Data
Título
Take
19.4.18

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Para além do novo filme de Lars Von Trier, The House that Jack Built, Cannes revelou mais títulos para a sua programação, entre os quais o badalado The Man who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam, que se encontra sob disputa judicial quanto aos seus direitos de distribuição. O filme foi escolhido para encerrar o certame.

 

Quanto às outras adições, Un couteau dans le cœur (Knife + Heart) do francês Yann Gonzalez (tendo Vanessa Paradis como protagonista), Ayka do cazaque Sergey Dvortsevoy (realizador galardoado com o Prémio de Un Certain Regard por Tulpan) e o regresso do turco Nuri Bilge Ceylan (vencedor da Palma de Ouro em 2014) com Ahlat Agaci (The Wild Pear Tree) completam a Competição Oficial.

 

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Whitney, o documentário assinado por Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia), sobre a cantora mundialmente célebre Whitney Houston, será, em conjunto com Fahrenheit 451, a adaptação do livro de Ray Bradbury pelo canal HBO, serão as sessões da Meia-Noite.

 

Un Certain Regard também com novas adições, e bem lusófonas. Chuva e Cantoria Na Aldeia Dos Mortos, documentários do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora sobre o povo Krahô, um comunidade indígena vivente no centro do Brasil, junta-se à competição ao lado de Muere, Monstruo, Muere, do argentino Alejandro Fadel, e de Donbass, de Sergey Loznitsa, que abrirá a secção “Um Certo Olhar”.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:18
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15.4.18

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O mais recente trabalho de Gabriel Abrantes, Humores Artificiais, triunfou na Competição Nacional do 8º Festival Córtex, que ocorreu no Centro Olga do Cadaval, em Sintra, entre os dias 11 a 18 de abril. Segundo as palavras do júri: " um filme que se deseja que chegue ao grande público, através do seu carácter provocador e humor inusitado, constrói uma alegoria surpreendente sobre as várias formas de comunicação entre uma indígena e um robot.". Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo, foi premiada com uma Menção Honrosa.

 

Composto pela atriz Beatriz Batarda, a realizadora Margarida Leitão, o realizador Sérgio Tréfaut, o programador do Festival Queer, João Ferreira, a dramaturga Cláudia Lucas Chéu e a programadora de curtas-metragens do Indielisboa, Ana David, o júri ainda elegeu o filme de animação polaco The Wizard of U.S., de Balbina Bruszewska, como o melhor da Competição Internacional. “Um filme arrojado e profundamente livre de diferentes dispositivos de animação”, assim descreveu o júri durante a entrega da distinção.

 

Já na secção Mini-Córtex, destinados a filmes para o público infantil, foi premiado a curta In a Heartbeat, filme norte-americano realizado por Esteban Bravo e Beth David. Enquanto isso, Surpresa, de Paulo Patrício, recebe o Prémio do Público.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:45
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Herói de Lys …

 

Soldado Milhões, a suposta cinebiografia de um consagrado herói da Primeira Guerra Mundial, o único praça raso condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, é possivelmente o que de próximo temos das supostas propagandas militares vindas do nossos primos do lado do Oceano. Trata-se do novo “American Sniper”, respondendo com o signo do infame filme de Eastwood, mas dentro desse jogos de parecenças, Soldado Milhões está a meio caminho de se tornar num Flags of Our Fathers, o heroísmo e a sua desconstrução, assim como a utilização do mesmo em prol de uma imagem-propaganda, um enviusado embelezamento do conflito. Todavia, Milhões não possui a mesma densidade nem a plena coragem de desafiar os seus próprios parâmetros de patriotismo.

 

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Contado a dois tempos, “as medalhas pesam”, frase proclamada por Miguel Borges (o Milhões envelhecido e cansado) que serve como camaleónica interação com essa crítica sugerida mas nunca devolvida ao seu verdadeiro ser. E é porque nisto tudo existe um receio que facilmente se identifica como traição, assim dirão os seguidores das praticas idealistas de Salazar, Deus, Pátria e Família, trata-se do medo de encorajar a sua desmistificação, vá o retrato de mortais redigir-se à dissertação.

 

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Mas no entender, a união entre os dois espaços temporais, a Batalha do Lys (protagonizado por João Arrais), e no calor da Segunda Guerra em Trás-os-Montes (Miguel Borges é o anfitrião), faz-se através de uma grande lacuna, o espaço vazio a inserir que remeteria Soldado Milhões para mais do que um mero episódio de Guerra, o instrumento de propagação idealista de um regime (assim como acontecera com a “fantasia lusitana” da Exposição do Mundo Português de ’40). Essa mesma ausência dá-se com a utilização de Aníbal Augusto Milhais, que certo dia virou Milhões (“És Milhais mas vales Milhões”), por parte de Salazar, o seu heroísmo, apenas um ato de sacrifício segundo os códigos éticos militares, contado e recontado com endeusamento. Sabendo que Soldado Milhões ficou-se num mero rascunho, é de louvar, em certa maneira, o evidenciar de um filme que não crê, nem patroniza o espectador do português.

 

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Um filme de Guerra feito a meios tostões que usa a sua capacidade de improviso produtivo para captar a credibilidade, não atingida, mas possível. Da mesma forma que Kubrick encenou Vietname com meros arbustos e pouco mais em Full Metal Jacket, Soldado Milhões leva-nos a Flandres através de um “faz-de-conta” cénico, onde a miopia reage como autodefesa, e essa mesma defesa um percurso à dignidade. Contudo, não é dignidades que se faz um filme, mesmo que o resultado esteja realmente longe de nos envergonhar.

 

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Existe uma beleza triste na derrota”, as palavras de Fernando Lopes, proferidas em The Lovebirds (Bruno de Almeida, 2007), encaixam que nem uma luva neste nosso episódio bélico. Porque na verdade a Batalha de Lys foi das maiores derrotas das nossas Forças Armadas, onde perdemos uma batalha, mas ganhamos um herói, e um a nossa medida. Pena, que o filme em seu tributo não seja tão corajoso como o verdadeiro Milhões fora.

 

Real.: Gonçalo Galvão Teles, Jorge Paixão da Costa / Int.: João Arrais, Miguel Borges, Carminho Coelho, Ivo Canelas, Isaac Graça, António Pedro Cerdeira, Lúcia Moniz

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:57
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11.4.18

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O austríaco Ulrich Seidl estará presente no Cinema Ideal para apresentar um dos seus últimos trabalhos, Safari, uma obra fiel ao seu registo de cinismo que nos leva a olhar e a condenar o “turismos do troféus nos safaris africanos”. Celebrado sobretudo pelas suas takes ácidas ao universo dos modelos (Models, 1999) e da trilogia Paradies (2013), um ensaio cirúrgico aos problemas de “Primeiro Mundo”, Seidl é a figura homenageada na 8ª edição do Córtex: Festival Internacional de Curta-Metragem, que decorrerá, sobretudo, no Centro Olga Cadaval, em Sintra. Este ano, o Cinema Ideal integrará parte da programação do festival exibindo, para além da abertura, as primeiras obras do premiado cineasta austríaco (vencedor do Leão de Ouro em Veneza em 2001 por Hundstage – Dog Days).

