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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Bola Preta #14: Viver nas ruínas do capitalismo? IA, pistoleiras e o Fim do Mundo como se quer. Uma conversa com Mia Tomé

Hugo Gomes, 05.01.26

Episódio 14_ Westward the Women.jpgWestward of Women (William A. Wellman, 1951)

No início, começamos pelo fim, ou melhor, pelo vislumbre dos escombros que esse projectável ponto final deixará para as (não) futuras gerações. A arte sempre auxiliou o imaginário humano, e é também a primeira a “morrer” pela negligência da espécie, pelo capitalismo fervoroso onde o lucro se assume como o máximo da existência. Discursos fortes e pessimistas à entrada de 2026. Contudo, importa olhar com alguma incerteza e jocosidade - “Não Esperem Muito do Fim do Mundo” -, foi o título de um filme do cineasta romeno Radu Jude, que aponta a desumanização da Humanidade como acelerador do nosso desfecho civilizacional e, ao mesmo tempo, nos acalma as ansiedades: o Apocalipse não terá a espectacularidade que Hollywood nos vendeu. Mia Tomé, actriz, poeta, aventureira no Arizona à procura das stuntwomen dos westerns esquecidos, é a convidada deste episódio, um pouco fatalista, ora habitante desse inquietante uncanny valley. Mesmo sob enredos de IA e substituição humana, é no conforto da “livraria mais bela deste país” (palavras da própria convidada), a Linha de Sombra, que nos refugiamos entre escritos e matéria, toda ela produzida por humanos. Viva a Humanidade? Talvez sim. Ou talvez não.

 

Material de Apoio

O álbum “Há um Herbário no Deserto” de Mia Tomé.

Página oficial dos Artistas Unidos.

O filme soviético referido neste episódio é “Padenie Berlina” (“The Fall of Berlin”, em título internacional), de Mikheil Chiaureli (1950).

Devido às constantes “brancas” do vosso anfitrião, o western de William A. Wellman mencionado intitula-se de “Westward of Women”, por cá recebendo o título de “Caravana de Mulheres” (1951)

Alguma informação adicional sobre o “Titanic” nazi, produzido pela UFA, ler aqui.

Podcast de Rui Alves de SousaImperdoável.

O mencionado episódio de ‘Porta dos Fundos.

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #13 - Por onde sopra a Cinefilia? Arqueologia familiar como aventura. Uma conversa com Rafael Fonseca.

Hugo Gomes, 25.12.25

Quorum (Rafael Fonseca, 2025)

Que episódio serei?” “Serás o episódio 13!”, respondo com exactidão. “13?!” “Sim, espero que não sejas supersticioso … Eu considero-o um número de sorte.” “Veremos, então.” Para o lugar mais habitual desta jornada chamada “Bola Preta”, sentamo-nos no Bar 39 Degraus da Cinemateca, afastados do balcão para “escapar” dos ruídos habituais de café (esperamos ser bem sucedidos nisso), com possível encosto nos cartazes vintage de filmes de outras épocas: um “Ginger e Fred”, de Fellini, por detrás de mim; uma “Flauta Mágica” diante do convidado; e “Páginas Imortais” entre nós … talvez o filme de Rolf Hansen também ansioso por esta companhia. Pedimos o costume, brindamos. À minha frente está Rafael Fonseca, crítico do site “Tribuna do Cinema”, com uma mão cheia e textos no “Talking Shorts” e no “À Pala de Walsh”, e realizador de uma obra intitulada “Quorum”, filmada no Gerês, povoada por fantasmagorias de invenção camiliana, cavalos improvisados, OVNIs e uma actriz com rosto de cinema à la Eugène Green. Uma das descobertas proporcionadas por 2025, tanto o filme como a pessoa. Fonseca tornou-se presença recorrente em festivais e jantares, e também em ocasionais ‘encontrões’ pelos corredores da Cinemateca. Está aqui para falarmos de uma aventura em particular, a cinéfila no geral.

 

Material de Apoio

Rafael Fonseca no Rio Talents 2025 - https://www.festivaldorio.com.br/br/talents/apresentacao

Crítica ao “Quorum” - O Cinema da extinção, e dessa morte, a reinvenção. - Cinematograficamente Falando …

Informação sobre o Festival Montanha, na Ilha do Pico: mirateca.com/miratecarts/picofestival/default.aspx

Entrevista de Rafael Fonseca a Charlie Shackleton no “Talking Shorts”: Truth in Parts — Talking Shorts

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #12: Symbioquê? … O documentário a olhar para si próprio e com alguns amadores pelo caminho. Uma conversa com Luís Mendonça

Hugo Gomes, 17.12.25

Episódio 12_ Symbiopsychotaxiplasm_ Take One.jpg

Symbiopsychotaxiplasm: Take One (William Greaves, 1968)

