Data
Título
Take
14.10.19

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Voltando à tendência do absurdismo episódico, hoje em voga com a aclamação mundial de Miguel Gomes (mas já antes João César Monteiro o havia feito sob camadas e camadas de humor sardónico), João Nicolau instala-se no registo musical como a sua chave de acesso ao escapismo e com isso uma sensação de liberdade criativa e narrativa. Confesso que em Technoboss existe um ou outro momento digno de nota deste tipo de cinema em constante desenvolvimento semiológico (Miguel Lobo Antunes é um desses curiosos elementos), mas o realizador do anteriormente simpático John From fica-se apenas pelos apalpões aos “cus das lâmpadas”, não encontrando um objetivo definido com toda esta jornada por estrada fora.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:04
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20.3.19

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A oportunidade de assistir à versão longa de um dos filmes cruciais da carreira de Manoel de Oliveira é uma experiência única. Digo crucial, porque apesar de não ser o seu filme mais mencionado, nem sequer está nos 10 primeiros, foi um impulsor para uma mudança na sua visão de Cinema.


Escrevi alguns pensamentos sobre este filme, que na altura foi uma encomenda da FNIM (Federação Nacional de Industriais de Moagem), que mesmo não sendo de todo grandioso, existe alguma grandiosidade na sua natureza.


"O Pão segue a jornada de fabrico de tal suplemento "divino", e simultaneamente em paralelo com todos os quais o destino se cruza nesta manufaturação, desde os jovens camponeses que proclamam os votos matrimoniais até ao trabalho árduo no campo, passando pela sua distribuição e os diferentes destinatários, sejam eles o guloso da pastelaria, ou a criança de rua pronta a saciar a fome. O pão de cada dia, assim como é lembrado no início do filme, o divino e a divindade juntos para reforçar a vida de uma Pátria. Claramente, a obra de Oliveira apresenta-se como um objeto de fascínio do regime de época, carregando nas vontades leccionadas por Salazar: a Família acima de tudo, Deus acima de nós e o Pão como elo que interliga os imortais e mortais. É um imagem sacra, do trabalho exaustivo e ininterrupto para a conceção de tal herança. O português a ser escravo do Pão, ao invés do oposto." Ler texto completo aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:39
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16.3.19

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"A verdade é que nenhum dos filmes portugueses de entretenimento interessa a qualquer um dos meus três filhos, que são espectadores normais de cinema. Porque, patetice por patetice preferem os americanos, que são patetas grandes."


- João Botelho (O Cinema da Não-Ilusão: Histórias para o Cinema Português, de João Mário Grilo)

 

 


publicado por Hugo Gomes às 20:49
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9.3.19

Não é só o dia 8 de Março que as mulheres devem celebradas, aliás, o dia da Mulher deve ser, sobretudo, normalizado. Todos os dias são dias de mulheres, e todas as mulheres fazem parte dos nossos dias. Como tal, eis o meu contributo, as mulheres especiais que integram o meu Cinema … digo por passagem, que são somente algumas.

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publicado por Hugo Gomes às 00:27
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13.2.19

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Por entre o uso dos planos conjuntos que tornam cada cena num quadro vivo, devemos olhar para A Portuguesa e procurar uma luz de enfoque que nos tire dos traços de natureza morta aqui perpetuados. Morta? Sim, porque nada disto acrescenta, avança, nem inova no panorama de cinema português dito autoral, até porque, dentro do universo de Rita Azevedo Gomes, já acontecera oportunidades que chegue de sair do dito circulo de amigos o qual influencia e se deixa influenciar. A fragilidade do Mundo e até as vinganças femininas transportaram-nos para outros ares (esperanças assim sublinhadas), mesmo respeitando um legado em cima (devidamente homenageado nos créditos), mas depois da quebra imagética que houvera com Correspondências (a passividade visual ao invés do transe), A Portuguesa é um limbo. Esse mesmo que impede Azevedo Gomes de ser algo mais do que uma condutora de referências. Assim sendo, temos uma ditadora do cinema confortável.


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publicado por Hugo Gomes às 21:24
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Tinha tudo para ser uma conversa intelectualizada, mas a humildade de Dídio Pestana me conquistou. Responsável pelo sound design dos filmes de Gonçalo Tocha, o agora realizador aventura-se num cinema íntimo a referenciar Jonas Mekas e Ross McElwee, porém, o resultado final é algo tão seu que merece ser partilhado ao Mundo.

 

Em Sobre Tudo Sobre Nada pretendia pegar em imagens pessoais e transformá-las num filme narrativo, uma história, neste caso diria 100% real, mas foi um processo em que permiti. Como falei, interessa-me esse lado pessoal do cinema, assim como cinema que se expõe, aquele em que vemos o realizador do filme ou o técnico de som, ou simplesmente a camara cai acidentalmente. Para isso, diversas vezes dava a câmara a outros para que pudessem filmar-me, porque no fundo o Cinema é isso, uma partilha.” Entrevista completa aqui.

