Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Psicoses e Sacrilégios: Alejandro Jodorowsky preferiu as aberrações!

Hugo Gomes, 21.01.26

Santa Sangre 1 website.jpg

Tu és um ladrão!”, acusou Alejandro Jodorowsky. Roberto Leoni estava em Paris, a pedido do próprio cineasta chileno, para um encontro onde pretendiam discutir a ideia de um projecto, de um filme para o qual, tanto o argumentista italiano como o produtor Claudio Argento (irmão mais velho de Dario Argento), Jodorowsky era a pessoa indicada. Numa mesa de bar, sob o sobressalto de Leoni, o cineasta, ou melhor, o “psicomago” disparou, metralhadoramente: “Quando é que escreveste este guião?”. A resposta, acrescente-se a incerteza, foi: “Não sei bem, por volta de Março talvez”. “Que dia de Março?”. “Não sei, talvez dia 28”. A imprecisão fez-se luz em Jodorowsky: “Com que raio… aí está! Nesse dia fui para a cama mais cedo. O anjo das histórias passou por Paris, viu-me a dormir, seguiu para Roma e deu-te a história.” O suficiente para “fechar negócio” e brindar.

O realizador-malabarista, sempre entre o provocador, o surreal e o alucinógeno, autor de um certo cinema new age com “El Topo” e “The Holy Mountain”, teria assim um novo filme, assumidamente de terror, ainda que o próprio tivesse confessado reservas face à natureza dos produtores, Argento várias vezes por detrás das produções do irmão [Dario]: “Matar uma mulher? Frisei: por que não matar… não sei… todos os homens, cavalos, moscas… mas por que matar mulheres?”. Jodorowsky, porém, tinha outras ideias, mais consonantes com este projecto. Em tempos, enquanto trabalhava como cartoonista numa revista de direita, foi interpelado por um desconhecido num bar (sempre o bar, poço criativo de Jodorowsky?). O homem apresentou-se como Goyo Cárdenas, assassino de 4 mulheres (a.k.a O Estrangulador de Tacuba), então reabilitado na sociedade. A conversa girou em torno do passado e, quase incrédulo, Jodorowsky questionava como um serial killer, violento, paranoico, capaz de tal monstruosidade, poderia, pelos caminhos de Cristo, alcançar um arco de redenção.

Santa Sangre” nasce desse envolvimento, dessa interacção, cruzada com a história dos italianos. Seria o regresso à longa-metragem desde o seu familiar “Tusk” (1980) e da sombra da fracassada abordagem do livro de Frank Herbert (“Dune”), num embuste ao género em que se inscrevia. Terror, sim, conservando os seus elementos básicos (ou diríamos primitivos), mas propondo um exercício pleno e desafiante de compaixão pelo vilão, ao invés das vítimas. Seria possível? Entramos na torrente do filme com a primeira sequência: Fenix, jovem pousado num ramo como uma ave de rapina, é abordado pelo médico e pela enfermeira da ala psiquiátrica onde reside. Ser estranho, quase animalesco, apático. 

01 (878).jpg

A narrativa, contudo, faz um vaivém ao passado e deparamos com um circo e, em paralelo, com uma catedral improvisada em nome de uma santa heresia, o Sangue Sagrado. Uma profeta tenta persuadir um padre da legitimidade do santuário, construído com dinheiro de prostitutas, como devoção a uma jovem desmembrada pelos seus próprios violadores, cujo sangue derramado se conserva num lago destinado a lavar pecados. Esforço em vão. A igreja é destruída, a profeta agarrada à santa enquanto o bulldozer se aproxima. Uma criança junta-se a ela, abraça-a com força e grita pelo parentesco: “Mãe, mãe!”. Essa criança é Fénix. A mulher, a quem chama mãe, é também trapezista de circo.

É uma família circense, a viver sob tendas, rodeada por um rol infinito de aberrações de todos os géneros, palhaços e mulheres tatuadas. Tod Browning quase passou por aqui, mas são outros truques e miasmas os que se evidenciam. Buñuel surge por geografia (a história passa-se no México), enquanto Jodorowsky mescla o seu surrealismo numa convencionalidade enganadora. É também o mais felliniano dos seus filmes, nem que seja pelo circo como ponto de ebulição dramática ou pelo neorrealismo mágico que, a certa altura, tanto encanta como desencanta, sob o calor latinoamericano. No circo, um crime é cometido. Um acto que marcará Fenix para sempre. Criança emancipada do pai, atirador de facas, após o funeral de um elefante (grandioso espectáculo a culminar numa carnificina dos miseráveis, será uma resposta o falhanço e a experiência penosa em “Tusk”), é tatuado no peito com uma fénix: tal pai, tal filho. Mas é esse mesmo atirador de facas quem assina o evento macabro, desmembrando a mãe, a profeta-trapezista, que naquele momento de absolvição dos pecados originais se materializa na santa venerada.

