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17.5.18

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Por entre jogos visuais cinéfilos!

 

Estamos convencidos! Graças à sua segunda longa-metragem, Yann Gonzalez revela-se num conhecedor dos códigos de uma cinema reconhecível dos 70’s, transformando essa salada de referências e influências num espelho aos métodos Argento / Bava (a estética sobre a solidez do conteúdo). Sob tais signos é “facílimo” desprezar este Un Couteau dans le Coeur e soltar instintivamente o primeiro grito de “fogo de vista”, mas deixem-nos contemplar estas aplicadas lições de quem tenta guiar-se por uma carreira à base do fascínio e da subjugação do anteriormente feito, comportamento que se poderá revelar numa faca de dois gumes (por outras palavras, o seu maior atributo como a sua fraqueza).

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Se o visual torna-se num órgão essencial em toda esta paródia à industria da pornografia gay, esta também é o refletor da nossa paixão / compaixão pelo cinema, hoje citado e revivido através de poucos. Ora bem, para termos em conta a receita prescrita, reunimos os já referidos toques dos dois mestres italianos (para além do “bom olho”, a sua apetição pelo elemento slasher), a proeza do ambiente algo onírico, fantasioso e faustoso (vale a pena referir que há aqui um certo "piscar de olhos" a Brian De Palma). Depois de mexidos junta-se as pitadinhas do humor negro “almodovoriano” e invoca-se o medo politicamente incorreto de William Friedkin e o seu “maldito” Cruising (filme a precisar urgentemente de revisionismo e solidariedade, por isso, voluntários procura-se). Batido e sacudido, esta mistela forma-se por entre a estilização dominante e o sarcasmo evidentemente insertado em medidas grosseiras.

 

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Eis o resultado, Un Couteau dans le Coeur, um filme série B sobre o cinema como memória, endereçado como uma quimera defeituosa que deslumbra no seu desequilibrado ambiente. Porém, é nos defeitos que por vezes nos fazem amar os filmes, estes corajosos e ricos em uma alma transcendente, por vezes fúnebres, perante os presságios de extinção que veste ocasionalmente. Yann Gonzalez atenta-se nesses requisitos, no cinema faz de conta, alicerçado à nossa imaginação e sobretudo crença. É uma experiencia algo queer (no termo cinematográfico, é óbvio), um exercício visual entendido por muitos como uma homenagem. Provavelmente somos nós a exagerar no caso, até porque é somente isso … um tributo. Mas deixem-nos amá-los, projetar as nossas fantasias cinéfilas realizadas. Um objeto sedutor!

 

Filme visualizado no 71º Festival de Cannes

 

Real.: Yann Gonzalez / Int.: Vanessa Paradis, Kate Moran, Nicolas Maury

 

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6/10

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15.5.18

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Um Homem em Fúria!

 

Fora as questão de cinematografia, convém referir que nos anos 90, e não há tanto tempo assim, Spike Lee era visto como uma espécie de caricatura de um certo fundamentalismo afro-americano, nesse sentido, um filme como Malcolm X correspondia com exatidão à sua natureza. Com a passagem para o novo século, Lee foi de certa forma ostracizado pela indústria, como tal, tentou integrar-se perante projetos fora das suas amenas águas. Filmes como Inside Man e até mesmo o esquecível remake de Oldboy eram encarados como tarefas de subsistência perante uma Hollywood que definitivamente o desprezava. Não somente a sua figura, mas como evidenciava um inerente racismo e colonialismo no seio desta “utopia cinematográfica”. A América, porém, não mudou em paralelo com o circuito de Lee, apenas revelou os seus demónios interiores, sendo que, tendo em conta os tempos que vivemos, sentimos na obrigação de pedir clemência ao realizador, que se assumiria não mais, nem menos, que um subestimado messias sociopolítico.

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Em BlacKkKlansman, Spike Lee subverte o caso real de Ron Stallworth (um detetive afro-americano que infiltra-se na sede do Klux Klux Klan, em plena década de 70) para abordar uma América de hoje, sob os enfeites dos movimentos trumpistas e da expansão extrema-direita. O filme soa a projeto antigo, com o cineasta a indiciar força de vontade para espelhar os seus profundos dilemas, entre os quais a repugnância por The Birth of a Nation, de D.W. Griffith, e pelo retrato exposto em outro clássico norte-americano, Gone with the Wind. Como sabem, Spike Lee sempre fora um apoiante à censura do incontornável filme de Griffith (incontornável no sentido da História Técnica e Narrativa do Cinema), sendo que nos seus anos enquanto estudante de Cinema protestava incendiariamente à inclusão da obra nessa História centenária. Como trabalho de graduação, Lee respondeu, literalmente, com The Answer (1980), onde transformou o filme com mais de três horas de duração numa metragem de 10 minutos.

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E desse ‘Answer prolongado em toda a sua obra (mesmo as ditas contas industriais que se resistiam aos seus dilemas) chegamos a BlacKkKlansman, o qual somos correspondidos, por fim, ao seu ácido e por vezes urgente ativismo. Em tempos que filmes politizados à direita se convertem em êxitos sem precedentes (de American Sniper a quase tudo composto por Berg / Wahlberg), uma obra inteirada nas questões raciais e sociopolíticas que evadem todo um sistema bajulador da bandeira estrelada, assume-se, como diria os yankees, num must-see.

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Mesmo sob um humor matreiro a ser confundido com os tons coenescos (por aqui aposta-se influência de Jordan Peele, realizador de Get Out reivindica a produção deste BlacKkKlansman), deparamos com um Spike Lee em estado de fúria, libertador do seu enclausuramento cinematográfico o qual encontra neste curioso ficheiro policial um pretexto para prosseguir o seu discurso. É sim, um filme de demagogia politica centrada no seu alvo, visto que o realizador nunca exerce de maneira igualitária os mesmos julgamentos perante organizações tão opostas e igualmente propagadoras de ódio (os Black Panthers de um lado, a terem como punição um sermão ao de leve, e os Klux Klux Klan a ser ridicularizados … sublinha-se … deliciosamente ridicularizados). Esta desigualdade é tão própria de Spike Lee, mas assumimos BlacKkKlansman como um filme do seu tempo (precisamente o nosso), cujo objetivo principal requer toda a nossa e merecida atenção.

