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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Campo de Flamingos Sem Flamingos: aviso de "spoilers", há flamingos!

Hugo Gomes, 14.12.14

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Em Campo de Flamingos Sem Flamingos desejamos intensamente encontrar o fio condutor desta motivação epopeica visual, o percorrer do recorte de Portugal através do registo de imagens, onde André Príncipe, o diretor de fotografia Takashi Sugimoto e o operador de som Manuel Sá aplicam para preencher esse imaginário. Contudo, tal proposta só é possível a quem ler a sinopse de promoção deste documentário, sem noção como tal.

Em Campo de Flamingos Sem Flamingos (até no titulo nos demonstra uma alusão metafórica desperdiçada) vale pelas imagens recolhidas e pelos momentos em que câmara, como poucas, consegue captar, mas onde se esconde o autor no centro deste ensaio academista? O norte do espectador é abalado pela incapacidade de orientação de André Príncipe na sua narrativa visual, é no seu termo uma exposição de imagens sem um sentido cronológico nem objetivos definidos, quase como um álbum de fotografias que não queremos ver mas que o autor insiste em demonstrar. Pois bem, o desperdício é sentido em contacto com a angariação de material visual interessante, não apenas para o olhar, mas mesmo em linguagem cinematográficas, entre elas a alusão divina de um "Deus sob as formigas". De resto é mostrar o que se quer mostrar, sem nada a assinalar.

O vangloriar de imagens, o fascínio pela natureza estética que contrapõe com o retrato profundo do país que supostamente Príncipe quer expor. No final, após uma mudança drástica de registo, sentimos que o realizador brincou demasiado com uma câmara sem saber ao exato o que filmar, e o pior é que como espectador a frustração de um trabalho mal executado é evidente. Príncipe ficou a meio da sua missão, e o pior é que não obteve a coragem para reconhecer tal falhado ato.

E como grande parte dos novatos do cinema português de autor, ficamos às "aranhas" em mais uma masturbação ao clube que estas novas "promessas" querem a todo o custo integrar, sem com isso aprender com as suas experiências, erros e ensaios. Uma proposta indulgente.