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17.9.18

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O realizador Edgar Pêra, cujo O Espectador Espantado chegou esta semana às salas, divulgou através das redes sociais a sua indignação em relação às exibições nas salas de cinema, frisando, sobretudo, as de Lisboa, aquando de um episódio ocorrido na sessão de estreia.

 

Fala-se muito na morte do Cinema mas na realidade são as salas de cinema que definham. O Espectador Espantado não foi exibido no seu dia de estreia no Alvaláxia devido a problemas técnicos com a projeção 3D. Imaginem se o mesmo se passasse com os Vingadores ou com os Incríveis II (ambos filmes 3D), o escândalo que seria... Mas não só os cinemas privados que desinvestem na qualidade das suas projeções.”

 

Muito recentemente mostrei na Culturgest O Homem Pykante e o som era totalmente deficiente: ao que parece uma coluna tinha morrido e não lhe tinham feito o funeral. Mas o cúmulo foi quando um técnico sugeriu ao misturador do filme que fizesse novas misturas para as especificidades daquela sala.... Também a última vez que projetei um filme no São Jorge, o som era uma miséria, e consta que apenas usam as melhores lâmpadas do projetor em sessões oficiais."

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"Não sei se a situação se mantém nestas salas, mas ainda há pouco vi no Corte Inglês um filme numa versão escura e sem contraste. A decadência do cinema enquanto fenómeno coletivo será inevitável? (não costumo postar este tipo de comentários, mas já é confrangedor estrear um filme numa só sala em Lisboa, quanto mais ver sabotada a sua estreia).”

 

O Espectador Espantado é visto como um filme-ensaio que questiona a existência e longevidade do Cinema e a sua relação com os espectadores e vice-versa. A obra conta ainda com entrevistas a personalidades como o filosofo Eduardo Lourenço, o crítico Augusto M. Seabra e os realizadores Guy Maddin e F.J. Ossang.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:31
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15.9.18

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Em promoção à série de televisão Sara, que desenvolveu em conjunto com o ator e comediante Bruno Nogueira, Marco Martins, também conhecido como realizador de Alice e São Jorge, revelou ao C7nema pormenores sobre a sua próxima longa-metragem.

 

Este seu novo filme será rodado em Inglaterra tendo como protagonistas Beatriz Batarda e Nuno Lopes, dois atores que integram o elenco da série: “Esta longa-metragem é a consequência de um projeto de dois que tive a desenvolver com essa grande comunidade portuguesa localizada numa zona de Inglaterra.

 

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Beatriz Batarda também falou com o C7nema sobre a sua personagem neste novo projeto de Martins, que segundo ela  “faz a ponte entre uma entidade empregadora de uma zona industrial e os imigrantes portugueses em situação limite em busca de uma saída económica.” Ainda sobre o cenário, a atriz referiu que “não é à toa que ele [Marco Martins] escolhe Inglaterra”, dando indicação que o Brexit será tema recorrente nesta longa-metragem: “Com isso ele pretende levantar todas essas questões, se há ou não livre circulação dentro dos mercados e se em concreto [ela] é equilibrada ou não

 

De momento ainda não foi divulgada qualquer data de estreia nem o inicio de rodagem desta nova produção.

 

Recordamos que Sara, a série televisiva com direção de Marco Martins -apresentada no último Indielisboa - estreia no dia 7 de outubro na RTP2. Nela acompanhamos uma consagrada atriz dramática que perde a sua capacidade de chorar, iniciando com isto um percurso algo existencialista.

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:57
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27.8.18
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Depois de Nana, a Milla …

 

Já tínhamos percebido com Nana, a sua primeira longa-metragem, que Valérie Massadian tenta repor um cinema completamente observacional, quase estudioso para com a figura imposta, e nesse termo, porque não mencionar - antropológico? No filme em questão, uma criança de 4 anos é deixada à sua mercê quando a progenitora falece. A protagonista, a tal Nana, desvanecida à sua ingenuidade / imaturidade, subsiste involuntariamente com o auxilio de preciosas ferramentas (tão férteis enquanto “pequenos”), a imaginação e a improvisação. Todas essas, levam à iminente negação do elemento morte. Aliás, em Nana, a morte é mais que território desconhecido, é um efeito ignorado, conscientemente inexistente.

 

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Em Milla, todo o percurso perde o seu quê de experimentalismo. Já não estamos a lidar com “enfants”, mas sim, com jovens “sabidos”, provavelmente inconsequentes perante o mundo que vive, ou no seu caso, o panorama fabricado perante um otimismo sem par. A personagem-título, uma jovem de 17 anos, cai em redes shakespearianas, e o amor gerado leva-a fugir da sua anterior vida (sabemos lá qual é), que juntamente com o seu companheiro, sobrevive como pode, tentando desraizar a tal predestinada inserção sociológica.

 

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Milla ostenta essa visão distante, acurralando as suas personagens como cobaias de um qualquer tratado zoológico. Elas povoam a casa desabitada, convertendo num lar “akermeano” (união visual dos mosaicos com a tendência fílmica de Chantal Akerman, e não só, a não-ação da realizadora a servir de inspiração para a sua descendente). Porém, o dispositivo quebra, quando a tragédia abate a rotina conformista que se indiciava viciosa. Nesse termo, o piscar de olhos “akermeanos” afasta-se da realidade filmada e do formalismo e aproxima-se de uma certo centrifugação onírica, enquanto, simultaneamente, somos presentados com réstias das pegadas passadas de Massadian. O espectro de Nana a quebrar o “gelo” imposto por esta Milla, ou será antes, Milla uma espécie de sequela de Nana?

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Conforme seja a visão pretendida e requerida neste retrato objetor de consciências cinematográficas, a razão de todo este efeito é o acorrentar o espectador a um só olhar, o de Massadian e dos enquadramentos que essa retina contém.