 

Mas mantendo a tradição, ambas as Competições prevalecem com tamanho rigor na sua seleção, incluindo a Competição Nacional que é formada nesta edição por alguns dos nomes mais sonantes deste universo em Portugal. Como tal, podemos contar com João Salaviza e o seu Altas Cidades de Ossadas, o premiado em Berlim, Cidade Pequena de Diogo Costa Amarante; Salomé Lamas com Coup de Gracê, o muito badalado Farpões e Baldios de Marta Mateus e os recentes trabalhos de Leonor Noivo (Tudo o que Imagino), Gabriel Abrantes (Humores Artificiais) e Diogo Baldaia (Miragem meus Putos).

 

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Neste oitavo ano, o Córtex alia-se ao VIS Vienna Shorts Festival, o festival principal de curtas-metragens da Áustria que tem legibilidade aos Óscares da Academia e ainda ao Austrian Film Awards. Como grande novidade o Córtex inaugura o Frontal, uma secção que visa em diferenciar do modus operandis de muito dos festivais de cinema. Ou seja, ao invés de separar as audiências juvenis e seniores em sessões adversas, o festival de Sintra planeia com isto unir estas faixas etárias numa secção adaptável e de linguagem transversal para com estas divergentes perspetivas. Contudo, os mais “pequenos” continuarão a ter o seu espaço imaculado com Mini-Córtex, novamente sob a co-programação da MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa.

 

O júri desta edição é composta pela atriz Beatriz Batarda, a realizadora Margarida Leitão, o realizador Sérgio Tréfaut, o programador do Festival Queer, João Ferreira, a dramaturga Cláudia Lucas Chéu e a programadora de curtas-metragens do Indielisboa, Ana David.

 

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O 8º Córtex – Festival de Curtas Metragens de Sintra prolongará até 18 de abril, decorrendo nos já referidos espaços Centro Olga de Cadaval, Cinema Ideal e ainda no MU.SA (Museu de Artes de Sintra), que se manterá como palco dos programas paralelos.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:05
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2.4.18

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Colo, de Teresa Villaverde, foi premiado com o Prix Sauvages no 13.º Festival L'Europe Autour de l'Europe, em Paris. Numa edição que teve como destaque uma retrospetiva ao cineasta catalão Albert Serra (A Morte de Louis XIV), a obra da portuguesa venceu o prémio principal da Competição, segundo o comunicado oficial, unanimidade pelo júri composto pelos realizadores Ralitza Petrova, Szabolcs Tolnai, Rafael Lewandowski, o produtor György Raduly e ainda o crítico de cinema Tue Steen Müller.

 

Colo que estreou há poucas semanas nos circuito comercial, tendo passado em festivais como Berlim e Indielisboa (encontra-se inserido no programa de cinema português do ACID em Cannes), é um filme que debate sobre a crise no seio familiar enquanto assiste gradualmente à sua deformação. A obra competiu com filmes como Wild, de Nicolette Krebitz (Alemanha), Wild Roses, de Anna Jadowska (Polónia), Aurora Borealis, de Márta Mészáros (Hungria) e November, de Rainer Sarnet (Estónia), este último acabou por sair do festival com Prémio Luna.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:04
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1.4.18

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James Benning é o grande vencedor da 40ª edição do Cinéma du Réel, o Festival Internacional de Cinema Documental que acontece todos os anos na cidade de Paris. A nova obra do veterano realizador norte-americano, L.COHEN, um filme-panorama em jeito de homenagem ao falecido cantor Leonard Cohen, conquistou o Grande Prémio do festival.

 

Em destaque a portuguesa Leonor Teles (premiada com o Urso de Ouro em Berlim pela curta A Balada do Batráquio) é laureada com o Prémio Internacional de la Scam graças à sua primeira longa-metragem, Terra Franca.

 

Grande Prémio

L.COHEN

 

Prémio Internacional de la Scam

Terra Franca

 

Prémio Instituto Francês Louis Marcorelles

Les Proies

 

Menção

Image you Missed

Roman National

 

Prémio The Joris Ivens / Cnap

Lembro mais dos Corvos

 

Prémio de Curta-Metragem

White Elephant

 

Menção

Gens Du Lac

 

Prémio Bois-D'arcy's Prisonners

Saule Marceau

 

Prémio de Júri Jovem

Lembro mais dos Corvos

 

Prémio The Library

Rêver Sous Le Capitalisme

 

Menção Honrosa

Al Di Là Dell'uno

 

Prémio Herança Intangível

Harvest Moon

 

Prémio Música Original

The Image you Missed

 

Menção Honrosa

Salarium

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:51
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28.3.18

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15 anos é uma longevidade a merecer ser celebrada, mas o Indielisboa não apresentará nenhuma novidade ou reestruturação no seu mapa de secções, assim como na natureza do próprio festival. “Perguntam-me quais são as novidades do Indielisboa deste ano e eu respondo que há 245 novidades, que são os filmes”, afirmou o diretor e programador Nuno Sena em conferência de imprensa. Mesmo não tendo qualquer alteração radical na sua programação, a festividade desta edição adquirirá um certo gosto nostálgico, um 15º festival que dialoga sobretudo com os primeiros passos do evento de Cinema Independente de Lisboa.

 

Nesse sentido, o contingente português continua em altas. O Indielisboa continuará a contar com um grande número de obras portugueses que vão desde curtas a longas metragens, estreias a confirmações, passando por estudantes a veteranos. É uma celebração lusitana, por outras palavras, 49 produções portugueses a figurar a montra deste ano, sendo que 18 comporão a Competição Nacional. E sob aventuras portuguesas, o Festival arrancará e encerrará com uma obra nacional. Drvo: A Arvore de André Gil Mata (filme que debruça sobre os fantasmas permanentes da Guerra dos Balcãs, tendo marcado presença na secção Panorama do último Festival de Berlim) terá as honras dar o passo em frente na programação, enquanto que Raiva, a nova obra de Sérgio Tréfaut, salienta-se, autor habitual na História do Festival, é encarregue de marcar o “The End” da temporada.