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Mas é nesses signos de The Answer, que o filme tende por vezes cair num discurso incansavelmente reacionário, e propicio à imagem dos mais recentes movimentos que anseiam apagar obras inteiras perante o seu conteúdo temático. The Birth of a Nation, é assim, a vitima da fúria de Lee, despachada para novas gerações como um somente “filme inconsequente e irresponsável” da História cinematográfica, ao invés de salientar a sua importância na linguagem da mesma. É óbvio que datado como se encontra, a obra de Griffith é uma tenebrosa e indigesta visão de um Mundo fabulista, idealizado por alguns loucos (e não são poucos), mas sem a existência desta controversa peça não existiria, estruturalmente, este BlacKkKlansman. Talvez estejamos a cair em conversas de sensibilidades puras ao invés de construímos uma consciência exata e racional. Contudo, o debate de obra acima do autor / conteúdo tem mais que se diga e não iremos centra-nos nestas questões perante um filme como este. BlacKkKlansman encontra firmeza nas suas palavras e atos, é uma produção vingativa, mas sabiamente vingativa que se reencontra constantemente. E por mais defeitos que possamos apontar a Spike Lee, nunca iremos acusá-lo de incoerência nesse mesmo discurso.

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O realizador regressa naquilo que poderemos afirmar como um dos seus melhores trabalhos dos últimos anos, conseguindo reunir um elenco capaz e vigorosamente carismático (desde o achado que é John David Washington, filho de Denzel Washington, até ao caricatural Topher Grace na pele do infame David Duke) e providenciando momentos de um cinema estruturado e tecnicamente expressivo (a reunião com os Black Panthers revela-se num onirismo aludido e metaforizado). Confirma-se, Spike Lee continua a demonstrar sangue na guelra.

 

Filme visualizado no 71º Festival de Cannes

 

Real.: Spike Lee / Int.: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier, Topher Grace, Alec Baldwin, Steve Buscemi, Robert John Burke

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 16:39
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12.5.18

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O lendário cineasta Jean-Luc Godard marcou presença na conferência de imprensa em promoção ao seu mais recente filme, Le Livre d’Images, em competição no Festival. Contudo, não o fez fisicamente, tendo surgido perante os jornalistas via Facetime no smartphone do seu diretor de fotografia Fabrice Aragno.

 

Despenteado e com um cigarro entre os dedos, Godard convocou os jornalista a afilarem-se perante o dispositivo, cada um com uma questão a propor ao realizador de 87 anos. Muito se debateu, desde o filme e a sua natureza, passando pelo futuro do Cinema, assim como se tocou na situação da Rússia, na qual o autor de Pierrot le Fou aconselhou que devemos “ser todos cordiais”

 

Godard respondeu, em jeito bem-humorado, à definição de cinema dando uma equação matemática: “´Voilá´. X + 3 = 1, esta é a chave do cinema. Mas quando dizemos que é a chave, não podemos esquecer da fechadura", como também, de forma mais séria, ao futuro da Sétima Arte e do Cinemas. “Nos próximos 10 anos nós encararemos alguns cinemas que serão bastante vanguardistas. Eles vão exibir os meus filmes assim, como filmes em geral”, tal como a educação cinematográfica. "Não estudei em nenhuma escola de cinema. Sou do tempo em que estudar cinema implicava ver filmes, ir a cineclubes, procurar a relevância e identificação em filmes por vezes obscuros".

 

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Le Livre d’images é descrito como um filme-arquivo onde o realizador trabalhou com um conjunto de imagens providas de filmes e outros materiais. Em relação a este registo e à ausência de atores, Godard afirmou que “na ficção existe o risco do ator estar associado às praticas totalitárias, dependendo das imagens o qual integram”.

 

Apesar do episódio insólito, esta não é a primeira vez que o realizador reinventa a Conferência de Imprensa em Cannes, reafirmando o seu antagonismo para com o evento. Em 2005, na sequência do seu Notre Musique, Godard convidou um representante do sindicato de atores e técnicos do Cinema Francês para responder às questões dos jornalistas.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:05
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11.5.18

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Diamante bruto ou Ovni do Cinema Português?

 

Gabriel Abrantes (sob aliança com Daniel Schmidt) chega por fim ao universo das longas com uma fábula tramada de um futebolista prodígio que certo dia adquire consciência do seu redor. Eis Diamantino, filmes-paródia cujas rábulas caricaturais servem de espelho para a cada vez mais quebradiça sensibilidade europeia.

 

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O jovem realizador virou do dia para a noite num astro da curta-metragem portuguesa, que sob esse mesmo formato concretizou algumas das mais invulgares produções do Cinema Português. Improviso e criatividade são dois elementos certos na sua filmografia, requintada com um humor burlesco e sob um ponto de vista satírico, e este Diamantino não é exceção, preservando todas essas mesmas convicções. É um OVNI, um objeto verdadeiramente insertado num conceito de luso-futurismo (se não existe tal definição, deveria existir) que esclarece a iniciativa da dupla. Contudo, não é preciso pensar muito para se perceber donde veio a inspiração para esta homónima personagem interpretado por Carloto Cota (verdadeiramente impagável). Do visual aos maneirismos e mesmo o dialeto de região autónoma (aqui trocou-se Madeira pelos Açores), assim como o contexto familiar e social, este Cristiano Ronaldo faz-de-conta é mais que uma mera caricatura para fins de jubilo inconsequente ou do alvo preciso à sua figura, é antes disso um atalho que nos levará a uma reflexão à nossa condição enquanto europeu.

