados em DVD nos próximos dois anos são: Colonia e Vilões (Leonel Brito, 1977), Cerromaior (Luís Filipe Rocha, 1980), Relação Fiel e Verdadeira (Margarida Gil, 1987), O Mal Amado (Fernando Matos Silva, 1972), Jogo De Mão (Monique Rutler, 1983), A Santa Aliança (Eduardo Geada, 1977), O Som Da Terra A Tremer (Rita Azevedo Gomes, 1990) e O Processo Do Rei (João Mário Grilo, 1989).

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:31
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18.1.18

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Em Fevereiro, o investigador e curador Jean-Pierre Verscheure marcará presente na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema para apresentar um conjunto de sessões inseridas na habitual rúbrica Histórias Do Cinema.

 

De nacionalidade belga, Vescheure é um dos maiores especialistas na história das técnicas cinematográficas da atualidade, tendo fundado o Cinevolution, centro de estudos que permitiu a restauração de mais de quarenta instalações audiovisuais, em 1994. Também professor do Instituto Nacional de Artes Performáticas (INSAS) e parte do conselho científico da Cinémathèque française, foi distinguido em 2010 com o Prémio Lifetime Achievement in Film no Festival de Cinema Internacional Independente de Bruxelas.

 

A sua presença em Lisboa (19 a 23) motivará um dialogo sobre os formatos de película cinematográfica e as proporções de imagem, exemplificado em conferências que antecedem a cinco filmes. As projeções apresentadas serão Safety Last! (Fred Newmeyer, 1923), Rancho Notorious (Fritz Lang, 1952), River Of No Return (Otto Preminger, 1954), West Side Story (Jerome Robbins, Robert Wise, 1961) e The Pledge (Sean Penn, 2001).

 

A destacar ainda o facto, de em Fevereiro, a Cinemateca Portuguesa apostar num outro ciclo, remontando no formato de projeção CinemaScope, que entrou em uso entre 1953 a 1967, tendo sido visto como um movimento de prevenção ao declino do cinema face à expansão televisiva.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:49
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4.9.17

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Fica o desafio, será que existe actor tão familiar no Cinema Português que Luís Miguel Cintra? É com base nessa “familiaridade”, que a Cinemateca Portuguesa dedica um ciclo em homenagem a uma das caras, corpo e voz, mais presentes da nossa cinematografia, o predileto de muitos cineastas como Manoel de Oliveira ou Paulo Rocha, assim como do teatro, tão vincando na fundação da Cornucópia. Ciclo, esse, que arrancará já nesta segunda-feira (04/09) com as suas colaborações com João César Monteiro (Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço) e com Solveig Nordlund (Nem Pássaro Nem Peixe), que serão projetados numa única sessão, a ter inicio às 21h30 na Sala M. Félix Ribeiro.

 

Um “aperitivo” para um tributo que se prolongará neste mês de Setembro, com sessões dedicadas à sua filmografia, passando pelo seu trabalho no cinema nacional, assim como internacional (The Dancer Upstairs de John Malkovich). Para além destes, a Cinemateca dará Carta Branca ao actor para escolher alguns dos filmes que mais influenciaram o seu percurso como artista, entre os quais destaca-se The Birds de Alfred Hitchcock, o Acto da Primavera de Manoel de Oliveira, e The Immortal Story de Orson Welles.

 

Mais informações, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:51
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26.8.17

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A colectânea de gritos para se fazer ouvir na capital já no próximo mês de Setembro, com a 11º edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror em Lisboa. Estão agendadas mais de 70 sessões incluindo filmes, workshops, masterclasses e actividades paralelas a ter lugar no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Cinemateca Portuguesa e Júnior, Rua da Moeda, Museu do Berardo, Lounge e Largo de São Carlos (sessões Warm-ups).

 

Como já fora revelado em Julho, o 11º MOTELx terá como temática “O Estranho Mundo do Terror Latino”, com a colaboração do Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017 de forma a conduzir o público a explorar "a diversidade do cinema de género produzido na América do Sul e na Península Ibérica." Para além disso, o chileno Alejandro Jodorowsky e o produtor Roger Corman são esperados nesta terrifica mostra de cinema fantástico, inseridos na já "clássica" rubrica Culto aos Mestres Vivos.

 

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O MOTELx deste ano abrirá com a obra Super Dark Times, a primeira longa-metragem de Kevin Phillips. Apresentado na última edição de Roterdão e Tribeca, o filme exibe-nos uma forte amizade abalada pela tragédia. A crítica internacional tem o considerado uma espécie de comig-to-age gore. Como encerramento, comprovaremos o hype por detrás da nova versão de IT, de Andy Muschietti, inspirado num livro de Stephen King sobre um grupo de jovens assombrados por uma estranha criatura que assume a forma de palhaço. Espera-se sustos e calafrios num dos mais esperados filmes do ano.

 

Mas tal como é comum afirmar-se, é no "meio que reside a virtude", e Setembro será presenteado com algumas das grandes novidades do género, entre os quais o mais recente capitulo da saga Child's Play (Chucky, O Boneco Diabólico), Cult of Chucky. Ainda o novo filme de Cate Shortland (Lore), Berlin Syndrome, a história de uma jovem que se apaixona na capital alemã e que se torna prisioneira/cativa do seu "apaixonado", um prometedor retrato das complexidades do chamado "síndrome de Estocolmo". O regresso ao rubro da frenética acção indonésia com Headshot, de Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto, protagonizado por Iko Uwais (Raid: Redemption). Amor entre canibais com The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour (A Girl Walks Home Alone at Night), que conta com as presenças de Keanu Reeves, Jim Carrey, Jason Momoa e Diego Luna, e zombies coreanos no "demorado" Train to Busain, de Yeon Sang-ho. São estas e muitas outras propostas que preenchem o Serviço de Quartos do festival.