“Então, o que é isso mesmo?”, pergunta o caro convidado. “Diria que é um podcast a tentar regredir, a chegar às suas bases espontâneas… aliás, amadoras.” Esta última palavra ressoa como estardalhaço nos ouvidos do crítico, programador e professor Luís Mendonça. “Amador”, e todas as suas variações, são-lhe queridas, mas não revelamos ainda o porquê. Acrescento: foi numa manhã de segunda-feira, cinzenta, com ameaços constantes de chuva. O cofundador do site de cinefilia “À Pala de Walsh” abriu as “portas” da Cinemateca e, após alguma procura por um espaço que pudéssemos estar no sossego dos deuses, demos de caras com o seu escritório, sob a bênção de um gigantesco cartaz de “As Vinhas da Ira”, de John Ford, pendurado na parede.“Tenho algo para ti”, riposto. “Gostaria de falar contigo sobre um filme específico, do qual tenho a certeza absoluta de estares familiarizado.” “O quê?”, pergunta Mendonça. Abro o bloco de notas; o título não é, de todo, fácil e, como se estivesse a articular a palavra impossível popularizada por Mary Poppins, em alto e bom som, arrisco: Symbiopsychotaxiplasm: Take One. Os seus olhos brilham. “Não sabia que William Greaves seria um thing neste nosso encontro!

 

Material de Apoio

Livro “Fotografia e Cinema Moderno: Os Cineastas Amadores do Pós-Guerra” da autoria de Luís Mendonça 

A mencionada crítica a “Marty Supreme” de Josh Safdie, aqui. 

 

“Polígrafo”

Confirma-se! O actor de “Je m’appelle Hmmm...”, Douglas Gordon é um dos realizadores do documentário “Zidane, un portrait du 21e siècle

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #11: Na teta proustiana do cinema, ou entre dois “velhos do Restelo”. Uma conversa com Pedro Cinemaxunga

Hugo Gomes, 12.12.25

Episódio 11_ A Boy and His Dog.jpg

A Boy and his Dog (L.Q. Jones, 1975)

“Devo dizer que esta será a primeira vez que falamos directamente… quer dizer, estamos à distância, mas mesmo assim…” Avanço como primeira pedra este diálogo em horas de “chichi-cama” com Pedro Cinemaxunga, figura lendária da blogosfera luso-cinematográfica. Hoje, para além do seu espaço ainda imaculado, detém dois podcasts de cinema: “Rádio Cinemaxunga”, considerado por si um exercício lúdico e curatorial, e “Nas Nalgas do Mandarim”, onde, com os dois cúmplices de crime (Miguel Ferreira e Carlos Reis), conduz um programa sem rédeas nem papas na língua sobre cinema e afins. Sobre este episódio em particular, rédeas não há, nem tampouco as ditas papas, mas o resultado é uma conversa entre “gentlemans”, daquelas centradas em histórias e memórias do cinema, temperadas por saudade dos seus tempos áureos. Hoje, com ameaças da Netflix a adquirir a Warner Bros. e a Disney a vender-se à IA, sentimos os “Velhos do Restelo” em nós: datados e obsoletos. Mas o Cinema é uma arte de resistência… é o que é. Eis um “tête-à-tête” com cães, dinossauros, fórmulas, seios, Cannes e o humor de Manoel de Oliveira.

 

Material de Apoio

Letterboxd de Pedro Cinemaxunga

Rúbrica “Peitinhos à Quinta

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #10: “Procurar o cinema nos filmes”, para lá do conspirativo e da política de autores. Uma conversa com Ricardo Vieira Lisboa

Hugo Gomes, 05.12.25

Episódio 10_ Megalopolis.jpg

Megalopolis (Francis Ford Coppola, 2024)

Eis o décimo: a viagem pelas bolas pretas ainda agora começou, mas o Cinema continua, paralelamente, a ser desculpa para encontros e reencontros. Não apenas a “ida à sala” ou o filme da semana na Netflix, mas a cinefilia como cuspo que cola eremitas saídos das suas catacumbas. Não é preciso sair da gruta para topar com o centro da questão; para Ricardo Vieira Lisboa, crítico (um dos fundadores do site À Pala de Walsh) e programador da Cinemateca, bastou trazer um barrete. “Estou preparado para o frio.” E assim foi: para a esquina mais distante da esplanada, sob as luzes longínquas do bar e a protecção luminosa da livraria Linha de Sombra na outra ponta. O tempo era contado e a meteorologia estava longe de ser clemente (digamos que o Inverno espreita, aproximando-se sorrateiro), mas nada impediu o que vinha aí: autores, a sua política e o derrube da mesma; criar, implodir, reinventar, mais uma conversa sobre Cinema, ou melhor, sobre filmes. “Bardamerda para tudo e todos os que são incapazes de descobrir o cinema nos filmes e só procuram os filmes no cinema”, escreveu, certo dia, o nosso ilustre convidado.