Voltemos ao presente, como queremos acreditar. Fenix luta contra memórias, paranoias e obsessões, uma mistura aguada das heranças paterna e materna: de um lado, o pai bruto, lançador de punhais com libido desmedida; do outro, a mãe, de sensibilidade extrema, fiel a dogmas levados até às últimas consequências. Alejandro Jodorowsky aventura-se sob algumas rédeas, o que se traduz numa narrativa mais convencional e numa imagética mais imediatamente perceptível. Permanece livre, contudo, na abordagem e no mise-en-scène, aplica a sua experiência na mimica e procurou preencher e “decorar” “Santa Sangre” com toda uma classe desfavorecida de não-representáveis no cinema mexicano: prostitutas, travestis, proxenetas, pessoas com trissomia 21, entre outros “desgraçados”. É um filme multiplural, diversificado, e simultaneamente fascinante na forma como filma esses corpos. Daí também a linha directa com Fellini: a magia do disforme, do deplorável, do aparentemente desencantado. Onde um é mais aburguesado, Jodorowsky revela-se excêntrico, febril até para os seus objectos fílmicos.

Santa-Sangre-1989-25-1024x575.jpg

Essa febre contagia a narrativa principal, a do tal homem atormentado alcunhado de Fenix (que como o lendário pássaro, renasce das cinzas para arder uma vez mais), em luta constante com os fantasmas da hereditariedade. Uma releitura de “Psycho”, de Hitchcock,  parente mais próximo do que as variações de Argento produzidas por esta equipa. Várias janelas se abrem para esse clássico, como a da mulher tatuada, constantemente esfaqueada numa decoupage cortante que ecoa a cena do duche de 1960, à cortina que une ambos os filmes e desempenha papel fundamental no segredo mantido sem grande resistência.

Fenix é uma espécie de Norman Bates mexicano, interpretado por Axel Jodorowsky (1965–2022), um dos filhos do realizador. Aliás, não é o único rebento a integrar o elenco: Adan, o mais novo, interpreta Fenix em criança; Brontis, o mais velho (e a criança de “El Topo”), surge como enfermeiro; e Teo (1971–1995), como o chulo dançante. Jodorowsky fala com tristeza da morte deste último, por overdose, confessando por diversas vezes nunca ter conseguido rever o filme desde então.

"A poesia não é apenas escrever versos": antes do pequeno almoço, uma breve conversa com Alejandro Jodorowsky.

Hugo Gomes, 06.07.25

1500493959161-15003228800.jpg

Alejandro Jodorowsky, ao lado do seu filho mais novo e actor Adan Jodorowsky, em "Poesia Sin Fin" (2016)

Estávamos em setembro de 2017, em pleno sábado, e eu, em modo de ronha matinal, mantinha-me na cama até ser surpreendido por uma chamada. Atendi: “Olá, Hugo, sobre a entrevista com o Alejandro Jodorowsky. Ainda estás interessado? Ele está no hotel e ainda te pode receber.

Respondi com um súbito “a caminho” e por via de um salto saí da cama, vesti-me em tempo recorde e “voei” em direção à Avenida da Liberdade, mais especificamente para um hotel a poucos metros do Cinema São Jorge, onde decorreria o MOTELX, o Festival de Cinema de Terror à moda lisboeta. Nesse ano, o certame convidava duas lendas do cinema de género: Roger Corman — o produtor frutífero e prolífero, uma instituição em forma de pessoa, com quem tive o prazer de me cruzar na tentativa de condensar uma carreira longa e multifacetada, com mais de cem filmes creditados, numa ‘coisa’ de vinte minutos — e Alejandro Jodorowsky, o delirante, o onírico poeta-mago-psicodramático, que desceu da sua “montanha sagrada” para se apresentar como cineasta do terror. Discutível, é certo… ainda assim, “Santa Sangre” (1989), uma das obras selecionadas, aproximava-se desse universo. O cineasta chileno, igualmente multifacetado (dramaturgo, escritor, poeta, autor de banda-desenhada e segundo alguns fontes, exímio leitor de Tarot), já motivava multidões que se amontoavam para assistir a uma das duas palestras promovidas pelo festival. Na fila extensa, via-se alguns fãs que entre braços seguravam BDs de autoria jodorowskiana e storyboards — pretendiam mais do que uma “TED Talk”: uma assinatura, ou até uma selfie, duas consoantes capazes de fazer este aventurados felizes.