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“É um bonito ensaio, sem com isto declarar o adjetivo como primário e infantilizado. Quem dera que muito do nosso cinema umbiguista tivesse este terra-a-terra das suas intenções, ao invés de cair por campos sem pássaros, silenciosos e pedantes na sua caminhada. Este é simplesmente um filme sobre tudo … e sobre nada.”  Crítica completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:12
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16.1.19

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Kaboom …

 

Poderíamos entrar aqui em mais umas quantas lengalengas sobre a rivalidade entre o cinema comercial nacional e o dito autoral … poderíamos, mas a esta altura do campeonato, até nós sentimos cansados de o invocar, muito mais em encontrar uma “ponta onde se pegue” num projeto como este Tiro e Queda. Aliás, o titulo condiz na perfeição para com a natureza deste … embrião a filme, um verdadeiro headshot à paciência do cinéfilo e um atentado ao gosto, pelo que se traduz segundo os cabecilhas desta tramoia, num consenso para o grande público.

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Com produção de Leonel Vieira, que nos últimos anos abandonou as faíscas que o poderiam guiar por caminhos mais dignos, hoje (levado da breca), cedido ao inóspito destas anormalidades, confia em Ramón De Los Santos (na sua primeira longa-metragem) para conduzir a dupla humorística de sucesso (Eduardo Madeira e Manuel Marques) num prolongado anúncio publicitário a uma companhia de seguros.

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Por entre o descarado "product placement", Tiro e Queda é a prova de fogo para qualquer espectador, desde a sua transladação da linguagem puramente televisiva (e mesmo dentro dessa linguagem existem “dialetos” mais corajosos), até ao stand-up comedy falhado cujo humor (fácil, demasiado fácil) - possivelmente direcionado à caricatura - apenas ridiculariza o bom senso de quem acredita em milagres vindo destes ventos. Não se trata de ser enfadonho, nem é isso que está em causa na crítica de cinema, nem sequer neste filme. O problema é a sua inaptidão para a indústria portuguesa, sabendo que ela não existe. Porém, com “coisas” como esta, dificilmente existirão razões para a sua existência. No final, ficamos solidários para com a “personagem” de Óscar Branco: “afinal, somos uns cabeçudos aqui”. Haja paciência …

 

Real.: Ramón De Los Santos / Int.: Eduardo Madeira, Manuel Marques, Dinarte de Freitas, Carla Vasconcelos, Óscar Branco

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 21:00
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8.11.18
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Carga fora!

 

Esperamos ouvir falar futuramente mais do estreante Bruno Gascon, até porque em Carga existe uma garra, um amor à técnica visual e sonora e sobretudo a aptidão para construir um espetáculo de cinema, sublinhando, em recurso português. Porém, é neste mesmo primeiro trabalho que é revelada a sua grande fraqueza, a dependência para com o tema, e não só, pelo “suco” extraído do mesmo, sob um tom pedagógico e meramente descritivo.

 

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Da mente deste vosso escriba surge automaticamente Traffic (2000), de forma a especificar como uma temática (no caso da obra de Steven Soderbergh a “patologia humana” era o narcotráfico) é encarada como combustão para um desfragmentado filme-mosaico (pelo menos a proposta é tentada). Gascon entra nas redes de tráfico humano para se lançar na deriva do “choque” atmosférico, em prol de uma fotografia esgalhada por parte de Jp Caldeano, ou de uma técnica por vezes subtil e com rasgos de primor (a destacar o plano-sequência do suicídio).

 

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Mas é nesse mesmo “cast away” que o jovem realizador se perde, as personagens são esquemáticas servindo como protótipos de “exemplos dados às criancinhas”, a banda sonora marca uma omnipresença alarmante e todo o enredo remexe em habituais cantos do senso comum do espectador referente à abordagem. Por cada prova de ambição, Carga se escurece nos modelos mainstream e na demasiada sobreliterarização do panfleto, enquanto que o elenco ou cai na mouche (Michalina Olszanska, Duarte Grilo e Miguel Borges) ou persistes nos personagens-tipos do nosso universo cinematográfico (Vítor Norte, Rita Blanco, Dmitry Bogomolov). 

 

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Assim, direto e a frio, escusamos de torturar-nos com experiências - Portugal não tem uma indústria cinematográfica – mas se futuramente existir qualquer indicio do mesmo, possivelmente encontraremos mais dessa tendência em maçaricos como Justin Amorim (Leviano) ou em Bruno Gascon, do que em “veteranos” deste jogo como Leonel Vieira. Esperemos que sim, não cedendo às “palmadinhas nas costas” e às aclamações de um “bom trabalho”, mas o de “vamos estar atentos”. Carga falha, porém, que venham mais falhas como estas no nosso panorama.

 

Real.: Bruno Gascon / Int.: Michalina Olszanska, Duarte Grilo, Miguel Borges, Vítor Norte, Rita Blanco, Dmitry Bogomolov, Sara Sampaio, Ana Cristina de Oliveira

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:51
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1.11.18
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A Raiva de filmar!