 

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Falando em habitués, a programação deste ano prepara-se para reencontrar novos trabalhos de "velhos amigos", grande parte deles reunidos na secção Silvestre. Poderemos contar com Paul Vecchiali, o herói independente da edição passada, que regressa a Lisboa para apresentar os seus recentes Les sept déserteurs ou La guerre en vrac e Train de vie ou les voyages d’ Angellque, o duo do bielorrusso Serge Loznitsa (A Gentle Creature, Victory Day), Eugène Green (Waiting for the Barbarians), James Benning (Readers), Claire Simmon (Young Solitude), Claude Lanzmann (The Four Sisters) e Radu Jude (The Dead Nation). Em destaque, e um dos grandes focos do festival, O Processo, filme controverso de Maria Ramos que aborda o julgamento da destituída presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

 

Sem surpresas as secções Indiemusic, Director’s Cut e Boca do Inferno se manterão, esta última com uma sessão espacial no terraço do Capitólio com a exibição de As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra, dupla impagável do cinema de género brasileiro. Ainda podemos contar com o especial televisivo, a projeção dos dois primeiros episódios de Sara com Beatriz Batarda, trabalho de Marcos Martins (Alice; São Jorge) sobre uma atriz farta de chorar no cinema, e ainda uma montra de metragens que visam o relacionamento entre Portugal e Macau, o Ocidente e o Oriente.

 

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Por fim, como também é habitual, os heróis independentes. Lucrecia Martel, um nome que acompanhou os primórdios do festival, vai marcar presença e será acompanhada com uma mostra integral da sua filmografia. É de notar que para além dos seus trabalhos consagrados como La Niña Santa (A Rapariga Santa) e La Mujer sin Cabeza (A Mulher Sem Cabeça), será ainda exibido Zama, até à data o seu último filme.

 

Um autor cirúrgico”, assim o descreve Maria João Madeira, programadora da Cinema-Portuguesa, sobre o segundo Herói Independente do Indielisboa, o histórico Jacques Rozier, apontado como um dos pilares da Nouvelle Vague, mas que infelizmente não usufrui da mesma notoriedade de Godard, Truffaut e até mesmo de Rohmer. O realizador de Adieu Philippine e Maine Ocean será homenageado pelo festival através de uma retrospetiva organizada em colaboração com a Cinemateca Portuguesa e a Cinemateca Francesa.

 

O 15º Indielisboa decorrerá na capital de 26 de abril a 6 de maio na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal. Este ano, a Biblioteca Palácio Galveias funcionará como uma espécie de Festival Center.

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publicado por Hugo Gomes às 00:07
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27.3.18

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As obras Colo, Verão Danado, e Terra Franca serão exibidos no ACID: Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, evento que decorre todos os anos em paralelo com tão mediático festival de Cannes.

 

Inseridos num programa especial - ACID TRIP 2 # Portugal – que para além da projeção das três longas-metragens será ainda organizadas uma mesa redonda com fins de discutir o cinema português, a sua visibilidade e diversidade no resto do Mundo. O debate contará a presença e apoio da APR – Associação Portuguesa de Realizadores, e a sessões terão lugar entre os dias 11 a 13 de maio, o primeiro fim-de-semana do Festival de Cannes (8 a 19).

 

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Colo, que estreou há poucas semanas nos circuito comercial, é uma das últimas obras de Teresa Villaverde, um filme que debate sobre a crise no seio familiar, enquanto que Verão Danado, a primeira longa-metragem de Pedro Cabeleira, retrata uma juventude desiludida com o rumo que as suas vidas parecem tomar. Terra Franca, estreia de Leonor Teles (Urso de Ouro em Berlim de 2016 com a Balada do Batráquio) no formato das longas, é um documentário sobre a vida de um pescador do Tejo, abordado o seu oficio, vida conjugal e pessoal. O filme encontra-se a ser apresentado no Cinéma du Réel, em Paris.

 

É de relembrar que esta não será a primeira vez que a realizadora Teresa Villaverde é promovida no ACID, a sua estreia nesta disposição aconteceu em 1998 com a consagração da sua terceira longa Os Mutantes.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:31
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18.3.18

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A preocupação do storytelling e o aparecimento do Cinema!

 

O ensino do português não se pode limitar aquilo que chamamos matéria”, como refere o jovem professor Alberto Soares (Jaime Freitas) perante o reitor do Liceu de Évora (João Lagarto), uma pequena lição que poderia ser seguida pela nosso Fernando Vendrell (aqui registando o seu regresso à realização, 12 anos desde Pele). Reformulando essa doutrina algo ativista citada pela personagem, o Cinema não se pode limitar aquilo a que chamamos narrativa, visto que no caso de Aparição, a adaptação do homónimo livro de Vergílio Ferreira, exista uma clara sede de ir além do seu próprio enredo.

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Tal sente-se, numa narrativa descosturada, que desesperadamente liga e interliga situações, figuras e pensamentos que são aqui e ali invocados de maneira despachada. Pena, até porque em termos produtivos, Aparição comporta-se como uma lição bem estudada às milésimas estruturas televisivas que se confundem nas grandes telas, porém, para este filme em si ser sobretudo incisivo era preciso não se contentar com a superficialidade e num ato como o de beber e gargarejar por completo os reflexos contidos na obra.

 

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O incentivo da criatividade, o existencialismo que desafia a religiosidade de um Portugal (ainda) refém e a subliminar crítica a um país que se vive nas odes das “limitações seguras” (“não é permitido ter mais que a quarta classe ou mais de 300 porcos”), sugestões desaproveitadas em prol de uma narrativa direta que não despreza a intelectualidade do espectador, mas que nunca verdadeiramente a incentiva.

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Um caso em que o storytelling não é tudo enquanto não existir uma profunda introspeção à relação à matéria-prima, e que por sua vez, não basta ser “boa adaptação” como se limitasse “aquilo que chamamos matéria”. Entretanto, existe sempre uma luz no fundo disto tudo, da mesma maneira que Amor Impossível, de António Pedro-Vasconcelos, usufruiu da sua “força centrifuga”: Victoria Guerra releva-se mais uma vez, que mesmo sob pequenas doses, é um dos must do cinema nacional e esperamos que não só dele.

 

Filme visualizado na 9ª edição do FESTin: Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa

 

Real.: Fernando Vendrell / Int.: Jaime Freitas, Victoria Guerra, Rui Morisson, Rita Martins

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 00:55
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10.3.18
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“Empurrão” precisa-se …

 

Em momento algum a palavra “crise” ou até mesmo “austeridade” é citada no contexto cénico-temporal, mas tal rótulo, ou “post-it” para refrescar memórias, é desnecessário, visto que o espectador (principalmente o de nacionalidade portuguesa) encara e identifica facilmente tal ambiente vivido. Uma atmosfera que se vai adensando até atingir as personagens, alterando por completo as bases estruturais estabelecidas pela sociedade como nós conhecemos.