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Até porque Diamantino [a personagem], o Midas nas quatro linhas perde o seu dom de jogar quanto reconhece que o Mundo não gira envolto do seu umbigo, aprendendo a tal lição através de um acidental contacto com refugiados (ou diríamos antes “fugiadinhos”). A partir daí é a sua determinação de encontrar a si próprio, como uma Europa em crise existencial, ingénua e receosa por medos irracionais. A personagem, a anterior sombra distorcida do craque, é a alusão direta do Velho Mundo, perdido em partidos nacionalistas e solidariedade high moral ground (o privilégio de ser europeu). Pelo meio, encontramos anedotas sob o formato de propagandas quase orwellianas e da metamorfose simbólica do seu personagem/continente, lavados por contornos fabulistas como é o caso das malvadas irmãs “cinderelescas” (as gémeas Anabela e Margarida Moreira).

 

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Gabriel Abrantes apodera-se de um filme in loco, rebuscado por natureza, acidamente incorporado num humor capaz, por vezes onírico, e para isso cruza a imagem real com as manipulações tecnológicas, entre o CGI e os efeitos práticos, elementos por si tão próprios do seu trabalho nas curtas (em especial atenção para os seus Humores Artificiais e o segmento Freud and Friends do coletivo Aqui em Lisboa).

 

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Contudo, a loucura faz-se em pequenas doses, quase desconjurado devido a um ritmo desequilibrado. A causa? A possível readaptação do formato de longa para alguém conformado com pequenos rascunhos e isso torna Diamantino num sugestivo experimento que por vezes cede à parábola ao invés da sátira ácida. Mas nada que nos faça distrair da confirmação de um dos possíveis grandes nomes do cinema português futuro, que partilha tal como este Diamantino, uma verdadeira crise existencial.

 

Filme visualizado na 57ª Semana da Crítica de Cannes

 

Real.: Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt / Int.: Carloto Cota, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Chico Chapas, Joana Barrios, Abílio Bejinha, Filipe Vargas, Carla Maciel

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 23:47
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10.5.18

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36 anos depois da sua projeção em Cannes, A Ilha dos Amores regressa à Riviera como um dos filme-evento desta 71ª edição. O seu retorno não é em vão, em causa está um trabalho de restauro invejável por parte da Cinemateca Portuguesa, com digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996.

 

Com isto, foi conservada na obra de Paulo Rocha a esplendorosa fotografia de Acácio de Almeida e a acústica sonora que nos transporta para um Oriente distante à boleia do eterno trágico-romântico Wenceslau de Moraes, interpretado por um dos “santos” do cinema português, Luís Miguel Cintra. O ator esteve presente na sessão especial ao lado do diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa.

 

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A imaculada beleza captada pelo olhar clinico de Rocha, desde a simetria cénica até a profundidade que nos convida a um outro filme presento nos espelhos, A Ilha dos Amores preencheu cada espaço do ecrã da Sala Buñuel. Apesar de ser um filme narrativamente difícil de se ver durante a euforia de Cannes, os seus magistrais planos não deixaram ninguém indiferente quanto à restauração.

 

Regressando agora a 2018, à Competição Oficial, que tem por fim, algum dinamismo. A primeira com Leto, retrato punk da juventude inquieta da Leninegrado dos anos 80. Trata-se do novo filme do dissidente russo Kirill Serebrennikov, que para além de ser uma vibrante coletânea musical (Bowie, Sex Pistols, T-Rex, Blondie, etc) apresenta-nos uma bidimensionalidade narrativa que desfaz muito dos formatos de cinebiografia.

 

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Já o segundo filme a demonstrar a sua “garra” na Seleção Oficial é Plaire, Aimer et Courir Vite, de Christophe Honoré, a sua resposta ao êxito de Moonlight. Segundo o realizador de Canções de Amor, o filme galardoado ao Óscar em 2017 apresentava a homossexualidade como uma maldição digna de vitimização. No seu novo trabalho, somos apresentados aos amores e desamores de um homossexual em Paris do inicio dos 90’, no calor da epidemia do HIV. Ao contrário do que poderia suscitar com o contexto histórico, Plaire, Aimer et Courir Vite celebra o amor nas mais diferentes formas, para além de encarar a homossexualidade como algo normalizado, consciente e, porque não, humanista. Até ao fim não existem vitimizações, tudo faz parte do ato de amar e de ser amado. Encontramos a sidequel de 120 Battements per Minute!

 

Já na Quinzena de Realizadores, o último filme do espanhol Jaime Rosales, um experiente no Croisette, divide critica e público. Petra, titulo que também serve de nome à personagem principal (Bárbara Lennie, que também ingressou o elenco de Todos lo Saben, de Asghar Farhadi), é um drama em busca da paternidade que abraça um forte fluxo de tragédia. Rosales evita em toda sua condução, uma emotividade farsante, sendo que a principal característica desse afastamento é a recusa pelo grande plano e pela decopagem técnica. Ficamos a saber, numa entrevista a publicar brevemente, que Rosales foi convidado a trabalhar com a Netflix. Aceitará? Veremos...

 

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Hoje teremos o muito antecipado Jean-Luc Godard e o seu Le Livre d’Image, seguido pelo novo de Jia Zhangkee e de Pawel Pawlikowski.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:01
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Cannes ficou em sobressalto após uma convocatória de última hora do produtor Paulo Branco. A Amazon abandonava a distribuição norte-americana de Dom Quixote, o que levou Branco a manifestar-se frente aos jornalistas que se amontoavam na bancada da Alfama Films, no Marché du Film.