 

Real.: Valérie Massadian / Int.: Severine Jonckeere, Luc Chessel, Ethan Jonckeere

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 15:03
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26.7.18

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Linhas de embaraço!

 

O pior filme do cinema português? Parece exagerado esta afirmação concreta, presunçosa que revela antes de mais insegurança em relação à armadilha deixada pela equipa de marketing de Linhas de Sangue. Nesta estratégia é nos deixado uma curta-metragem onde três “supostos” críticos entram em sala de projeção, rindo desalmadamente de todo o filme até que no final discutem as notas a dar. “Eu vou dar bola preta. Aliás, no meu jornal só dou bola”. Este pedaço de “comédia crítica” envenenada por todos os clichés e generalizações evidencia duas patologias. Uma, o desconhecimento do que é crítica de cinema e do que realmente se passa nos ditos visionamentos de imprensa e, segunda, uma vingança ressabiada reconhecível de um dos realizadores (visto que dos dois creditados só um ´sofreu´ nas mãos destes ´malvados´). Porém, por momentos, tenta-se não ser levado pela desinformação causada, até porque, vejamos, essa curta é afinal o melhor de um filme que nunca existiu. O pior é mesmo o seu anexo, aquele que dá pelo título de Linhas de Sangue.

 

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Mas … o pior filme do cinema português? É possível? Nesta quimera produzida sob as luzes de uma indústria inexistente, encontramos as influências, ou diríamos antes, o signo das comédias de Jim Abrahams e David Zucker, o simples spoof movie, hoje vulgarizado pela piada fácil e de teor escatológico. Da nossa memória prevalece Hot Shots: Ases Pelos Ares como principal fusão, o teor ridicularizado que nunca sai da mera caricatura. Porém, havia inteligência nesse sistema de gags, existia sobretudo conhecimento quanto à coletânea de referências e, pelo meio, uma espécie de parábola politica e social. O trabalho de Abrahams / Zucker formou muita da comédia hoje citada aos trambolhões.

 

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Em Linhas de Sangue, isso não acontece. Primeiro, porque não existe um cuidado em abordar seriedade sob o tom trocista e isso reflete-se na pouca sapiência dos gags e como estes são empregues. Dando o exemplo da primeira sequência, onde sobrevoamos uma Lisboa sob a legenda «Berlim, República Checa», a sátira que é desfeita logo de seguida com o anúncio de que tudo não passa de uma piada. Trata-se evidentemente de um método de autodefesa, ou até mesmo de insegurança. O resto é cair na série B (nada contra), sob os efeitos invejáveis de uma “megalómana” produção à portuguesa, os pequeninos sem a modéstia de aceitar uma industria que não existe e muito mais, um público não preparado. Todavia, neste último ponto a culpa não poderá ser totalmente do filme, mas sim da dominância de Hollywood e como certos elementos tornaram-se associados à esta mesma industria. Apropriados em Linhas de Sangue, dos mutantes às amazonas do Tejo, tudo soa a uma artificialidade desaprovadora, muito mais, quando nos apercebemos que tudo não passa de uma brincadeira chapada.

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O que Luís Ismael nos ensinou é que para levar o espectador a um cinema descontraído, fora das tendências do world cinema, é preciso ter paciência e assim aperfeiçoar-se cinematograficamente em cada tempo. Não é por menos que ele é o criador da trilogia Balas e Bolinhos, hoje tido como o case study de progressão técnica e também narrativa. Ora, Linhas de Sangue - sob um jeito glutão - tenta ser levado a sério e ao mesmo tempo pede clemência na perceção do espectador. Porque, afinal, não passa tudo de uma piada (novamente sublinha-se). Contudo, se em Balas’ existe uma certa paixão no seu material, em Linhas’ encontramos somente uma dedicação em criar um filme para amigos. Sim, estes que palmadinhas nas costas darão como etiqueta, sussurrando elogios como “bom trabalho” ou “glorioso”. Depois são 54 atores, caras conhecidas do universo televisivo e teatral do público português. Agora imaginem só os círculos de amigos que cada um detém … Mas no fim de contas, são os atores que elevam este produto, foram, sem dúvida alguma, eles quem mais se divertiram com tudo isto.

 

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Em relação ao pior filme do cinema português, assume-se que tal estatuto será difícil de confirmar até porque, no nosso circuito, muitos atentados já haviam sido produzidos. Só que Linhas de Sangue carece de alma e sobretudo humildade (não confundir com ser despretensioso), aliás, isso também falta aos apoiantes da tal campanha publicitária. Aqueles que persistem em estereótipos numa sociedade saturada deles.

 

PS: só não dou bola preta porque pegar numa câmara é exercício físico.

 

Real.: Sérgio Graciano, Manuel Pureza / Int.: Kelly Bailey, Soraia Chaves, Alba Baptista, José Fidalgo¸ José Raposo, Pedro Hoss, Catarina Furtado, Débora Monteiro, Joaquim Horta, Marina Mota, Miguel Costa, Paulo Pires, Ricardo Carriço, Tino Navarro, Dânia Neto, Gabriela Barros, Alfredo Brito

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:35
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O premiado filme da última edição da Semana da Crítica do Festival de Cannes, Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, terá as honras de abrir a 26ª Curtas Vila do Conde Festival Internacional de Cinema, que arranca hoje.

 

Integrado na secção Da Curta à Longa, no filme seguimos Diamantino (Carloto Cotta), ícone absoluto do futebol. Ao jogar o jogo mais importante da sua vida, as coisas correm mal e a sua carreira é interrompida. A estrela caída em desgraça busca então significado para a sua vida, mas as coisas não são o que parecem e, mal acompanhado por duas irmãs gémeas que só parecem querer o seu dinheiro, a vida do ingénuo Diamantino começa uma odisseia louca, cruzando-se com a crise migratória, o ressurgir do nacionalismo e o delirante tráfico genético.