 

A evidência de uma luta entre classes em Raiva remete-nos sobretudo para o dispositivo de Manuel da Fonseca e o seu romance Seara de Vento (publicado em 1958) em consciencializar um povo para os seus mais profundos desejos políticos. Esta nova ficção de Sérgio Tréfaut, a segunda longa-metragem desta linguagem desde A Viagem a Portugal (2011), é um objeto curioso e subtilmente absorvido pela sua reconstituição histórica, quer a nível cénico ou até mesmo atmosférico (com graças à belíssima fotografia do veterano Acácio de Almeida).

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Nessa demanda pela adaptação, o realizador opta pela raiz da matéria-prima, o neorrealismo tão em voga na década de 50, quer na literatura, quer no teatro e até cinema (os falhanços de Manuel Guimarães, realizador que de maneira nenhuma parece não conseguir reavaliar-se), Como tal, Raiva é puramente simbólico e possivelmente dependente desse mesmo simbolismo, o que o configura como um ensaio de ideias, a “mensagem” que o próprio Tréfaut revelou não interessar como foco propagandístico ou didático. É um filme de imagens (termo que neste momento o leitor troça o escriba devido ao óbvio da caracterização), porque são estas, despojadas da dramaturgia cinematográfica ou ditada pela mesma, que realçam todo uma veia narrativo, dentro e fora do filme. E salientando essa ausência de ênfase e epifania, Tréfaut mutila a sua criação, inutilizando-o para esse estado. Como o faz? Simples manobra, transfigura as leis académicas dos três atos narrativos, opções narrativas que vão contra ao tão chamado storytelling que uma vaga de realizadores e argumentistas nacionais tentam impor. Por outro, essa escolha decepa por completo qualquer emotividade que poderá surgir por parte do espectador, ao mesmo tempo que configura um fatalismo irreversível.

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Em Raiva, há um espelho de uma sociedade que hoje entra em plena negação, um revisionismo histórico dos “feitos salazaristas”, ou da urgência pela preservação distorcida da luta entre classes para induzir-se numa batalha contra as instituições erguidas atualmente. Tréfaut comete essa declaração politica sem o uso do mais grave das leituras politizadas, cada um encontra a sua consciência da forma como pretender.

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Mas dentro desse retrato que esboça um Alentejo a passos do esquecimento, Raiva instala-se ainda como uma celebração das mulheres e sobretudo das atrizes portuguesas (passamos pela geração que tão bem traduz todo o nossos legado cinematográfico; Isabel Ruth, Leonor Silveira, Rita Cabaço, Lia Gama e Catarina Wallenstein). O signo feminino presente como juízos, quer finais ou motivos para os trilhos conflituosos do nosso “herói”, Hugo Bentes, o cartaz de Alentejo, Alentejo (o identitário documentário de Tréfaut) para as ribaltas da ficção, incentivando a sombra de um tipo de ator preciso e sobretudo inexistente no nosso leque profissional. Em Raiva há muito por onde olhar e refletir, uma peça discreta que vence por essa mesmo discrição. Mesmo não tendo a histeria de um ativismo a ser demarcado, este é sobretudo um filme necessário para as nossas consciências.

 

“Em terra sem pão, o pobre nasce pobre, o rico nasce rico”

 

Real.: Sérgio Tréfaut / Int.: Hugo Bentes, Isabel Ruth, Leonor Silveira, Rita Cabaço, Lia Gama, Catarina Wallenstein, Diogo Dória, Luís Miguel Cintra, Herman José

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 16:53
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21.10.18

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Pelas fronteiras do vazio!

 

Encaramos como poesia abstrata um homem moldavo [Kolya] que vai ao encontro dos fragmentos de uma antiga nação de forma a promover uma nacionalidade inexistente (Transnístria). Extinção, um dos mais recentes trabalhos de Salomé Lamas (El Dorado XXI), depara-se com questões identitárias para se envolver em elementos tão precisos na filmografia da realizadora – os “não-locais”, as ditas “terras de ninguém” – ou seguindo as condutas do cineasta e poeta F.J. Ossang, “o Cinema parte de territórios e de como podemos distorcer essas fronteiras”. Mas essa inteiração de distorção da nossa geografia ou despir o reconhecível com o irreconhecível, parece materializar-se com os dilemas de uma URSS extinta, porém, de espirito assombrado e ansioso por uma silenciosa ressurreição.

 

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Geopolíticas à parte, Salomé Lamas evidencia investigação no terreno e de forma a conduzir-se fora dos formatos estruturais do documentário, encontra no eclético a sua solução. O resultado é um ensaio, um mero artificio visual que desapega do seu corpus de estudo e que abandona, em certa parte, a coerência do seus discurso. Assim sendo, Extinção exibe a criatividade do olhar, o reencontro com a ferrugem e a ruina da paisagem captada para metaforizar a decadência de um Império, ao mesmo tempo que adquire a audácia de seguir em fronte uma investigação nas sombras. Sim, entendemos perfeitamente onde Lamas quer ir e atingir, mas o rodopiante embelezamento leva-nos à instalação acima de uma mostra do seu curso empírico. Continuando então a persistir na alegoria do discurso ao invés da natureza deste, ao perceber que por vezes as imagens operam de maneira autónoma a esse registo (ao contrário do estruturalismo de muitas das vagas de 20 e 60, Salomé Lamas tenta lançar o visual como cúmplice de um discurso).