 

Eram 15h00 (hora francesa) e esperava-se a decisão do tribunal em relação à projeção do “filme maldito” de Terry Gilliam no Croisette. Enquanto isso, o produtor português não poupou palavras em direção a Thierry Frémaux e à organização do Festival, acusando-os de calúnia e difamação. Ainda assim, o próprio referiu que caso o tribunal proibisse a exibição do filme no Festival, estaria disposto a negociar a sua projeção, sublinhando a ausência de qualquer transação financeira. Ou seja, estamos perante uma questão de orgulho. Pouco tempo depois, o tribunal de Paris indeferiu o pedido de Paulo Branco. O Festival de Cannes não tem que se preocupar, The Man who Killed Don Quixote (O Homem Que Matou Dom Quixote) continua designado como o filme de encerramento da sua 71ª edição e Thierry Frémaux tem razões para rir.

 

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Em outras notícias, o realizador dissidente russo Kirill Serebrennikov encontra-se detido na Rússia, impossibilitando a sua ida ao Festival para apresentar a sua obra, Leto, em Competição. O delegado referiu que a organização tentou tudo ao seu alcance para trazer o realizador à Riviera Francesa, mas segundo Frémaux, Putin terá lhe dito que “na Rússia, a justiça é independente”, relato que suscitou gargalhadas entre o público.

 

Mas a piada acabou, apesar de tudo, por ser outra. O filme Yomeddine, a primeira longa-metragem do egípcio A.B. Shawky, encontra-se em Competição, um filme manipulador e sobretudo ofensivo. O porquê? Porque o jovem realizador decide contar a história de um leproso viúvo que viagem pelo Egipto em busca do pai que o abandonou. Ao seu lado conta com a companhia de um burro e de um menino órfão. A viagem é atribulada e desafortunada, com todos os tiques para o espectador de condescendência do seu protagonista, o qual deve-se salientar que é um não-ator que sofre das reais “deformidades”. Para além deste sentimento de pena, junta-se um perfeito desleixo na realização, fraca aptidão no tratamento das personagens e uma banda sonora omnipresente para os efeitos previstos: emocionar imperativamente. No final houve aplausos … tímidos … mas, houve.

 

Rafiki, o romance lésbico queniano que faz História, trata-se do primeiro filme desse país selecionado para o Festival, uma honra que levou a realizadora Wanuri Kahiu, em palco, a gritar “We are proud to be Kenyan”. Quanto ao filme em si, bem, as boas intenção não fazem Cinema, sendo que ao contrário de Yomeddine, o grande problema de Rafiki é a sua ingenuidade, o que por sua vez o leva a caminhos panfletários que prejudicam as personagens e até mesmo as suas relações.

 

Se a Seleção Oficial ainda não mostrou a prometida garra, a Quinzena dos Realizadores abre com audácia e furtividade requerida. O colombiano Ciro Guerra regressa à secção com Pajaros de Verano (realizado com a colaboração de Cristina Gallego), uma trama de gangsters e narcotráfico sob um cenário indígena tribal. Recordamos que Martin Scorsese encontrou-se presente na abertura para receber a La Carrosse d’Or.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:55
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9.5.18

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A sensibilidade como prova humana …

 

A primeira longa-metragem do egípcio de A.B. Showky caí sobre nós como um teste endereçado a uma hipocrisia gritante. Seremos capazes de odiar uma personagem tão desafortunada como este Beshay (Rady Gamal), um leproso (o ator detém tais deformidades) viúvo que parte numa jornada ao lado de um órfão, em busca do pai que o abandonou numa "colónia"? Pois bem, Yomeddine desarma-nos. Questionamos quão humanos somos ou, na realidade, se somos seres frígidos sem qualquer compaixão. A verdade é que nunca não passa de uma manipulação. Ou isso, ou sou na realidade um corpo ambulante sem coração. Passo então a explicar: a certa altura deste episódio, o nosso protagonista reúne com um clã de "aberrações" (designação dada por este grupo) que o acolhe como membro de uma longa e família solidária (onde a diferença de cada um os une).

 

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Como cinéfilo, a nossa mente transporta-nos diretamente a Freaks, de Tod Browning, o controverso filme interpretado por verdadeiras "monstruosidades". Contudo, mesmo envolvido em contornos do horror clássico (muito à frente do seu tempo e do nosso) e a uma essência de crueldade, Freaks tem a capacidade de causar no espectador a compaixão, sentimento que Yomeddine é incapaz de indiciar.  Aliás, o filme torna-se mais incapacitado que o próprio protagonista, vítima de uma condescendência profunda por parte da audiência, uma "delicadeza" de etiqueta no qual somos inertes em esconder.

 

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Com um enredo perfeitamente banalizado, sem a criação de um universo trágico-caricato, como o fornecido, por exemplo, por um Kusturica (filmografia cujos elementos testemunhados poderiam nos levar), o filme peca sobretudo pela falta de ênfase dramática necessária para insuflar o discurso do nosso Beshay ("Eu sou um ser humano"). John Hurt atingiu esse pico com O Homem Elefante, mas convém salientar que o fez derivado a uma composição trabalhada por David Lynch em relação ao guião e na emotividade das suas personagens. Essa maturidade é inexistente em Yomeddine.

 

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Contabilizamos hora e meia, nada mais, nada menos, de ganchos narrativos sem espessura, uma realização oscilante incapaz de amar o plano, a montagem amadora e improvisada que ostenta um automatizado desleixo. É um monstro, no sentido de apresentar um cinema nulo que nos apela ao lado samaritano. Diríamos que estamos perante de um filme desumano, que falsamente nos engana com intenções desencorajadas por profecias de solidariedade.

 

Filme visualizado no 71º Festival de Cannes

 

Real.: A.B. Shawky / Int.: Rady Gamal, Ahmed Abdelhafiz, Osama Abdallah

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:55
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O júri chefiado por Cate Blanchett tem uma tarefa herculana e tal ficou evidenciado na sua apresentação à imprensa, na qual não faltaram questões sobre a representação das mulheres na competição e ainda sobre Jean-Luc Godard.