Contudo, voltando à minha correria: era a oportunidade de estar cara a cara com o realizador de “El Topo” (1970), protagonizado pelo próprio com o seu filho mais velho Brontis, um western à margem das suas conformidades cujo culto o expandiu para outras margens. Tinha pedido este encontro à organização do festival, e a resposta chegou envolta em incerteza: “Ele tem uma agenda cheia. Teríamos de lhe perguntar.” Esperei, então, com alguma expectativa por uma confirmação que tardava, mas que desejava intensamente. Desde novo, os filmes de Jodorowsky fascinavam-me — levavam-me para além do terreno, da minha mortalidade. Talvez tenha sido esse impacto, difícil de traduzir em palavras, que senti ao assistir a “The Holy Mountain” na adolescência. Equiparo essa jornada xamânica a uma “moca” consciente… Desde cedo alimentava o desejo de o conhecer pessoalmente: ele e as suas vontades quase new age, impregnadas de uma espiritualidade performativa. Mesmo que as vozes antagónicas ao seu modo operativo se fizessem ouvir com alguma trovoada nas redes sociais, muitos viam nele um mestre, chegando aos seus gurus com aprovação e consentimento. Outros, porém, dirigiam-lhe os mais vis nomes. Jodorowsky nunca foi totalmente consensual. Uma franja da cinefilia (grande parte dela conformista ou formalmente conservadora) olhava com desconfiança a surrealidade alucinogénica do realizador.

Já na história corrente, não vá deambular com biografias em modo ‘wikipediado’ … Foi então que, à chegada ao hotel, no lounge, Alejandro (permita-me tratá-lo assim) aguardava-me num cadeirão majestoso, óbvia réplica-macaca a destoar um ar versalhês. Mas isso pouco interessava: tinha chegado.

Tens poucos minutos. Ele tem a agenda cheia e ainda não tomou o pequeno-almoço”, advertiu-me a assessora de imprensa. Agradeci. Puxando uma cadeira, não tão pomposa como a dele, sentando à sua frente. Tentando esconder o meu nervosismo de fã, apresentei-me, apertei-lhe a mão: Hugo Gomes… prazer!”, disse num “portunhol” sem espinhas, antes de dar início à [pequena] conversa.

image-w1280.jpg

Santa Sangre (1989)

A minha primeira pergunta é sobre esta sua vinda ao MOTELX, que é um festival com uma temática especialmente ligada ao terror. Isto é, poderemos de alguma maneira considerá-lo um cineasta do terror ou a caminhar para esse género?

Bem, se formos a ver “Santa Sangre” é de uma natureza muito próxima ao terror, diria antes, é um filme de terror, sem querer com isto colocá-lo num género definido. Um dos factores que o bem define nesse género é o seu produtor, Argento

Argento? Dario Argento?

Não, esse é o seu irmão mais velho. Claudio Argento, que também produziu grande parte dos filmes do Dario e cuja família encontra-se bem vincada nesse território. 

Lembro-me na altura, Claudio estar cansado do terror puro, tinha pretensões de experimentar algo diferente, mas mesmo assim, seguiu para minha casa e propôs-me um filme que envolvia a morte de uma mulher. Morte de uma mulher? Perguntei-lhe. Ao qual ele me respondeu, que nos dias de hoje o surrealismo gira em volta em “matar mulheres”. Matar uma mulher? Frisei, porque não matar … não sei … todos os homens, não sei, cavalos, moscas … mas o porquê de matar mulheres? 

Então fiz este filme sobre “matar uma mulher”. Porém, só matei uma. Uma forte e assustadora mulher [risos].  O filme todo é delirante, muito intenso, mas entende-se os motivos psicológicos, a razão profunda pela qual ele é um criminoso. Tem ali algo de psicanalítico, mais profundo, e quando o terror atinge isso, essa profundidade… Qual é o lado positivo que este terror produz? Não é terror só por ser terror. É uma forma de cura. É diferente. Tudo bem, é terror, só que mais profundo.

Uma das frases mais famosas que se usa para descrever a sua carreira é: “não fazer filmes, e sim fazer poesia.

Sim, poesia. Poesia visual acrescento.

Agora, o que é poesia? A poesia não é apenas escrever versos, escrever palavras. Já em Itália, [Filippo Tommaso] Marinetti, no Futurismo, dizia que a poesia é um ato. A partir dessa ideia podemos afirmar que a poesia também pode ser composta por ações poéticas. Não apenas escrita.

Há dois tipos de cinema: o industrial e o de autor. O cinema industrial não é arte, porque está preso ao dinheiro. Não é livre, nem sequer honesto. Faz aquilo que o público gosta, mas não cria nada de novo. Só procura agradar para gerar lucro. É uma indústria. Já o de autor é arte, quando é bem feito, claro. Porque é uma sucessão de atos poéticos. e o que é um ato poético? É um ato livre e honesto. Autêntico. Não há fingimento. Não há falsidade. Apenas vai à procura de uma verdade interior.