 

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A Competição de Longas-Metragens continua, desta vez com 8 filmes a concurso para o Prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia/Méliès d’Argent, incluindo o inglês The Limehouse Golem, de Juan Carlos Medina, o espanhol The Night of the Virgin, de Roberto San Sebastián, e o holandês Prey, de Dick Maas. Na secção Doc Terror é apresentado o 78/52,  desconstrói as 78 posições de câmara e 52 planos da mítica cena do chuveiro de Psycho, e King Cohen, sobre o argumentista, produtor, realizador e rebelde Larry Cohen.

 

Mas antes do festival, temos obviamente o Warm-Up que arranca a 31 de Agosto no Beco da Rua da Moeda (Cais do Sodré) com uma sessão ao ar livre de Jodorowsky’s Dune, o célebre documentário sobre a adaptação de Dune por Alejandro Jodorowsky, que como sabem, nunca chegou a ser feito. A sessão é precedida por um concerto dos Acid Acid inspirado no universo conceptual do realizador.

 

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Enquanto que nos dias 1 e 4 de Setembro, a Cinemateca Portuguesa acolherá o "aquecimento" do ciclo Estranho Mundo do Terror Latino, onde serão exibidos, pela primeira vez naquele espaço, El Vampiro, de Fernando Méndez, e ¿Quién puede matar a un niño?, de Narciso Ibáñez Serrador. Conta-se ainda com a projecção, no dia 1, de um grande clássico de terror brasileiro, À Meia-Noite Levarei Sua Alma, o filme de José Mojica Martins no qual gerou a icónica figuro do Zé do Caixão.

 

Já no Largo de São Carlos, no dia 2, George A. Romero será homenageado, com a exibição de “Dawn of the Dead”. A noite termina no Sabotage com um concerto dos Glockenwise.

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:20
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1.7.17

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A 15º edição do Doclisboa - Festival Internacional de Cinema decorrerá de 19 a 29 de Outubro, mas já foi revelado algumas novidades de mais uma mostra de cinema documental e experimental. O aquecimento se dará no próximo dia 7 de Julho, com a exibição de Strop, ao ar livre no terraço da Cinemateca Portuguesa. O filme em questão abrirá a retrospectiva de Věra Chytilová, a chamada "Primeira-Dama" do cinema checo, uma das responsáveis pela nova vaga e do reconhecimento do cinema nacional no resto do Mundo, que será projectada na sua integralidade no decorrer do Doclisboa.

 

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Tendo falecido em 2014, aos 85 anos, as suas obras são distinguidas pela sua forte critica à sociedade e às relações humanas. A sua primeira experiência no cinema foi como "rapariga da claquete" no Estúdio Cinematográfico de Brrandov, mas a partir dai ascendeu-se como actriz, argumentista e assistente de realização. Recusou uma bolsa e até uma recomendação do estúdio, ingressou na FAMU (Academia Superior Cinema de Praga) onde teve como mentor o cineasta Otakar Vávra. Graduou-se em 1962 como realizadora, e o seu filme de graduação foi Strop. Definiu uma carreira experimental e irreverente, tendo sido muitas vezes caracterizada como umas das lideres da Nouvelle Vague checa. Entre os seus trabalhos mais notórios encontram-se Daisies (1966), Fruit of Paradise (1970) e Kalamita (1982). Foi impedida de trabalhar no seu ramo pelo regime soviético e os seus filmes banidos até 1975, a realizadora nunca deixou o seu país e mesmo com propostas de trabalha no Ocidente. O seu último filme foi Pleasent Moments (2006). 

 

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Outra novidade a ser apresentada como "aperitivo" do Doclisboa é a exibição de Un Jeu Si Simple, de Gilles Groulx (1964), um documentário que explora o universo do hockey no gelo. Servirá como arranque do ciclo "Uma outra América - o singular cinema do Quebec", a ser desenvolvido com colaboração com a Cinemateca Portuguesa e a Sodec, reunindo uma mostra de nomes que vai desde Pierre Perrault, Gilles Groulx, Claude Jutra, Michel Brault, Anne Claire Poirier, Marcel Carrière e Denis Côté.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:42
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18.6.17

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Gérard Courant, de cognome Homem-Câmara, cineasta que explorou de forma intensificada as potencialidades do formato Super 8, estará na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema, de 19 a 24 de Junho, para apresentar uma retrospectiva dedicada à sua pessoa. Serão cinco sessões a ter lugar na Sala Luís de Pina, sempre às 18:30, contando com a presença do experimental realizador.

 

Courant iniciou no cinema, nos anos 70, com objectivos de amplificar um registo independente e livre. Foi nesse período que concebeu os Carnets Filmés, diários fílmicos que assumem simultaneamente a atitude de esboços para futuros projetos. O realizador conduziu variados experimentos que vão desde ensaios audiovisuais com ligação a outros cineastas e filmes, até à sua instalação fílmica, o “filme mais longo da História”, ainda em construção. Esse projecto, Cinématon, que arrancou em 1978 e que já contabiliza com uma duração de 198 horas compostas por filmagens em Super 8, obedecendo a um modelo rigoroso: um grande plano fixo único filmado em câmara num tripé, sobre o rosto da pessoa filmada, sem som e com uma duração igual à totalidade de uma bobine em Super-8, ou seja, três minutos e vinte e cinco segundos, uma longevidade de plano anti-natura do sistema académico cinematográfico. Segundo Courant, Cinématon, esse filme em peças, foi inspirado nos seus “estudos” às figuras de Andy Warhol e de Chantal Akerman.

 

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Recentemente, as Éditions Harmattan publicaram o dvd duplo Jean-Luc Godard par Gérard Courant e um livro de entrevistas a ser lançado ainda este ano. Para além disso, Courant é autor de livros sobre o cinema de Werner Schroeter e de Philippe Garrel.