 

A atriz norte americana, galardoada com dois Óscares da Academia, referiu que na questão de existirem apenas três mulheres a concorrer à Palma de Ouro “é” um avanço positivo, mesmo assim, visto que em anos anteriores o número era relativamente mais baixo e em alguns casos mesmo inexistente.

 

Outro dos temas discutidos foi o facto da Competição deste ano estar recheada de realizadores jovens, muitos deles a contar com a sua primeira longa-metragem, que confrontam nomes experientes como Jean-Luc Godard. A intervenção do jornalista tentava conhecer como o júri iria encarar a análise de filmes adereçados a experiências diferentes. Cate Blanchett referiu que o que a preocupava eram os filmes e não os nomes. Contudo, no caso do Godard, teria que estar ciente da sua carreira, referindo ainda como cada filme do incontornável nome da Nouvelle Vague era uma experiência própria.

 

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Recorde-se que as mulheres dominam o júri da 71ª edição do Festival de Cannes. No júri do certame, e para além de Blanchett, estão Ava DuVernay (realizadora), Robert Guédiguian (realizador), Andrei Zvyagintsev (realizador), Denis Villeneuve (realizador), Chang Chen (ator), Léa Seydoux (atriz), Kristen Stewart (atriz) e Khadja Nin (cantora).

 

Assim arrancou mais uma edição do Festival de Cannes, que se prolongará até dia 19 de maio e cuja Seleção Oficial abrirá com a mais recente obra do iraniano Asghar Farhadi, que filmou em Espanha o casal maravilha Penélope Cruz / Javier Bardem numa trama de segredos e revelações.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:56
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A Separação …

 

Em 2016, durante uma das suas visitas à Cinemateca Portuguesa, o cineasta húngaro Béla Tarr referiu que, por vezes, para fazer Cinema bastava filmar uma simples reunião de pessoas e esperar que a “magia” acontecesse desse mesmo ajuntamento. Pegando nesse conceito simplista, mas não totalmente um falso conselho, verificamos que o despertar de muitas tramas do storytelling cinematográfico advém da união de indivíduos, a relação entre eles fará o resto. Quanto maior o número de envolvidos, mais espinhosa poderá tornar-se essa mesma intriga, uma teoria do caos que Asghar Farhadi parece praticar nesta sua migração por terras de Almodóvar.

 

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O realizador dos consagrados A Separation e The Salesman não é estranho nessas ditas viagens identitárias (recorda-se a sua ida para a França ao serviço de um retrato de matrimónios e divórcios em Le Passé). Como tal, o seu dispositivo de experimentação das personagens e quiçá do espectador é conservado, diria mesmo transladado neste Todos lo Saben. Mas a passagem pela alfândega influenciou-o; as moralidades impostas no seu Cinema, marcas evidentes, são ultrapassadas perante uma serventia ao guião (da sua autoria), por sua vez fundamentado através dos chamados plot twists que se identificarão como ganchos para o vinculo entre espectador e filme.

 

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Mas o leitor questiona até aqui o porquê da menção daquele ponto-de-vista do cineasta húngaro, essa reunião em prol do sentido cinematográfico? Em Todos lo Saben entendemos que um casamento, a desculpa para um coletivo de personagens, funciona como ponto central, ou vetor, do mesmo guião. É necessário causar um “choque” entre os mesmos para impulsar a intriga, assim como a combustão, uma abordagem algo académica mas funcional. E se a cerimónia matrimonial é apenas uma solução arranjada para a colocação destas “cobaias”, a verdadeira experimentação “farhadiana” ocorre quanto um sequestro tem lugar [o implantado conflito, base de todos os outros]. O suposto drama submete-se às fixações do thriller, que por sua vez acaba por ser interrompido com uma questão “telenovelesca”.

 

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Novamente, reafirmamos que esta devoção pelo enredo prejudica inúmera vezes o ritmo da obra; s atores andam à deriva em personagens excessivamente barrocas, mártires induzidos nos clichés do miserabilismo e do romance de cordel. Devido a essa insuflação algo exagerada, a sobre-informação destila num só golpe, não aparando a queda destas mesmas personagens no ridículo. Enquanto gritam, choram, enquanto debatem em conflitos facilmente interrompidos com a passividade deste grupo de seres, os atores pouco conseguem erguer os seus “bonecos” longe dos requisitos da soap opera espanhola. O underacting de Javier Bardem é inadequado à sua personificação, sendo o exemplo mais gritante dessa descida pela caricatura involuntária (podem rir à sua conta).

 

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No meio de toda esta “espanholada”, encontramos alguns resíduos da intervenção de Farhadi (o menos mal). A palavra adquire novamente a sua importância divina e, consequentemente, o julgamento de outros e a redenção perante o tribunal do povo. São essas as leis humanas quanto ao nosso conceito de comunidade e Todos los Saben percebe esse termo a tempo, explicitado no seu final ambíguo. Infelizmente é um filme mais dependente das suas ações do que das suas palavras.

 

Filme de abertura do 71º Festival de Cannes

 

Real.: Asghar Farhadi / Int.: Penelope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darín, Bárbara Lennie, Inma Cuesta

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 10:48
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Pourquoi t’as l’air triste?”, pergunta Jean-Paul Belmondo a Anna Karina numa das muitas cenas fulcrais de Pierrot le Fou, ao que ela responde: “Parce que tu me parles avec des mots, et moi je te regarde avec des sentiments”. Não é por menos que o beijo entre os dois atores/personagens, o Ferdinand (Belmondo) e Marianne (Karina) encontra-se imortalizado no cartaz desta 71ª edição de Cannes. Eles levaram o Cinema por outros caminhos e sobretudo por outros sentimentos, estes que são relembrados com tamanha nostalgia.