 

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Uma família torna-se assim a cobaia de tal experiência, são as vítimas de tais assombrações sociais, no qual se nota a desfragmentação individual da mesma forma, coletiva, a evidenciar o afastamento do Humano Moderno e Civilizado até à estrutura convencional da ideia de família. Trata-se de um crime existencial, salientam alguns perante estas transformações evidentes. Trata-se de paranoia acumulada pela espera, impaciência, o constrangimento de gerações reprimidas por falsas promessas, ou o pânico de a vida ser reduzida ao somente objetivo de sobrevivência, isto dirão outros perante tais e iguais transformações. Sim, Teresa Villaverde espelha uma experiência social (ou ensaio cinematográfico, como quisermos lhe chamar), uma pequena provocação direcionada ao espectador de igual método que Yorgos Lanthimos nos conduz entre as suas distopias. Aliás, a distopia de Villaverde tem muito de Canino, mas ao invés do ato radical - a eliminação das bases sociais herdadas para a construção de um novo tipo de ser humano- Colo apresenta a transição, o questionamento, a hesitação e por fim a ação como a saída possível, levando-nos à partilhada metamorfose.

 

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A obra constrói-se em tal estado, não no somente sentido das personagens, mas como filme em plena metamorfose, um “monstro” que nos falseia com a proposta de retrato, para nos inserir em becos encaminhados pelo pensamento incógnito destes mesmos peões, aspirados pelas falhadas emancipações. As personagens motivam através disso, fracassando constantemente, necessitando cada um do seu “colo” para embarcar novamente na vida em plena trajetória.Colo é isso mesmo, um filme frio, um filme emudecido pelas suas vontades em vão, e que tal como a sua família protagonista, inteirada num prolongado senso de derrota. Villaverde demonstra acima de tudo técnica (nota-se a bruta presença fotográfica de Acácio de Almeida), ou do mosaico planificado estampado nos edifícios obscuros apenas iluminados pela luz interior (serão essas as presenças, os vestígios humanos de um mundo sem humanidade?).

 

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Contudo, o exercício lacrimeja com a imensidão da sua subjetividade, acima da praticável objetividade, assim como o último plano, aquele travelling que avança e recua como predador hesitante. É a deriva pelo qual o filme se constrói, mas não é por ele que o filme vive. O registo deixa assim estas trágicas personagens à sua mercê, onde os seus destinos teriam mais em conta, como catarses teorizadas. Enfim, nada cumprido. O Cinema “bonito” pratica-se, porém, não se vinga e tal como a adolescente (Alice Albergaria Borges) que grita para a sua mãe (Beatriz Batarda) - “não estamos em nenhuma Guerra” - refletindo o porquê de tanto sacrifício e irreversíveis decisões, neste caso [o filme], o porquê de tantas derivações.

 

Real.: Teresa Villaverde / Int.: João Pedro Vaz, Alice Albergaria Borges, Beatriz Batarda, Clara Jost, Carloto Cotta, Rita Blanco, Simone de Oliveira

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 00:53
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6.3.18

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Redemoinho, de José Luiz Villamarim, conquista o prémio de Melhor Longa-Metragem de Ficção na Competição da 9ª edição do FESTin. Contando o reencontro de dois amigos de infância que não se viam desde um evento trágico, o filme conseguiu para além da distinção máxima, o prémio de realização.

 

Nas interpretações, Grace Passô em Praça Paris e Marat Descartes por Mulher do Pai saem os vencedores das suas respetivas categorias, enquanto que o Açúcar, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, detêm o título de Melhor Filme para o Júri da Crítica.

 

Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, que contará com estreia nacional, conquistou o “paladar do público”.

 

 

CATEGORIA DE LONGA-METRAGEM

Melhor longa-metragem: “Redemoinho” de José Villamarim

Melhor realizador: José Villamarim por “Redemoinho”

Melhor atriz: Grace Passô por “Praça Paris”

Melhor ator: Marat Descartes por “Mulher do Pai”

Melhor filme – Júri da Crítica: “Açúcar” de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira

Menção honrosa de longa-metragem - Júri da crítica: “Mulher do Pai” de Cristiane Oliveira

Melhor filme – Júri Popular: “Como Nossos Pais” de Laís Bodanzky

 

CATEGORIA DE CURTA-METRAGEM

Melhor curta-metragem: “A gis” de Thiago Carvalhaes

Menção honrosa de curta-metragem: “África na Europa” de Atcho Express e “Carga” de Luis Campos

Melhor curta-metragem – Júri Popular: “Hospital da memória” de Pedro Paula de Andrade

 

CATEGORIA DOCUMENTÁRIO

Melhor Documentário: “Saudade” de Paulo Caldas

Menção honrosa de Documentários: “Serviçais das memórias à identidade” de Nilton Medeiros

Melhor documentário – Júri Popular: “Serviçais das memórias à identidade” de Nilton Medeiros

 

CATEGORIA INFANTOJUVENIL

Melhor filme – Júri popular infantil: “Como surgiram as estrelas” de Renato Barbieri e Adriana Meirelles

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:57
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5.3.18

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Sublimidade não faz parte do cardápio …

 

No cinema português existem vários pecados; os autores passivos que esperam pelo financiamento fácil, os realizadores convertidos à industria e com isso uma evidente perda de identidade cinematográfica e no caso de Luís Diogo uma recusa pelo legado da nossa cinematografia em prol de uma folha de rascunho.

 

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Não é ao acaso a utilização da palavra pecado aqui, Luís Diogo para além de ter na consciência a maldição que foi o argumento de A Bomba, de Leonel Vieira (aquela obra que se tornou num assombrado “mito urbano”), experimentou a realização-a-solo e sob autodidatismo empreendedor (dou graças a isso) com Pecado Fatal, onde cometeu o seu primeiro grande erro - uma promoção sobretudo ignorante (“um filme para quem não gosta de cinema português”) - tendo resultado num produto amador aos mais diferentes níveis. Mas apesar do equivoco, um realizador não se faz de um filme apenas, sendo que é com algum entusiasmo que sigo em frente para uma segunda longa da sua autoria, com a esperança de assistir aperfeiçoamento e sim … redenção.

 

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Mas é com tristeza que saio deste Uma Vida Sublime, até porque Luís Diogo demonstra alguma ocasionalidade nas suas ideias (basta recordar o seu contributo no Gelo, do pai e filho Galvão-Teles). Todavia, aquilo que acabo de presenciar é uma falta de talento e de garra em conduzir um filme para o seu propósito de Cinema. Existe uma cena em particular que demonstra exatamente isso: um plano conjunto onde uma família reúne para consumir a sua refeição matinal. Aqui encontra-se concentrado várias ações distribuídas por quatro personagens, cada uma delas operando por si próprias mas com um foco principal no cansaço do casal (pai e mãe), tendo como representação um episódio envolvendo uma “taça de cereais”. Existe muita informação aqui, o propósito desta mesma cena é evidente e nisso estamos de acordo com a visão do realizador, porém, algo de errado se passa. O plano não obtém a profundidade necessária, a câmara é incapaz disso e a ação principal, que poderia manipular a nossa atenção com um cuidado quase “velasqueano” (o segundo plano jogado como o primeiro), é simplificado à mão de semear pelo espectador deixando o resto da ação (o pedinchar de um telemóvel por uma das filhas do casal) num total desaproveitamento.