 

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Ainda na mesma secção será apresentado Un couteau dans le coeur (2018), o último trabalho de Yann Gonzalez, também estreado no Festival de Cannes. Tendo como pano de fundo a indústria pornográfica do fim dos anos 70, em Paris, a longa-metragem narra a história de Anne (Vanessa Paradis), produtora de filmes porno de série B.

 

O realizador estará ainda em destaque através de uma carta branca no certame, materializada numa louca sessão de meia-noite, composta por filmes vanguardistas e algumas raridades, apresentada pelo próprio. Depressive Cop (2016), de Bertrand Mandico; Tout ce dont je me souviens (1969), de Christian Boltanski; The Cat Lady (1969), de Tom Chomont; Dellamorte Dellamorte Dellamore (2000), de David Matarasso; Jungle Island (1967), de Jack Smith; são algumas das escolhas do cineasta. Ainda na secção Da Curta à Longa serão apresentados The Green Fog, de Guy Maddin e Le Monde est à Toi, de Romain Gavras.

 

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Por sua vez, o cineasta israelita Nadav Lapid será o realizador em foco nesta edição. Para além da sua presença, Lapid estará no debate a decorrer Teatro Municipal de Vila do Conde, que se encontra integrado na 3.ª edição do Workshop de Crítica de Cinema, também este promovido pelo festival.

 

Serão 31, o número de integrantes na Competição Internacional desde Bertrand Mandico a João Paulo Miranda Maria, enquanto que a Nacional ostentará mais de 17 participantes, incluindo os novos trabalhos de João Viana (Madness), Rodrigo Areias (Pixel Frio), Ivo M. Ferreira (Equinócio) e a atriz Ana Moreira (Aquaparque). Em projeções especiais serão exibidos as novas curtas de Pedro Neves (Náufragos), Miguel Clara Vasconcelos (Circo do Amor) e José Magro (Rio Entre As Montanhas), e como encerramento, Eugène Green e o seu Como Fernando Pessoa Salvou Portugal (com Carloto Cotta, Diogo Dória, Ricardo Gross e Manuel Mozos no elenco) serão os honrados de tal tarefa.

 

A 26ª Curtas do Vila do Conde prolongará até dia 26 de julho. Toda a programação poderá ser vista aqui.

 

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12.7.18

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Morreu a atriz Laura Soveral. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã  através da Casa do Artista. Tinha 85 anos.

 

Nascida em Angola a 23 de março de 1933, Soveral enveredou pela representação ao estabelecer-se em Lisboa, onde frequentou a Filologia Germânica, na Faculdade de Letras, iniciando-se em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila. Entretanto, inscreveu-se na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, começando assim uma carreira que se prolongou por 6 décadas.

 

Figura forte no mundo do Teatro, a atriz participou igualmente em inúmeros projetos cinematográficos, trabalhando com cineastas como Manoel de Oliveira (Vale Abraão; A Divina Comédia), Fernando Lopes (Uma Abelha na Chuva; Matar Saudades; O Delfim), João Botelho (Aqui na Terra; O Fatalista, A Mulher que Acreditava Ser Presidente Dos EUA, A Corte do Norte, Filme do Desassossego, Os Maias e Tráfico), José Fonseca e Costa (Cinco Dias, Cinco Noites) Teresa Villaverde (Três Irmãos), José Álvaro Morais (Quaresma), Marco Martins (Alice) e Miguel Gomes (Tabu).

 

Com uma carreira igualmente forte na TV, Soveral participou em telenovelas e séries como Belmonte, Morangos com Açúcar, Vila Faia, Chuva na Areia e A Viúva do Enforcado.

 

Recorde-se que a atriz foi distinguida em 2016 com o Prémio Bárbara Virgínia, atribuído pela Academia Portuguesa de Cinema, pela "carreira ímpar no cinema e no teatro nacional".

 

Laura Soveral (1933 - 2018)


publicado por Hugo Gomes às 15:25
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10.7.18

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Prometo Filmar!

 

Olá, sou o Pedro Chagas Freitas e prometo falhar”. O escritor-homenageado apresenta-se sem rodeios e hesitações, trata-se do filme à sua medida, uma obra que nos engana assim como Pedro que na sua primeira frase nos mente. A mentira tem perna curta, até porque em 50 minutos de filme, este Prometo Falhar tem tudo menos “falhanços”, é uma ode ao sucesso do homónimo livro, “o mais sublinhado de sempre”, como gostam de publicitar.

 

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É uma “jornada” ao sucesso da obra em questão, ao invés da relevância do mesmo na nossa cultura popular (dele nasceram oportunistas de “mau gosto” como Afonso Noite-Luar por exemplo), e devido a esse tópico à lá vendedor/merceeiro, este dispositivo altamente televisivo usa a desculpa de uma biografia disfarçada e oculta. Nota-se pelos relatos dos entrevistados, aqueles que coexistem no universo “freiteano” (não tornemos este adjetivo num habito se faz favor), que não poupam elogios à perfeição do autor em qualquer área, em oposição do próprio dialogo de Pedro, que fala de “fracasso e falhas”, como parte integral da sua vida. Mas afinal, quem anda a mentir?

 

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Alberto Rocco [o realizador] é lúcido no seu discurso; “não fiz um filme para o público geral, fiz um filme para um objetivo especifico, os fãs do livro”. Nesse aspeto, convenhamos que Prometo Falhar é um produto que procura agradar o seu filme, induzi-lo num anorético trabalho de pesquisa e pouca introspeção nas palavras produzidas dos escritos, aqui lidas por diversos convidados como se lesse poemas de Sophia de Mello Breyner. Contudo, longe de nós em condenar os gostos dos fãs e da própria temática do filme. O que não poupo na misericórdia é na questão da cinematografia. Documentário-reportagem completamente anexado aos tiques e maneirismos do jornalismo televisivo, vendido como Cinema, tal como vendem gato por lebre.

