Bola Preta #14: Viver nas ruínas do capitalismo? IA, pistoleiras e o Fim do Mundo como se quer. Uma conversa com Mia Tomé
Westward of Women (William A. Wellman, 1951)
No início, começamos pelo fim, ou melhor, pelo vislumbre dos escombros que esse projectável ponto final deixará para as (não) futuras gerações. A arte sempre auxiliou o imaginário humano, e é também a primeira a “morrer” pela negligência da espécie, pelo capitalismo fervoroso onde o lucro se assume como o máximo da existência. Discursos fortes e pessimistas à entrada de 2026. Contudo, importa olhar com alguma incerteza e jocosidade - “Não Esperem Muito do Fim do Mundo” -, foi o título de um filme do cineasta romeno Radu Jude, que aponta a desumanização da Humanidade como acelerador do nosso desfecho civilizacional e, ao mesmo tempo, nos acalma as ansiedades: o Apocalipse não terá a espectacularidade que Hollywood nos vendeu. Mia Tomé, actriz, poeta, aventureira no Arizona à procura das stuntwomen dos westerns esquecidos, é a convidada deste episódio, um pouco fatalista, ora habitante desse inquietante uncanny valley. Mesmo sob enredos de IA e substituição humana, é no conforto da “livraria mais bela deste país” (palavras da própria convidada), a Linha de Sombra, que nos refugiamos entre escritos e matéria, toda ela produzida por humanos. Viva a Humanidade? Talvez sim. Ou talvez não.
Material de Apoio
O álbum “Há um Herbário no Deserto” de Mia Tomé.
Página oficial dos Artistas Unidos.
O filme soviético referido neste episódio é “Padenie Berlina” (“The Fall of Berlin”, em título internacional), de Mikheil Chiaureli (1950).
Devido às constantes “brancas” do vosso anfitrião, o western de William A. Wellman mencionado intitula-se de “Westward of Women”, por cá recebendo o título de “Caravana de Mulheres” (1951)
Alguma informação adicional sobre o “Titanic” nazi, produzido pela UFA, ler aqui.
Podcast de Rui Alves de Sousa, Imperdoável.
O mencionado episódio de ‘Porta dos Fundos’.
Ouvir episódio completo aqui