 

Depois da feira das vaidades do tapete vermelho, o Grand Théâtre Lumière aplaudiu serenamente este trecho de uma das obras-mestras de Jean-Luc Godard, que foi seguido por um monólogo especial por parte de Edouard Baer, o mestre de cerimónias, com acompanhamento do piano de Gérard Daguerre, tributo que tocou no coração da própria Anna Karina, presente num dos balcões.

 

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Pierrot le Fou entra novamente em cena, desta vez com a mítica sequência em que Belmondo dirige-se aos espectadores, quebrando a quarta barreira. São tempos em que o Cinema comunicava diretamente connosco, sem filtros nem rodeios, e - condizendo com a cena inaugural da cerimónia - olhava para os espectadores com sentimento. Coisa rara no Cinema de hoje, mas o Festival de Cannes é sobretudo feito disto - uma busca incansável pelo Cinema que nos “fala” de forma emocional - e que melhor pessoa para rastrear tais “pegadas” que Thierry Frémaux, o qual tem demonstrado nos últimos tempos uma paixão cinematográfica cega, porém, apaixonada por causas algo perdidas. Ora as guerras com a Netflix e mais recentemente o seu olhar desconfiado às séries de televisões, o delegado artístico de Cannes tende usar como escudo a sua cinefilia, para o bem e para o mal. É um amante de cinema à moda antiga e durante 11 dias queremos acreditar que sim.

 

Com isto, Frémaux subiu ao palco, apresentou um a um o seu Júri de 2018, com especial homenagem à sua presidente, Cate BlanchettMadame, madame … and monsieur”, assim se dirige a atriz ao público. A cantora Juliette Armanet sobe ao palco para cantar Les Moulins, música que ecoou no grande teatro. Foram visíveis algumas lágrimas perante a melosa melodia.

 

 

E é então que chega-nos outro convidado, Martin Scorsese, o qual relembro que irá receber o Le Carrosse d’Or na Quinzena de Realizadores, que teve as honras, ao lado de Blanchett, em dar como aberto mais um Festival de Cannes. O 71º ano que arranca já com uma tremenda desilusão.

 

Asghar Farhadi tornou-se nos últimos anos num dos mais respeitados nomes do chamado world cinema e não é para menos. Um Urso de Ouro acolá e dois Óscares conquistados, uma mão cheia de obras que têm sobretudo seduzido a crítica e público cinéfilo, o iraniano tinha tudo para fazer deste Everybody Knows (Todos Lo Saben) num fascinante thriller dramático. Resultado, uma telenovela encurtada cujo o enredo provocou gargalhadas no visionamento de imprensa, um humor involuntário perante personagem barrocas fragilmente construídas e Javier Bardem a falhar o alvo dramático. Esperamos que este equivoco não se reflita no resto da Competição, até porque contamos com uma remessa refrescante de Cinema com muito a provar e, claro, “caras conhecidas” que não desejem ficar para trás. Por enquanto, Farhadi mostrou que até mesmo os “campeões” não são imunes à derrota.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:14
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8.5.18

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A 71ª edição do Festival de Cannes arranca hoje com Asghar Farhadi à prova de fogo. Será que o iraniano consagrado, um dos nomes favoritos do Croisette, conseguirá estar à altura de tal tarefa? Recordamos que ano passado, Arnaud Desplechin e o seu Les fantômes d'Ismaël (Os Fantasmas de Ismael) silenciaram a imprensa com indiferença. Mas no caso do filme de hoje, Everybody Knows (Todos lo Saben), Farhadi contará com um dos casais mais queridos do cinema atual, Penélope Cruz e Javier Bardem, para um drama em jeito thriller a partir de uma reunião familiar - assim se pode ler na premissa e no trailer já divulgado há alguns meses.

 

É de relembrar que este ano as sessões de imprensa dos filmes da Competição decorrerão em simultâneo com a gala. Segundo Thierry Fremaux, esta decisão tem como objetivo “proteger os filmes”, recordando muitos dos exemplares “destruídos” pela crítica furtiva (à cabeça vem-nos os recentes Sea of Tree, The Last Face e Lost River).

 

 

Contudo, existe um fantasma que percorre os corredores do Palais. Todos questionam o que será de The Man who Killed Don Quixote do norte-americano Terry Gilliam. A decisão jurídica será revelada a partir de amanhã, estando Paulo Branco otimista em relação à justiça. Será que veremos o tão esperado e antecipado filme aqui em Cannes, ou haverá mudanças de última hora? Qualquer que seja o resultado, Portugal de certa forma entrou na discussão de muita da imprensa e críticos. Existe um medo, sim, e sobretudo uma espera. A espera de uma resposta.

 

Quando ao festival, este decorre até dia 19, contando com uma competição rica e, este ano, plena em descobertas, caras novas que contrastarão com veteraníssimos do cinema. Sim, falamos de Jean-Luc Godard e a possibilidade de vermos Le Livre d’Images como o seu “filme-testamento”, até porque existe também aqui uma espera. A queda de um gigante.

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:37
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7.5.18

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publicado por Hugo Gomes às 08:48
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3.5.18

Em outubro passado, numa entrevista ao site C7nema, o realizador francês Arnaud Desplechin adiantou que a sua futura obra entrará “em território desconhecido” na sua carreira e que todo o enredo tem ecos hitchcockianos.

 

Com a chegada do Marché do Film em Cannes, vieram à baila novos detalhes sobre o filme. Com o nome Roubaix, A Light,  o projeto vai contar com Roschdy Zem como Daoud, um chefe de polícia experiente e sensato na cidade de Roubaix, no norte da França, que investiga o brutal assassinato de uma mulher por duas mulheres vizinhas e amantes, rotuladas como alcoólatras e viciadas.