 

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Infelizmente, Extinção prolonga uma passividade que nesta altura do campeonato não prevíamos em Salomé Lamas. Enfim, uma proposta entendida entrelinhas, cuja beleza estética não faz jus à pesquisa elaborada. Que poucas respostas nos dá, mas, mais que tudo, menos perguntas incentiva.

 

Filme visualizado no 16º Doclisboa

 

Real.: Salomé Lamas

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 20:05
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17.9.18

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O realizador Edgar Pêra, cujo O Espectador Espantado chegou esta semana às salas, divulgou através das redes sociais a sua indignação em relação às exibições nas salas de cinema, frisando, sobretudo, as de Lisboa, aquando de um episódio ocorrido na sessão de estreia.

 

Fala-se muito na morte do Cinema mas na realidade são as salas de cinema que definham. O Espectador Espantado não foi exibido no seu dia de estreia no Alvaláxia devido a problemas técnicos com a projeção 3D. Imaginem se o mesmo se passasse com os Vingadores ou com os Incríveis II (ambos filmes 3D), o escândalo que seria... Mas não só os cinemas privados que desinvestem na qualidade das suas projeções.”

 

Muito recentemente mostrei na Culturgest O Homem Pykante e o som era totalmente deficiente: ao que parece uma coluna tinha morrido e não lhe tinham feito o funeral. Mas o cúmulo foi quando um técnico sugeriu ao misturador do filme que fizesse novas misturas para as especificidades daquela sala.... Também a última vez que projetei um filme no São Jorge, o som era uma miséria, e consta que apenas usam as melhores lâmpadas do projetor em sessões oficiais."

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"Não sei se a situação se mantém nestas salas, mas ainda há pouco vi no Corte Inglês um filme numa versão escura e sem contraste. A decadência do cinema enquanto fenómeno coletivo será inevitável? (não costumo postar este tipo de comentários, mas já é confrangedor estrear um filme numa só sala em Lisboa, quanto mais ver sabotada a sua estreia).”

 

O Espectador Espantado é visto como um filme-ensaio que questiona a existência e longevidade do Cinema e a sua relação com os espectadores e vice-versa. A obra conta ainda com entrevistas a personalidades como o filosofo Eduardo Lourenço, o crítico Augusto M. Seabra e os realizadores Guy Maddin e F.J. Ossang.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:31
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15.9.18

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Em promoção à série de televisão Sara, que desenvolveu em conjunto com o ator e comediante Bruno Nogueira, Marco Martins, também conhecido como realizador de Alice e São Jorge, revelou ao C7nema pormenores sobre a sua próxima longa-metragem.

 

Este seu novo filme será rodado em Inglaterra tendo como protagonistas Beatriz Batarda e Nuno Lopes, dois atores que integram o elenco da série: “Esta longa-metragem é a consequência de um projeto de dois que tive a desenvolver com essa grande comunidade portuguesa localizada numa zona de Inglaterra.

 

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Beatriz Batarda também falou com o C7nema sobre a sua personagem neste novo projeto de Martins, que segundo ela  “faz a ponte entre uma entidade empregadora de uma zona industrial e os imigrantes portugueses em situação limite em busca de uma saída económica.” Ainda sobre o cenário, a atriz referiu que “não é à toa que ele [Marco Martins] escolhe Inglaterra”, dando indicação que o Brexit será tema recorrente nesta longa-metragem: “Com isso ele pretende levantar todas essas questões, se há ou não livre circulação dentro dos mercados e se em concreto [ela] é equilibrada ou não

 

De momento ainda não foi divulgada qualquer data de estreia nem o inicio de rodagem desta nova produção.

 

Recordamos que Sara, a série televisiva com direção de Marco Martins -apresentada no último Indielisboa - estreia no dia 7 de outubro na RTP2. Nela acompanhamos uma consagrada atriz dramática que perde a sua capacidade de chorar, iniciando com isto um percurso algo existencialista.

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:57
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27.8.18
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Depois de Nana, a Milla …

 

Já tínhamos percebido com Nana, a sua primeira longa-metragem, que Valérie Massadian tenta repor um cinema completamente observacional, quase estudioso para com a figura imposta, e nesse termo, porque não mencionar - antropológico? No filme em questão, uma criança de 4 anos é deixada à sua mercê quando a progenitora falece. A protagonista, a tal Nana, desvanecida à sua ingenuidade / imaturidade, subsiste involuntariamente com o auxilio de preciosas ferramentas (tão férteis enquanto “pequenos”), a imaginação e a improvisação. Todas essas, levam à iminente negação do elemento morte. Aliás, em Nana, a morte é mais que território desconhecido, é um efeito ignorado, conscientemente inexistente.