 

É de mencionar que nesta retrospectiva, Gérard Courant organizou um programa de Cinématons de célebres cineastas, incluindo Manoel de Oliveira, Pedro Costa e Isabel Ruth. Para mais informação, consultar aqui.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:14
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10.5.17

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Paul Vecchiali é descrito como um marginal no cinema francês, mas ele próprio considera nem sequer fazer parte dos livros de História. Contudo, a História está a favor deste "Herói Independente".

 

É sabido que quando Vecchiali viu Mayerling (Anatole Litvak, 1936) aclamou euforicamente no final da sessão que iria tornar-se num realizador, de forma criar experiências como aquela. E assim o concretizou. Polivalente por natureza, tendo sido também um actor e muito mais, um produtor que redefiniu e inovou os métodos produtivos do cinema francês, graças à sua segundo produtora Diagonale. O conceito nascia da frase "fazer cinema na diagonal", uma produtora que garantia a liberdade aos seus realizadores de forma a conservar o espírito neles habitado, tendo como única regra o respeito pelo orçamento.

 

Um assumido admirado do cinema dos anos 30, um homem marcado pela urgência de abordar temas irreverentes e politicamente incorrectas no Cinema, os seus filmes falam por si, e sobretudo um realizador sem "papas na língua" no que refere a caracterizar o panorama actual do cinema francês, a crítica e a cada vez mais formatação da Sétima Arte. Algo que tentaria combater e que hoje parece ter saído derrotado, felizmente, a sua postura não é a de um derrotista, mas de um vencedor que acompanhou todo um percurso cinematográfico e que tanto contribuiu para sua diversidade.

 

O Cinematograficamente Falando … teve o privilégio de falar com Paul Vecchiali, durante a sua passagem em Lisboa.

 

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É sabido que o Paul Vecchiali é muito crítico em relação aos guiões de hoje.

 

Acho muito maus, sem imaginação, bastante formatados, na maneira em que não querem surpreender o espectador. As pessoas querem falar como nos filmes que vêm, mas não compreendem nada do que se diz. Ou é "sorry", "I'm sorry", "very sorry" ou "fuck" e tudo derivado disso. A televisão anda a mudar bastante o cinema e a formatação é quase obrigatória. Onde está o cinema?

 

Em relação a sua carreira como produtor tentou de certa forma evitar essa formatação no cinema?

 

Uma vez perguntaram-me se eu era um realizador marginal. E eu respondi “Meu caro, a única coisa marginal que tenho é o facto de nem sequer entrar nas páginas”. (Risos) Eu fiz parte do sistema de um ponto de vista técnico, mas não de um ponto de vista moral. Muitos realizadores franceses pensam que são deuses. Eu vejo isto como uma família, um grupo a quem digo “Faz o teu trabalho o melhor possível” e tentamos fazer o melhor filme possível. Escrevo um argumento, chamo o diretor de fotografia, o engenheiro de som e falamos. Há um filme que fiz e que acho magnífico que é o L'Étrangleur porque resultou de uma concentração enorme de imaginários e de talentos. Mas depois há filmes que são aclamados, como A Vida de Adèle, aquela monstruosidade, que foi considerado um dos melhores filmes do ano pela Cahiers du Cinèma e me fez dizer logo “Não quero mais saber deste cineasta”.

 

Poderia comentar a frase que disse numa entrevista “O único produtor francês na atualidade sou eu”?

 

Eu sou um produtor normal, não sou marginal. Não sei se sou um bom realizador, mas sei que sou um excelente gestor. Falo com cada membro e pergunto a altura ideal para fazer determinada cena. Por exemplo, quando é uma cena no exterior explico o meu plano ao diretor de fotografia e pergunto-lhe “Quando é que devo filmar?”. E ele diz-me “devemos fazer a cena às 17 horas…. Devemos fazê-la de manhã”. E eu escuto-o. Até porque um filme não se faz na rodagem, faz-se antes, na pré-produção.

 

Sempre foi visto como um autor provocador pela abordagem dos seus filmes em temas, já por si pertinentes, como a homossexualidade, a SIDA e até mesmo a pedofilia e a pornografia…

 

Não me considero um provocador. Quando tenho questões que preciso de ver respondidas e quero saber como lidar com certos temas digo “Que posso fazer?” e assim nasce um filme. Não é uma provocação.

 

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Estive anos a pensar num filme sobre a pena de morte e um dia tive a ideia de fazer com texto improvisado [La Machine]. É verdade que muitas pessoas defensoras da pena de morte recusaram-se a ver o meu filme, acharam ridículo, mas disse-lhes “Eu é que vos acho ridículos.”. Eles simplesmente usavam argumentos de que os atores improvisavam os textos. Só escrevi uma coisa nesse filme que foi a personagem do psiquiatra e isso diz muito sobre o meu método de trabalho.

 

Sobre a homossexualidade, não aceito o nome “homossexual”. Aceito o adjetivo “homossexual”. Porque para mim não existe “o homossexual”, acho grosseiro. Quando fiz esse filme [Once More], atacaram-me e perguntaram-me se me masturbava a pensar em homens ou em mulheres. Quando nascemos temos todas as possibilidades… há a educação, há os sítios que frequentamos, há a orientação que se forma a pouco e pouco, mas não é um quadro simples. Na minha opinião, quanto mais homofóbicos são os homens, mais problemas têm em assumir o próprio desejo homossexual.

 

Quando se fala hoje do cinema francês há um grande foco de começar a partir dos anos 60, quase excluindo os anos 30, o qual Vecchiali é um grande defensor.