 

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A nível técnico estamos esclarecidos, passemos agora para o interpretativo e nesse termo confrontamos com uma agravante, Luís Diogo é incapaz de comportar como um diretor de atores, é insciente a captar e incentivar nos seus colaboradores desempenhos verdadeiramente convincentes, e a cena referida anteriormente é contagiada por esse mesmo mal. Esse, que nos leva a outro - os diálogos - a somente ponta do iceberg para a escrita do filme. Se deparamos uma ideia ou outra inserida com convicção, no seu todo somos atingidos por um argumento costurado com tiques e manias dos “rodriguinhos” do género de terror (um Saw à Portuguesa, resumidamente), onde não falta pseudofilosofias de autoajuda como moralismos quase propagandísticos e ditatoriais. Ainda temos os diversos absurdos, mas não vale ser drama queen nesse sentido.

 

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Sim, Uma Vida Sublime é um objeto longe da sublimidade prometida, a milhas da perfeição o qual esperava ser colhido e sobretudo do dito ativismo contra com o Cinema Português no geral (hipocrisia, visto que Luís Diogo pertence a essa “comunidade” quer queira, quer não) que estes filmes tendem em evidenciar. Está a uns quantos "passos" acima de Pecado Fatal, mas sem grande efeito e significância.

 

Filme visualizado no âmbito do 9º FESTin: Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa

 

Real.: Luís Diogo / Int.: Eric da Silva, Susie Filipe, Rui Oliveira, Mafalda Banquart

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 17:05
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1.3.18

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A Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema e a Academia Portuguesa de Cinema acordaram a coedição em DVD e em Blu-ray de 8 filmes portugueses. O anúncio de tal colaboração havia sido feito na cerimónia de divulgação dos nomeados aos prémios Sophia, por Tiago Baptista, diretor da ANIM (Centro de Conservação da Cinemateca).

 

Em comunicado, a Cinemateca salientou que as obras, conservadas e preservadas pela Cinemateca ao longo das últimas décadas, passarão por uma processo de digitalização em alta resolução que, para além dos formatos home vídeo, estarão disponíveis num suporte DCP 2K para exibição em sala.

 

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É de realçar o trabalho de conservação e difusão da Cinemateca em muito do património português, o qual evidenciamos tal nos lançamentos de duas obras-primas de Rino Lupo (Lobos, As Mulheres das Beiras), Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros e os filmes etnográficos de Margot Dias.

 

Os filmes acordados para ser lançados em DVD nos próximos dois anos são: Colonia e Vilões (Leonel Brito, 1977), Cerromaior (Luís Filipe Rocha, 1980), Relação Fiel e Verdadeira (Margarida Gil, 1987), O Mal Amado (Fernando Matos Silva, 1972), Jogo De Mão (Monique Rutler, 1983), A Santa Aliança (Eduardo Geada, 1977), O Som Da Terra A Tremer (Rita Azevedo Gomes, 1990) e O Processo Do Rei (João Mário Grilo, 1989).

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:31
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27.2.18

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Foram hoje divulgados os nomeados à edição 2018 dos prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema.

 

A cerimónia decorreu na Cinemateca Portuguesa, tendo os indicados sido anunciados por Margarida Vila-Nova e Miguel Nunes, que contracenaram em Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, o vencedor do Sophia de Melhor Filme do ano passado. Antes do anúncio, Tiago Baptista, diretor da ANIM (Centro de Conservação da Cinemateca), salientou o árduo trabalho da instituição em preservar o legado do cinema português, no final deu a promessa da “recuperação de oito filmes”.

 

O filme São Jorge, de Marco Martins, é o mais nomeado,  seguido de perto por Al Berto, de Vicente Alves de Ó, e Peregrinação, o épico de João Botelho.

 

Antes do anúncio dos nomeados, foi também entregue o galardão do Melhor Cartaz Sophia a Luís Carlos Amaro pelo seu trabalho em Treblinka, uma obra de Sérgio Tréfaut. A cerimónia de entrega dos Prémios Sophia 2018 decorrerá no dia 25 de Março, no Casino Estoril.

 

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Melhor Filme

São Jorge

A Fábrica de Nada

Al Berto

Fátima

  

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Ama-San

Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo

Treblinka

Rosas de Ermera

  

Melhor Actriz Principal 

Carla Galvão - A Fábrica de Nada

Rita Blanco - Fátima 

Anabela Moreira - Fátima

Mariana Nunes - São Jorge

 

Melhor Actor Principal

Nuno Lopes - São Jorge

Miguel Borges - Uma Vida à Espera 

Cláudio da Silva - Peregrinação 

José Pimentão - Al Berto

 

Melhor Actriz Secundária

Isabel Abreu - Uma Vida à Espera

Beatriz Batarda - São Jorge

Catarina Wallenstein - Peregrinação

Raquel Rocha Vieira - Al Berto

 

Melhor Actor Secundário

Adriano Luz - São Jorge

José Raposo - São Jorge

João Villas-Boas - Al Berto

Duarte Grilo - Al Berto

 

Melhor Realizador 

Marco Martins - São Jorge 

João Canijo - Fátima

João Botelho - Peregrinação

Pedro Pinho - A Fábrica de Nada

 

Melhor Argumento Original

Ricardo Adolfo e Marco Martins - São Jorge

João Canijo - Fátima

Vicente Alves do Ó - Al Berto

Paulo Filipe Monteiro – Zeus

  

Melhor Argumento Adaptado 

Pedro Pinho, Luisa Homem, Leonor Noivo, Tiago Hespanha baseado na peça original “The Nothing Factory” de Judith Herzberg - A Fábrica de Nada

João Botelho adaptado do livro de Fernão Mendes Pinto - Peregrinação

David Machado e Tiago R. Santos - Índice Médio de Felicidade 

Jorge António, Paulo Leite e Virgílio Almeida baseado no livro "Os Senhores do Areal" de Henrique Abranches - A Ilha dos Cães

  

Melhor Fotografia 

Carlos Lopes - São Jorge 

Luís Branquinho - Peregrinação 

Rui Poças - Al Berto

Leonor Teles - Verão Danado

 

Melhor Documentário em Curta-Metragem

António E Catarina de Cristina Hanes

Reis Do Sertão de Pablo Antonio

Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues? de João Pedro Rodrigues