 

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Em Milla, todo o percurso perde o seu quê de experimentalismo. Já não estamos a lidar com “enfants”, mas sim, com jovens “sabidos”, provavelmente inconsequentes perante o mundo que vive, ou no seu caso, o panorama fabricado perante um otimismo sem par. A personagem-título, uma jovem de 17 anos, cai em redes shakespearianas, e o amor gerado leva-a fugir da sua anterior vida (sabemos lá qual é), que juntamente com o seu companheiro, sobrevive como pode, tentando desraizar a tal predestinada inserção sociológica.

 

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Milla ostenta essa visão distante, acurralando as suas personagens como cobaias de um qualquer tratado zoológico. Elas povoam a casa desabitada, convertendo num lar “akermeano” (união visual dos mosaicos com a tendência fílmica de Chantal Akerman, e não só, a não-ação da realizadora a servir de inspiração para a sua descendente). Porém, o dispositivo quebra, quando a tragédia abate a rotina conformista que se indiciava viciosa. Nesse termo, o piscar de olhos “akermeanos” afasta-se da realidade filmada e do formalismo e aproxima-se de uma certo centrifugação onírica, enquanto, simultaneamente, somos presentados com réstias das pegadas passadas de Massadian. O espectro de Nana a quebrar o “gelo” imposto por esta Milla, ou será antes, Milla uma espécie de sequela de Nana?

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Conforme seja a visão pretendida e requerida neste retrato objetor de consciências cinematográficas, a razão de todo este efeito é o acorrentar o espectador a um só olhar, o de Massadian e dos enquadramentos que essa retina contém.

 

Real.: Valérie Massadian / Int.: Severine Jonckeere, Luc Chessel, Ethan Jonckeere

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 15:03
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26.7.18

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Linhas de embaraço!

 

O pior filme do cinema português? Parece exagerado esta afirmação concreta, presunçosa que revela antes de mais insegurança em relação à armadilha deixada pela equipa de marketing de Linhas de Sangue. Nesta estratégia é nos deixado uma curta-metragem onde três “supostos” críticos entram em sala de projeção, rindo desalmadamente de todo o filme até que no final discutem as notas a dar. “Eu vou dar bola preta. Aliás, no meu jornal só dou bola”. Este pedaço de “comédia crítica” envenenada por todos os clichés e generalizações evidencia duas patologias. Uma, o desconhecimento do que é crítica de cinema e do que realmente se passa nos ditos visionamentos de imprensa e, segunda, uma vingança ressabiada reconhecível de um dos realizadores (visto que dos dois creditados só um ´sofreu´ nas mãos destes ´malvados´). Porém, por momentos, tenta-se não ser levado pela desinformação causada, até porque, vejamos, essa curta é afinal o melhor de um filme que nunca existiu. O pior é mesmo o seu anexo, aquele que dá pelo título de Linhas de Sangue.

 

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Mas … o pior filme do cinema português? É possível? Nesta quimera produzida sob as luzes de uma indústria inexistente, encontramos as influências, ou diríamos antes, o signo das comédias de Jim Abrahams e David Zucker, o simples spoof movie, hoje vulgarizado pela piada fácil e de teor escatológico. Da nossa memória prevalece Hot Shots: Ases Pelos Ares como principal fusão, o teor ridicularizado que nunca sai da mera caricatura. Porém, havia inteligência nesse sistema de gags, existia sobretudo conhecimento quanto à coletânea de referências e, pelo meio, uma espécie de parábola politica e social. O trabalho de Abrahams / Zucker formou muita da comédia hoje citada aos trambolhões.

 

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Em Linhas de Sangue, isso não acontece. Primeiro, porque não existe um cuidado em abordar seriedade sob o tom trocista e isso reflete-se na pouca sapiência dos gags e como estes são empregues. Dando o exemplo da primeira sequência, onde sobrevoamos uma Lisboa sob a legenda «Berlim, República Checa», a sátira que é desfeita logo de seguida com o anúncio de que tudo não passa de uma piada. Trata-se evidentemente de um método de autodefesa, ou até mesmo de insegurança. O resto é cair na série B (nada contra), sob os efeitos invejáveis de uma “megalómana” produção à portuguesa, os pequeninos sem a modéstia de aceitar uma industria que não existe e muito mais, um público não preparado. Todavia, neste último ponto a culpa não poderá ser totalmente do filme, mas sim da dominância de Hollywood e como certos elementos tornaram-se associados à esta mesma industria. Apropriados em Linhas de Sangue, dos mutantes às amazonas do Tejo, tudo soa a uma artificialidade desaprovadora, muito mais, quando nos apercebemos que tudo não passa de uma brincadeira chapada.

