18 anos de Cinematograficamente Falando ... saber resistir para o que nos resta!

Chegamos aos 18! À maior idade, à responsabilidade … o que farei com essa espada? Ou melhor, o que farei com este espaço que dura, perdura, resiste ou se preserva mais por via da carolice do que supostamente feitio? O zeitgeist que nos envolve acompanha toda a uma metamorfose da crítica e da escrita de cinema em particular.
Há 18 anos, os blogs floresciam, cinefilias encontravam-se e formavam-se novos pares, alguns deles “pegaram” na crítica de cinema pelos seus devidos cornos. Há 18 anos, os jornais e a sua crítica exercida abundavam, revistas de cinema até, nos quiosques e papelarias com a estreia do mês a brilhar na sua capa. Há 18 anos, tínhamos King, Monumental, Fantasporto na sua forma mais arrebitada, João Bénard da Costa e Manoel de Oliveira. Há 18 anos, os DVDs coabitavam nos nossos abrigos, era vista para o futuro, o cinema em casa, arquivado, domesticado. Há 18 anos, havia videoclubes, o Blockbuster no centro, havia secção de Cinema na FNAC … vejam só. Há 18 anos, tinhamos Kathleen Gomes nas páginas do Público, tinhamos Manuel Cintra Ferreira, tínhamos o blog Rick 's Cinema, tínhamos três críticos no Diário de Notícias. Há 18 anos, tudo parecia tão maravilhoso, aí as saudades! Mas não, era apenas … diferente. Hoje, com 18 anos em cima, temos o físico como resistência, o autor como resistência, a cinefilia como resistência, a Cinemateca como resistência, os sites de cinema como resistência, os festivais como resistência. 18 Anos, o cinema resiste, só que não se julga garantido. Por vezes está perdido, desconcentrado, como espectador, ou como este espaço … não sei, mas modéstias à parte, facto dos factos …18 anos é resistir caramba!
Nem tudo são lamentos: a partir de amanhã, de dois em dois dias será publicado um texto convidado para o novo dossiê temático - “Ler Cinema, Ver Literatura” - para juntar aos anteriores “15 Anos de Cinematograficamente Falando: Escritos de Resistência” e “Cinema e o Medo”. Será uma iniciativa que por si fala, mas cuja mensagem parece-nos óbvia … se não fosse vocês, meus leitores, não haveria sequer 18 anos. Copos ao cimo, brindemos, ao Cinema também.
CONFORME SEJA AS VOSSAS ESCOLHAS, BONS FILMES