Isso sim, é poesia! Os teus poemas são verdadeiros. Penso na obra em si, e não nos frutos industriais dessa obra. O fruto industrial é o dinheiro, o poder e a fama. É isso que o cinema industrial procura: o dinheiro é o lucro, a fama são os actores, e o poder está ligado ao governo, porque todos os filmes industriais estão, de alguma forma, sob o controlo da política oficial. Eu não faço isso. Eu faço cinema de arte!

Claro, se fizeres um filme teu — verdadeiro, livre — e ele for um sucesso económico, tu não pediste esse dinheiro. Deus deu-to. Abre o bolso... e assim recebes. Porque não o pediste. Simplesmente veio ter contigo.

Sobre essa questão, deixa-me ir a um dos seus primeiros filmes, “El Topo”. John Lennon tornou-se um acérrimo fã …

Sim, gostou muito. Sem dúvida.

E deu-te dinheiro para fazer “The Holy Mountain”? Ou seja, se não fosse essa relação, o Jodorowsky não conseguiria o seu salto?

Sim, “The Holy Mountain" foi um “game changing” na minha carreira.

Ele pediu ao Allen Klein, que era o empresário dos Beatles, dos Rolling Stones e do Bob Dylan, que me ajudasse. Era um produtor incrível… mas um homem terrível. Então o John Lennon enviou-me até ele. Pediu-lhe que me desse um milhão de dólares para eu fazer o que quisesse. E foi isso que eu fiz: o que quis [risos].

[risos] É sabido que em “The Holy Mountain”, o Alejandro experimentou drogas — LSD, cogumelos — para idealizar o filme. É verdade? As ideias do filme baseiam-se nessas suas experiências e efeitos?

Sim. Como é que posso explicar…? Foram cogumelos sagrados. Mas não foi uma coisa contínua. Só uma vez. Porque estava a seguir um guru. Um mestre espiritual. Eu, nessa altura, não era mestre, então senti que precisava de saber como funciona a mente de um mestre.

Fiz a experiência. Mas apenas duas vezes. Não constantemente.

image-w1280 (1).jpg

El Topo (1970)

Portanto, “The Holy Mountain” é baseado nessa tua experiência — seja visual, mental…

Era um filme muito avançado para a época. O produtor enlouqueceu e decidiu não o lançar. Queria que fizesse um filme produzido pela Playboy … sim, a revista Playboy [risos] … com muitas mulheres, e a matar mulheres. Como um desses filme de terror, a matar mulheres. Fugi disso [risos]. Não quis fazer.

E ele disse-me: "Se não fizeres isso, ninguém vai ver o teu filme." Durante 30 anos ele não mostrou o filme. Trinta anos! Dizia: “Ninguém vai entender mesmo.” Entretanto, tinha algumas cópias de trabalho, em vídeo… Dei-as a todos os piratas: na Rússia, no Chile, nos Estados Unidos.

As pessoas viam esse filme e também “El Topo” em más condições. Entretanto, o meu inimigo, Allen Klein, envelheceu, mas tinha um filho, muito boa pessoa, Jody Klein, que assumiu o negócio. Contactou-me. Conversámos. Resolvemos o problema, e, passados 30 anos, finalmente estreou o meu filme nos Estados Unidos.

E agora o filme está a ser exibido em Hollywood. Ainda hoje. Ainda anda em cartaz por lá.

E é um filme de culto.

Mais do que isso.

Mais do que um filme de culto?

Hoje em dia as pessoas conseguem compreendê-lo. Esse filme… 

E há rumores de que vai existir uma sequela de “El Topo”.

Sim, sim, sim.

E será você a fazê-lo?

Sim. Mas para o fazer, vou usar animação.

Animação?

Sim. Para isso, estou a trabalhar com um artista fantástico, um génio, que se chama José Ladrönn. É mexicano  e vai desenhar uma banda desenhada, como se fosse um storyboard cinematográfico. Já fizemos o primeiro volume, vão ser três no total. Estamos a terminar o segundo volume. Quando os três estiverem prontos, teremos todas as imagens do filme já desenhadas, e assim terei possibilidade de angariar financiamento para fazer “El Topo 2.

É isso que estou a fazer e gosto da ideia de ver isso realizado. Também estou a trabalhar num documentário sobre psicomagia, estou a produzi-lo neste momento.

Como o seu apelido, Psychomag.

Sim, estou mesmo a fazer isso. Além disso, estou a preparar a terceira parte da trilogia autobiográfica - “La danza de la realidad” (2013) e “Poesia sin fin(2016). Agora, a jornada essencial da terceira parte está terminada.

E depois… morro.

Entrevista de 2017, no âmbito do MOTELx, repescada e reeditada para acompanhamento das sessões de “El Topo”, a ser projetado na Cinemateca nos dias 07/07 [Esplanada, 21h45] e 18/07 [Sala Félix Ribeiro, 15h30]