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O que Luís Ismael nos ensinou é que para levar o espectador a um cinema descontraído, fora das tendências do world cinema, é preciso ter paciência e assim aperfeiçoar-se cinematograficamente em cada tempo. Não é por menos que ele é o criador da trilogia Balas e Bolinhos, hoje tido como o case study de progressão técnica e também narrativa. Ora, Linhas de Sangue - sob um jeito glutão - tenta ser levado a sério e ao mesmo tempo pede clemência na perceção do espectador. Porque, afinal, não passa tudo de uma piada (novamente sublinha-se). Contudo, se em Balas’ existe uma certa paixão no seu material, em Linhas’ encontramos somente uma dedicação em criar um filme para amigos. Sim, estes que palmadinhas nas costas darão como etiqueta, sussurrando elogios como “bom trabalho” ou “glorioso”. Depois são 54 atores, caras conhecidas do universo televisivo e teatral do público português. Agora imaginem só os círculos de amigos que cada um detém … Mas no fim de contas, são os atores que elevam este produto, foram, sem dúvida alguma, eles quem mais se divertiram com tudo isto.

 

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Em relação ao pior filme do cinema português, assume-se que tal estatuto será difícil de confirmar até porque, no nosso circuito, muitos atentados já haviam sido produzidos. Só que Linhas de Sangue carece de alma e sobretudo humildade (não confundir com ser despretensioso), aliás, isso também falta aos apoiantes da tal campanha publicitária. Aqueles que persistem em estereótipos numa sociedade saturada deles.

 

PS: só não dou bola preta porque pegar numa câmara é exercício físico.

 

Real.: Sérgio Graciano, Manuel Pureza / Int.: Kelly Bailey, Soraia Chaves, Alba Baptista, José Fidalgo¸ José Raposo, Pedro Hoss, Catarina Furtado, Débora Monteiro, Joaquim Horta, Marina Mota, Miguel Costa, Paulo Pires, Ricardo Carriço, Tino Navarro, Dânia Neto, Gabriela Barros, Alfredo Brito

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 00:35
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14.7.18

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O premiado filme da última edição da Semana da Crítica do Festival de Cannes, Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, terá as honras de abrir a 26ª Curtas Vila do Conde Festival Internacional de Cinema, que arranca hoje.

 

Integrado na secção Da Curta à Longa, no filme seguimos Diamantino (Carloto Cotta), ícone absoluto do futebol. Ao jogar o jogo mais importante da sua vida, as coisas correm mal e a sua carreira é interrompida. A estrela caída em desgraça busca então significado para a sua vida, mas as coisas não são o que parecem e, mal acompanhado por duas irmãs gémeas que só parecem querer o seu dinheiro, a vida do ingénuo Diamantino começa uma odisseia louca, cruzando-se com a crise migratória, o ressurgir do nacionalismo e o delirante tráfico genético.

 

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Ainda na mesma secção será apresentado Un couteau dans le coeur (2018), o último trabalho de Yann Gonzalez, também estreado no Festival de Cannes. Tendo como pano de fundo a indústria pornográfica do fim dos anos 70, em Paris, a longa-metragem narra a história de Anne (Vanessa Paradis), produtora de filmes porno de série B.

 

O realizador estará ainda em destaque através de uma carta branca no certame, materializada numa louca sessão de meia-noite, composta por filmes vanguardistas e algumas raridades, apresentada pelo próprio. Depressive Cop (2016), de Bertrand Mandico; Tout ce dont je me souviens (1969), de Christian Boltanski; The Cat Lady (1969), de Tom Chomont; Dellamorte Dellamorte Dellamore (2000), de David Matarasso; Jungle Island (1967), de Jack Smith; são algumas das escolhas do cineasta. Ainda na secção Da Curta à Longa serão apresentados The Green Fog, de Guy Maddin e Le Monde est à Toi, de Romain Gavras.

 

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Por sua vez, o cineasta israelita Nadav Lapid será o realizador em foco nesta edição. Para além da sua presença, Lapid estará no debate a decorrer Teatro Municipal de Vila do Conde, que se encontra integrado na 3.ª edição do Workshop de Crítica de Cinema, também este promovido pelo festival.

 

Serão 31, o número de integrantes na Competição Internacional desde Bertrand Mandico a João Paulo Miranda Maria, enquanto que a Nacional ostentará mais de 17 participantes, incluindo os novos trabalhos de João Viana (Madness), Rodrigo Areias (Pixel Frio), Ivo M. Ferreira (Equinócio) e a atriz Ana Moreira (Aquaparque). Em projeções especiais serão exibidos as novas curtas de Pedro Neves (Náufragos), Miguel Clara Vasconcelos (Circo do Amor) e José Magro (Rio Entre As Montanhas), e como encerramento, Eugène Green e o seu Como Fernando Pessoa Salvou Portugal (com Carloto Cotta, Diogo Dória, Ricardo Gross e Manuel Mozos no elenco) serão os honrados de tal tarefa.

 

A 26ª Curtas do Vila do Conde prolongará até dia 26 de julho. Toda a programação poderá ser vista aqui.

 

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12.7.18

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Morreu a atriz Laura Soveral. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã  através da Casa do Artista. Tinha 85 anos.