 

 

Para mim, o cinema francês dos anos 60 foi uma mistura do cinema dos anos 30 e da Nouvelle Vague. Farto-me de dizer que tinha a cabeça do segundo, mas o coração do primeiro. Porque a Nouvelle Vague foi isso mesmo: a cerebralidade, enquanto os anos 30 foram a escritura fílmica. É o que permite distinguir Jacques Audiard de mim. As imagens são aquilo a que se chama na matemática de “integral”, não é uma soma elementar, é o trajeto que vai um ponto ao outro, uma sequência. Um filme é como um rio, quando está na montanha é o que se chama a “pré-produção”. Desce e chega ao mar, que é o público. Quanto mais vigoroso for o rio, mais heterogénico ele é. E esta heterogeneidade é a vida. Há cineastas que tentam exprimir a vida de uma maneira falsa e a isso chamamos “homogeneidade”, uma vida idealizada. E todos os meus filmes são heterogéneos.

 

O discurso actual é fazer uma escritura fílmica, pensar o filme… e o que os meus dizem é “Estou-me a borrifar se não entras em mim. Eu quero é entrar em ti.”, tens de ser recetivo e não crítico. Há duas maneiras de falar de um filme: espetáculo e cinefilia. Se for o primeiro, a audiência está-se a borrifar para o que eu tenho a dizer, mas se for o segundo sei que haverá um reflexo analítico. E juro-vos, juro-vos aqui e agora que nunca escrevi uma crítica de um filme sem o ver, pelo menos, quatro vezes. Quando fiz o C’estl’amour houve um crítico que escreveu “É um filme demasiado escrito.” E eu escrevi-lhe um post de Facebook a perguntar “Porquê?” e ele não me soube responder. A crítica negativa não importa mais nem menos que a positiva porque é um outro olhar sobre o trabalho que faço. Mas aprendi que a crítica escreve às vezes sobre os filmes sem percebê-los.

 

Considera o Jean Renoir sobrevalorizado, mas, ao mesmo tempo, não acha irónico que seja considerado como o seu herdeiro?

 

Foi o Truffaut que disse que o único herdeiro do Renoir era eu. Não concordo, mas atenção, adoro o cinema de Renoir! Apenas não compreendo como grandes cineastas como ele ou o Visconti tinham gestos vulgares. No caso do Renoir em La Bête Humaine, há uma cena de amor entre o Jean Gabin e a Simone Simon onde ele faz uma panorâmica horrível. No caso do Visconti, no Rocco e os seus Irmãos há algo parecido. Na altura falava-se da política de autores, mas hoje em dia é necessário bater nessa política! Hoje é preciso dizer-se “há um filme genial com um plano idiota”! Ou então “há um filme de um realizador medíocre com três planos sublimes”! Acho anormal que uma pessoa que trabalhou vagamente num argumento bloqueie o trabalho de 50 outras pessoas. Já me bati no tribunal por situações assim.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:03
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8.2.17

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Jonathan Rosenbaum, um dos maiores e mais importantes críticos de cinema da atualidade, está em Lisboa esta semana, a apresentar na Cinemateca Portuguesa uma retrospetiva dedicada ao cineasta alemão Erich von Stroheim.

 

O Cinematograficamente Falando …,em conjunto com o crítico Duarte Mata do site C7nema, tiveram o privilégio de o entrevistar na mesma instituição, numa conversa que envolve não só o realizador, como também a importância de se ser um crítico de cinema, a falta de diversidade de filmes estrangeiros no EUA, um pouco de cinema português e, obviamente, os filmes predilectos de Rosenbaum.

 

Como descobriu e qual a sua opinião sobre o trabalho de von Stroheim?

 

Vi primeiro o Greed - Aves de Rapina (1924) em Nova Iorque quando andava na faculdade, juntamente com o Foolish Wives (1922). Sobre o que me interessa nele, antes de ser crítico, escrevi muita ficção, contos e romances que nunca chegaram a ser publicados. E foram essas qualidades novelísticas que me apelaram nele.

 

Qual julga ser a importância de von Stroheim no cinema?

 

Ele percebe as pessoas melhor que outros realizadores. Há uma grandecomplexidade emocional e ainda uma enorme densidade humana nos filmes dele.

 

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Em 2012, para a Sight & Sound, nomeou Greed - Aves de Rapina como o maior filme de sempre. Quer fundamentar o porquê desta sua decisão?

 

Não me lembro, já fiz essa sondagem imensas vezes em tempos diferentes. Mas uma coisa que já disse sobre o filme e que acho que faz parte do seu sucesso, é que as personagens não existem só dentro dos planos, mas também entre eles. Que vivem fora do filme e que até é possível conhecê-los, o que é muito invulgar.

 

Como crê que um filme deva ser apreciado? Muitas pessoas avaliam um filme pela história e pelo argumento, mas e quanto à mise-en-scène?

 

Não acho que devam existir regras. Acho que um filme deve ditar diferentes possibilidades para diferentes pessoas. Mas não creio que haja uma lista única que queira impor enquanto crítico. Um filme é algo muito complexo. Alguns mais complexos e interessantes que outros, é certo, mas recuso-me a dizer porque é que as pessoas devem ir ao cinema. Cada filme deve sugerir diferentes critérios se for bom. E é isso que é interessante na crítica de cinema, ter de se mudar os próprios critérios em relação ao que o filme faz, ao invés de se ter uns antes de vê-lo. Às vezes os melhores filmes são aqueles que te forçam a rever os teus critérios.

 

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E que acha do sistema de parte da crítica em dizer apenas que um filme é “bom” (“thumbs up”) ou “mau” (“thumbs down”)?

 

Isso tem a ver com as políticas de mercado, não com a arte. É sobre dinheiro e consumo, nada mais que isso.

 

Qual a diferença que vê agora nos críticos de cinema norte-americanos relativamente a quando trabalhava no Chicago Reader?

