… não, não é a dança!
Mesmo tendo em conta o resultado, filmes como este Samba são necessários numa França que cada vez mais expõe ao resto do mundo a sua repugnância pelos imigrantes - ainda mais que porque salienta o humor como a melhor arma de crítica. Mas enquanto as intenções aqui são boas, o filme ... bem, vou passar a explicar.
Realizado por Eric Toledano e Olivier Nakache, os mesmos por trás do êxito de Intouchables (Os Amigos Improváveis), Samba assenta como uma reprimenda ao sistema de avaliação e integração dos imigrantes ilegais a França e os conflitos sociais e políticos envoltos, mas o faz com uma afinada palete de humor ligeiro e dinâmico ao registo narrativo. Por outras palavras, a dupla recupera o tom do seu anterior sucesso e até o protagonista (Omar Sy) é reciclado nesta suposta "epopeia" humana, que clarifica desde cedo a ligeireza com que aborda temas sérios e de mediatismo público. Enquanto em Intouchables a abordagem cómico-dramática funciona sob um jeito equilibrado e requintado, aqui somos induzidos a um "quero ser um sucesso de bilheteira à força".
A linguagem fílmica usada aqui é do mais mainstream e, para além disso, sob um cariz meio adolescente nas articulações das suas personagens (mesmo que Omar Sy se encontra imaculado e fortemente carismático na sua entrega). Um exemplo disso é a inserção algo forçada e demasiado fabulista de um romance que, por sua vez, é conduzido através de peripécias burlescas. Do outro lado deste caso amoroso deparamos com uma Charlotte Gainsbourg a repetir de forma leviana o seu papel em Ninfomaníaca, de Lars Von Trier, ou diríamos antes, uma caricatura da mesma. Depois são os estereótipos raciais e étnicos, sabendo que o filme tenta de tudo para os evitar, ou pelo menos "disfarçar" o panorama conquistado.
Mas onde Samba falha mesmo é na sua "máscara" manipuladora, a persuasão de levar espectador a "abraçar" causas esquecidas pelo meio e pelo próprio filme - que prefere concentrar em subenredos de comédia romântica que supostamente na temática que havia prometido. Demasiado indulgente na sua abordagem, a nova obra de Eric Toledano e Olivier Nakache é um "crowd pleaser" que utiliza o humor como arma de destruição de um alvo definido. As miras é que são as incorrectas.
Filme visualizado na 62ª edição do Festival de Cinema Internacional de San Sebastian
Real.: Eric Toledano, Olivier Nakache / Int.: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim
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