 

Real.: Alberto Rocco / Int.: Pedro Chagas Freitas, Paulo Calatré

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:11
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5.7.18

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Descrito como o “livro mais sublinhado de sempre”, Prometo Falhar tornou-se num dos grandes fenómenos da literatura portuguesa recente, torna-se num sucesso de vendas assim como viral nas redes sociais. Escrito por Pedro Chagas Freitas, o livro apresenta-se como uma obra de frases soltas, para alguns, ou de pequenos contos, para outros, cujo foco é o romance como o mais apetecido e fracassado dos sentimentos.

 

Ame-se ou odeie-se, Prometo Falhar tomou lugar na cultura popular portuguesa, sendo que a oportunidade de o adaptar para o cinema tem sido, mais que tudo, apetecível. Mas o “beneficiário” dessa conversão foi o realizador italiano Alberto Rocco, perito na área do documentário, que encontrou no livro de Chagas Freitas uma espécie de folha em branco. “O processo de produção consistiu em somente falar com o Pedro, do qual sou fã. Encontrei no seu livro uma proposta desafiante, o de adaptar algo sem narrativa.” afirmou o realizador. “O que fiz, na verdade, não foi bem uma adaptação, antes uma interpretação do livro. Se tivesse que seguir a sua narrativa, seria um trabalho muito difícil. Para tal, tinha uma opção, escolher uma das histórias apresentadas nas páginas do livro e levá-lo ao grande ecrã. Foi então que escolhi essa história, a do próprio Pedro.

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Prometo Falhar vai mais além dos escritos do livro. Vai ao encontro do homem que o escreveu, Pedro Chagas Freitas, o seu percurso até à sua confirmação enquanto autor. O próprio assume que foram os ‘falhanços’ que ditaram a sua prosperidade, e a sua coragem em enfrentar o grande medo de todos, o de falhar. Alberto Rocco divulgou, para além do processo de adaptação, como escolheu a melhor forma de abordagem. “A forma que encontrei para abordar isto tudo foi o de pegar num concerto de Tchaikovsky, o qual também admiro, e sobre esse conceito tentei montar um filme.”

 

É sabido que Prometo Falhar – O Filme, em oposição ao sucesso do livro, é um filme independente, cuja produção é da autoria do próprio realizador, que se revelou num grande defensor do termo independente: “É algo que sempre defendi. Os filmes independentes precisam de público, não de subsídios. Não devemos responsabilizar o estado politico, aqueles discursos que ouvimos milhares de vezes de que não há dinheiro. Nós precisamos de público acima de qualquer ajuda monetária. E se o público nos der uma oportunidade, existe a chance de fazer filmes bastante interessantes com produções puramente independentes. Não devemos confundir o interessante com os blockbusters, os independentes têm as suas limitações, mas são no fundo filmes que querem o mesmo – público – e para isso têm que ter a capacidade de entreter uma pessoa pelo menos 50 minutos ou mais de uma hora. Tenho que tentar transmitir essa ideia. Se o público deixar, o cinema independente tem muito para dar. Basta o público querer. Conheço vários colegas que têm conceitos maravilhosos para trabalhar, mas não tem a oportunidade de concretizá-los devido a esse ´desprezo´ pelo termo independente.”

 

De seguida volta-se com elogios para a distribuidora/exibidora, Cinema City, que detém a exclusividade da estreia: “O Cinema City tem tido um papel importante na divulgação deste cinema português independente.” Confrontado com a expetativa do seu trabalho, Rocco referiu que concretizou um filme não para o público geral, mas para um objetivo especifico: os fãs do livro. Garantindo que a exigência desses mesmos fãs poderá levar a rigorosas comparações com a matéria-prima, acrescenta: “O filme perderá sempre para o livro, tudo porque quando lemos um livro temos um grande aliado, a nossa imaginação. Em relação a um filme, esse aliado torna-se no nosso pior inimigo, porque não podemos apoiar-nos na imaginação.”

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:49
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António Reis e Margarida Cordeiro serão alvo de retrospetiva na quinta edição do Porto/Post/Doc. O festival portuense exibirá na integra as respetivas filmografias incluindo uma nova cópia restaurada de Trás-dos-Montes, umas das obras maiores do drama etnográfico português. Em complemento, decorrerá um painel, "Rever Reis e Cordeiro", tendo inúmeros convidados do ramo cinematográfico e jornalístico disposto a debater e discutir sobre o cinema da dupla.

 

Em paralelo, o festival contará com um workshop teórico orientado pela investigadora e realizadora britânica Laura Mulvey, no qual focará diversas questões de género no cinema, muitas delas estudadas pela própria há já vários anos (com inscrições até ao final de setembro).

 

O 5º Porto/Post/Doc – Film & Media Festival acontece de 24 de novembro e 2 de dezembro no Teatro Municipal do Porto – Rivoli, Cinema Passos Manuel, Cinema Trindade, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Maus Hábitos e Universidade Católica Portuguesa (Porto).

 

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2.7.18

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Arrancaram as rodagens do filme português, Ladrões de Tuta e Meia, uma comédia que será protagonizada por Rui Unas e Melânia Gomes, tendo estreia prevista para fevereiro de 2019.

 

Contando como a primeira produção da Lanterna de Pedra em conjunto com a PRIS Audiovisuais, que assegura a distribuição em sala, em Ladrões de Tuta e Meia conheceremos um casal de vigaristas que tenta burlar um veterano do Ultramar que venceu o prémio do Euromilhões. Carlos Areia, Pedro Alves, Vítor de Sousa, Guilherme Leite, José Eduardo, Mouzinho Arsénio, Diva O'Branco, Luís Oliveira, Cândido Mota, Pedro Alves, Gonçalo Lello, Lourenço Serrão, Cristina Cavalinho e Marcantónio Del Carlo completam o elenco.