 

Não tenho a sensação de um desenvolvimento ou mudança porque ainda só passaram 9 anos desde que deixei o Chicago Reader. A diferença principal é que conheço cada vez menos críticos a trabalharem profissionalmente, isto é, a serem pagos pelo que fazem nos jornais. Mas não acho que tenha de haver uma correlação entre as pessoas serem pagas ou não, tal como não acho que seja relevanteterem ou deixarem de ter formações académicas. Às vezes as pessoas que mais sabem sobre filmes não são pagas nem têm formações. Quando se fala de alguém ser um profissional, não acho que isso seja genuíno, não aceito as regras que dizem. Acho que há menos pessoas a escrevem numa base regular para ter dinheiro, mas ainda assim há um grande interesse em escrever. E, de alguma maneira, há mais pessoas interessadas agora em escrever sobre cinema. E depois há a crítica em formato de ensaios audiovisuais que tem vindo cada vez mais a ser aperfeiçoada, como é o caso do Kevin B. Lee.

 

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É bastante crítico do sistema de Hollywood e da falta de filmes estrangeiros nos EUA. Como se pode descobrir estes filmes e como explica esta falta de diversidade?

 

Eu descubro-os quando vou a festivais. Mas acho que este problema tem a ver com as pessoas que têm o controlo fílmico e não a audiência. A audiência só conhece aquilo que lhes está a ser oferecido. Quando dizem “a audiência detesta alguns géneros de filmes” parece-me idiota porque a maioria dela nem sequer ouviu falar deles. Não os estão a rejeitar. E, por outro lado, há géneros que se revelaram grandes sucessos comerciais como The Schindler's List (1993) ou o Dance With Wolves (1990). Nem a própria audiência sabe o quer! Mas sabemos o que os produtores e distribuidores gostam e é a isso que estamos presos, infelizmente. Mas a Internet tem vindo a mudar isso, temos muitos mais filmes disponíveis, tanto do passado como do presente, nacional ou estrangeiro.

 

Já que falamos na Internet, hoje em dia a maioria dos filmes são vistos nela. Acha que usá-la como sistema de distribuição é útil, nem que seja para ver os filmes estrangeiros que referiu, ou que se trata apenas de pirataria e deve acabar?

 

Não acho que a pirataria seja má. Acho que é a única maneira de manter algumas culturas fílmicas vivas. Não faço streaming porque escrevo uma coluna sobre DVDs e, portanto, não sinto a necessidade disso. Raramente vi um filme no computador e, portanto, acho difícil julgar porque não faço parte dessa cultura. Mas é-me difícil ver quando me mandam links do Vimeo e assim porque aquilo pára e arranca. Prefiro ser um pouco antiquado nesse sentido. Mas não tenho nada contra quem o faz.

 

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Há muitos jovens a escreverem críticas na Internet. Alguns pensam que estão a matar a atividade da crítica cinematográfica.

 

Há mais críticas do que havia antes, boas e más. Mas dizer que estão a destruí-la é treta. Isso tem a ver com essa falsa ideia do que é o profissionalismo contra o que não é, que eu não acredito. O único problema tem a ver com a escolha de que filmes ver, que advém de que críticas ler, o que torna difícil a navegação.

 

Qual a sua opinião sobre o sistema de pontuações do IMDB e Rotten Tomatoes?

 

Não os uso. Só se ocasionalmente quiser ter acesso a uma crítica. Mas isso tem a ver com desporto, médias e essas coisas. Para mim esses sites estão a transformar o cinema num desporto, o que não me interessa.

 

Li numa entrevista que deu aos Les Inrocks onde dizia que o cinema de autor de Ford e Hawks já não consegue existir no sistema de Hollywood. Que crê que mudou?

 

Os estúdios. São estas entidades fixas com os mesmos produtores epessoal, é uma instituição inteira que está a trabalhar sempre com as mesmas facilidades. É óbvio que há uma perda enorme no cinema por causa disso.

 

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É bastante crítico na forma como o capitalismo define o sistema de distribuição americana. Sugere alguma alternativa?

 

Gosto da ideia de mercado de nicho, que é outra ideia capitalista que acho mais dócil. Há a ideia errada de quantas mais pessoas gostarem de um filme, melhor. Prefiro a ideia dos gostos das minorias e não julgar os filmes pelos países de onde vêm. Quando trabalhava para o Chicago Reader, a minha audiência media-se pelo número de pessoas que liam esse jornal. Mas no meu website (http://www.jonathanrosenbaum.net/), que consulto diariamente,são mais importantes as pessoas que me leem à volta do mundo inteiro. E vejo que há mais indivíduos a verem o meu site fora dos EUA do que dentro deles, o que me agrada bastante. A ideia de que os meus leitores são internacionais é muito importante para mim.

 

Sei que é fã de algum do cinema português. Que vê nele que esteja em falta noutros países?

 

Não penso no cinema português como entidade porque não sei o suficiente dele. Mas para mim o que tem de especial chama-se Manoel de Oliveira e Pedro Costa. A grande maneira de descrever o que o Oliveira ofereceu ao cinema é uma fúria sobre a civilização. A civilização e o seu passado, presente e futuro, o que vai para além do cinema. Quanto ao Pedro Costa, é um bom exemplo de um cineasta que, para além do seu lado poético, é também um crítico. Mesmo que ele não o seja diretamente, sinto que aprendi imenso enquanto crítico de cinema a ver os filmes dele.Evidentemente que há outros filmes portugueses de que gostei, mas não consigo generalizar nem em vê-los em termos nacionalísticos.

 

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Quem considera ser os maiores críticos de cinema no momento?

 

Dos que conheço, Shiguéhiko Hasumi que escreveu o melhor livro existente sobre o Ozu (Yasujiro Ozu)que, infelizmente, não existe em inglês, mas só em francês. Também gosto muito do Adrian Martin e do Raymond Bellour. A Murielle Joudet que escreve no Trafic e fez artigos muito entusiasmantes sobre a Bette Davies e o James L. Brooks. E o Ignatiy Vishnevetsky que escreve para um jornal humorístico chamado The Onion.

 

Quem considera os maiores cineastas vivos?

 

Béla Tarr, Pedro Costa, Godard (obviamente) e Kira Muratova. Dentro dos EUA, o Richard Linklater, o Albert Brooks parece que já não faz mais filmes, mas, se fizesse, inclui-lo-ia, o Jim Jarmusch e o Michael Snow. Tenho a certeza que há outros, mas estes são os que me vêm à cabeça agora.

