“Slow cinema” com alma?

Dentro do mercado de cinema de autor, Tsai Ming-liang é um apogeu do tempo enquanto barro a ser moldado. Em “Rizi” (“Days”), apresentado na Competição do último Festival de Berlim, é uma obra que apela à paciência do espectador como o seu grande cúmplice, repensando os gestos quotidianos como elementos de impasse para um (re)encontro terno e sentido. Depois da subsistência de “Stray Dogs”, o malaio a operar em Taiwan “abocanha” a solidão como base do seu cinema e como fio condutor da nossa sensibilidade. Somos ligados a isso e através disso mesmo é que “Rizi” funciona como um fascinante e desafiante retrato da nossa atualidade. Talvez nos tenhamos convertido em seres cada vez mais impacientes para apreciarmos a sinfonia do “slow cinema” com alma.