 

Nascida em Angola a 23 de março de 1933, Soveral enveredou pela representação ao estabelecer-se em Lisboa, onde frequentou a Filologia Germânica, na Faculdade de Letras, iniciando-se em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila. Entretanto, inscreveu-se na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, começando assim uma carreira que se prolongou por 6 décadas.

 

Figura forte no mundo do Teatro, a atriz participou igualmente em inúmeros projetos cinematográficos, trabalhando com cineastas como Manoel de Oliveira (Vale Abraão; A Divina Comédia), Fernando Lopes (Uma Abelha na Chuva; Matar Saudades; O Delfim), João Botelho (Aqui na Terra; O Fatalista, A Mulher que Acreditava Ser Presidente Dos EUA, A Corte do Norte, Filme do Desassossego, Os Maias e Tráfico), José Fonseca e Costa (Cinco Dias, Cinco Noites) Teresa Villaverde (Três Irmãos), José Álvaro Morais (Quaresma), Marco Martins (Alice) e Miguel Gomes (Tabu).

 

Com uma carreira igualmente forte na TV, Soveral participou em telenovelas e séries como Belmonte, Morangos com Açúcar, Vila Faia, Chuva na Areia e A Viúva do Enforcado.

 

Recorde-se que a atriz foi distinguida em 2016 com o Prémio Bárbara Virgínia, atribuído pela Academia Portuguesa de Cinema, pela "carreira ímpar no cinema e no teatro nacional".

 

Laura Soveral (1933 - 2018)


publicado por Hugo Gomes às 15:25
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10.7.18

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Prometo Filmar!

 

Olá, sou o Pedro Chagas Freitas e prometo falhar”. O escritor-homenageado apresenta-se sem rodeios e hesitações, trata-se do filme à sua medida, uma obra que nos engana assim como Pedro que na sua primeira frase nos mente. A mentira tem perna curta, até porque em 50 minutos de filme, este Prometo Falhar tem tudo menos “falhanços”, é uma ode ao sucesso do homónimo livro, “o mais sublinhado de sempre”, como gostam de publicitar.

 

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É uma “jornada” ao sucesso da obra em questão, ao invés da relevância do mesmo na nossa cultura popular (dele nasceram oportunistas de “mau gosto” como Afonso Noite-Luar por exemplo), e devido a esse tópico à lá vendedor/merceeiro, este dispositivo altamente televisivo usa a desculpa de uma biografia disfarçada e oculta. Nota-se pelos relatos dos entrevistados, aqueles que coexistem no universo “freiteano” (não tornemos este adjetivo num habito se faz favor), que não poupam elogios à perfeição do autor em qualquer área, em oposição do próprio dialogo de Pedro, que fala de “fracasso e falhas”, como parte integral da sua vida. Mas afinal, quem anda a mentir?

 

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Alberto Rocco [o realizador] é lúcido no seu discurso; “não fiz um filme para o público geral, fiz um filme para um objetivo especifico, os fãs do livro”. Nesse aspeto, convenhamos que Prometo Falhar é um produto que procura agradar o seu filme, induzi-lo num anorético trabalho de pesquisa e pouca introspeção nas palavras produzidas dos escritos, aqui lidas por diversos convidados como se lesse poemas de Sophia de Mello Breyner. Contudo, longe de nós em condenar os gostos dos fãs e da própria temática do filme. O que não poupo na misericórdia é na questão da cinematografia. Documentário-reportagem completamente anexado aos tiques e maneirismos do jornalismo televisivo, vendido como Cinema, tal como vendem gato por lebre.

 

Real.: Alberto Rocco / Int.: Pedro Chagas Freitas, Paulo Calatré

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 01:11
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5.7.18

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Descrito como o “livro mais sublinhado de sempre”, Prometo Falhar tornou-se num dos grandes fenómenos da literatura portuguesa recente, torna-se num sucesso de vendas assim como viral nas redes sociais. Escrito por Pedro Chagas Freitas, o livro apresenta-se como uma obra de frases soltas, para alguns, ou de pequenos contos, para outros, cujo foco é o romance como o mais apetecido e fracassado dos sentimentos.

 

Ame-se ou odeie-se, Prometo Falhar tomou lugar na cultura popular portuguesa, sendo que a oportunidade de o adaptar para o cinema tem sido, mais que tudo, apetecível. Mas o “beneficiário” dessa conversão foi o realizador italiano Alberto Rocco, perito na área do documentário, que encontrou no livro de Chagas Freitas uma espécie de folha em branco. “O processo de produção consistiu em somente falar com o Pedro, do qual sou fã. Encontrei no seu livro uma proposta desafiante, o de adaptar algo sem narrativa.” afirmou o realizador. “O que fiz, na verdade, não foi bem uma adaptação, antes uma interpretação do livro. Se tivesse que seguir a sua narrativa, seria um trabalho muito difícil. Para tal, tinha uma opção, escolher uma das histórias apresentadas nas páginas do livro e levá-lo ao grande ecrã. Foi então que escolhi essa história, a do próprio Pedro.