 

Sei que já se cruzou com alguns dos grandes mestres do cinema como Godard, Tati, Nicholas Ray ou Orson Welles. Que encontro foi-lhe mais marcante e recorda com mais afeição?

 

O Orson Welles porque foi uma figura muito importante para mim. Andava em Paris e escrevi-lhe uma carta sem saber se alguma vez teria resposta. E depois fui convidado a almoçar com ele, o que foi memorável porque só falámos dos filmes dele. (Risos)

 

Qual é o seu filme favorito?

 

Tenho 3 que, de vez em quando, vou revendo. O primeiro é Playtime (1967) de Tati, o Gertrud (1964) e o Ordet (1955), ambos de Dreyer. A cada nova vez que os vejo, ensinam-me mais sobre o mundo e, consecutivamente, do cinema. O Playtime ensinou-me, literalmente, a viver em cidades e a lidar, de uma forma criativa, com o excesso de informação. O Gertrud é sobre as pessoas não serem capazes de assumirem compromissos, tanto num sentido negativo como positivo. E o Ordet é mais complicado. Eu não sou crente e acho que o Dreyer também não era, mas ao mesmo tempo admiro a forma como falada fé e não só no sentido religioso do termo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:49
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10.12.16

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A EGEAC – Galerias Municipais/AFRICA.CONT e a Associação Cultural Janela Indiscreta, responsável pelos festivais de cinema Queer Lisboa e Queer Porto, apresentam o ciclo A Experiência Afro-Brasileira na Tela, a ter lugar na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema.

 

Abolição (1988), de Zózimo Bulbul, será o primeiro filme do ciclo, um documentário que comemora o centenário da Abolição da Escravatura, prescrevendo uma viagem pela condição do negro no Brasil. O filme dialogará com a próxima sessão do ciclo, A Negação do Brasil (2000), de Joel Zito Araújo, que reflecte a importância da identidade brasileira negra e da sua representação nas telenovelas brasileiras. Esta sessão será exibida em complementação com a curta Cinema de Preto (2004), de Ana Danddara, dedicado a Abdias Nascimento, um das figuras maiores das artes e do activismo.

 

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Além da Cinemateca Portuguesa, a mostra de cinema A Experiência Afro-Brasileira na Tela estende-se ainda à Casa Independente, que no dia 11 de Dezembro, apresentará um programa dedicado à espiritualidade da cultura afro-brasileira, com especial foco as religiões como o Candomblé e a Umbanda, e sua importância na construção identitária desta comunidade. Este programa não só remeterá o lado existencial concebido por estes mesmos cultos, como também salientará o acolhimento das sexualidades não heteronormativas, e do relevante papel na prevenção e luta contra o HIV. Como suporte, teremos o filme Odo Ya! Life With Aids, de Tânia Cypriano, a ser exibido na Cinemateca Portuguesa.

 

Como encerramento teremos A Rainha Diaba (1974), um filme de Antônio Carlos Fontoura sobre a mítica “Madame Satã”, o alter-ego de João Francisco dos Santo, um negro, boémio, homossexual, convertido a herói de um Brasil marginal dos anos 40. O filme conta com o desempenho de Milton Gonçalves.

 

Presenças ilustres como a de Viviane Ferreira, cineasta e advogada centrada no direito público e cultural, diversos debates a ter lugar na Cinemateca e ainda um DJ set de Mário Valente. Propostas irrecusáveis de um ciclo, que tal como o título indica, promete ser uma verdadeira experiência. A Experiência Afro-Brasileira na Tela arranca hoje, dia 10 de Dezembro, prolongando até dia 15 do mesmo mês. Ver programação completa, aqui.

 

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6.12.16

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A Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema vai apresentar um ciclo integral do realizador português José Fonseca e Costa, durante este mês de Dezembro.

 

A retrospectiva arranca com a projecção de Kilas, O Mau Da Fita (1980), um sucesso visto por mais de 100 mil portugueses, protagonizado por Mário Viegas, que contou com um argumento escrito pelo músico Sérgio Godinho. O enredo roda sobre um líder de uma gangue que é contratado por um Major para vigiar a casa de personalidades suspeitas. 

 

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Recordamos que Fonseca e Costa, falecido em Novembro de 2015, sempre havia sido considerado num dos “braços fortes” do movimento Cinema Novo em Portugal. Foi celebrizado como um realizador que tão bem uniu o estatuto autoral com o cinema industrial e popular, deixando para trás alguns dos maiores sucessos de público e crítica no Cinema Português. Entre as suas principais obras, conta-se Sem Sombra de Pecado (1982), O Fascínio (2003), A Mulher do Próximo (1988), A Balada da Praia dos Cães (1986), Viúva Rica e Solteira Não Fica (2006) e o póstumo Axilas (2016).

 

O Ciclo: José Fonseca e Costa tem ínicio no dia 6, prolongando até 30 de Dezembro. Para mais informação, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:44
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31.10.16

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Em Julho do ano passado, o crítico alemão Olaf Möller esteve presente na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema, onde o qual apresentou um ciclo de filmes "desconhecidos" do cineasta conterrâneo G.W. Pabst. Numa das sessões, mais concretamente a de Das Bekenntnis Der Ina Kahr (As Confissões de Ina Kahr, 1954), Möller exibiu a sua indignação sobre o desprezo que o cinema produzido em tempos da R.F.A. obtém nos dias de hoje, inclusive na própria Alemanha.

 

Segundo as suas palavras, era como se esse período fosse "apagado" da História do Cinema, e como grande culpado apontou para o Manifesto de Oberhausen, que viria a gerar o chamado movimento moderno, a partir de 1970, em que se destacariam nomes como Werner R. Fassbinder, Wim Wenders e Werner Herzog e que redefiniriam a cinematografia alemã até aos tempos actuais.