 

O realizador é Hugo Diogo, mais conhecido pela obra Os Marginais, lançado em 2010, drama citadino que abordou crime organizado e lutas ilegais. Vale a pena relembrar que este ano contaremos com a estreia do seu mais recente trabalho, Imagens Proibidas (ver trailer abaixo), a história de um fotógrafo que tenta recriar um amor entre duas mulheres através de fotografias. Uma adaptação de um livro de Pedro Paixão com Elmano Sancho, Diana Costa e Silva, Ana Vilela da Costa, Dinarte de Freitas, Suzana Borges, Susana Sá e Rita Redshoes no elenco.

 

 
 

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publicado por Hugo Gomes às 14:44
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25.5.18

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Traumas e ensaios mentais, golpes de génio.

 

Antes de seguirmos pelos labirínticos registos da existência de Eduardo Lourenço, é preciso falar de Miguel Gonçalves Mendes, realizador que se tem dedicado à evasão do formalismo e o formato academicamente aceite que o documentário português parece ter contraído no sentido em esquematizar “vidas e méritos alheios”. Por sua vez, é também fugaz a distorção dos cânones do docudrama que ultimamente tem caído num poço sem fundo de (não) criatividade. Passando pela lenda de mouras encantadas de Olhão, pela marca pessoal de Cesariny ou do romance que transgride o “eu” artístico e criador de José Saramago, Gonçalves Mendes aventura-se agora, ou deixa-se aventurar, pelos pensamentos de contradições de Eduardo Lourenço, ensaísta, professor e sobretudo “poeta da vida”.

 

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Nesta tendência de condensar um livro da autoria de Lourenço, O Labirinto da Saudade (1978), o realizador propõe ao catedrático uma demanda pessoal e pensante pelo seu intimo intelectual e fá-lo através do uso da tecnologia para colocar um velho sábio em perfeita confrontação com as suas ideias. Este é um caso em que a ideologia e o homem se confundem, parindo uma quimera de conscientização dos fantasmas da nossa nacionalidade, enquanto Lourenço se debate pela sua própria existência. A existência de um em paralelismo com o nosso legado enquanto portugueses, viventes de um país traumático, cujas mazelas agora convertidas em lendas e criaturas mitológicas, olharapos da nossa História (“A História é a ficção das ficções”).

 

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As questões deparam-se, aguçadas como adagas feudais, no qual Eduardo Lourenço se defende com a serenidade e a lucidez pelo qual é visto, respeitado e venerado. E dentro dessa divindade, Gonçalves Mendes prepara um altar tecnológico, empacotado entre caixotes dimensionais e náutilos, a espiral logarítmica que nos leva ao córtex da sua concretização, mas ao mesmo tempo à sua tragédia. Por entre esses traumas evidenciados, existem dois que se cometem como pessoais, acima da reflexão pensante dos anteriores. A primeira cicatriz do nosso país que Eduardo Lourenço verdadeiramente testemunhou conta com Ricardo Araújo Pereira como o interveniente escolhido para uma exorcização do salazarismo vincado nas nossas raízes (“povo fascista e ‘fascizado’”), ou a análise do “sacerdote falhado”, Salazar em pessoa e a sua cruzada pelo país imaginário ainda hoje invocado com um martirológico saudosismo. O segundo “trauma” experienciado é mais quebradiço, até porque é o futuro que aborda, o futuro da nossa cidadania enquanto europeus, continentais acima de nacionais (“Precisamos mais que nunca ser europeus”).

 

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Essa questão das questões, a bandeja direta ao apocalipse identitário, guia-nos para o derradeiro dos destinos, no qual Lourenço encontra-se consciente. Nada é eterno, porém, “escrevemos como fossemos eternos”. Quanto à morte, a paragem final, que não aflige a sábios, aliás, porque a “verdadeira morte é a do outro”, nesse campo, Lourenço encontra-se calejado. A tragédia parece se abater nos últimos tempos deste Labirinto da Saudade, mas Miguel Gonçalves Mendes responde com um reencontro a um legado e fá-lo sob o jeito de um antecipado tributo. Fora a figura do sábio, que monta e desmonta a sua sapiência através de passos (planeados pela personificação de Diogo Dória), o filme em si, adverte para um sufocante cerco tecnológico e provavelmente não era preciso tantos “confettis” para celebrar tais ideias.

 

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Contudo, em defesa a Miguel Gonçalves Mendes, esta assoalhada artificial gira em volta da sua figura, portanto, saúda, e ouve atentamente à sua palavra, ao contrário dos textos que se querem fazer ouvir mas que são emudecidos pelas imagens salteadas de quem não sabe pensar além do seu umbigo. Acreditem, existem muitos autores assim, que se escondem por “correspondências”, mas Gonçalves Mendes não é um deles.

 

Real.: Miguel Gonçalves Mendes / Int.: Eduardo Lourenço, Diogo Dória, Ricardo Araújo Pereira, Adriana Calcanhotto, Pilar del Río, Gregório Duvivier, Álvaro Siza Vieira, Sabrina D. Marques

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 13:34
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11.5.18

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Diamante bruto ou Ovni do Cinema Português?

 

Gabriel Abrantes (sob aliança com Daniel Schmidt) chega por fim ao universo das longas com uma fábula tramada de um futebolista prodígio que certo dia adquire consciência do seu redor. Eis Diamantino, filmes-paródia cujas rábulas caricaturais servem de espelho para a cada vez mais quebradiça sensibilidade europeia.