O Homem Eterno de Luís Costa

 

Melhor Curta-Metragem de Animação 

A Gruta De Darwin de Joana Toste

Das Gavetas Nascem Sons de Vítor Hugo

Água Mole de Laura Gonçalves

Tocadora de Joana Imaginário

 

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Coelho Mau de Carlos Conceição

Altas Cidades De Ossadas de João Salaviza

A Língua de Adriana Martins da Silva

Antes que a noite venha – Falas de Antígona de Joaquim Pavão

 

Melhor Som 

Olivier Blanc, Hugo Leitão - São Jorge 

Francisco Veloso - Peregrinação

Elsa Ferreira, Olivier Hespel, Gérard Rousseau - Fátima

Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov - Al Berto

 

Melhor Direcção Artística 

Joana Cardoso - Al Berto 

João Torres - Zeus

Wayne dos Santos - São Jorge 

Bruno Caldeira - A Ilha dos Cães

  

Melhor Banda Sonora Original 

Rodrigo Leão - 100 Metros 

Hugo Leitão, Nuno Malo, Rafael Toral - São Jorge

Luís Bragança Gil e Daniel Bernardes - Peregrinação

Rita Redshoes & The Legendary Tigerman - Ornamento e Crime

 

Melhor Canção Original

Sementes do Impossível por Xutos e Pontapés - Índice Médio de Felicidade

Fim - composição e interpretação Lúcia Moniz - Uma Vida à Espera 

VOODOO – composição de Rita Redshoes & The Legendary Tigerman e interpretação de Rita Redshoes - Ornamento e Crime 

Ribombar do Amor - Compositor e intérprete Jorge Prendas - Delírio Em Las Vedras

 

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Abigail Machado e Mário Leal - Al Berto

Rita Castro, Felipe Muiron - Peregrinação

Djanira Cirilo da Cruz, Maria Almeida (Nani) - São Jorge

Nuno Esteves "Blue" e Mizé Silvestre - O Divã de Estaline

 

Melhor Série/Telefilme

Madre Paula

Vidago Palace

A Criação

A Família Ventura

 

Melhor Guarda-Roupa

Joana Veloso - Peregrinação

Joana Cardoso - Al Berto

Sílvia Grabowski - Zeus

Lucha D'Orey - O Divã de Estaline

  

Melhor Montagem 

Mariana Gaivão - São Jorge

João Braz - Peregrinação

Cláudia Oliveira, Edgar Feldman, Luísa Homem - A Fábrica de Nada

Pedro Ribeiro, Pedro Marinho, Vasco Carvalho - Índice Médio de Felicidade

 

Melhor Efeitos Especiais/Caracterização

Nuno Esteves “Blue” - Peregrinação 

Sara Menitra - Zeus 

Alexandra Espinhal - A Ilha dos Cães 

João Rapaz - Verão Danado

 

Prémio Sophia Estudante

Snooze de Dinis Leal Machado - ESMAD

A Clarabóia de Alícia Moreira - IPCA

Irís de Renato Arroyo e Francisco t- Universidade Lusófona

Blondes Make the Best Victims de Rita Ventura - ESAD

 


publicado por Hugo Gomes às 20:44
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Arranca hoje a 9ª edição do FESTin: Festival Itinerante da Língua Portuguesa, a qual decorrerá até 6 de março no Cinema São Jorge, em Lisboa. O novo filme de Laís Bodanzky, Como Nossos Pais, uma abordagem atual e por vezes pertinente dos desejos e ambição da mulher do século XXI protagonizado por Maria Ribeiro, terá as honras de abrir esta mostra de cinema falado em português. A realizadora estará presente na sessão de abertura.

 

Contando com o maior contingente português da história do festival, desde a coprodução Vazante, filme sobre a escravatura no Brasil que tem causado polémica, até os novos filmes de Rui Simões e Fernando Vendrell, o 9º FESTin terá este ano parceria com a 4ª edição do Guiões – Festival de Roteiros de Língua Portuguesa e com a Lusophone Film Fest.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:27
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Terra Franca de Leonor Teles encontra-se na Competição Internacional do próximo Festival de Cinéma Du Réel, que decorrerá entre os dias 23 de Março até 1 de Abril. Produzido por Uma Pedra no Sapato, a obra acompanhará Albertino Lobo, um pescador singular, residente duma antiga comunidade piscatória nas proximidades de Lisboa.

 

A realizadora de A Balada dos Batráquios (vencedor do Urso de Ouro de Melhor Curta-Metragem na edição de 2016 do Festival de Berlim) avança para a sua primeira longa-metragem, que concorre ao lado de outras 10 longas-metragens, no qual incluem; Aeroporto Central do brasileiro Karim Aïnouz (Madame Satã), que integrou a secção Panorama do último Berlinale, L. COHEN do norte-americano James Benning, um filme-panorama em jeito de homenagem ao falecido cantor Leonard Cohen e ainda o novo filme do romeno Corneliu Porumboiu, Infinite Football. Destaque ainda na programação para o regresso para o experimentalista e radical Jean-Marie Straub com People of the Lake, na categoria de Curtas-Metragens.

 

 

O Cinéma du Réel focará este ano um ciclo de documentários que, segundo o curador Federico Rossin, tentará “desconstruir a mitologia de 68’ e da ressonância que obterá no resto do Mundo”. Este programa contará com alguns filmes de Harun Farocki, João Silvério Trevisan, Peter Nestler, Brian De Palma e de Joaquim Pedro de Andrade.

 

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Competição Internacional

Anni de ZHU Rikun

Antígona (Antigone) dePedro Gonzalez Rubio

Fotbal infinit (Infinite Football) de Corneliu Porumboiu

Kinshasa Makambo de Dieudo Hamadi

L.COHEN de James Benning

Minatomachi (Inland Sea) de Kazuhiro Soda

Rêver sous le capitalisme (Dreaming Under Capitalism) de Sophie Bruneau

Terra Franca de Leonor Teles

Unas Preguntas (One or Two Questions) de Kristina Konrad

Waldheims Walzer (The Waldheim Waltz) de Ruth Beckermann

Zentralflughafen THF (THF - Central Airport) de Karim Aïnouz

 

Competição Francesa

Djamilia (Jamila) de Aminatou Echard

Jusqu'à ce que le jour se lève (Until the Dawning of the Day) de Pierre Tonachella

L'Empire de la perfection (In the Realm of Perfection) de Julien Faraut

Les flâneries du voyant (Song of a Seer) de Aïda Maigre-Touchet

Les Proies (The Preys) de Marine de Contes

L'Esprit des lieux (In the Stillness of Sounds) de Stéphane Manchematin, Serge Steyer

