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5.4.14

Que tipo de mensagem é esta? Sei lá!

 

Estamos de momento a viver a austeridade, com os cortes e a insegurança de um futuro incerto na vida social e económica, mas para além disso tudo, eis que surge para o bem dos nossos "pecados" Sei Lá, a adaptação do primeiro romance de Margarida Rebelo Pinto aos cinemas. A transição de um romance de cordel para o grande ecrã resultou numa comédia romântica onde a autora salienta a emancipação feminina de modo a argumentar uma defesa para a falta de relevância com que as mulheres são encaradas pelos homens na sociedade actual.

 

 

Porém, algo que à partida poderia sair a favor das próprias mulheres, menosprezando a figura masculina e distribuindo-a por catálogos, revela-se um tiro pela culatra em função de um tratamento igualmente desprezível das personagens femininas que Margarida Rebelo Pinto defende. Fúteis, superficiais mas acima de tudo estereótipos sem objectividade que pavoneiam o ecrã munidas de malas "Guccis", vestidos caros e elaborados, tudo isto para tecer um romance incoerente e inacreditavelmente risível, onde os devaneios amorosos são elevados a uma espécie de "hagiomaquia" penosa e arrastada que leva a espectador a um final fantasioso que aspira ao conto de fadas. Ou seja, tudo cai no ridículo no preciso momento em que Sei Lá aborda as pseudo-ideologias feministas para orquestrar um enredo e subenredos que desafiam as próprias fronteiras da moralidade social, tudo isto sob a capa de um produto cinematográfico enfraquecido e pobre.

 

 

Quase como um atentado ao cinema, este é um filme (se poderemos chamar assim) que pouco ou nada se distingue das inúmeras telenovelas que "empapam" as nossas grelhas televisivas. Movido por um elenco sem brilho (não voltando a referir a ausência de personagens verdadeiramente construídas) onde o único actor de excepção é Joaquim Leitão. Sim, é o realizador, o homem que fora nos anos 90 responsável pela ressurreição do cinema comercial português que encena aqui a má matéria-prima sob um competente trabalho técnico (mesmo assim este é das suas obras realizadas menos inspiradoras nesse feito), ou seja, é só "enfeites". Contudo, ninguém tira a ideia que a decisão para adaptar e explorar tal fruto é obviamente derivado à busca do mediatismo e do sucesso fácil, a fim de compensar a fraca perfomance do seu anterior filme, Quarta Divisão, nas bilheteiras.

 

 

Este rip-off da série norte-americana O Sexo e a Cidade é um OVNI narrativo, um equivocado projecto cinematográfico de visão distorcida e anoréctica acerca das mulheres em geral (sim, Margarida eu perdoo-te pelas ofensas directas aos homens), o que se torna ofensivo, apesar de não se esperar aqui uma reprodução de Scarlett O'Hara. De dramaticamente burlesco para involuntariamente desesperante, Sei Lá é uma criminalidade sem igual, algo que caiu de pára-quedas" e que não se enquadra no panorama actual nem mesmo na própria definição de cinema. Com isto tudo chego a dar razão a João César Monteiro que citou perante aos ataques críticos ao seu Branca de Neve - "Queriam o quê? Telenovela?" - Ora bem, temos a resposta.

 

"Não mordo, eu engulo."

 

Real.: Joaquim Leitão / Int.: Leonor Seixas, Patrícia Bull, Gabriela Barros, Ana Rita Clara, António Pedro Cerdeira, David Mora, Rita Pereira, Paula Lobo Antunes

 

 

2/10

publicado por Hugo Gomes às 17:15
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3 comentários:
De Joana Pires a 7 de Abril de 2014 às 23:08
Ás vezes uma pessoa ainda fica a pensar: "Bem... é cinema português, vamos até ao cinema para tentar ajudar as produções nacionais". Mas realmente desde que ouvi falar deste filme, nunca tive esse pensamento, mesmo sendo um filme português, baseado num romance português. Não gosto da autora do livro, o que pode ajudar. Mas obrigado porque através desta crítica consegui perceber que não perdi tempo e dinheiro com este "Sei Lá".


De paulocosmeskonda a 12 de Abril de 2014 às 23:03
asmpidade e o sirriso que epirre muito que e amor


De Ele a 13 de Abril de 2014 às 11:50
Quando quero ver merda merda vou ao youtube, não preciso de pagar no cinema!


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Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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