 

Material de Apoio

Top À Pala de Walsh 2022, onde poderão encontrar a citação no manifesto de Ricardo Vieira Lisboa.

Texto mencionado no episódio - “O que é a crítica de cinema” - À Pala de Walsh.

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #09: Agentes pasolinianos e chinês com sotaque carioca. Uma conversa com Rodrigo Fonseca.

Hugo Gomes, 01.12.25

Episódio 9_ A História da Eternidade.jpg

Acabado de chegar do Festival do Cairo e mesmo assim com uma insaciável sede de Cinema, Rodrigo Fonseca envia-me um SMS: “Vamos ver o Pasolini que passa no Nimas?”. A resposta foi afirmativa; duas horas depois de ter aterrado, lá estava ele, crítico de cinema de Bom Sucesso, à porta da sala, aguardando a minha chegada naquela tarde com cheiro a Inverno. Um abraço de saudade e partimos rumo ao inóspito: Tebas, romances edipianos e mendigos no fim da linha. “Édipo Rei” fora o filme escolhido para unir dois continentes cinéfilos. Depois, seguiu-se o jantar: uns relatos aqui, outros acolá. “Como foi o Cairo?”, ouve-se da minha parte. “E você? Como tem sobrevivido?”, devolve ele. Pedem-se crepes chineses, vaca à moda de Singapura, sopa de cogumelos, porco com bambu e, a acompanhar tudo, cerveja, pois claro! Clico no record: nasce um novo episódio de Bola Preta, com alguma saudade pelo meio — um reencontro entre amigos, irmãos de mães diferentes, de diferentes no planisférios e cinemas diferentes (nada de utopias aqui). “Temos de ser breves”, avisa, relembrando que o avião partirá pouco depois, rumo ao Rio de Janeiro. Secretismos à parte, a cinefilia tem algo de convívio.

 

“Polígrafo”

Oliver!”, de Carol Reed, a adaptação do romance de Charles Dickens - Oliver Twist - venceu o Óscar de Melhor Filme em 1968, o antecessor desse prémio, do qual nenhum dos intervenientes da conversa recordava era “In the Heat of the Night” de Norman Jewison, com Sidney Poitier. 

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #8: Alan Smithee realiza … a uma sexta-feira à tarde com cervejas em promoção! Uma conversa com Tiago Laranjo.

Hugo Gomes, 21.11.25

Episódio 8_ Vampires Los Muertos.jpeg

Vampires: Los Muertos (Tommy Lee Wallace, 2002)

Descobrir, escavar, ou simplesmente angariar, a cinefilia como um jogo de trivias, ou o conhecimento pelo desconhecido, escasso, o raro, posicionar perante o lado B do Cinema, fora do cânone, das diretrizes e das reluzentes estatuetas e distinções. Tiago Laranjo, conhecido nestas andanças de ‘podcasting’ é uma autêntica enciclopédia de factos e cinematografias fora do radar, apenas o seu debitar leva-nos ir atrás daquele filme poeirento, sempre anexado a uma história de rodagem, ou um capricho de actor. Mas convenhamos, alertar, este episódio não tem nada de enciclopédico, nem há um pingo de organização ou vontade de sê-lo, é antes um caos trabalhado ao sabor da cevada … “Sexta-feira, promoção de cervejas! Leve 2, Pague 1!” … e assim começa, com alguns cameos pelo meio, interrupções pelo outro, informações em rodapé, Alan Smithee passou por aqui, o tal realizador incognito, assinou no pleno anonimato. Um brinde, ou talvez dois, “como é que eu sei isto?”, pergunta retórica do nosso convidado. Ninguém sabe, mas bebemos à mesma, porque a Beatriz Batarda nos espera …

 

Material de Apoio

O mencionado episódio do podcast “Livros da Piça”.

Podcast “Betamax”, de Tiago Laranjo e António Araújo.

Podcast de guiões nunca feitos “Na Gaveta”.

Episódio de V.H.S, com a participação de Tiago Laranjo, sobre John Frankenheimer

Crítica de Roger Ebert a “Transformers: Revenge of the Fallen” de Michael Bay.

 

“Polígrafo”

Tiago Laranjo menciona um filme de título “Deadly Cop”, mas o verdadeiro título é “Deadly Hero” (Ivan Nagy, 1975)

Gillo Pontecorvo teve de facto participação em “The Stupids” de John Landis.

Falso! A história de o Fantasporto ter premiado Alan Smithee numa das suas edições é um mito urbano. Contudo, “Hellraiser: Bloodline” encontrou-se a concurso, tendo sido assinado por Alan Smithee, na realidade realizado por Rick Yagher

Correcto! O workshop de Werner Herzog nos Açores tem a inscrição de 8800 euros. 