 

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O jovem realizador virou do dia para a noite num astro da curta-metragem portuguesa, que sob esse mesmo formato concretizou algumas das mais invulgares produções do Cinema Português. Improviso e criatividade são dois elementos certos na sua filmografia, requintada com um humor burlesco e sob um ponto de vista satírico, e este Diamantino não é exceção, preservando todas essas mesmas convicções. É um OVNI, um objeto verdadeiramente insertado num conceito de luso-futurismo (se não existe tal definição, deveria existir) que esclarece a iniciativa da dupla. Contudo, não é preciso pensar muito para se perceber donde veio a inspiração para esta homónima personagem interpretado por Carloto Cota (verdadeiramente impagável). Do visual aos maneirismos e mesmo o dialeto de região autónoma (aqui trocou-se Madeira pelos Açores), assim como o contexto familiar e social, este Cristiano Ronaldo faz-de-conta é mais que uma mera caricatura para fins de jubilo inconsequente ou do alvo preciso à sua figura, é antes disso um atalho que nos levará a uma reflexão à nossa condição enquanto europeu.

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Até porque Diamantino [a personagem], o Midas nas quatro linhas perde o seu dom de jogar quanto reconhece que o Mundo não gira envolto do seu umbigo, aprendendo a tal lição através de um acidental contacto com refugiados (ou diríamos antes “fugiadinhos”). A partir daí é a sua determinação de encontrar a si próprio, como uma Europa em crise existencial, ingénua e receosa por medos irracionais. A personagem, a anterior sombra distorcida do craque, é a alusão direta do Velho Mundo, perdido em partidos nacionalistas e solidariedade high moral ground (o privilégio de ser europeu). Pelo meio, encontramos anedotas sob o formato de propagandas quase orwellianas e da metamorfose simbólica do seu personagem/continente, lavados por contornos fabulistas como é o caso das malvadas irmãs “cinderelescas” (as gémeas Anabela e Margarida Moreira).

 

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Gabriel Abrantes apodera-se de um filme in loco, rebuscado por natureza, acidamente incorporado num humor capaz, por vezes onírico, e para isso cruza a imagem real com as manipulações tecnológicas, entre o CGI e os efeitos práticos, elementos por si tão próprios do seu trabalho nas curtas (em especial atenção para os seus Humores Artificiais e o segmento Freud and Friends do coletivo Aqui em Lisboa).

 

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Contudo, a loucura faz-se em pequenas doses, quase desconjurado devido a um ritmo desequilibrado. A causa? A possível readaptação do formato de longa para alguém conformado com pequenos rascunhos e isso torna Diamantino num sugestivo experimento que por vezes cede à parábola ao invés da sátira ácida. Mas nada que nos faça distrair da confirmação de um dos possíveis grandes nomes do cinema português futuro, que partilha tal como este Diamantino, uma verdadeira crise existencial.

 

Filme visualizado na 57ª Semana da Crítica de Cannes

 

Real.: Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt / Int.: Carloto Cota, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Chico Chapas, Joana Barrios, Abílio Bejinha, Filipe Vargas, Carla Maciel

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 23:47
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26.4.18

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Ao longo de 15 anos de História de Festival, o Indielisboa sempre revelou uma das suas prioritárias ambições, dar aos espectadores da capital um Cinema longe dos formatos promovidos pelo circuito comercial. São novas linguagens, novos panoramas e perspetivas quanto à maneira de fazer cinema, longe das majors e a milhas dos orçamentos milionários. Como tal, o independente, assim soando imagem de marca, é um estatuto que apela sobretudo à criatividade dos envolvidos e do artesanal improviso.

 

O Indielisboa arranca sob um universo quase deslocado da maioria dos espectadores, apresentando-o sob a visão portuguesa em relação ao resto do Mundo. A Árvore, de André Gil Mata, é o filme-honra de dar o primeiro “pontapé”, direção absoluta de uma programação rica em novos talentos com veteranos a demonstrar uma vez mais a sua vivacidade. Gil Mata não é um desconhecido nestas andanças “indie”, e como gratidão, o primor técnico em sustentação de fantasmas (os não-viventes numas Balcãs arrasadas pela Guerra e pelo medo da repetição de tais atos) preencherão o grande ecrã da Sala Manoel de Oliveira, do Cinema São Jorge.

 

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Enquanto isso, a cineasta Lucrecia Martel e o muito reservado pioneiro da Nouvelle Vague, Jacques Rozier, serão os heróis independentes, os estabelecidos signos desta constelação de olhares e métodos. De 26 de abril a 6 de maio, o Indielisboa não inovará a sua natureza, porém, confirmará a sua posição no circuito dos festivais nacionais.

 

A decorrer no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinema Ideal, Biblioteca das Galveias e Cinemateca.

 

 

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23.4.18

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Trinta e seis anos depois, a Ilha dos Amores, de Paulo Rocha, regressa ao Festival de Cannes. O filme é um dos títulos que integram a secção Cannes Classics da 71ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 8 a 19 de maio de 2018.

 

O filme de Paulo Rocha - que será brevemente editado em DVD em Portugal - será exibido numa cópia recentemente restaurada pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, que teve origem na digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996. A correção de cor digital foi feita por La Cinemaquina usando como referência uma cópia de distribuição de 1982. O restauro digital da imagem foi feito pela IrmaLucia Efeitos Especiais.

 

Para além desta obra, que teve a sua estreia mundial no certame gaulês, serão apresentados filmes nesta secção como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), O Ladrão de Bicicletas (1948), Viagem a Tóquio (1953), Vertigo (1958) e A Religiosa (1965).

 

Vale a pena recordar que na Cannes Classics estarão ainda em destaque duas mulheres pertencentes à história do cinema, Alice Guy e Jane Fonda, um ensaio de Mark Cousins sobre Orson Welles e um tributo de Margarethe von Trotta a Ingmar Bergman.

