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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Sin City: A Dame To Kill For (2014)

Hugo Gomes, 29.08.14

Entre femme fatales e rufiões!

 

Esperamos nove anos por isto, mas foi por fim que chega até nós, Sin City: A Dame to Kill for, a segunda visita à Cidade do Pecado e aos seus peculiares habitantes, todo o tipo de "corja" convertido em heróis de banda desenhada na série de graphic novels de Frank Miller, que em conjunto com Robert Rodriguez convertem os ditos "quadradinhos" ao grande ecrã. A primeira experiência ocorreu em 2005 e apresentou ao mundo cinematográfico uma nova definição de adaptação de uma BD, uma cópia frame to frame que regeu a toda a estilização da matéria-prima. O que para muitos foi considerado o digno da palavra de integração da BD no Cinema, outros apelidaram-no do verdadeiro anti-cinema, a conversão de uma linguagem cinematográfica em prol de uma transferência de plataformas divergentes. Assim sendo, para quem cujo julgamento foi o último, A Dame for Kill For é a continuação desse mesmo sentimento e a distância remetida.

 

 

 Mas para quem "ousa" novamente em entrar nesta panóplia do universo noir, fica o aviso, a Cidade não está como antigamente. Com isto não refiro que o cenário nem o argumento desvie por completo da anteriormente apresentada Sin City de 2005, nada disso, nesse termo o tudo está intacto, mas a temática deste não. O próprio conceito de adaptação é longo burlado, existe intrusos entre nós, são duas histórias de Frank Miller integralmente levadas para o grande ecrã e outras duas criadas originalmente para o filme. Conclusão, a rigidez formal de 2005 dá a vez a rasgos libertinos que fazem, principalmente nas intrigas especialmente criadas para a sequela, sentir uma versatilidade visual que acentua o desleixo do rigor copista. É como se tivéssemos a assistir a um outro tipo de filme que não fosse Sin City, mas que plagia a sua estética (tal como acontecera com The Spirit de Frank Miller).

 

 

Enfim, já adivinhávamos que o impacto, esse, seria perdido com esta sequela, porém para qualquer fã que preze do original, A Dame to Kill For é um obra que traz algum regalo e reconforto. Mickey Rourke continua impagável como Marv, o comic relief desta demanda pela violência e luxúria, o detentor de algum dos momentos mais divertidos. Mas é Eva Green o "trunfo" deste "baralho", magnética e sensualmente cruel como o tributo ao arquétipo de femme fatale o qual veste a "pele" - o pesadelo de qualquer homem, a manipulação curvilínea que alude aos maiores medos da sociedade humana, sermos controlos sem a nossa percepção. Como sabem, a chamada "dama fatal" é uma das figuras incontornáveis do universo noir, e a sua inserção em Sin City resulta em torna-lo ainda mais completo nesse sentido. Talvez seja por isso que o segmento de Eva Green seja o mais elaborado e astuto (o exemplar baseado num livro original).

 

 

Em contrapartida, a última história, a vingança de Nancy Callahan (interpretada novamente por Jessica Alba) em "Nancy's Last Dance", é a mais desequilibrada e presa às caricaturas criadas por o então legado, sem falar dos anacronismo que comete em relação ao seu próprio universo. Todavia é encerrado por um twist final que não sendo genial, é reactivamente engenhoso. Pois, é que de gratificantes momentos em Sin City 2 não faltam, mas a sua totalidade é debilitante e por vezes suplicante. Esperamos nove anos para ter acesso a um filme desigual sob um visual cujo o espanto desvaneceu à algum tempo.      

 

Buddy, I don't mean to poke my nose in where it don't belong, but that there is a dame to kill for. Why'd you let her go?”

 

Real.: Robert Rodriguez, Frank Miller / Int.: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Juno Temple, Eva Green, Jessica Alba, Rosario Dawson, Mickey Rourke, Josh Brolin, Christopher Meloni, Ray Liotta, Jeremy Piven, Dennis Haysbert, Christopher Lloyd

 

 

Ver Também

Sin City (2005)

 

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