 

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Bola Preta #7: ‘Está à janela encantada com a tua cinefilia’, os blogs de cinema, o que fazer com as suas carcaças? Uma conversa com José Carlos Maltez.

Hugo Gomes, 13.11.25

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Under Capricorn (Alfred Hitchcock, 1949)

Um jantar (mais um!? Tradição neste programa? Talvez… não sei, andiamo). Um jantar de resistentes, após o vislumbre do “novo” filme de John Ford na CinematecaThe Scarlet  Drop” — achado mudo que contraria a extinção declarada destas metragens. História a ser feita, recontada ou apenas contemplada. Sim, aqueles exteriores remetem-nos sobretudo ao teor fordiano que remexemos e embutimos nos nossos textos. Os resistentes são, porém, outros, os bloggers, essa raça maldita, hoje em iminente extinção como os filmes desaparecidos, e, de igual modo, de vez em quando surgem, dão sinais de vida, prometem manifestar-se perante a História, ou, neste caso, na forma de ver e partilhar cinema. José Carlos Maltez é o último dos moicanos, e os treze anos do seu projecto, A Janela Encantada”, são prova viva dessa teimosia de existir num meio cada vez mais acelerado, imediato e efémero. Entre garfadas e tragos amargos de cevada, eis uma conversa (perdoem a minha voz constipada) de um tempo que não regressa …  para o bem e para o mal.

 

Material de Apoio

Comemoração 13 Anos de “A Janela Encantada”

Ciclo Alfred Hitchcock na “A Janela Encantada

Para adquirir o livro “O Cinema Expressionista Alemão” de José Carlos Maltez

 

Ouvir episódio completo aqui

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Bola Preta #6: “Há uma beleza triste na derrota”, melancolias e finitudes. Uma conversa com Carolina Serranito

Hugo Gomes, 02.11.25

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Close (Lukas Dhont, 2022)

Somos gerações deprimidas, melancólicas, saudosas de tempos que nunca chegámos a viver. E então, o que fazer com esse desalento acumulado e reprimido? O que exigir dela? O que reclamar? Não há respostas para estes encontros tristes, mas existem encontros que, apesar de tudo, não são em nada tristes. Um deles aconteceu com Carolina Serranito, co-fundadora e programadora do Festival Triste para Sempre, uma mostra de filmes longe do circuito “tear-jerker” ou miserabilista, obras que reflectem a nossa natureza cinzenta, por vezes derrotista, por vezes impotente. Falámos dessa tristeza como ponto de partida e viajámos longe: da animação à gaivota como prato principal, de documentários sobre avós a ‘almodramas’, e tudo cronometrado para um filme perdido de John Ford na Cinemateca, essa curiosidade cinéfila que desfaz qualquer discurso derrotista que tenhamos tecido até então: porque até aquilo que se perde, encontra-se.

 

Material de Apoio

Submissões (até 31 de dezembro), questões, outras informações da 6ª edição Festival Triste para Sempre: tristetristeparasempre@gmail.com

Episódio-piloto de “Verdade seja Dita” da ETIC

Livro “A Existência da Vida” da escritora finlandesa Iida Turpeinen (Livros do Brasil)

 

Ouvir episódio completo aqui

 

Bola Preta #5: Cinefilia, a abençoada anomalia … do obsessivo ao paranóico. Uma conversa com Luís Miguel Oliveira.

Hugo Gomes, 26.10.25

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Heaven's Gate (Michael Cimino, 1980)

Convite feito. Convite aceite. O crítico e programador da Cinemateca, Luís Miguel Oliveira, prepara a sua “Santa Trindade” como oferenda de uma paz cinéfila, e, ao mesmo tempo, sem harmonias nem consensos. Do meu lado, o cinema obsessivo a dar lugar ao cinema paranoico como resposta, dos autores à, realça o convidado, política dos autores (riscar autores se faz favor). Foi assim, naquela tarde rendida ao tempo chuvoso, no Bar 39 Degraus: um pé na boémia, o outro na Cinemateca. “Deveres chamam”, havia alertado Luís. O tempo era curto, mas não interessa, a conversa teria de nascer a qualquer custo. Não foi um combate de boxe, nem algo que valha. Foi, antes, um brinde com copos de imperial — “À decadência!” — porque, neste plano devastado, ou melhor, nas belíssimas ruínas que contemplamos, a cinefilia, a tal anomalia num mundo que nada presta à sua gerência, deve ser debatida, discutida e, muitas vezes, contestada. Contra a consensualidade. Contra o seriado dominante do quotidiano.

Material de Apoio

Por Entre Belíssimas Ruínas”, de Luís Miguel Oliveira, ler aqui

Crítica e Consenso”, da autoria de Filipe Furtado, no À Pala de Walsh

Ouvir episódio completo aqui