 

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19.4.18

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Para além do novo filme de Lars Von Trier, The House that Jack Built, Cannes revelou mais títulos para a sua programação, entre os quais o badalado The Man who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam, que se encontra sob disputa judicial quanto aos seus direitos de distribuição. O filme foi escolhido para encerrar o certame.

 

Quanto às outras adições, Un couteau dans le cœur (Knife + Heart) do francês Yann Gonzalez (tendo Vanessa Paradis como protagonista), Ayka do cazaque Sergey Dvortsevoy (realizador galardoado com o Prémio de Un Certain Regard por Tulpan) e o regresso do turco Nuri Bilge Ceylan (vencedor da Palma de Ouro em 2014) com Ahlat Agaci (The Wild Pear Tree) completam a Competição Oficial.

 

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Whitney, o documentário assinado por Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia), sobre a cantora mundialmente célebre Whitney Houston, será, em conjunto com Fahrenheit 451, a adaptação do livro de Ray Bradbury pelo canal HBO, serão as sessões da Meia-Noite.

 

Un Certain Regard também com novas adições, e bem lusófonas. Chuva e Cantoria Na Aldeia Dos Mortos, documentários do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora sobre o povo Krahô, um comunidade indígena vivente no centro do Brasil, junta-se à competição ao lado de Muere, Monstruo, Muere, do argentino Alejandro Fadel, e de Donbass, de Sergey Loznitsa, que abrirá a secção “Um Certo Olhar”.

 

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15.4.18

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O mais recente trabalho de Gabriel Abrantes, Humores Artificiais, triunfou na Competição Nacional do 8º Festival Córtex, que ocorreu no Centro Olga do Cadaval, em Sintra, entre os dias 11 a 18 de abril. Segundo as palavras do júri: " um filme que se deseja que chegue ao grande público, através do seu carácter provocador e humor inusitado, constrói uma alegoria surpreendente sobre as várias formas de comunicação entre uma indígena e um robot.". Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo, foi premiada com uma Menção Honrosa.

 

Composto pela atriz Beatriz Batarda, a realizadora Margarida Leitão, o realizador Sérgio Tréfaut, o programador do Festival Queer, João Ferreira, a dramaturga Cláudia Lucas Chéu e a programadora de curtas-metragens do Indielisboa, Ana David, o júri ainda elegeu o filme de animação polaco The Wizard of U.S., de Balbina Bruszewska, como o melhor da Competição Internacional. “Um filme arrojado e profundamente livre de diferentes dispositivos de animação”, assim descreveu o júri durante a entrega da distinção.

 

Já na secção Mini-Córtex, destinados a filmes para o público infantil, foi premiado a curta In a Heartbeat, filme norte-americano realizado por Esteban Bravo e Beth David. Enquanto isso, Surpresa, de Paulo Patrício, recebe o Prémio do Público.

 

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Herói de Lys …

 

Soldado Milhões, a suposta cinebiografia de um consagrado herói da Primeira Guerra Mundial, o único praça raso condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, é possivelmente o que de próximo temos das supostas propagandas militares vindas do nossos primos do lado do Oceano. Trata-se do novo “American Sniper”, respondendo com o signo do infame filme de Eastwood, mas dentro desse jogos de parecenças, Soldado Milhões está a meio caminho de se tornar num Flags of Our Fathers, o heroísmo e a sua desconstrução, assim como a utilização do mesmo em prol de uma imagem-propaganda, um enviusado embelezamento do conflito. Todavia, Milhões não possui a mesma densidade nem a plena coragem de desafiar os seus próprios parâmetros de patriotismo.

 

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Contado a dois tempos, “as medalhas pesam”, frase proclamada por Miguel Borges (o Milhões envelhecido e cansado) que serve como camaleónica interação com essa crítica sugerida mas nunca devolvida ao seu verdadeiro ser. E é porque nisto tudo existe um receio que facilmente se identifica como traição, assim dirão os seguidores das praticas idealistas de Salazar, Deus, Pátria e Família, trata-se do medo de encorajar a sua desmistificação, vá o retrato de mortais redigir-se à dissertação.

 

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Mas no entender, a união entre os dois espaços temporais, a Batalha do Lys (protagonizado por João Arrais), e no calor da Segunda Guerra em Trás-os-Montes (Miguel Borges é o anfitrião), faz-se através de uma grande lacuna, o espaço vazio a inserir que remeteria Soldado Milhões para mais do que um mero episódio de Guerra, o instrumento de propagação idealista de um regime (assim como acontecera com a “fantasia lusitana” da Exposição do Mundo Português de ’40). Essa mesma ausência dá-se com a utilização de Aníbal Augusto Milhais, que certo dia virou Milhões (“És Milhais mas vales Milhões”), por parte de Salazar, o seu heroísmo, apenas um ato de sacrifício segundo os códigos éticos militares, contado e recontado com endeusamento. Sabendo que Soldado Milhões ficou-se num mero rascunho, é de louvar, em certa maneira, o evidenciar de um filme que não crê, nem patroniza o espectador do português.

 

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Um filme de Guerra feito a meios tostões que usa a sua capacidade de improviso produtivo para captar a credibilidade, não atingida, mas possível. Da mesma forma que Kubrick encenou Vietname com meros arbustos e pouco mais em Full Metal Jacket, Soldado Milhões leva-nos a Flandres através de um “faz-de-conta” cénico, onde a miopia reage como autodefesa, e essa mesma defesa um percurso à dignidade. Contudo, não é dignidades que se faz um filme, mesmo que o resultado esteja realmente longe de nos envergonhar.

 

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Existe uma beleza triste na derrota”, as palavras de Fernando Lopes, proferidas em The Lovebirds (Bruno de Almeida, 2007), encaixam que nem uma luva neste nosso episódio bélico. Porque na verdade a Batalha de Lys foi das maiores derrotas das nossas Forças Armadas, onde perdemos uma batalha, mas ganhamos um herói, e um a nossa medida. Pena, que o filme em seu tributo não seja tão corajoso como o verdadeiro Milhões fora.