Roman national (National Narrative) de Grégoire Beil

Syn (The Son / Le Fils) de Alexander Abaturov

The Image You Missed de Donal Foreman

The Night Readers de Mathieu Kleyebe Abonnenc

Western, famille et communisme de Laurent Krief

 

Competição Internacional para Primeiras Obras

Al di là dell'uno (Beyond the One) de Anna Marziano

Angkar de Neary Adeline Hay

Black Mother de Khalik Allah

Dom Boraca (Home of the Resistance) de Ivan Ramljak

Fail to Appear de Antoine Bourges

Harvest Moon de Zaheed Mawani

Lembro mais dos corvos (I Remember the Crows) de Gustavo Vinagre

Los Árboles (The Trees) de Mariano Luque

Salarium de Sasha Litvintseva, Daniel Mann

Wild Relatives de Jumana Manna

 

Competição Internacional de Curtas-Metragens

Allegro Largo Triste de Aurélien Froment

Gens du lac (People of the Lake) de Jean-Marie Straub

Jeny303 de Laura Huertas Millán

Las Fuerzas (The Forces) de Paola Buontempo

Monelle de Diego Marcon

Olhe bem as montanhas de Ana Vaz

Optimism de Deborah Stratman

Saule Marceau de Juliette Achard

The White Elephant de Shuruq Harb

Uppland de Edward Lawrenson

Zwei Basiliken (Two Basilicas) de Heinz Emigholz

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:47
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19.2.18

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Cabo-Verde continua presente no coração de Pedro Costa, e é nestas constantes transações entre o continente e o arquipélago que se assume a tour-de-force da sua filmografia presente.

 

 

Tudo começou em 1994 com as rodagens de Casa da Lava na Ilha do Fogo, uma história de fantasmas e hereditariedade, que não foi de toda bem-sucedida, nem sequer do agrado do realizador. Contudo, foi aí que nasceu uma nova face, não na conceção do filme em si, mas no desencadeamento deste trabalho de produção. Costa comprometeu-se a entregar a correspondência confiada pelos habitantes da ilha, com remitência aos familiares que residem em Lisboa. Esta promessa, levado a cabo pelo realizador, serviu como corpus de estudo para o trabalho de uma nova obra - Ossos (1998) - onde registou um apetite etnográfico que se vai bravando gradualmente no seu conceito de ficção.

 

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O abandono foi total com No Quarto da Vanda (2000), queda do Bairro das Fontainhas (Amadora) documentada com tamanha intimidade e carinho por estas “personagens” marginais, reclusos sociais que recusavam deixar as suas vidas pré-fabricadas na lata. Vanda Duarte, que integrou o anterior Ossos, agora é a anfitriã num apocalíptico desabar de um ecossistema. O filme iria desfechar com o prometido titulo, a entrada desse compartimento, o apogeu máximo da intimidade da câmara do realizador com a figura filmada.

 

Se o Bairro das Fontainhas, extinto e apenas vivo na memória de quem lá passou, continha uma enorme massa cultural cabo-verdiana, “plantada” e germinada, em Juventude em Marcha (2006), Pedro Costa focaria os fantasmas deixados por esses recém-convertidos não-lugares. Aí, Vanda seria substituída por outro habitante, Ventura, que adquiria uma aura trágica, mantida nos capítulos seguintes.

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Cavalo Dinheiro (2014), uma espécie de prolongação do elevador “assombrado” ilustrado no objeto coletivo Centro Histórico, marcaria outro estagio fílmico em Pedro Costa, o espirito etnográfico em conformidade com o regresso ao cinema de estúdio, ao artificialismo que diluía com os eufemismos místicos de uma Cabo-Verde distante, mas nunca ausente.

 

Assim sendo, em Vitalina Varela, o próximo filme do realizador, chegaremos a um esperado retorno ao país que acompanhou este Cinema. Mais uma vez, Pedro Costa pega em num dos seus habitantes e aponta-lhe os holofotes. Vitalina é essa “nova” protagonista, uma face reconhecida neste universo que emancipa-se para o seu próprio conto. Esse, a cumprida espera de 25 anos pelo seu bilhete de volta a Cabo-Verde e a chegada três dias depois do funeral do seu marido.

 

Produzido pela OPTEC, pequena produtora que nos “entregou” ano passado o conto jovial e rebelde de Verão Danado, Vitalina Varela tem estreia prevista para este ano, devendo estrear num festival de cinema de renome. Deste lado, aposta-se a Locarno, ou quem sabe, a Quinzena dos Realizadores de Cannes.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:34
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15.2.18

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Ira Sachs vem a Portugal filmar A Family Vacation, projeto que será protagonizado por Isabelle Huppert, com produção de Saïd Ben Saïd. Esta será a primeira vez que o realizador de Little Men e Love is Strange filmará fora dos EUA. Marisa Tomei, Greg Kinnear, Jérémie Renier e André Wilms completam o elenco.

 

Com argumento do próprio Sachs, em colaboração com Mauricio Zacharias, A Family Vacation seguirá uma família que terá que lidar com uma experiência crucial durante a sua estadia de férias em Sintra. As rodagens arrancarão em outubro deste ano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 09:56
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4.2.18

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Ficcionando realidades …

 

Djon África é, em apenas um filme, o caminho inverso percorrido pelo Cinema de Pedro Costa, com Miguel Moreira, fiel colaborador da dupla João Miller Guerra e Filipa Reis, a nos servir  um Ventura. Contudo, apesar desta minha declaração, não se iludam em encontrar outros paralelos entre estes referidos cineastas. Aliás, seria preguiçoso cairmos em tais comparações como se porventura o cinema português fosse reduzido a dois, três ou quatros nomes. Mas uma coisa é certa, Djon África, a viagem de um cabo-verdiano radicado em Portugal, que parte numa busca às suas origens num país que nunca conheceu, mas que mesmo assim o vive culturalmente, é mais um registo docudrama, estilo que em Portugal sempre se soube fazer bem.

 

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É a realidade contagiada, ou a verdade encenada, para nos impor uma dimensão osciladora por entre essas visões. Miller Guerra e Reis não são novatos nesse mesmo universo, apesar desta ser a sua primeira longa-metragem - a dupla havia germinado desde então um “ecossistema” fiável por entre a sua filmografia. Personagens salteadas, o retrato de um país marginalizado que se esconde nas sombras, a identidade que se interpela por assuntos de caracter de inserção social, elementos, esses, invocados e fantasmagorizados nesta jornada existencialista e sobretudo etnográfica (muito graças ao argumento de Pedro Pinho).