 

Recorde-se que ainda em declarações ao C7nema, Desplechin afirmou que se inspirou “num artigo de jornal. Um homicídio, para ser mais exato.”. Desplechin falou-nos que apenas interessa “focar nos factos … somente nos factos.” O filme “será um objeto completamente seco, despido do lado ficcional, mas ao mesmo tempo devedor do estilo imposto por um The Wrong Man (O Falso Culpado), de Hitchcock.”, chegando mesmo a comparar “com o livro In Cold Blood (A Sangue Frio), de Truman Capote, apenas a narração do real, do facto, não havendo espaço para imaginação e pelo suposto.” Quanto a mais pormenores, Desplechin retratará ainda “a condição da mulher nos dias de hoje”, esperando com isso “uma atmosfera bem sociopolítica, nada parecido com o que fizera anteriormente.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:14
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23.4.18

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Trinta e seis anos depois, a Ilha dos Amores, de Paulo Rocha, regressa ao Festival de Cannes. O filme é um dos títulos que integram a secção Cannes Classics da 71ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 8 a 19 de maio de 2018.

 

O filme de Paulo Rocha - que será brevemente editado em DVD em Portugal - será exibido numa cópia recentemente restaurada pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, que teve origem na digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996. A correção de cor digital foi feita por La Cinemaquina usando como referência uma cópia de distribuição de 1982. O restauro digital da imagem foi feito pela IrmaLucia Efeitos Especiais.

 

Para além desta obra, que teve a sua estreia mundial no certame gaulês, serão apresentados filmes nesta secção como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), O Ladrão de Bicicletas (1948), Viagem a Tóquio (1953), Vertigo (1958) e A Religiosa (1965).

 

Vale a pena recordar que na Cannes Classics estarão ainda em destaque duas mulheres pertencentes à história do cinema, Alice Guy e Jane Fonda, um ensaio de Mark Cousins sobre Orson Welles e um tributo de Margarethe von Trotta a Ingmar Bergman.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:51
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19.4.18

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Para além do novo filme de Lars Von Trier, The House that Jack Built, Cannes revelou mais títulos para a sua programação, entre os quais o badalado The Man who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam, que se encontra sob disputa judicial quanto aos seus direitos de distribuição. O filme foi escolhido para encerrar o certame.

 

Quanto às outras adições, Un couteau dans le cœur (Knife + Heart) do francês Yann Gonzalez (tendo Vanessa Paradis como protagonista), Ayka do cazaque Sergey Dvortsevoy (realizador galardoado com o Prémio de Un Certain Regard por Tulpan) e o regresso do turco Nuri Bilge Ceylan (vencedor da Palma de Ouro em 2014) com Ahlat Agaci (The Wild Pear Tree) completam a Competição Oficial.

 

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Whitney, o documentário assinado por Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia), sobre a cantora mundialmente célebre Whitney Houston, será, em conjunto com Fahrenheit 451, a adaptação do livro de Ray Bradbury pelo canal HBO, serão as sessões da Meia-Noite.

 

Un Certain Regard também com novas adições, e bem lusófonas. Chuva e Cantoria Na Aldeia Dos Mortos, documentários do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora sobre o povo Krahô, um comunidade indígena vivente no centro do Brasil, junta-se à competição ao lado de Muere, Monstruo, Muere, do argentino Alejandro Fadel, e de Donbass, de Sergey Loznitsa, que abrirá a secção “Um Certo Olhar”.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:18
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17.4.18

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Longas-Metragens

Amin de Philippe Faucon (estreia mundial)

Carmen y Lola de Arantxa Echevarria (estreia mundial) – primeiro filme

Climax de Gaspar Noé (estreia mundial)

Cómprame un revólver ( Buy Me a Gun ) de Julio Hernández Cordón (estreia mundial)

Les Confins du monde de Guillaume Nicloux (estreia mundial)

El motoarrebatador ( The Snatch Thief ) de Agustín Toscano (estreia mundial)

En Liberté ! de Pierre Salvadori (estreia mundial)

Joueurs ( Treat Me Like Fire ) de Marie Monge (estreia mundial) – primeiro filme

Leave No Trace de Debra Granik première internationale

Los silencios de Beatriz Seigner (estreia mundial)

Ming wang xing shi ke ( The Pluto Moment ) de Ming Zhang (estreia mundial)

Mandy de Panos Cosmatos

Mirai ( Mirai ma petite sœur ) de Mamoru Hosoda (estreia mundial)

Le monde est à toi de Romain Gavras (estreia mundial)

Pájaros de verano ( Birds of Passage – Les Oiseaux de passage ) de Ciro Guerra & Cristina Gallego (estreia mundial) – filme de abertura

Petra de Jaime Rosales (estreia mundial)

Samouni Road de Stefano Savona (estreia mundial) – documentario

Teret ( The Load ) de Ognjen Glavonic (estreia mundial)

Troppa grazia de Gianni Zanasi (estreia mundial) – filme de encerramento

Weldi ( Dear Son – Mon cher enfant ) de Mohamed Ben Attia (estreia mundial)

 

Curtas-Metragens

Basses de Félix Imbert

Ce magnifique gâteau ! ( This Magnificient Cake ! ) de Emma De Swaef & Marc Roels

La Chanson ( The Song ) de Tiphaine Raffier

La lotta de Marco Bellocchio

Las cruces de Nicolas Boone

La Nuit des sacs plastiques ( The Night of the Plastic Bags ) de Gabriel Harel

O órfão ( The Orphan ) de Carolina Markowicz

Our Song to War de Juanita Onzaga – documentário

Skip Day de Patrick Bresnan & Ivette Lucas - documentário

Le Sujet ( The Subject ) de Patrick Bouchard

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:07
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14.4.18

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Como se sabe, a Netflix não terá qualquer filme presente este ano em Cannes, em consequência está a decisão do Festival em excluir qualquer obra sem distribuição cinematográfica em França da competição.