 

Real.: Gonçalo Galvão Teles, Jorge Paixão da Costa / Int.: João Arrais, Miguel Borges, Carminho Coelho, Ivo Canelas, Isaac Graça, António Pedro Cerdeira, Lúcia Moniz

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:57
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11.4.18

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O austríaco Ulrich Seidl estará presente no Cinema Ideal para apresentar um dos seus últimos trabalhos, Safari, uma obra fiel ao seu registo de cinismo que nos leva a olhar e a condenar o “turismos do troféus nos safaris africanos”. Celebrado sobretudo pelas suas takes ácidas ao universo dos modelos (Models, 1999) e da trilogia Paradies (2013), um ensaio cirúrgico aos problemas de “Primeiro Mundo”, Seidl é a figura homenageada na 8ª edição do Córtex: Festival Internacional de Curta-Metragem, que decorrerá, sobretudo, no Centro Olga Cadaval, em Sintra. Este ano, o Cinema Ideal integrará parte da programação do festival exibindo, para além da abertura, as primeiras obras do premiado cineasta austríaco (vencedor do Leão de Ouro em Veneza em 2001 por Hundstage – Dog Days).

 

Mas mantendo a tradição, ambas as Competições prevalecem com tamanho rigor na sua seleção, incluindo a Competição Nacional que é formada nesta edição por alguns dos nomes mais sonantes deste universo em Portugal. Como tal, podemos contar com João Salaviza e o seu Altas Cidades de Ossadas, o premiado em Berlim, Cidade Pequena de Diogo Costa Amarante; Salomé Lamas com Coup de Gracê, o muito badalado Farpões e Baldios de Marta Mateus e os recentes trabalhos de Leonor Noivo (Tudo o que Imagino), Gabriel Abrantes (Humores Artificiais) e Diogo Baldaia (Miragem meus Putos).

 

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Neste oitavo ano, o Córtex alia-se ao VIS Vienna Shorts Festival, o festival principal de curtas-metragens da Áustria que tem legibilidade aos Óscares da Academia e ainda ao Austrian Film Awards. Como grande novidade o Córtex inaugura o Frontal, uma secção que visa em diferenciar do modus operandis de muito dos festivais de cinema. Ou seja, ao invés de separar as audiências juvenis e seniores em sessões adversas, o festival de Sintra planeia com isto unir estas faixas etárias numa secção adaptável e de linguagem transversal para com estas divergentes perspetivas. Contudo, os mais “pequenos” continuarão a ter o seu espaço imaculado com Mini-Córtex, novamente sob a co-programação da MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa.

 

O júri desta edição é composta pela atriz Beatriz Batarda, a realizadora Margarida Leitão, o realizador Sérgio Tréfaut, o programador do Festival Queer, João Ferreira, a dramaturga Cláudia Lucas Chéu e a programadora de curtas-metragens do Indielisboa, Ana David.

 

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O 8º Córtex – Festival de Curtas Metragens de Sintra prolongará até 18 de abril, decorrendo nos já referidos espaços Centro Olga de Cadaval, Cinema Ideal e ainda no MU.SA (Museu de Artes de Sintra), que se manterá como palco dos programas paralelos.

 

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2.4.18

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Colo, de Teresa Villaverde, foi premiado com o Prix Sauvages no 13.º Festival L'Europe Autour de l'Europe, em Paris. Numa edição que teve como destaque uma retrospetiva ao cineasta catalão Albert Serra (A Morte de Louis XIV), a obra da portuguesa venceu o prémio principal da Competição, segundo o comunicado oficial, unanimidade pelo júri composto pelos realizadores Ralitza Petrova, Szabolcs Tolnai, Rafael Lewandowski, o produtor György Raduly e ainda o crítico de cinema Tue Steen Müller.

 

Colo que estreou há poucas semanas nos circuito comercial, tendo passado em festivais como Berlim e Indielisboa (encontra-se inserido no programa de cinema português do ACID em Cannes), é um filme que debate sobre a crise no seio familiar enquanto assiste gradualmente à sua deformação. A obra competiu com filmes como Wild, de Nicolette Krebitz (Alemanha), Wild Roses, de Anna Jadowska (Polónia), Aurora Borealis, de Márta Mészáros (Hungria) e November, de Rainer Sarnet (Estónia), este último acabou por sair do festival com Prémio Luna.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:04
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1.4.18

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James Benning é o grande vencedor da 40ª edição do Cinéma du Réel, o Festival Internacional de Cinema Documental que acontece todos os anos na cidade de Paris. A nova obra do veterano realizador norte-americano, L.COHEN, um filme-panorama em jeito de homenagem ao falecido cantor Leonard Cohen, conquistou o Grande Prémio do festival.

 

Em destaque a portuguesa Leonor Teles (premiada com o Urso de Ouro em Berlim pela curta A Balada do Batráquio) é laureada com o Prémio Internacional de la Scam graças à sua primeira longa-metragem, Terra Franca.

 

Grande Prémio

L.COHEN

 

Prémio Internacional de la Scam

Terra Franca

 

Prémio Instituto Francês Louis Marcorelles

Les Proies

 

Menção

Image you Missed

Roman National

 

Prémio The Joris Ivens / Cnap

Lembro mais dos Corvos

 

Prémio de Curta-Metragem

White Elephant

 

Menção

Gens Du Lac

 

Prémio Bois-D'arcy's Prisonners

Saule Marceau

 

Prémio de Júri Jovem

Lembro mais dos Corvos

 

Prémio The Library

Rêver Sous Le Capitalisme

 

Menção Honrosa

Al Di Là Dell'uno

 

Prémio Herança Intangível

Harvest Moon

 

Prémio Música Original

The Image you Missed

 

Menção Honrosa

Salarium

 

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