 

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Miguel Moreira comporta-se como um ser fragmentado pela pessoa que é fora das câmaras e da personagem que veste a pele ocasionalmente, mas acima de tudo é um peão-guia para o espectador, e veículo emocional para os realizadores que trabalham tamanhos sentimentos instintivos como outra viagem para além horizonte (o actor nunca conhecera Cabo-Verde, a câmara capta essa surpresa, fascinação e experimentação). Talvez exista em todo este caso um filme sobre “retornados” e de uma cultura transcendente, mas nem sempre transladada (como a cultura cabo-verdiana persiste em vários bairros sociais portugueses), que nos convida mas que nunca nos conforta totalmente (o espectador é sempre tido como um turista em relação a esta “apropriação cultural”); Miguel, cuja ilegalidade não o faz verdadeiramente português e o seu desconhecimento não o faz cabo-verdiano, um sem pátria recusado pelas duas margens, e que mais cedo ou mais tarde sucumbe numa existencial “prisão invisível”.

 

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Um efeito xamânico que apodera-se da narrativa, transformando o filme, que vai perdendo gradualmente a sua vertente documental, da mesma forma que Miguel se converte integralmente numa personagem fictícia (tendo em conta o que deparamos no cinema de Pedro Costa, Cabo Verde continua a reservar os seus “fantasmas”). “Eu conheço o meu pai. Eu sou o meu pai”, a frase proclamada que define todo o rumo de Djon África, simultaneamente, a trajectória do cinema de Miller Guerra e Reis, o ensaio social que vai adquirido o seu gosto pela “farsa”, a ficção como espelho do seu cinema. Quanto ao resto … fica ao critério do espectador.

 

Filme visualizado no âmbito do 47º Festival Internacional de Roterdão

 

Real.: João Miller Guerra e Filipa Reis / Int.: Miguel Moreira, Isabel Cardoso

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 00:10
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24.1.18

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A cidade holandesa acolhe, como poderia esperar, a 47ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdão. De 24 de Janeiro a 4 de Fevereiro, o primeiro grande festival do Velho Mundo demonstrará uma seleção refinada de novos olhares, novos autores e sobretudo, novas experimentações. É por essas e por outras que o evento é reconhecido como um dos mais experimentais do ramo cinematográfico e este ano parece não fugir à regra. Contudo, a edição de 2018 será marcada por uma forte presença portuguesa, distribuída pelas diferentes secções e espaços do festival.

 

Filipa Reis e João Miller Guerra apresentam a sua primeira longa-metragem ficcional, Djon Africa. Integrado na competição principal do certame, Hivos Tiger Competition, a produção  segue Miguel, um jovem de ascendência cabo-verdiana que procura as suas raízes na terra onde nunca pisara, uma viagem que o transformará em algo mais do que a própria memória, ao encontro de um ser que ele próprio desconhece. Quanto ao termo ficcional, os realizadores de premiadas curtas e médias metragens como Fora de Vida (2015), Nada Fazi (2011) e Cama de Gato (2012) afirmaram ao site C7nema que apesar de ser um passo novo, a ficção era uma elemento bem percetível no seu Cinema. O filme conta com argumento de Pedro Pinho, realizador de um dos filmes mais premiados da nossa filmografia, A Fábrica do Nada que é uma das muitas presenças portuguesas da secção Bright Future.

 

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Quanto ao espaço especializado em dar “tempo de antena” a novas vozes, Susana Nobre é outro nome do documentário português a avançar na ficção, sem com isso emancipar-se por completo do seu Cinema. Tempo Comum fala-nos sobre a maternidade e como ela se conjuga com “lufa-lufa” diário, com as carreiras pausadas e como esta realidade torna-se numa experiência a merecer de ser contada. Para Nobre, é um projeto minimal tendo como referência, para além da experiência enquanto mãe, o dispositivo utilizado em Ten, do iraniano Abbas Kiarostami.

 

Em companhia, estão presentes o russo Tesnota, de Kantemir Balagov, vencedor do último Lisbon & Sintra Film Festival, Meteros, de Gürcan Keltek, galardoado no Porto / Post / Doc e a segunda longa-metragem de Valérie Massadian, Milla, também premiada em Portugal (Doclisboa). Esta última, uma coprodução portuguesa, segue as mesmas pegadas do anterior Nana, onde as personagens encaram o ambiente como um refugio. Se na primeira obra, seguimos uma menina de 4 anos que se vê sozinha após uma tragédia familiar, neste deparamos com dois adolescentes inadaptados que encontram consolo em casa abandonadas.

 

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A curta-metragem Miragem Meus Putos, de Diogo Baldaia, estará em competição na subsecção Ammodo Tiger. Visto na última seleção do Indielisboa, eis um retrato de uma geração através de três narrativas distintas. No Bright Future Short, poderá ainda ser visto o novo trabalho de Filipa César (Spell Reel), que em colaboração com o artista Louis Henderson, concebem Sunstone, um ensaio sobre a relação entre a imagem e o colonialismo.

 

João Canijo e o seu Fátima tomam de assalto a secção Voices, outro importante filme nesse espaço é Western, de Valeska Grisebach. Leonor Noivo regressa com a curta Tudo o que Imagino, uma docuficção presente na categoria Long Distance dos Voices Shorts. Já Teresa Villaverde e a sua nova longa-metragem, O Termómetro de Galileu, encontra refúgio na rúbrica Visions, tendo como “colegas” o mais recente de Philippe Garrel (L’Amant D’un Jour), Wang Bing (Mrs. Fang), Bruno Dumont (Jeannette) e F.J. Ossange (em coprodução franco-portuguesa - 9 Dedos com Damien Bonnard e Diogo Dória como protagonistas. A realizadora de Colo, apresenta-nos, segundo ela, “uma homenagem à arte de viver e à vida dedicada a arte", inspirado no trabalho do realizador italiano, Tonino de Bernadi.

 

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A destacar ainda a produção de Paulo Branco, The Captain, de Robert Schwentke, registado na secção A History of Shadows. O filme que em Portugal esteve estreia no Lisbon & Sintra Film Festival leva-nos aos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, onde um jovem soldado alemão disfarça de oficial da SS, de modo a sobreviver, sem conhecer as consequências de tal ato, principalmente na questão identitária. Também de produção portuguesa, Zama, o mais recente filme de Lucrecia Martel, encontra-se igualmente inserido na secção.

 

De forma a evitar o seu esquecimento, Luísa Sequeira prepara para mostrar às audiências internacionais o seu filme-investigação Quem é Barbara Virgínia?, sobre a realizadora Barbara Virgínia, a primeira a nível nacional e a primeira participação portuguesa no Festival de Cannes. A mulher que tinha tudo para dar ao cinema tornou-se um espectro e os seus filmes, ora desprezados, ora perdidos (como é o caso de Três Dias sem Deus, onde resta apenas 8 minutos sem som). A sessão será antecedida por Aldeia Dos Rapazes – Orfanato Sta. Isabel De Albarraque, curta de Virgínia que serviu de estudo para a sua estreia e derradeira longa.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:39
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