 

Para a Helen Mirren, tal decisão da empresa de streaming é “devastadora” para qualquer cineasta. Em uma entrevista ao site I News, a atriz de Winchester (em cartaz) revelou a sua posição em relação a este confronto. Mesmo admitindo que gosta de assistir filmes no seu IPad, Mirren encontra-se do lado de Cannes, referindo que é "devastador para pessoas como meu marido [Taylor Hackford], realizadores, porque querem que seus filmes sejam exibidos em uma sala de cinema para um grupo de pessoas. É algo comum".

 

Esta decisão da Netflix afetou a possibilidade de obras de cineastas como Alfonso Cuarón (Roma), Jeremy Saulnier (Hold the Dark), Paul Greengrass (Norway) e dois projetos em torno de Orson Welles: o documentário de Morgan Neville, They'll Love Me When I'm Dead, e The Other Side of the Wind, projeto inacabado do cineasta agora terminado, de integrar a Seleção do Festival de Cannes.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:25
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12.4.18

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Jean-Luc Godard, Spike Lee, Stéphane Brizé, Jia Zhang-kee, entre outros, irão competir pela Palma de Ouro nesta 71ª edição do Festival de Cannes. Uma programação cheio de surpresas e com muitos nomes estreantes irão fazer as delícias dos cinéfilos nos dias 8 a 19 de maio na Riviera Francesa.

 

Destaque ainda para O Grande Circo Místico, do realizador brasileiro Cacá Diegues (Carlos Diegues), uma coprodução portuguesa em sessão especial nesta tão cobiçada mostra cinematográfica.  

 

Filme de Abertura

“Everybody Knows,” Asghar Farhadi (em Competição)

 

Competição

“Asako I & II,” Ryusuke Hamaguchi

“Ash Is Purest White,” Jia Zhang-Ke

“At War,” Stéphane Brizé

“BlacKkKlansman,” Spike Lee

“Burning,” Lee Chang-Dong

“Capernaum,” Nadine Labaki

“Cold War,” Pawel Pawlikowski

“Dogman,” Matteo Garrone

“Girls of the Sun,” Eva Husson

“Lazzaro Felice,” Alice Rohrwacher

“Shoplifters,” Kore-Eda Hirokazu

“Sorry Angel,” Christophe Honoré

“Summer,” Kirill Serebrennikov

“The Picture Book,” Jean-Luc Godard

“Three Faces,” Jafar Panahi

“Under the Silver Lake,” David Robert Mitchell

“Yomeddine,” A.B Shawky

 

 

Un Certain Regard

“Angel Face,” Vanessa Filho

“Border,” Ali Abbasi

“Euphoria,” Valeria Golino

“Friend,” Wanuri Kahiu

“Girl,” Lukas Dhont

“In My Room,” Ulrich Köhler

“Little Tickles,” Andréa Bescond & Eric Métayer

“Long Day’s Journey Into Night,” Bi Gan

“Manto,” Nandita Das

“My Favorite Fabric,” Gaya Jiji

“Sextape,” Antoine Desrosières

“Sofia,” Meyem Benm’Barek

“The Angel,” Luis Ortega

“The Gentle Indifference of the World,” Adilkhan Yerzhanov

“The Harvesters,” Etienne Kallos

 

Fora da Competição

“Le Grand Bain,” Gilles Lellouche

“Solo: A Star Wars Story,” Ron Howard

 

Sessões Especiais

“10 Years in Thailand,” Aditya Assarat, Wisit Sasanatieng, Chulayarnon Sriphol & Apichatpong Weerasethakul

“Dead Souls,” by Wang Bing

“La Traversee,” Romain Goupil

“O Grande Circo Místico,” Carlo Diegues

“Pope Francis – A Man of His Word,” Wim Wenders

“The State Against Mandela and Others,” Nicolas Champeaux & Gilles Porte

“To the Four Winds,” Michel Toesca

 

Sessões da Meia-Noite

“Arctic,” Joe Penna

“The Spy Gone North,” Yoon Jong-Bing

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:33
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6.4.18

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Han Solo: Uma História de Star Wars será exibido no próximo Festival de Cannes. O filme assinado por Ron Howard que decorre antes dos eventos da trilogia original de Star Wars, tem projeção especial no tão cobiçado evento cinematográfico no dia 15 de maio.

 

Com estreia marcada para dia 24 em Portugal, Han Solo: Uma História de Star Wars conta no elenco com Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Donald Glover, Thandie Newton, Phoebe Waller-Bridge, Joonas Suotamo (como Chewbacca) e Paul Bettany. Esta prequela focará no primeiro encontro entre o famoso mercenário, anteriormente interpretado por Harrison Ford, e o seu comparsa "Chewie".

 

Em relação ao Festival de Cannes (8 a 19 de Maio), esta não será a primeira vez que um filme da saga intergaláctica integra a programação. Em 2002 e 2005 os episódios II (Ataque dos Clones) e III (A Vingança de Sith), respetivamente, tiveram as honras de ser apresentados em Fora de Competição.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:27
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5.4.18

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Penélope Cruz e Javier Bardem são os protagonistas de Todos lo Saben (Everybody Knows), o primeiro filme de língua espanhola do iraniano Asghar Farhadi (Uma Separação; O Passado; O Vendedor). O filme terá as honras de abrir o 71º Festival de Cannes.

 

Este drama familiar e thriller psicológico acompanha Laura, uma mulher que viaja com a sua família de Buenos Aires para Espanha. Mas o que iria ser uma celebração acaba por se tornar num pesadelo e na revelação de segredos que poderão colocar em causa toda a família. Ricardo Darin, Inma Cuesta, Carla Campra e Bárbara Lennie compõe o resto do elenco.

 

Vale a pena referir que este projeto inicialmente teria o selo da El Deseo, de Pedro e de Agustín Almodóvar, mas a empresa abandonou a produção.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:31
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