 

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Desde então, determinado em fazer redescobrir tais obras para o público e para a comunidade cinéfila, regressa à Cinemateca com uma extensa mostra de "filmes rejeitados", um pouco como havia feito no anterior Festival de Locarno, mas destas vez sob versão alargada. O programa inclui mais de trinta e uma sessões de produções raras e de tamanho valor histórico, assim como artístico.

 

Desde policiais, thrillers, melodramas, comédias, entre outros, passando pela velha guarda como Fritz Lang, de autores que se impuseram nos anos 50 junto à crítica como Wolfgang Staudt e Helmut Käutner, e ainda revelações surgidas como Jean-Marie Straub. Olaf Möller estará em Lisboa, a partir do dia 15, para apresentar regularmente os filmes e o crítico francês Jean Douchet fará uma conferência, ilustrada com excertos de filmes, sobre O Túmulo Índio (Das Indiche Grabmal, 1959), de Fritz Lang, provavelmente o mais conhecido filme desta extensa selecção.

 

O ciclo arrancará no próximo dia 2 de Novembro, com O Rei Louco (Ludwig Ii – Glanz Und End Eines Königs, 1954), de Helmut Käutner, com Klaus Kinski no principal papel. Ver programação completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:32
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20.9.16

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O famoso futebolista e também actor Eric Cantona vai estar presente em Lisboa durante o mês Outubro, e não será o único convidado da 17ª Festa do Cinema Francês, mais uma edição da iniciativa levada a cabo pelo Institut Français.

 

A decorrer entre 6 a 13 de Novembro, fazendo digressão por mais de 11 cidades portuguesas, a mostra de cinema francês trará a realizadora Anne Fontaine, e não só, a autora de Coco Avant Chanel e Perfect Mothers será a Madrinha desta edição. Uma retrospectiva será dedicada à sua homenagem, assim como a estreia nacional do seu mais recente filme, As Inocentes (Agnus Dei), que nos leva a uma missão da Cruz Vermelha  em apoio aos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, tendo como cenário um convento de freiras.

 

Quanto às antes-estreias nacionais, a 17ª Festa do Cinema Francês leva-nos aos encontro de Cézanne et Moi, a obra de Daniéle Thompson (também presente) sobre a relação de amizade entre o pintor Paul Cézanne e o escritor Emile Zola, e do novo filme de Xavier Dolan, Juste La Fin Du Monde (Tão Só o Fim do Mundo), uma adaptação de uma peça de Jean-Luc Largarde, possuidor de um elenco de luxo composto por Gaspard Ulliel, Léa Seydoux, Marion Cottilard e Vincent Cassel.

 

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Mas o grande destaque desta edição é o ciclo ACID, sessões dedicadas à Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, que decorre todos os anos em paralelo com o Festival de Cannes, tendo como principal intuito de divulgar cinema independente assim como novos autores e novas linguagens cinematográficas. É de relembrar que esta associação foi responsável pelas proliferações de realizadores como a portuguesa Teresa Villaverde, o russo Alexander Sukourov e os franceses Benôit Jacquot, Jean-Claude Brisseau e Laurent Cantet. Serão seis filmes apresentados em sessões com realizadores presentes e ainda em anexo masterclasses diversas.

 

Em paralelo com a festa do que recente se faz no cinema francês é o constante olhar à sua História. A Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema continuará a sua colaboração com o festival e este ano será dedicado a Bertrand Tavernier, ex-crítico e realizador, cujo programa não será uma retrospectiva do seu trabalho, mas sim um ciclo sobre os filmes que para o autor resumiram a História do Cinema Francês. Tudo como festejo da estreia de Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier, um documentário da sua autoria que terá estreia portuguesa com o apoio da Midas Filmes.

 

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Por fim, surge-nos a animação com as grandes novidades, as estreias de Tout En Haut Du Mond, de Remi Chayé, e do muito elogiado La Tortue Rouge (The Red Turtle), de Michael Dudok de Wit, um filme com a colaboração dos estúdios Ghibli.

 

Quanto ao leitor, que deve questionar, onde entra Eric Cantona nisto tudo. Bem, ele é só um dos protagonista de Marie Et Les Naufragés, o novo filme de Sébastien Betbeder (2 Automnes, 3 Hivers), que terá estreia nacional nesta Festa puramente "gaulesa".

 

A 17ª Festa do Cinema Francês decorrerá entre 6 a 16 de Outubro, em Lisboa, no Cinema São Jorge, Cinema Ideal e Cinemateca-Portuguesa. A programação prolongará por outras cidades do país até dia 13 de Novembro.

 

Ver aqui a programação completa e outras informações sobre o festival.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:36
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26.7.16

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Como já é tradição, Lisboa vai voltar a ser invadida pelo terror a partir do mês de Setembro, mais concretamente entre o dia 6 e 11.

 

Trata-se do MOTELx, um dos festivais lisboetas que mais cresceu nos últimos anos, e falando em anos, vale a pena salientar que temos “à porta” a 10ª edição do Festival Internacional de Terror de Lisboa. A grande novidade, que começará a ser implantada nas edições posteriores, é a tão esperada Competição Nacional de Longas-Metragens, que segundo a organização servirá como incentivo para o preenchimento de um lote tão vago no nosso cinema, o género terror e fantástico.

 

Mas as novidades são muitas, entre elas a vinda de Ruggero Deodato, produtor e realizador de uma das mais badaladas obras de terror dos anos 80, Cannibal Holocaust. Relembro que o filme que remete a um grupo de documentaristas em busca de um perdida tribo amazónica, acabando por se tornar o “prato principal” deste seio canibal, foi um dos precursores do found footage de terror que originou produtos tão célebres como Blair Witch Project, [REC] e Paranormal Activity. Para além de mencionar que a obra foi proibida em inúmeros países e a sua estreia foi tão controversa que Deodato teve que provar em tribunal que os actores encontravam-se vivos e bem de saúde.

