Serenidade, Ecologia e Humanismo ... não é "Lindo" quem quer, é Natureza!

“Lindo é um filme lindo” … olha que fácil! Prova viva da criatividade... sublinha-se com ironia para confundem ou são pobres em interpretar tons … da arte do comentário acerca deste filme, Margarida Gramaxo. Nada contra a obra; até porque o “Lindo” do título não é um adjetivo, mas sim o nome de um dos pescadores de tartarugas marinhas de São Tomé e Príncipe que o filme acompanha, ainda assim, recorro à previsibilidade dos elogios e palmadinhas nas costas que a obra poderá angariar como agrado instantâneo. Mas voltando ao filme — já que nunca lá entrámos verdadeiramente — e deixando de parte a toxicidade desse “amiguismo”, é com “Lindo” que partimos para o fundo do mar, em busca desses quelónios ameaçados de extinção, mas ainda “fruto” de sobrevivência para a população que os pesca para transações comerciais. A comoção em protegê-los conduz-nos a esse dilema: o ambiental e o humano.
Sentindo-se, à beira de uma mesa com vinho, a discutir, sem falas ou baratices intelectualizadas de primeiro mundo, com a simplicidade do empirismo local. Sem nunca esconder a frustração perante esse tal “mundo branco”, que chega e rouba os recursos, esta ecologia emanada, vulgarizada pela copofonia do real, é ainda assim mais rica do que todos os discursos da Greta Thunberg juntos. Até chegarmos a esse ponto, lembro-me (sim, eu sei que repito esta história com frequência) de quando Béla Tarr me respondeu a uma abstrata pergunta: “O que é o Cinema?”. Apontou para a mesa ao lado, cheia de jovens nos seus afazeres, diálogos e copos. “Aquilo é cinema... relações.” Desde então, sempre que me deparo com algazarras como as que “Lindo” apresenta, e permaneço nessa companhia, Tarr parece segredar-me ao ouvido. Mas antes disso, as tartarugas nadam no seu habitat, os pescadores, como Lindo, seguem-lhes o rastro. As imagens subaquáticas revelam, com facilidade, a etiqueta: “Lindo é um filme lindo”. Pasmem-se na contemplação da Natureza, para que, no final, em praias nocturnas, torçamos tanto pela esperança da espécie como pela sobrevivência desses homens e das suas famílias.
A câmara de Gramaxo alia-se quer ao animal como ao humano, traçando uma nova espécie, um equilíbrio que evita alimentar-se de ecologismos combativos e, por vezes, agressivos, é uma ecologia humanista, que ignora o facto óbvio: a própria ecologia é já uma preocupação humana com a nossa sobrevivência enquanto espécie. Portanto... “Lindo” apenas nada nessas incertezas, sem predefinir armas de batalha … a não ser os diálogos. Há que aprender com a sua “lindeza”.