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Prometo Falhar vai mais além dos escritos do livro. Vai ao encontro do homem que o escreveu, Pedro Chagas Freitas, o seu percurso até à sua confirmação enquanto autor. O próprio assume que foram os ‘falhanços’ que ditaram a sua prosperidade, e a sua coragem em enfrentar o grande medo de todos, o de falhar. Alberto Rocco divulgou, para além do processo de adaptação, como escolheu a melhor forma de abordagem. “A forma que encontrei para abordar isto tudo foi o de pegar num concerto de Tchaikovsky, o qual também admiro, e sobre esse conceito tentei montar um filme.”

 

É sabido que Prometo Falhar – O Filme, em oposição ao sucesso do livro, é um filme independente, cuja produção é da autoria do próprio realizador, que se revelou num grande defensor do termo independente: “É algo que sempre defendi. Os filmes independentes precisam de público, não de subsídios. Não devemos responsabilizar o estado politico, aqueles discursos que ouvimos milhares de vezes de que não há dinheiro. Nós precisamos de público acima de qualquer ajuda monetária. E se o público nos der uma oportunidade, existe a chance de fazer filmes bastante interessantes com produções puramente independentes. Não devemos confundir o interessante com os blockbusters, os independentes têm as suas limitações, mas são no fundo filmes que querem o mesmo – público – e para isso têm que ter a capacidade de entreter uma pessoa pelo menos 50 minutos ou mais de uma hora. Tenho que tentar transmitir essa ideia. Se o público deixar, o cinema independente tem muito para dar. Basta o público querer. Conheço vários colegas que têm conceitos maravilhosos para trabalhar, mas não tem a oportunidade de concretizá-los devido a esse ´desprezo´ pelo termo independente.”

 

De seguida volta-se com elogios para a distribuidora/exibidora, Cinema City, que detém a exclusividade da estreia: “O Cinema City tem tido um papel importante na divulgação deste cinema português independente.” Confrontado com a expetativa do seu trabalho, Rocco referiu que concretizou um filme não para o público geral, mas para um objetivo especifico: os fãs do livro. Garantindo que a exigência desses mesmos fãs poderá levar a rigorosas comparações com a matéria-prima, acrescenta: “O filme perderá sempre para o livro, tudo porque quando lemos um livro temos um grande aliado, a nossa imaginação. Em relação a um filme, esse aliado torna-se no nosso pior inimigo, porque não podemos apoiar-nos na imaginação.”

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:49
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4.7.18

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António Reis e Margarida Cordeiro serão alvo de retrospetiva na quinta edição do Porto/Post/Doc. O festival portuense exibirá na integra as respetivas filmografias incluindo uma nova cópia restaurada de Trás-dos-Montes, umas das obras maiores do drama etnográfico português. Em complemento, decorrerá um painel, "Rever Reis e Cordeiro", tendo inúmeros convidados do ramo cinematográfico e jornalístico disposto a debater e discutir sobre o cinema da dupla.

 

Em paralelo, o festival contará com um workshop teórico orientado pela investigadora e realizadora britânica Laura Mulvey, no qual focará diversas questões de género no cinema, muitas delas estudadas pela própria há já vários anos (com inscrições até ao final de setembro).

 

O 5º Porto/Post/Doc – Film & Media Festival acontece de 24 de novembro e 2 de dezembro no Teatro Municipal do Porto – Rivoli, Cinema Passos Manuel, Cinema Trindade, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Maus Hábitos e Universidade Católica Portuguesa (Porto).

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:12
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2.7.18

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Arrancaram as rodagens do filme português, Ladrões de Tuta e Meia, uma comédia que será protagonizada por Rui Unas e Melânia Gomes, tendo estreia prevista para fevereiro de 2019.

 

Contando como a primeira produção da Lanterna de Pedra em conjunto com a PRIS Audiovisuais, que assegura a distribuição em sala, em Ladrões de Tuta e Meia conheceremos um casal de vigaristas que tenta burlar um veterano do Ultramar que venceu o prémio do Euromilhões. Carlos Areia, Pedro Alves, Vítor de Sousa, Guilherme Leite, José Eduardo, Mouzinho Arsénio, Diva O'Branco, Luís Oliveira, Cândido Mota, Pedro Alves, Gonçalo Lello, Lourenço Serrão, Cristina Cavalinho e Marcantónio Del Carlo completam o elenco.

 

O realizador é Hugo Diogo, mais conhecido pela obra Os Marginais, lançado em 2010, drama citadino que abordou crime organizado e lutas ilegais. Vale a pena relembrar que este ano contaremos com a estreia do seu mais recente trabalho, Imagens Proibidas (ver trailer abaixo), a história de um fotógrafo que tenta recriar um amor entre duas mulheres através de fotografias. Uma adaptação de um livro de Pedro Paixão com Elmano Sancho, Diana Costa e Silva, Ana Vilela da Costa, Dinarte de Freitas, Suzana Borges, Susana Sá e Rita Redshoes no elenco.

 

 
 

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publicado por Hugo Gomes às 14:44
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