 

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Entre a selecção, a secção Serviço de Quarto, existe um dedicada preocupação pela geografia e pela diversidade desta, ao mesmo tempo presenteando ao espectador uma vasta gama de obras asiáticas que não fossem este tipo de iniciativas, de certo demorariam ou provavelmente nunca chegariam ao nosso país. Entre os revelados para preencher a programação do MOTELx estão; o êxito nipónico Sadako Vs Kayako, o crossover de duas importantes sagas de J-Horror (Ringu e Ju-On), o regresso de Kyoshi Kurosawa (Journey to the Shore) ao género de terror com Creepy, o exercício de medo vindo directamente do Irão, Intitulado de Under the Shadow e a homenagem vampírica, The Transfiguration, que fora apresentado no último Un Certain Regard, em Cannes.

 

Na secção de documentário poderemos encontrar o muito elogiado DePalma, a conversa entre o realizador de Carrie e Scarface com Noah Baumbach e Jake Paltrow que tem servido como um dispositivo de reavaliação de um homem apontado como o herdeiro de Hitchcock. E o muito esperado Tickled, uma investigação a um jogo de cócegas que se revela num autêntico filme de terror.

 

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Em O Quarto Perdido, secção que visa em recuperar pérolas e filmes perdidos da nossa cinematografia, vai contar com a estreia mundial de O Segredo das Pedras Vivas, uma obra de produção complicada do mestre da fantasia lusitana, António de Macedo. Enquanto isso, em paralelo, um ciclo dedicada ao excêntrico e alienado Walerian Borowczyk, um realizador polaco radicado na França que foi o autor de obras oníricas, fantasias quase buñueliana recheados de erotismo e bizarria. Borowczyk faleceu em 2006, a partir daí seguiu-se um trabalho de restauração do seu legado e a reanálise da sua visão cinematográfica. As sessões (La Béte, Docteur Jekyll et les Femmes) serão apresentadas na Cinemateca sob uma iniciativa da White Noise.

 

Destaque ainda para o visual e spot deste ano, um fantasma de uma das mais lendárias personalidades da nossa História, D. Sebastião, o rei que nunca voltou a casa, mais um trabalho prometedor da Take It Easy / Easy Lab, com realização de Jerónimo Rocha.

 

O 10º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa decorrerá no Cinema São Jorge, Cinemateca e Teatro Tivoli BBVA.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:09
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12.7.16

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Uma outra história do cinema argentino”, é esta a proposta da Cinemateca Portuguesa Museu-Cinema estabelecida neste novo ciclo – História(s) do Cinema Argentino – que arranca hoje, 12 de Julho, e que prolongará até dia 25.

 

Organizado em colaboração com o Festival Il Cinema Ritrovato de Bolonha, o ciclo foi programado por Edgardo Cozarinsky (que estará presente na Cinemateca durante os primeiros dias do ciclo), e que contará com 8 obras em primeira exibição nas nossas salas, em cópias novas de 35 mm.

 

A ideia deste História(s) do Cinema Argentino surgiu através dos textos póstumo do crítico e teórico argentino Alberto Tabbia, remetendo-nos a obras pouco conhecidas oriundas de um tempo quase desconhecido (1935 – 1976).

 

O ciclo abre com Mas Allá del Olvido, um filme de Hugo del Carril sobre um homem que encontra no rosto de uma prostituta (Laura Hidalgo) os traços da sua falecida mulher. Considerado por muitos cinéfilos e teóricos de cinema como um dos melhores e mais emocionantes trabalhos cinematográficos argentinos.

 

Para mais informação sobre a programação e os filmes, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:07
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27.6.16

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O cineasta húngaro Béla Tarr estará presente na Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema entre os dias 27 de Junho a 2 de Julho, para apresentar um conjunto de filmes da sua autoria e quatro filmes de realizadores que o marcaram ou influenciaram. É de destacar no dia 1 de Julho, pelas 19h00, o cineasta vai participar num diálogo com os espectadores.

 

Realizador de obras como Sátántangó (1994), A Londoni Férfi (2007) e Turin Horse (2011), Tarr é um dos mais conceituados cineastas do nosso tempo. Construiu uma carreira a partir dos 16 anos de idade, e desde então presenteou os cinéfilo com filmes caracteristicamente longos, planos demorados e sob uma fotografia preto-e-branco que abordavam questões de filosofia inerente como do realismo temporal. Deixou de filmar em 2011, o ano de Turin Horse que venceu o Prémio Especial de Júri em Berlim.

 

Recordamos que Béla Tarr foi um dos convidados na última edição do FEST ̶̶̶ Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que decorreu em Espinho de 20 a 27 de Junho.

 

Mais informação sobre este ciclo, ver aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:31
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22.4.16

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O cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul está presente em Portugal para dirigir um Seminário do curso de doutoramento em Estudos Artísticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL), assim como apresentar três sessões especiais na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

 

A Cinemateca dedicará uma programa em sua honra, composto por filmes da sua escolha (um variado leque de obras de Tsai Ming-liang, Hou Hsiao-Hsien, Forough Farrokhzad, Abbas Kiarostami, Jacques Tourneur, Francis Ford Coppola, Len Lye, Maya Deren, Stephen e Timothy Quay, Bruce Baillie) e ainda duas longas e 14 curtas-metragens da sua autoria.

 

Apichatpong Weerasethakul estará presente hoje, 22 de Abril, na apresentação de Goodbye Dragon Inn, de Tsai Ming-liang (pelas 21h30), no dia 26 com uma sessão composta por algumas das suas curtas e da sua longa Mekong Hotel [ler crítica] e ainda no dia 28, na estreia do seu recente trabalho, Cemetery of Splendor [ler crítica], numa colaboração da Cinemateca com a Midas Filmes.

 

O programa completo, poderá ser visto aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:07
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